Sequência contínua
A linha do tempo completa
Todos os acontecimentos do acervo em ordem cronológica, agrupados pelos doze blocos da periodização egípcia. Abra qualquer ficha para ver a localização, a dinastia, o governante e o contexto imediato, ou entre no registro completo para ler as consequências e as referências.
Percurso cronológico completo Largura proporcional à duração de cada bloco
Período Pré-Dinástico
c. 5300 – 3000 a.C.
9 acontecimentos
c. 5300 – 4500 a.C. Datação aproximada Primeiras aldeias agrícolas se fixam no vale do Nilo Entre a depressão do Faium e Merimda, no norte do vale, grupos que viviam da caça e da pesca passaram a semear trigo e cevada e a criar ovelhas, cabras e porcos. Surgiram assim as primeiras aldeias estáveis do…
- Localização
- Depressão do Faium e região de Merimda, no norte do vale
Médio Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
O trigo e a cevada cultivados no Egito não são plantas nativas do vale: chegaram do sudoeste asiático, junto com ovelhas e cabras, e tiveram de ser adaptados a um regime de cheia anual muito diferente das chuvas de inverno em que haviam sido domesticados. No Faium, as comunidades mais antigas ocupavam as margens de um lago então bem mais extenso, pescavam em grande quantidade e guardavam a colheita em silos forrados de cestaria, cavados em terreno seco longe da água. A lavoura conviveu por muito tempo com a caça e a coleta, sem substituir nenhuma delas de imediato.
As balizas vêm de datação por radiocarbono aplicada a grãos, cestaria e carvão recolhidos no Faium e em Merimda, com margens que alcançam alguns séculos. Não existe nenhum registro escrito para conferir esses números.
c. 4400 – 4000 a.C. Datação aproximada Cultura badariana organiza os primeiros cemitérios do Alto Egito Nos arredores de El-Badari, comunidades do vale passaram a enterrar seus mortos em cemitérios apartados das casas, com o corpo recolhido sobre esteiras, potes de paredes finíssimas e os primeiros objetos de…
- Localização
- El-Badari, no Médio e Alto Egito
Alto Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
O enterro badariano segue um padrão reconhecível: cova oval na franja do deserto, corpo em posição recolhida e envolto em esteira ou pele, cabeça voltada para o sul e rosto para o oeste. Junto ao morto ficavam potes de superfície vermelha e bordo negro, alguns com paredes tão delgadas que exigiam torno de mão firme e queima controlada, pentes e colheres de marfim, paletas de siltito para moer malaquita e contas de esteatita vitrificada e de cobre trabalhado a frio. Havia também sepulturas de bois, ovelhas e canídeos tratadas com o mesmo cuidado.
A cultura badariana é situada pela posição de sua cerâmica na sequência do Alto Egito e por um número reduzido de amostras datadas em laboratório. Os limites de quatro séculos são convenção de trabalho, não marcos precisos.
c. 4000 – 3400 a.C. Datação aproximada Maadi e Buto ligam o delta ao Levante Maadi, ao sul do Cairo atual, e Buto, no delta ocidental, concentraram no norte um tráfego regular com o Levante: jarras cananeias em quantidade, minério de cobre, betume do Mar Morto e cômodos semienterrados…
- Localização
- Maadi, ao sul do Cairo atual, e Buto, no delta ocidental
Baixo Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
Maadi funcionava como ponto de troca. Suas camadas guardam recipientes de fabricação levantina em número alto demais para presentes ocasionais, minério e lingotes de cobre provavelmente vindos da região do Arabá, vasos de basalto e blocos de betume do Mar Morto. Parte das construções consiste em cômodos escavados no solo com acesso em rampa, solução comum no norte do Negueve e sem paralelo egípcio, o que sugere a presença de gente de fora morando no lugar. Ossos de asno indicam transporte por caravana pela costa do norte do Sinai.
O intervalo cobre várias fases da cultura do Baixo Egito e é ancorado principalmente em correlações entre a cerâmica local e as sequências do sul do Levante, com apoio pontual de análises de laboratório.
c. 4000 – 3500 a.C. Datação aproximada Nacada I define a cerâmica de bordo negro e a arte pré-dinástica Na fase de Nacada I as oficinas do Alto Egito padronizaram o pote vermelho de bordo negro, obtido pela queima com a boca enterrada nas cinzas, e criaram a louça de linhas brancas, com as primeiras cenas…
- Localização
- Nacada, no Alto Egito
Alto Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
O efeito do bordo negro não é pintura: o vaso recebia engobe vermelho polido e era assado de boca para baixo, de modo que a falta de oxigênio carbonizava a borda e a parte interna, criando um contraste nítido e regular. A repetição desse resultado em milhares de peças indica queima controlada e oficinas que trabalhavam com procedimento fixo. Ao lado dessa louça aparece a de linhas brancas, em que o pintor traçava sobre o fundo vermelho figuras de caçadores com arcos, animais em fila, plantas, barcos e cenas de dança com braços erguidos.
A fase é definida por tipos de vaso, não por datas: as balizas absolutas resultam de modelos que combinam a sequência cerâmica com séries de análises de laboratório, e se deslocam a cada revisão desses modelos.
c. 3600 a.C. Datação aproximada Hieracômpolis produz cerveja em escala industrial Em Hieracômpolis foram localizadas instalações com fileiras de grandes cubas cerâmicas assentadas em barro e aquecidas por baixo, usadas para cozinhar mosto de trigo em lotes de centenas de litros. A produção…
- Localização
- Hieracômpolis, no Alto Egito
Alto Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
Cada cuba comportava algumas dezenas de litros, e elas apareciam agrupadas em conjuntos de cinco ou seis, encaixadas em uma base de argila com espaço para o fogo. Restos de trigo moído e carbonizado nas paredes internas confirmam o uso, e o volume de um único lote ultrapassa em muito o que uma família consumiria. Cerveja no Egito não era bebida de ocasião, e sim alimento diário, espesso e nutritivo, obtido do mesmo grão que dava o pão. Produzi-la nessa quantidade significa alimentar um grupo grande em dia certo.
A instalação foi datada por análise de laboratório em grãos carbonizados retirados das cubas e pela cerâmica associada, o que a situa em torno de 3600 a.C. com margem de cerca de um século.
c. 3500 – 3200 a.C. Datação aproximada Nacada II expande o comércio de longa distância A fase de Nacada II trouxe as jarras de asa ondulada, os vasos decorados com frotas de barcos e, acima de tudo, matérias-primas de origem remota: lápis-lazúli do Afeganistão, obsidiana da área do Mar Vermelho…
- Localização
- Nacada, Hieracômpolis e Abidos
Alto Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
Nacada, Hieracômpolis e Abidos deixam de ser aldeias grandes e passam a ser centros com bairros de oficinas, cemitérios hierarquizados e sepulturas de câmara múltipla. O artesanato acompanha essa mudança: facas de sílex com lascamento por pressão em lâminas paralelas, vasos torneados em pedra dura, joias de ouro e de contas importadas. Nada disso se explica sem produção especializada em tempo integral, o que por sua vez exige que alguém garanta o alimento de quem produz. As matérias-primas exóticas percorriam distâncias de milhares de quilômetros até chegar ao vale.
