MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

c. 3000 – 2890 a.C.

I Dinastia

A primeira linhagem a governar o vale e o delta como uma unidade política. Estabeleceu a titulatura real, a contabilidade de Estado e o costume de enterrar os reis em complexos funerários em Abidos, acompanhados de túmulos subsidiários.

Período Tinita 8 acontecimentos

Cronologia

Acontecimentos atribuídos à I Dinastia

c. 3000 a.C. Datação aproximada Unificação do Egito e a paleta de Narmer A paleta de Narmer, uma placa de siltito de mais de sessenta centímetros achada em Hieracômpolis, mostra o rei abatendo um cativo de joelhos e, no outro lado, desfilando entre inimigos decapitados. É uma… Dinastias I Dinastia Narmer Alto Egito
Localização
Hieracômpolis, com alcance sobre todo o vale e o delta
Alto Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Narmer

As duas faces da peça foram esculpidas em registros sobrepostos. Em uma delas, o rei usa a coroa branca do Alto Egito e ergue uma maça sobre um prisioneiro ajoelhado, enquanto um falcão segura pela boca a cabeça de outro adversário. Na face oposta, ele aparece com a coroa vermelha do Baixo Egito à frente de portadores de estandartes, diante de corpos decapitados; abaixo, um touro derruba a muralha de um recinto fortificado, e no alto felinos de pescoço entrelaçado emolduram a cavidade circular de moer pigmento. A reunião das duas coroas em um objeto só é o que sustenta a leitura de domínio sobre as duas metades do país.

O reinado de Narmer é situado por volta de 3000 a.C. a partir da sequência cerâmica e de modelos estatísticos de datação por radiocarbono. Não há eclipse, sincronismo com outro reino ou documento contemporâneo que permita fixar o ano.

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c. 2990 a.C. Datação aproximada Fundação de Mênfis como sede do governo No ponto em que o vale se abre para o delta instalou-se a cidade que os egípcios chamaram de Muralha Branca e que a tradição posterior atribuiu ao primeiro rei. Mênfis passou a concentrar o governo, os… Construções I Dinastia Aha Baixo Egito
Localização
Mênfis, na entrada meridional do delta
Baixo Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Aha

A escolha do lugar tem lógica evidente. Quem se instala na entrada meridional do delta controla ao mesmo tempo o tráfego que sobe o vale e a rede de braços que se abrem para o norte, além de ficar a poucos dias de viagem das rotas para o Sinai e para o Levante. O nome egípcio mais antigo da cidade, Muralha Branca, descreve provavelmente um recinto fortificado de tijolo caiado. A designação Mênfis vem do grego e deriva de Men-nefer, nome do complexo funerário de um rei do Antigo Império que acabou aplicado a toda a aglomeração.

Não existe inscrição de fundação: a data resulta da associação com o reinado de Aha e das mastabas mais antigas de Saqara. As camadas iniciais da cidade seguem soterradas por aluvião e abaixo do nível da água subterrânea.

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c. 2980 a.C. Datação aproximada Selos e etiquetas inauguram a contabilidade de Estado Nas tumbas reais de Abidos acumularam-se etiquetas de madeira e marfim e milhares de impressões de selo cilíndrico em tampas de vaso. Elas registram o produto, a quantidade, a propriedade rural de origem e o… Administração I Dinastia Aha Alto Egito
Localização
Abidos e Mênfis
Alto Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Aha

O mecanismo era simples e eficaz. O selo cilíndrico, rolado sobre a argila fresca que fechava uma jarra ou uma caixa, deixava impresso o nome da instituição responsável e, muitas vezes, o do funcionário que respondia pela remessa. As etiquetas, perfuradas e amarradas à mercadoria, indicavam o conteúdo, a medida e a propriedade que o havia entregado. Como o ano recebia o nome de um feito do rei, e não um número, essas mesmas etiquetas funcionavam também como referência de tempo, ligando cada entrega a um momento reconhecível do reinado.

As etiquetas datam por acontecimento memorável, não por ano de reinado contado, de modo que a ordem interna é reconstruída pela sucessão dos reis e pela estratigrafia dos depósitos. Isso deixa margem de décadas nas datas absolutas.

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c. 2950 a.C. Datação aproximada O túmulo de Djer e os enterramentos subsidiários Em Umm el-Qaab, a câmara de tijolo de Djer foi cercada por centenas de sepulturas menores, cobertas de uma só vez e ocupadas por mulheres, servidores e artesãos da corte. A leitura majoritária é que se trata… Mudanças religiosas I Dinastia Djer Alto Egito
Localização
Umm el-Qaab, necrópole real de Abidos
Alto Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Djer

O túmulo consiste em uma grande câmara forrada de tijolo, que abrigava um santuário de madeira, cercada por fileiras regulares de covas pequenas. Muitas delas tinham estelas com nome e função do ocupante, o que permitiu reconhecer mulheres do palácio, servidores domésticos e pessoas de baixa estatura ligadas ao entretenimento da corte. Um segundo conjunto de sepulturas acompanha o recinto de culto do mesmo rei, mais perto da área cultivada. O fato de todo o conjunto ter sido coberto em uma única operação é o argumento central da interpretação corrente, já que nenhuma dessas covas foi reaberta depois.

