MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

c. 2900 a.C. Datação em debate

Adoção do calendário civil de trezentos e sessenta e cinco dias

O Egito passou a organizar o ano administrativo em doze meses de trinta dias, mais cinco dias acrescentados ao fim, distribuídos em três estações de quatro meses. Sem nenhuma correção periódica, esse ano civil deslizava um dia a cada quatro anos em relação às estações reais.

Período Tinita Administração calendário Sirius estações cronologia

Contexto

As três estações levavam nomes tirados do próprio ciclo do rio: a da inundação, a da terra emergindo com as lavouras e a da seca e da colheita. Cada uma tinha quatro meses de trinta dias, e ao final vinham cinco dias adicionais, associados ao nascimento de um grupo de divindades. Esse ano servia a contratos, tributos, rações e registros de obra, enquanto as festas de templo continuaram a seguir o ciclo lunar, de modo que dois calendários funcionaram lado a lado por toda a história egípcia. Na intenção original, o ano abria com o reaparecimento de Sirius no horizonte antes do amanhecer, fenômeno que coincidia com a chegada da cheia.

A dificuldade está em datar a adoção. Os documentos que descrevem o sistema em pleno funcionamento pertencem ao Antigo Império, muito depois do reinado a que a tradição historiográfica atribui a reforma. Como o ano civil era mais curto que o ano solar, ele atravessava lentamente as estações e só voltava a coincidir com elas depois de cerca de mil e quatrocentos anos. Alguns autores usaram esse ciclo para retroceder até um ponto de coincidência e propor uma data de criação; o resultado varia conforme as premissas adotadas, e as propostas se distribuem entre a I Dinastia e o começo do Antigo Império.

Sobre a datação

A data de adoção é obtida por retrocálculo a partir de observações posteriores do nascer helíaco de Sirius, método que depende de premissas não verificáveis sobre o ponto de observação e a ausência de reformas. As propostas dos especialistas variam por séculos, e nenhum documento do período registra a mudança.

Importância histórica

O calendário civil é a criação egípcia de vida mais longa em uso prático: sobreviveu ao período ptolemaico, foi adotado pela administração romana e serviu de base a cálculos astronômicos posteriores. Seu deslizamento em relação às estações também deu à egiptologia sua principal ferramenta e seu principal problema, porque datas obtidas a partir de Sirius só ancoram uma cronologia se as premissas do retrocálculo se sustentarem, e elas continuam em discussão.

Consequências

  • Deu à administração um ano de duração fixa, adequado a contratos, tributos e rações.
  • Manteve dois calendários em uso simultâneo, um civil e outro lunar, para as festas de templo.
  • Produziu o deslizamento das estações que autores gregos e romanos descreveram mais tarde.
  • Tornou-se a base dos cálculos de cronologia absoluta feitos pela pesquisa moderna.

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