A fase se subdivide em etapas reconhecidas pela cerâmica, e cada uma recebe datas ligeiramente diferentes conforme o modelo cronológico adotado. O intervalo usado aqui é o mais corrente entre os especialistas.
c. 3400 a.C. Datação aproximada A Tumba 100 traz a mais antiga pintura mural egípcia A Tumba 100 de Hieracômpolis, uma câmara revestida de tijolo cru, teve as paredes cobertas de pintura sobre argamassa: uma frota de barcos com cabines, caçadas com cães, animais do deserto e figuras humanas em…
- Localização
- Hieracômpolis, necrópole do Uádi Abu Suffian
Alto Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
A câmara foi cavada na franja do deserto, forrada de tijolo cru e rebocada como se fosse a parede de uma casa, antes de receber a decoração em vermelho, branco e negro. O tema dominante é a navegação: barcos alinhados, alguns com duas cabines e mastros de insígnia, atravessando a superfície da parede. Ao redor deles há caçadores com arco e laço, gazelas, um curral, cães e figuras de porte desigual. Em uma das cenas, uma figura de pé se ergue acima de outras menores, leitura que alguns aproximam da imagem de vitória depois consagrada, sem que exista consenso.
A tumba foi atribuída a uma etapa de Nacada II pela cerâmica recolhida nas proximidades, e não por amostras retiradas dela própria: a escavação, feita no fim do século XIX, não registrou o contexto com o rigor exigido hoje.
c. 3320 – 3200 a.C. Datação em debate Etiquetas de Abidos registram os primeiros sinais de escrita Na tumba U-j, em Abidos, apareceram cerca de cento e cinquenta etiquetas de osso e marfim com sinais incisos, além de vasos com inscrições a tinta. Parte dos especialistas lê ali nomes de lugares e…
- Localização
- Tumba U-j, cemitério U de Abidos
Alto Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
A tumba é uma das maiores do cemitério U, com várias câmaras de tijolo e centenas de jarras importadas que continham vinho do Levante. As etiquetas têm poucos centímetros, são perfuradas para serem amarradas a mercadorias e trazem de um a três sinais incisos. A missão que as escavou entendeu esses grupos como nomes de propriedades, de localidades e indicações de quantidade, isto é, notação administrativa. Outros pesquisadores argumentam que marcas de identificação e de posse não bastam para caracterizar um sistema capaz de escrever a língua falada.
A datação alta proposta pela missão que escavou a tumba, em torno de 3320 a.C., apoia-se na etapa cerâmica e em análises do material associado; outros autores rebaixam o conjunto em um ou dois séculos. A leitura fonética dos sinais também é contestada.
c. 3200 – 3150 a.C. Datação aproximada A maça do rei Escorpião mostra a realeza em formação Uma maça cerimonial de calcário achada no depósito principal do templo de Hieracômpolis mostra um rei com a coroa branca do Alto Egito abrindo a terra com uma enxada, cercado de portadores de estandartes. O…
- Localização
- Hieracômpolis, depósito principal do templo
Alto Egito - Dinastia
- Dinastia 0
- Governante
- Escorpião II
O objeto chegou fragmentado, mas o essencial da cena se conserva. O rei aparece em escala maior do que todas as outras figuras, tocado com a coroa alta do sul e segurando uma enxada, gesto normalmente entendido como a abertura de um canal ou a inauguração de uma obra de terra. À sua frente desfilam servidores com estandartes encimados por emblemas divinos, e de alguns desses mastros pendem aves amarradas, leitura tradicional para populações submetidas. O nome do soberano não vem escrito por extenso: um único sinal, o escorpião, basta para identificá-lo.
A peça foi recolhida em um depósito remexido do templo, sem estratigrafia útil, e sua data vem do estilo e do paralelo com as etapas finais de Nacada. A posição de Escorpião II na sucessão continua discutida.
Período Tinita
c. 3000 – 2686 a.C.
9 acontecimentos
c. 3000 a.C. Datação aproximada Unificação do Egito e a paleta de Narmer A paleta de Narmer, uma placa de siltito de mais de sessenta centímetros achada em Hieracômpolis, mostra o rei abatendo um cativo de joelhos e, no outro lado, desfilando entre inimigos decapitados. É uma…
- Localização
- Hieracômpolis, com alcance sobre todo o vale e o delta
Alto Egito - Dinastia
- I Dinastia
- Governante
- Narmer
As duas faces da peça foram esculpidas em registros sobrepostos. Em uma delas, o rei usa a coroa branca do Alto Egito e ergue uma maça sobre um prisioneiro ajoelhado, enquanto um falcão segura pela boca a cabeça de outro adversário. Na face oposta, ele aparece com a coroa vermelha do Baixo Egito à frente de portadores de estandartes, diante de corpos decapitados; abaixo, um touro derruba a muralha de um recinto fortificado, e no alto felinos de pescoço entrelaçado emolduram a cavidade circular de moer pigmento. A reunião das duas coroas em um objeto só é o que sustenta a leitura de domínio sobre as duas metades do país.
O reinado de Narmer é situado por volta de 3000 a.C. a partir da sequência cerâmica e de modelos estatísticos de datação por radiocarbono. Não há eclipse, sincronismo com outro reino ou documento contemporâneo que permita fixar o ano.
c. 2990 a.C. Datação aproximada Fundação de Mênfis como sede do governo No ponto em que o vale se abre para o delta instalou-se a cidade que os egípcios chamaram de Muralha Branca e que a tradição posterior atribuiu ao primeiro rei. Mênfis passou a concentrar o governo, os…
- Localização
- Mênfis, na entrada meridional do delta
Baixo Egito - Dinastia
- I Dinastia
- Governante
- Aha
A escolha do lugar tem lógica evidente. Quem se instala na entrada meridional do delta controla ao mesmo tempo o tráfego que sobe o vale e a rede de braços que se abrem para o norte, além de ficar a poucos dias de viagem das rotas para o Sinai e para o Levante. O nome egípcio mais antigo da cidade, Muralha Branca, descreve provavelmente um recinto fortificado de tijolo caiado. A designação Mênfis vem do grego e deriva de Men-nefer, nome do complexo funerário de um rei do Antigo Império que acabou aplicado a toda a aglomeração.
Não existe inscrição de fundação: a data resulta da associação com o reinado de Aha e das mastabas mais antigas de Saqara. As camadas iniciais da cidade seguem soterradas por aluvião e abaixo do nível da água subterrânea.
c. 2980 a.C. Datação aproximada Selos e etiquetas inauguram a contabilidade de Estado Nas tumbas reais de Abidos acumularam-se etiquetas de madeira e marfim e milhares de impressões de selo cilíndrico em tampas de vaso. Elas registram o produto, a quantidade, a propriedade rural de origem e o…
- Localização
- Abidos e Mênfis
Alto Egito - Dinastia
- I Dinastia
- Governante
- Aha
O mecanismo era simples e eficaz. O selo cilíndrico, rolado sobre a argila fresca que fechava uma jarra ou uma caixa, deixava impresso o nome da instituição responsável e, muitas vezes, o do funcionário que respondia pela remessa. As etiquetas, perfuradas e amarradas à mercadoria, indicavam o conteúdo, a medida e a propriedade que o havia entregado. Como o ano recebia o nome de um feito do rei, e não um número, essas mesmas etiquetas funcionavam também como referência de tempo, ligando cada entrega a um momento reconhecível do reinado.