A duração do reinado de Djer é estimada por meio das etiquetas de ano e de fragmentos de anais gravados séculos mais tarde, que divergem entre si. A data indicada corresponde ao meio de um intervalo de algumas décadas.

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c. 2940 a.C. Datação aproximada Primeiras expedições de Estado ao Sinai Painéis gravados na rocha do sul do Sinai trazem nomes dos primeiros reis egípcios ao lado de barcos e de sinais de posse, indício de que a coroa já enviava turmas à península em busca de turquesa e de minério… Comércio I Dinastia Djer Sinai
Localização
Uádi Magara, no sul do Sinai
Sinai
Dinastia
I Dinastia
Governante
Djer

As inscrições estão distribuídas por uádis do sudoeste da península, gravadas em paredões junto a rotas de acesso. Ao lado dos nomes reais aparecem embarcações, o que sugere chegada por mar através do golfo de Suez e depois marcha para o interior, e não a travessia terrestre pelo norte. A turquesa extraída ali foi usada em joias recolhidas nos túmulos de Abidos, e o cobre alimentava a produção de ferramentas, agulhas e recipientes que o vale não tinha como obter em quantidade por outros meios.

Os painéis gravados na rocha nomeiam reis, mas não contam anos: a expedição é atribuída ao reinado de Djer pela leitura desses nomes, e sua posição absoluta depende da cronologia adotada para a I Dinastia.

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c. 2900 a.C. Datação em debate Adoção do calendário civil de trezentos e sessenta e cinco dias O Egito passou a organizar o ano administrativo em doze meses de trinta dias, mais cinco dias acrescentados ao fim, distribuídos em três estações de quatro meses. Sem nenhuma correção periódica, esse ano civil… Administração I Dinastia Den Todo o Egito
Localização
Administração central, em Mênfis
Todo o Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Den

As três estações levavam nomes tirados do próprio ciclo do rio: a da inundação, a da terra emergindo com as lavouras e a da seca e da colheita. Cada uma tinha quatro meses de trinta dias, e ao final vinham cinco dias adicionais, associados ao nascimento de um grupo de divindades. Esse ano servia a contratos, tributos, rações e registros de obra, enquanto as festas de templo continuaram a seguir o ciclo lunar, de modo que dois calendários funcionaram lado a lado por toda a história egípcia. Na intenção original, o ano abria com o reaparecimento de Sirius no horizonte antes do amanhecer, fenômeno que coincidia com a chegada da cheia.

A data de adoção é obtida por retrocálculo a partir de observações posteriores do nascer helíaco de Sirius, método que depende de premissas não verificáveis sobre o ponto de observação e a ausência de reformas. As propostas dos especialistas variam por séculos, e nenhum documento do período registra a mudança.

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c. 2900 a.C. Datação em debate Merneite recebe honras reais em Abidos Em Umm el-Qaab foi construída, para uma mulher chamada Merneite, uma tumba de dimensões comparáveis às dos reis, cercada de sepulturas subsidiárias e marcada por estelas com seu nome. A regência que se costuma… Faraós I Dinastia Merneite Alto Egito
Localização
Umm el-Qaab, Abidos
Alto Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Merneite

Os elementos materiais são claros. A sepultura de Merneite em Abidos tem tamanho e planta equivalentes aos túmulos dos reis da mesma dinastia, com câmara central de tijolo, depósitos ao redor e um cinturão de covas de servidores, tratamento que nenhuma outra mulher do período recebeu. Duas estelas de pedra registram seu nome, e uma impressão de selo achada na tumba de Den a inclui em uma relação de soberanos, com o título de mãe do rei. É o conjunto mais antigo de honras funerárias de nível real concedidas a uma mulher no Egito.

A posição de Merneite depende de sua associação com Den, cujo reinado já é datado por aproximação, e nenhuma etiqueta de ano traz seu nome. O ano indicado é apenas uma referência dentro do intervalo estimado para essa parte da I Dinastia.

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c. 2880 a.C. Datação aproximada Den formaliza o título de rei das Duas Terras O reinado de Den deixou o maior número de documentos da I Dinastia, e é nele que aparece o título formado pelos emblemas do junco e da abelha, declaração de governo sobre o Alto e o Baixo Egito. Sua tumba em… Administração I Dinastia Den Todo o Egito
Localização
Mênfis e Abidos
Todo o Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Den

O novo título reúne duas plantas e dois animais heráldicos que representam as metades do país e passa a integrar de forma permanente o conjunto de nomes do rei, ao lado daquele escrito no retângulo encimado pelo falcão. A mudança não é decorativa: fixa em linguagem oficial a ideia de que o soberano governa duas terras reunidas em sua pessoa, fórmula que sobreviveu até o fim da história faraônica. Do mesmo reinado vêm etiquetas que mencionam o percurso periódico do rei pelo país, uma viagem de inspeção e arrecadação repetida a cada dois anos.

O reinado de Den é longo o bastante para aparecer em várias séries de etiquetas, mas a contagem exata de seus anos é discutida e as fontes tardias se contradizem. As datas absolutas seguem a cronologia convencional, com margem de algumas décadas.

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