As etiquetas datam por acontecimento memorável, não por ano de reinado contado, de modo que a ordem interna é reconstruída pela sucessão dos reis e pela estratigrafia dos depósitos. Isso deixa margem de décadas nas datas absolutas.
c. 2950 a.C. Datação aproximada O túmulo de Djer e os enterramentos subsidiários Em Umm el-Qaab, a câmara de tijolo de Djer foi cercada por centenas de sepulturas menores, cobertas de uma só vez e ocupadas por mulheres, servidores e artesãos da corte. A leitura majoritária é que se trata…
- Localização
- Umm el-Qaab, necrópole real de Abidos
Alto Egito - Dinastia
- I Dinastia
- Governante
- Djer
O túmulo consiste em uma grande câmara forrada de tijolo, que abrigava um santuário de madeira, cercada por fileiras regulares de covas pequenas. Muitas delas tinham estelas com nome e função do ocupante, o que permitiu reconhecer mulheres do palácio, servidores domésticos e pessoas de baixa estatura ligadas ao entretenimento da corte. Um segundo conjunto de sepulturas acompanha o recinto de culto do mesmo rei, mais perto da área cultivada. O fato de todo o conjunto ter sido coberto em uma única operação é o argumento central da interpretação corrente, já que nenhuma dessas covas foi reaberta depois.
A duração do reinado de Djer é estimada por meio das etiquetas de ano e de fragmentos de anais gravados séculos mais tarde, que divergem entre si. A data indicada corresponde ao meio de um intervalo de algumas décadas.
c. 2940 a.C. Datação aproximada Primeiras expedições de Estado ao Sinai Painéis gravados na rocha do sul do Sinai trazem nomes dos primeiros reis egípcios ao lado de barcos e de sinais de posse, indício de que a coroa já enviava turmas à península em busca de turquesa e de minério…
- Localização
- Uádi Magara, no sul do Sinai
Sinai - Dinastia
- I Dinastia
- Governante
- Djer
As inscrições estão distribuídas por uádis do sudoeste da península, gravadas em paredões junto a rotas de acesso. Ao lado dos nomes reais aparecem embarcações, o que sugere chegada por mar através do golfo de Suez e depois marcha para o interior, e não a travessia terrestre pelo norte. A turquesa extraída ali foi usada em joias recolhidas nos túmulos de Abidos, e o cobre alimentava a produção de ferramentas, agulhas e recipientes que o vale não tinha como obter em quantidade por outros meios.
Os painéis gravados na rocha nomeiam reis, mas não contam anos: a expedição é atribuída ao reinado de Djer pela leitura desses nomes, e sua posição absoluta depende da cronologia adotada para a I Dinastia.
c. 2900 a.C. Datação em debate Adoção do calendário civil de trezentos e sessenta e cinco dias O Egito passou a organizar o ano administrativo em doze meses de trinta dias, mais cinco dias acrescentados ao fim, distribuídos em três estações de quatro meses. Sem nenhuma correção periódica, esse ano civil…
- Localização
- Administração central, em Mênfis
Todo o Egito - Dinastia
- I Dinastia
- Governante
- Den
As três estações levavam nomes tirados do próprio ciclo do rio: a da inundação, a da terra emergindo com as lavouras e a da seca e da colheita. Cada uma tinha quatro meses de trinta dias, e ao final vinham cinco dias adicionais, associados ao nascimento de um grupo de divindades. Esse ano servia a contratos, tributos, rações e registros de obra, enquanto as festas de templo continuaram a seguir o ciclo lunar, de modo que dois calendários funcionaram lado a lado por toda a história egípcia. Na intenção original, o ano abria com o reaparecimento de Sirius no horizonte antes do amanhecer, fenômeno que coincidia com a chegada da cheia.
A data de adoção é obtida por retrocálculo a partir de observações posteriores do nascer helíaco de Sirius, método que depende de premissas não verificáveis sobre o ponto de observação e a ausência de reformas. As propostas dos especialistas variam por séculos, e nenhum documento do período registra a mudança.
c. 2900 a.C. Datação em debate Merneite recebe honras reais em Abidos Em Umm el-Qaab foi construída, para uma mulher chamada Merneite, uma tumba de dimensões comparáveis às dos reis, cercada de sepulturas subsidiárias e marcada por estelas com seu nome. A regência que se costuma…
- Localização
- Umm el-Qaab, Abidos
Alto Egito - Dinastia
- I Dinastia
- Governante
- Merneite
Os elementos materiais são claros. A sepultura de Merneite em Abidos tem tamanho e planta equivalentes aos túmulos dos reis da mesma dinastia, com câmara central de tijolo, depósitos ao redor e um cinturão de covas de servidores, tratamento que nenhuma outra mulher do período recebeu. Duas estelas de pedra registram seu nome, e uma impressão de selo achada na tumba de Den a inclui em uma relação de soberanos, com o título de mãe do rei. É o conjunto mais antigo de honras funerárias de nível real concedidas a uma mulher no Egito.
A posição de Merneite depende de sua associação com Den, cujo reinado já é datado por aproximação, e nenhuma etiqueta de ano traz seu nome. O ano indicado é apenas uma referência dentro do intervalo estimado para essa parte da I Dinastia.
c. 2880 a.C. Datação aproximada Den formaliza o título de rei das Duas Terras O reinado de Den deixou o maior número de documentos da I Dinastia, e é nele que aparece o título formado pelos emblemas do junco e da abelha, declaração de governo sobre o Alto e o Baixo Egito. Sua tumba em…
- Localização
- Mênfis e Abidos
Todo o Egito - Dinastia
- I Dinastia
- Governante
- Den
O novo título reúne duas plantas e dois animais heráldicos que representam as metades do país e passa a integrar de forma permanente o conjunto de nomes do rei, ao lado daquele escrito no retângulo encimado pelo falcão. A mudança não é decorativa: fixa em linguagem oficial a ideia de que o soberano governa duas terras reunidas em sua pessoa, fórmula que sobreviveu até o fim da história faraônica. Do mesmo reinado vêm etiquetas que mencionam o percurso periódico do rei pelo país, uma viagem de inspeção e arrecadação repetida a cada dois anos.
O reinado de Den é longo o bastante para aparecer em várias séries de etiquetas, mas a contagem exata de seus anos é discutida e as fontes tardias se contradizem. As datas absolutas seguem a cronologia convencional, com margem de algumas décadas.
c. 2690 a.C. Datação aproximada Khasekhemuy encerra o conflito interno e ergue o recinto de Abidos Khasekhemuy reuniu em seu nome os emblemas de Hórus e de Set, mandou esculpir estátuas com a contagem de inimigos vencidos no norte e ergueu em Abidos o Shunet el-Zebib, recinto de tijolo cru com muros de mais…
- Localização
- Shunet el-Zebib, Abidos
Alto Egito - Dinastia
- II Dinastia
- Governante
- Khasekhemuy
A II Dinastia deixou poucos monumentos e muitos indícios de tensão. Um de seus reis substituiu o falcão de Hórus pelo animal de Set na escrita de seu nome, e o último, Khasekhemuy, adotou uma forma que reúne as duas divindades, cujo sentido é o de que as duas potências se manifestam juntas. Estátuas suas encontradas em Hieracômpolis trazem, na base, números de adversários derrotados no norte do país. A leitura corrente combina esses elementos e conclui que houve conflito interno encerrado em seu reinado, embora nenhum texto narre os fatos.
O fim da II Dinastia é datado por contagem retroativa a partir da III, e as listas antigas atribuem durações incompatíveis aos reinados anteriores. A data adotada é a mais corrente nas cronologias em uso.
Antigo Império
c. 2686 – 2181 a.C.
14 acontecimentos
c. 2650 a.C. Datação aproximada A pirâmide de degraus de Djoser inaugura a arquitetura em pedra Em Saqara, o recinto funerário de Djoser substituiu o tijolo cru pela pedra cortada e empilhou seis níveis de alvenaria até cerca de sessenta metros de altura. Tornou-se o primeiro grande edifício egípcio…
- Localização
- Saqara, necrópole de Mênfis
Baixo Egito - Dinastia
- III Dinastia
- Governante
- Djoser
O canteiro foi aberto no alto do planalto que domina Mênfis, onde já existiam sepulturas reais da II Dinastia. O recinto erguido para Djoser mede cerca de 545 por 278 metros e é cercado por um muro de calcário com bastiões e catorze portas fingidas, das quais somente uma se abre de fato. Dentro dele, capelas de fachada maciça, colunas engastadas e cercas de junco foram reproduzidas em calcário: as formas que antes se faziam em tijolo cru, madeira e feixe vegetal passaram a ser talhadas, e desse exercício saiu um repertório decorativo reaproveitado por milênios.
A obra ocupa o reinado de Djoser, estimado em cerca de dezenove anos. As datas absolutas dependem da cronologia adotada e variam algumas décadas entre os manuais em uso.
c. 2650 a.C. Datação em debate Imhotep e a formação do saber técnico e médico da corte A base de uma estátua de Djoser encontrada em Saqara traz o nome de Imhotep seguido de títulos que o situam no topo da administração e do sacerdócio. Em torno dessa geração de altos funcionários organizou-se o…
- Localização
- Saqara e Mênfis
Baixo Egito - Dinastia
- III Dinastia
- Governante
- Djoser
O Imhotep histórico é conhecido por poucas menções contemporâneas, e a mais importante delas é o pedestal de uma escultura do rei, no qual ele figura como chanceler, administrador do grande palácio, chefe dos escultores e dos artesãos de vaso de pedra e sacerdote de Heliópolis. Nenhum desses títulos tem relação com a cura. Ele aparece como o funcionário responsável pelas obras do recinto de degraus e pelo aparato ritual da corte; sua própria sepultura nunca foi identificada com segurança, apesar de décadas de busca em Saqara.
A existência de Imhotep é atestada por inscrições do próprio reinado de Djoser. O que se discute é o alcance real de suas funções, porque grande parte das competências que lhe são creditadas aparece apenas em textos redigidos muito depois.
c. 2600 a.C. Datação aproximada Snefru resolve a pirâmide de faces lisas Em pouco mais de duas décadas, Snefru mandou erguer três pirâmides e resolveu o problema estrutural que impedia a face contínua. Meidum foi convertida a partir de uma estrutura escalonada, a de Dachur Sul teve…
- Localização
- Meidum, Dachur Sul e Dachur Norte
Médio Egito - Dinastia
- IV Dinastia
- Governante
- Snefru
Meidum começou como uma construção em degraus e recebeu depois um revestimento destinado a criar planos contínuos, apoiado em fundação frágil; o invólucro externo acabou por desabar, deixando à vista o núcleo em torre que ainda hoje se ergue na planície. Em Dachur Sul, a obra seguinte foi iniciada com inclinação próxima de cinquenta e quatro graus e teve o ângulo reduzido para cerca de quarenta e três na metade da altura, decisão tomada depois do aparecimento de fissuras nas câmaras internas e do assentamento do terreno.
As três obras se distribuem por um reinado de cerca de vinte e quatro anos, cuja duração é estimada a partir de grafites de datação por contagem de gado. A ordem das etapas é bem conhecida; os anos absolutos, não.
c. 2560 a.C. Datação aproximada Construção da Grande Pirâmide de Quéops No planalto de Gizé, o reinado de Quéops ergueu a maior pirâmide já construída, com cerca de 146 metros de altura original e mais de dois milhões de blocos assentados. A obra exigiu uma organização de trabalho…
- Localização
- Planalto de Gizé, a sudoeste de Mênfis
Baixo Egito - Dinastia
- IV Dinastia
- Governante
- Quéops
A escolha de Gizé rompeu com a tradição de Dachur, onde Snefru havia concluído duas pirâmides. O novo canteiro oferecia um afloramento de calcário resistente, capaz de sustentar o peso da estrutura, e acesso fluvial durante a inundação, quando barcaças podiam se aproximar do porto construído ao pé do planalto.
A obra corresponde ao reinado de Quéops, cuja duração é estimada em cerca de vinte e três anos; as datas absolutas variam algumas décadas entre as cronologias em uso.
c. 2560 a.C. Datação aproximada O porto de Uádi el-Jarf e os arquivos de bordo mais antigos Na costa do Mar Vermelho, equipes do reinado de Quéops abriram trinta galerias na rocha para guardar barcos desmontados e ergueram um quebra-mar de pedra em forma de gancho. Entre os depósitos selados…
- Localização
- Uádi el-Jarf, costa do Mar Vermelho
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- IV Dinastia
- Governante
- Quéops
O ancoradouro fica a cerca de cento e oitenta quilômetros ao sul de Suez, em frente à região mineira do sul do Sinai, e funcionava por temporadas: as embarcações eram desmontadas e guardadas nas galerias, junto com cordas, âncoras de pedra e jarras de provisão, e o pessoal deixava o lugar até a expedição seguinte. Escavações conduzidas a partir de 2011 identificaram o quebra-mar submerso, os alojamentos e os depósitos que os próprios egípcios fecharam com blocos ao abandonar o porto.
Os documentos trazem datas contadas por anos de recenseamento de gado do reinado de Quéops, o que permite ordená-los entre si, mas não convertê-los em anos absolutos com precisão.
c. 2550 a.C. Datação aproximada A vila dos construtores revela o cotidiano do canteiro As escavações de Heit el-Ghurab, ao sul do planalto, expuseram padarias, galerias de dormir, currais, silos e uma oficina de salga de peixe montadas para sustentar o canteiro. O assentamento e o cemitério…
- Localização
- Heit el-Ghurab, ao sul do planalto de Gizé
Baixo Egito - Dinastia
- IV Dinastia
- Governante
- Quéfren
O núcleo do assentamento é formado por longas galerias com plataformas laterais, capazes de abrigar algumas dezenas de pessoas cada uma, agrupadas em blocos com pátio e cozinha. Ao redor delas foram encontradas padarias com moldes cerâmicos de pão empilhados por tamanho, tanques de fermentação, um edifício destinado a limpar e salgar peixe, currais e silos ligados a um grande recinto administrativo. A análise dos ossos de animais indica bovinos jovens, ovelhas e cabras trazidos das províncias, em volume que aponta abate diário para milhares de refeições.
A ocupação do assentamento acompanha os canteiros de Quéops a Miquerinos, e a datação vem da cerâmica, dos selos e das reformas sucessivas do próprio sítio.
c. 2540 a.C. Datação em debate Escultura da Grande Esfinge de Gizé Talhada em um afloramento de calcário deixado pela exploração de uma pedreira, a Grande Esfinge mede cerca de setenta e três metros de comprimento e reúne corpo de leão e cabeça de rei. É a primeira escultura…
- Localização
- Planalto de Gizé, junto à calçada de Quéfren
Baixo Egito - Dinastia
- IV Dinastia
- Governante
- Quéfren
A figura não foi montada com blocos: os escultores rebaixaram a rocha em torno de um esporão de calcário e trabalharam a massa restante no lugar, aproveitando a camada superior, mais dura, para a cabeça e o toucado. As camadas médias, mais brandas, sofreram desgaste rápido e receberam remendos de alvenaria em várias épocas. Diante das patas foi erguido um templo com vinte e quatro pilares de granito, ligado ao templo do vale de Quéfren, e restos de pigmento indicam que o conjunto era pintado.
A maioria dos especialistas atribui a obra a Quéfren, pela integração com sua calçada e com o templo vizinho. Há defesa da atribuição a Quéops ou a seu filho Djedefré, e nenhuma inscrição do Antigo Império nomeia o responsável.
c. 2510 a.C. Datação aproximada As tríades de Miquerinos e o cânone da estatuária real No templo do vale de Miquerinos, em Gizé, foram recuperadas esculturas de grauvaque que mostram o rei ao lado de Hator e da personificação de um nomo. As peças aplicam com rigor o sistema de proporções da…
- Localização
- Templo do vale de Miquerinos, Gizé
Baixo Egito - Dinastia
- IV Dinastia
- Governante
- Miquerinos
As escavações do templo do vale, em 1908, encontraram quatro grupos completos e fragmentos de outros, todos em grauvaque, pedra escura trazida do deserto oriental. Em cada conjunto o rei aparece de pé, com o passo esquerdo à frente, tendo à direita a deusa Hator e à esquerda uma figura que traz sobre a cabeça o emblema de uma província, com a inscrição prometendo oferendas ao culto real. A leitura mais aceita é que os grupos representavam as regiões encarregadas de sustentar o templo, e que a série original seria maior.
As esculturas pertencem ao equipamento do templo do vale, concluído no fim do reinado ou já sob seu sucessor, o que deixa uma margem de alguns anos na datação.
c. 2470 a.C. Datação aproximada Os templos solares de Abusir e a ascensão de Rá A V Dinastia acrescentou ao aparato real um segundo tipo de monumento: o templo solar, com pátio aberto ao céu, grande altar de alabastro e um pilar maciço sobre pódio. Seis são conhecidos por menções escritas…
- Localização
- Abusir e Abu Gurab
Baixo Egito - Dinastia
- V Dinastia
- Governante
- Userkaf
A planta desses santuários inverte a lógica do templo fechado. Uma calçada sobe de um edifício junto ao vale até um recinto murado cujo centro é um pátio descoberto, com um altar formado por quatro blocos de alabastro dispostos em torno de um disco, área de abate para as oferendas e depósitos laterais. Ao fundo, sobre um pódio maciço, erguia-se um pilar curto e largo, antepassado do obelisco. Corredores decorados com relevos ligavam o pátio às dependências de serviço, e cada templo tinha nome próprio, terras e pessoal.
A série de templos solares se estende de Userkaf a Niuserré, ao longo de várias gerações; o ano indicado marca a fase inicial dessa política de construção.
c. 2430 a.C. Datação aproximada Os relevos das estações descrevem o ano agrícola Uma câmara do templo solar de Abu Gurab foi decorada como um calendário visual: peixes que desovam, aves que nidificam, rebanhos no pasto, ceifa e transporte de grãos. Os fragmentos preservados cobrem duas das…
- Localização
- Templo solar de Niuserré, em Abu Gurab
Baixo Egito - Dinastia
- V Dinastia
- Governante
- Niuserré
A sala foi identificada por uma missão alemã que trabalhou no sítio entre 1898 e 1901 e retirou centenas de blocos decorados, hoje divididos entre acervos do Cairo e de Berlim. A composição está organizada por estação: o tempo da semeadura, quando as águas baixam, e o da colheita, com a ceifa, a debulha e a condução do gado sobre a espiga. Faltam as cenas da inundação, perdidas com a parte destruída da parede. Entre as figuras aparecem personificações do rio, das províncias e das propriedades que traziam produtos ao santuário.
Os relevos pertencem ao templo solar de Niuserré, cujo reinado é situado em cerca de vinte e quatro anos; a data corresponde ao período de decoração do santuário.
c. 2400 a.C. Datação aproximada Os arquivos de Abusir e a rotina administrativa dos templos Um lote de documentos em escrita cursiva recolhido no templo funerário de Neferirkaré, em Abusir, registra escalas de plantão, inventários de utensílios e a entrada diária de oferendas. É o conjunto de arquivo…
- Localização
- Templo funerário de Neferirkaré, em Abusir
Baixo Egito - Dinastia
- V Dinastia
- Governante
- Djedkaré Isesi
O achado principal ocorreu em 1893, entre as ruínas do templo, e foi seguido por novas descobertas em santuários vizinhos ao longo do século XX. Os documentos estão organizados em tabelas de colunas traçadas a régua, com anos de reinado, meses e dias, e trazem correções, somas e assinaturas de conferência. Uma parte permaneceu ilegível pelo estado do material, mas o suficiente foi recuperado para reconstruir o funcionamento de um templo funerário durante várias décadas.
Os documentos trazem anos de reinado de Djedkaré Isesi e de seus sucessores imediatos, o que os situa com segurança relativa dentro da V Dinastia, sem permitir conversão exata em anos absolutos.
c. 2350 a.C. Datação aproximada Os Textos das Pirâmides aparecem na tumba de Unas As paredes da câmara funerária e da antecâmara de Unas, em Saqara, receberam colunas de hieróglifos com fórmulas destinadas a garantir a passagem do rei morto. É o mais antigo conjunto extenso de textos…
- Localização
- Pirâmide de Unas, em Saqara
Baixo Egito - Dinastia
- V Dinastia
- Governante
- Unas
A pirâmide de Unas é pequena e mal conservada por fora, mas suas câmaras internas trazem cerca de duzentas e trinta fórmulas dispostas em ordem ritual, das paredes que cercam o sarcófago em direção à saída. O repertório reúne o ritual de oferendas, encantamentos de proteção contra serpentes e escorpiões, passagens sobre a subida ao céu, a integração ao curso do sol e às estrelas que nunca se põem, além de trechos ligados a Osíris. A grafia é cuidadosa, com sinais pintados em verde e distribuição calculada para caber no espaço.
As inscrições pertencem ao reinado de Unas, estimado em cerca de trinta anos no fim da V Dinastia; parte das fórmulas é mais antiga que a própria gravação e não pode ser datada.
c. 2290 a.C. Datação aproximada As viagens de Harkhuf abrem a rota para o sul A fachada da tumba de Harkhuf, diante de Elefantina, narra quatro viagens ao país de Iam, além da Segunda Catarata, com trezentos burros carregados de resina, ébano, marfim e peles. Ao lado do relato foi…
- Localização
- Iam, ao sul da Segunda Catarata
Núbia e Cuxe - Dinastia
- VI Dinastia
- Governante
- Merenré
Harkhuf governava o extremo sul do país e acumulava os cargos ligados à condução de caravanas e ao trato com povos estrangeiros. Sua inscrição descreve o uso de dois caminhos distintos, o que acompanha o rio a partir de Elefantina e o que corta os oásis pelo deserto, e informa a duração de cada viagem, entre sete e oito meses. No trecho mais revelador, ele conta que o governante de Iam forneceu escolta armada para a travessia de territórios vizinhos, prova de que o sul era ocupado por poderes capazes de negociar de igual para igual.
Três das quatro viagens ocorreram sob Merenré e a última já no início do reinado seguinte, o que situa o conjunto em torno de uma década, sem datas anuais precisas.
Primeiro Período Intermediário
c. 2181 – 2055 a.C.
8 acontecimentos
c. 2184 a.C. Datação aproximada O longo reinado de Pepi II termina e o Estado se fragmenta Pepi II chegou ao trono ainda criança e permaneceu nele por cerca de nove décadas, o reinado mais longo documentado no Egito. Quando morreu, os governadores das províncias já se comportavam como linhagens…
- Localização
- Mênfis e províncias do Alto Egito
Todo o Egito - Dinastia
- VI Dinastia
- Governante
- Pepi II
O começo do reinado, sob regência, ainda produziu monumentos de porte: uma pirâmide em Saqara Sul, decretos gravados em pedra para os templos de Coptos e expedições às pedreiras e ao Sinai. Com o passar das décadas, a escala das obras da corte diminui e o volume de isenções concedidas a templos e a funcionários aumenta, subtraindo receita da coroa. Ao mesmo tempo, os nomarcas passam a construir sepulturas grandes e decoradas nas próprias províncias, em Elefantina, Meir, Akhmim e Deir el-Gebrawi, com culto local em vez de enterramento junto ao rei.
A duração do reinado depende de listas reais compiladas séculos depois e do resumo transmitido por Manetão: o número corrente é de noventa e quatro anos, e parte dos especialistas o reduz para pouco mais de sessenta.
c. 2160 a.C. Datação aproximada Os reis de Heracleópolis governam o norte Com Mênfis esvaziada, uma linhagem instalada em Heracleópolis Magna assumiu o governo do norte e do Médio Egito. Apoiada nos nomarcas de Assiute, manteve por mais de um século administração própria, uma frente…
- Localização
- Heracleópolis Magna, na entrada do Faium
Médio Egito - Dinastia
- IX e X Dinastias
- Governante
- Kheti de Heracleópolis
A cidade ficava na entrada da depressão do Faium, controlando o canal que distribui água para a região e a passagem entre o vale e o norte. É uma escolha de posição, não de tradição: Heracleópolis não tinha peso religioso comparável ao de Mênfis ou de Abidos. O que se sabe desses reis vem sobretudo de uma lista real copiada mil anos mais tarde, hoje fragmentária, e de menções feitas por seus aliados; a arqueologia da própria cidade nesse período é escassa, e nenhum palácio da fase foi identificado.
A sequência e a duração desses reinados vêm de listas posteriores muito danificadas; nem o número de soberanos nem a ordem entre eles podem ser fixados com segurança.
c. 2200 – 2050 a.C. Datação em debate Uma sequência de inundações fracas atinge o vale Sedimentos de lagos, camadas em cavernas e perfis do delta apontam uma fase mais seca no nordeste da África no fim do terceiro milênio. Registros egípcios do mesmo intervalo mencionam cheias insuficientes e…
- Localização
- Vale e delta do Nilo
Todo o Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
A base material do argumento vem de fora dos textos. Níveis de lagos africanos e do mar Morto, isótopos em concreções de cavernas do Levante, poeira transportada pelo vento em sedimentos marinhos diante da foz e areias sopradas sobre solos cultivados no delta convergem para uma redução das chuvas nas cabeceiras e uma sequência de cheias abaixo da média. O fenômeno não foi local: indicadores semelhantes aparecem na Mesopotâmia, na Anatólia e no sul da Ásia, e a fase é tratada na literatura especializada como um episódio de aridez de alcance hemisférico.
Os indicadores paleoambientais oferecem intervalos amplos, de décadas a séculos, e sua correspondência com a cronologia dinástica é apenas aproximada; a duração e a intensidade do episódio continuam em discussão.
c. 2130 a.C. Datação aproximada Ankhtifi de Moalla registra fome e disputa por grãos Na necrópole de Moalla, o governador Ankhtifi mandou gravar em pilares pintados o balanço de sua administração: reorganizou Hieracômpolis, mediu forças com vizinhos armados e distribuiu cevada a regiões em…
- Localização
- Moalla, entre Tebas e Edfu
Alto Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Ankhtifi, governador de Hieracômpolis e Edfu
A sepultura é escavada na rocha, com pilares e paredes cobertos de pintura em cores vivas e um longo texto em colunas. Ankhtifi conta que assumiu Hieracômpolis em desordem, restabeleceu o serviço público e o culto, evitou combates que considerava inúteis e enviou grão para regiões vizinhas, entre elas Dendera e a área de Elefantina. A passagem mais citada afirma que o Alto Egito inteiro morria de fome, a ponto de haver quem comesse os próprios filhos, e que em seu território ninguém morreu por falta de alimento.
A datação vem do estilo da pintura e da posição de Ankhtifi na sequência de governadores locais, sem qualquer menção a ano de reinado que permita fixá-la.
c. 2112 a.C. Datação aproximada Tebas se torna potência sob os Intef Sob Intef II, o domínio tebano deixou de ser um nomo entre outros: a fronteira sul foi levada a Elefantina, a norte alcançou a região tinita e o soberano passou a usar titulatura real completa. Foram cerca de…
- Localização
- Tebas e o nomo de Abidos
Alto Egito - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Intef II
A base do poder era o nomo de Tebas, até então de pouca expressão, cujos governantes controlavam a saída das rotas do deserto oriental e o trecho de rio que liga o vale a Elefantina. Intef II abandonou o título de nomarca, adotou nome de coroação e passou a se apresentar como rei. Sua sepultura em El-Tarif segue o modelo local de pátio escavado na encosta com fachada de pilares, e a estela que dela procede o mostra acompanhado de seus cães de caça, cada um com o nome inscrito.
O reinado de Intef II é estimado em cerca de cinquenta anos a partir de suas próprias inscrições e da posição que ocupa na sequência tebana; os anos absolutos variam entre as cronologias.
c. 2100 a.C. Datação aproximada Tebas e Heracleópolis disputam Abidos A faixa entre Abidos e Tinis tornou-se a linha de contato entre os dois reinos. Inscrições tebanas relatam combates contra a casa do norte nessa região, e as autobiografias dos nomarcas de Assiute descrevem…
- Localização
- Região de Abidos e Tinis
Alto Egito - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Intef II
O nomo tinita era o corredor obrigatório entre o Médio Egito e o sul, e abrigava o santuário de Abidos, onde se cultuava o senhor dos mortos. Controlá-lo significava juntar vantagem militar e autoridade religiosa, o que fez da região o objeto principal da guerra. Um oficial de Intef II deixou registrada a batalha travada ali e o avanço da fronteira; um comandante de Elkab menciona serviço na mesma frente. Do outro lado, os textos das sepulturas de Assiute falam de frota, recrutamento e represália, e reivindicam a recuperação de território perdido.
Os combates são conhecidos por inscrições de sepultura que não trazem data e usam vocabulário de louvor; a ordem dos episódios é reconstruída por comparação entre os monumentos.
c. 2100 a.C. Datação aproximada Os Textos dos Sarcófagos ampliam o acesso ao além Nas necrópoles provinciais do Médio Egito, caixões retangulares de madeira começaram a ser cobertos por dentro de fórmulas escritas para o morto. O repertório reunia material herdado da tradição real e…
- Localização
- Necrópoles provinciais de Assiute, Deir el-Bercha e Meir
Médio Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
A superfície interna dessas peças funciona como um pequeno santuário. Nas laterais aparecem a porta fingida com um par de olhos pela qual o morto vê o exterior, listas de oferendas, sequências de bens pintados e colunas de escrita cursiva com centenas de fórmulas. Nas oficinas de Deir el-Bercha, o fundo de alguns caixões recebeu o chamado Livro dos Dois Caminhos, um itinerário desenhado com caminhos de terra e de água, lagos de fogo e porteiros a serem nomeados, o mais antigo mapa conhecido de uma geografia do além.
Os exemplares mais antigos são situados no fim do período por critérios de estilo e de escrita, e a produção continua no Médio Império, o que torna imprecisa qualquer data de início.
c. 2100 – 1950 a.C. Datação em debate A literatura de crise e os ensinamentos morais As Admoestações de Ipuur, a profecia de Neferti, o ensinamento dirigido a Merikaré e o diálogo entre um homem cansado e sua alma descrevem um país invertido, cofres vazios e violência nas estradas. Por muito…
- Localização
- Escolas de escribas do Médio Egito e de Tebas
Todo o Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
Os manuscritos que preservam esse conjunto são todos posteriores: o de Ipuur foi copiado na XIX Dinastia, os de Neferti e de Merikaré no Novo Império, e o diálogo do homem com sua alma pertence a um exemplar do Médio Império. Os temas se repetem: o pobre enriquece e o rico mendiga, filhos abandonam os pais, estrangeiros circulam pelo delta, tumbas são violadas e ninguém ara por medo. Em Neferti, a desordem termina com a chegada de um rei salvador cujo nome corresponde ao fundador da XII Dinastia, indício forte de que o texto foi escrito depois dos fatos que anuncia.
Esses textos sobrevivem em cópias de séculos depois, e vocabulário, métrica e temas apontam para composição já no Médio Império; parte considerável dos especialistas os considera posteriores ao período que descrevem.
Médio Império
c. 2055 – 1650 a.C.
12 acontecimentos
c. 2055 a.C. Datação aproximada Mentuhotep II reunifica o Egito Depois de mais de um século com o país repartido, o rei tebano Nebhepetre Mentuhotep II submeteu o reino de Heracleópolis e voltou a governar o vale e o delta sob um comando único. A mudança ficou registrada…
- Localização
- Tebas, com campanha até Heracleópolis
Alto Egito - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Mentuhotep II
Ao assumir o trono, Mentuhotep II governava uma faixa que ia de Elefantina ao limite norte do nomo de Abidos, herdada dos Intef. O avanço sobre Heracleópolis levou décadas e foi interrompido por uma revolta no próprio sul, provavelmente na região de Tinis, antes de a tropa tebana descer o rio. A sepultura coletiva de sessenta soldados escavada em Deir el-Bahari, com corpos marcados por flechas de haste curta, é a evidência física mais direta desse esforço militar. O rei anunciou o resultado no seu nome de Hórus: trocou-o duas vezes e terminou como Sematauy, aquele que une as Duas Terras.
Os anos absolutos do Médio Império derivam de observações lunares anotadas em arquivos de templo e de sincronismos parciais com o Levante, e não de uma contagem contínua. Para este reinado, a margem em uso entre os especialistas chega a algumas décadas.
c. 2040 a.C. Datação aproximada O templo em terraços de Mentuhotep II em Deir el-Bahari Na enseada rochosa de Deir el-Bahari, Mentuhotep II ergueu um complexo funerário em terraços, com pórticos de pilares e rampa central, encaixado na base do penhasco. O conjunto recebeu o nome de Akh-isut, os…
- Localização
- Deir el-Bahari, margem ocidental de Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Mentuhotep II
Uma calçada subia do vale até um pátio onde foram abertas covas para o plantio de tamargueiras e sicômoros, ainda visíveis. Dali uma rampa levava ao terraço, cercado por galerias de pilares quadrados, no centro do qual se erguia um bloco maciço cuja forma original continua em debate: pirâmide baixa, mastaba ou montículo simbólico, sem que os restos permitam decidir. Ao fundo, escavado na rocha, ficava o santuário dedicado a Amon e ao rei divinizado. Um poço na frente do conjunto, o Bab el-Hosan, guardava uma estátua sentada do rei envolto no manto do festival de jubileu, com a pele pintada de negro.
A obra é atribuída à segunda metade de um reinado cuja duração se conhece melhor que suas datas absolutas, calculadas a partir de âncoras lunares esparsas e de sincronismos incompletos. Daí uma variação de algumas décadas conforme a cronologia adotada.
c. 1995 a.C. Datação aproximada Uma expedição ao Punt reabre a rota do deserto oriental O mordomo Henenu atravessou o deserto oriental com três mil homens, abriu poços ao longo da estrada e montou na costa do Mar Vermelho o navio que desceria até o Punt em busca de resina aromática. A inscrição…
- Localização
- Uádi Hamamate e porto de Mersa Gauasis
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Mentuhotep III
O texto gravado na pedreira é um relatório de abastecimento antes de ser um relato de viagem. Henenu conta que recrutou os homens nos nomos do sul, que cada um recebia por dia duas jarras de água e vinte pães, que abriu poços em pontos secos do percurso e que limpou a estrada de grupos hostis. Chegando ao litoral, a equipe montou uma embarcação levada em peças pelo deserto, embarcou e trouxe de volta a resina de incenso e outros produtos do Punt. No caminho de retorno, a mesma força extraiu blocos para estátuas reais.
A inscrição data a viagem pelo oitavo ano do reinado, mas converter esse ano em data absoluta depende das mesmas âncoras lunares e dos sincronismos parciais que sustentam toda a cronologia do Médio Império, com folga de algumas décadas.
c. 1985 a.C. Datação aproximada Amenemhat I funda Itjtauy e transfere o centro do poder Amenemhat I chegou ao trono sem ascendência real e mudou a corte para uma cidade nova, Amenemhat-itj-tauy, junto à entrada do Faium. O povoado em si nunca foi localizado com segurança, mas a necrópole real que…
- Localização
- Itjtauy, próxima a Lisht e à entrada do Faium
Médio Egito - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Amenemhat I
A família do novo rei não vinha da realeza: sua mãe se chamava Nofret e o nome do pai, Senusret, é o de um particular. Um alto funcionário chamado Amenemhat aparece conduzindo expedições no fim da XI Dinastia, e a identificação com o futuro rei é provável, embora não demonstrada. Instalar a corte no norte encurtou a distância até o delta, até a estrada do Sinai e até a depressão do Faium, deixando a Tebas o peso religioso. Sua pirâmide, em Lisht, foi construída em parte com blocos retirados de monumentos do Antigo Império, prática que o vinculava aos reis das pirâmides.
O início da XII Dinastia é calculado retrocedendo os anos de reinado a partir das datas lunares conservadas em arquivos de templo, procedimento que acumula erro e mantém uma faixa de cerca de trinta anos entre as cronologias em circulação.
c. 1975 a.C. Datação aproximada O Muro do Governante fecha a fronteira nordeste A passagem estreita entre o delta oriental e o Sinai recebeu uma linha de postos militares conhecida como Muro do Governante, destinada a vigiar quem entrava pelo nordeste. A obra é conhecida por menções em…
- Localização
- Istmo entre o delta oriental e o Sinai
Baixo Egito - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Amenemhat I
A geografia explica a escolha do lugar: entre o braço pelusíaco do Nilo e os lagos rasos do istmo, a travessia por terra se reduzia a poucos corredores com água. Duas composições da própria XII Dinastia citam a obra. Na narrativa de Sinuhe, o fugitivo espera a noite para contornar as fortificações erguidas para conter os beduínos; em outro texto, o rei aparece anunciando que fará barreira contra quem vem do leste. Como se trata de literatura de escola, o que se extrai delas é a existência e o propósito do dispositivo, não sua planta. Nenhuma escavação identificou até hoje uma muralha contínua, e a leitura mais aceita é a de uma sequência de fortins e postos de vigia sobre os pontos de água.
Não há data de construção registrada: o conjunto é atribuído ao reinado de Amenemhat I por menções escritas, e o reinado, por sua vez, é situado por observações lunares e sincronismos parciais que deixam margem de algumas décadas.
c. 1950 a.C. Datação aproximada Senusret I reconstrói Karnak em pedra Senusret I substituiu as instalações de tijolo do santuário de Amon em Karnak por um templo de calcário e ergueu uma capela de jubileu. Séculos depois, seus blocos foram reaproveitados como enchimento em um…
- Localização
- Karnak, em Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Senusret I
É com esse reinado que Karnak entra na história com arquitetura de pedra documentada. O programa incluiu um pátio com pilares, estátuas do rei em forma osiríaca e a chamada Capela Branca, pequena construção de calcário fino que servia de estação para a barca sagrada durante o festival de jubileu. Suas paredes trazem, além das cenas de oferenda, uma relação dos nomos do Egito com medidas de terra e cotas de produtos: um documento administrativo gravado em pedra, raro para qualquer período. No reinado de Amenhotep III a capela foi desmontada e seus blocos foram usados como recheio interno de um pilone, onde ficaram até serem retirados e recompostos, peça por peça, nas décadas de 1920 e 1930.
A obra se estende por um reinado longo, cujas datas absolutas variam segundo a cronologia adotada: as âncoras disponíveis são registros lunares de arquivos administrativos e sincronismos parciais, insuficientes para fechar a conta em menos de algumas décadas.
c. 1930 a.C. Datação aproximada A História de Sinuhe fixa a língua clássica A História de Sinuhe conta a fuga de um cortesão para o Levante e seu retorno na velhice. É obra de ficção, não relato de acontecimentos, e virou o texto mais copiado das escolas de escribas egípcias…
- Localização
- Escolas de escribas de Itjtauy e Tebas
Todo o Egito - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Senusret I
A narrativa é escrita em primeira pessoa e imita a forma das autobiografias gravadas em túmulos, recurso que faz parte da arte do texto e engana o leitor apressado. Sinuhe é um funcionário do palácio que ouve a notícia da morte de Amenemhat I, entra em pânico sem que se explique por quê e foge para o norte. Instala-se no Retenu, onde o chefe Amunenshi lhe dá terra e uma filha em casamento; enriquece, tem filhos, vence um campeão local em combate singular e envelhece longe de casa. No fim, escreve ao rei, é perdoado e volta para receber um túmulo egípcio, o que na lógica do enredo é o verdadeiro prêmio.
A composição é situada no reinado de Senusret I por critérios internos de escrita e vocabulário, e esse reinado só pode ser datado em números absolutos por meio de observações lunares e sincronismos parciais, com margem de algumas décadas.
c. 1900 a.C. Datação aproximada As tumbas de Beni Hassan retratam o cotidiano provincial Escavadas na encosta calcária do nomo do Órix, as tumbas dos governadores de Beni Hassan guardam cenas de colheita, tecelagem, fundição de metal, luta corporal e caça no deserto. É o registro mais detalhado…
- Localização
- Beni Hassan, no nomo do Órix
Médio Egito - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Senusret II
São trinta e nove tumbas decoradas abertas na rocha, das quais quatro concentram os conjuntos mais completos, pertencentes a Baket III, Kheti, Amenemhat e Khnumhotep II. A decoração foi pintada sobre uma camada de estuque, e não esculpida, o que permitiu sequências longas e detalhe miúdo: pares de lutadores em dezenas de posições encadeadas, acrobacias e jogos, teares horizontais em operação, fundidores soprando o fogo com foles, construção de barcos, contagem de gado, colheita e enchimento de celeiros. Há também cenas de guerra com arqueiros e um abrigo móvel usado contra muralhas, e inscrições biográficas em que Khnumhotep II detalha sua nomeação e a ascensão da família.
As tumbas decoradas não pertencem a um único momento: cobrem várias gerações de governadores, entre o início da XII Dinastia e o reinado de Senusret II. A conversão desses reinados em anos absolutos depende de dados lunares e sincronismos incompletos.
c. 1860 a.C. Datação aproximada A linha de fortalezas da Segunda Catarata A militarização da Baixa Núbia foi feita por etapas: Buhen e outros postos no início da XII Dinastia e, sob Senusret III, o grupo de Semna, Cumma e Uronarti, que fechava o desfiladeiro da Segunda Catarata e…
- Localização
- Buhen, Semna, Cumma e Uronarti
Núbia e Cuxe - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Senusret III
Nada nesse sistema foi improvisado num só reinado. Senusret I mandou construir Buhen e reforçar a região das minas; ao longo de três gerações somaram-se Mirgissa, Askut e Shalfak; com Senusret III chegaram as posições do trecho encachoeirado, onde o rio se estreita entre rochas e podia ser vigiado de perto. As fortalezas eram de tijolo cru, com muralhas espessas, torres salientes, fossos secos, escadas cobertas descendo até a água e celeiros capazes de sustentar guarnições por meses. Duas estelas de fronteira colocadas em Semna, nos anos oito e dezesseis do reinado, fixam o limite meridional e proíbem a passagem de núbios para o norte, exceto por embarcação e para negociar no posto de Iken.
A data indica o auge de um programa iniciado gerações antes e ampliado por etapas. O ano absoluto vem do encadeamento entre datas lunares de arquivos administrativos e sincronismos parciais, que ainda admitem deslocamento de algumas décadas.
c. 1850 a.C. Datação aproximada Senusret III desmonta o poder dos governadores provinciais Durante o reinado de Senusret III, as grandes tumbas dos governadores de província deixaram de ser construídas e o governo passou a operar por departamentos regionais subordinados ao vizir. Foi um processo de…
- Localização
- Itjtauy e capitais provinciais
Todo o Egito - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Senusret III
A mudança é percebida sobretudo pelo que desaparece. Em Beni Hassan, Qau, Meir e Deir el-Bercha, as sepulturas monumentais de governadores param de ser abertas; no lugar delas, multiplicam-se estelas de funcionários em Abidos, com títulos que remetem a repartições centrais e não a províncias. O país foi organizado em três grandes departamentos, o do norte, o do sul e o da região da capital, cada um com seus relatores, escribas e conselhos, todos respondendo ao vizir. Carreiras passaram a ser feitas na corte, por nomeação, em vez de herdadas dentro de uma família provincial. Se isso foi decisão deliberada do rei ou resultado acumulado de mudanças no recrutamento é ponto ainda discutido.
Este reinado é o mais bem amarrado do período, porque um arquivo de templo em Lahun conservou datas lunares e a observação do surgimento de uma estrela; mesmo assim, a leitura desses dados admite duas soluções distantes cerca de trinta e cinco anos.
c. 1820 a.C. Datação aproximada As obras hidráulicas do Faium ampliam a área cultivada Não houve escavação de um grande lago artificial no Faium, como ainda se repete. O que os reis da XII Dinastia fizeram foi regular a entrada de água pelo canal Bahr Iússuf, controlando o nível de um lago que…
- Localização
- Depressão do Faium e canal Bahr Iússuf
Médio Egito - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Amenemhat III
A depressão do Faium fica a oeste do vale e recebia água por um braço natural do Nilo, o Bahr Iússuf, que alimentava um lago grande e raso. Antes de qualquer intervenção, esse lago subia e descia conforme a inundação, e a faixa alagável era instável. O trabalho da XII Dinastia consistiu em disciplinar a entrada: diques e um regulador na garganta por onde o canal penetra na depressão, perto de Lahun, mais canais internos para distribuir a água pelas terras baixas. Com a vazão sob controle, o nível do lago baixou e uma faixa considerável de solo aluvial ficou disponível para plantio, sem que nenhuma bacia tenha sido cavada.
As intervenções se distribuem por mais de um reinado e não têm data de conclusão registrada. Como no restante do período, os anos absolutos vêm de observações lunares conservadas em arquivos e de sincronismos parciais, com folga de algumas décadas.
c. 1800 a.C. Datação aproximada O papiro de Lahun e a medicina voltada às mulheres Achado na cidade de trabalhadores de Lahun, um papiro do fim do Médio Império reúne cerca de trinta e quatro parágrafos com queixas femininas, prescrições e testes de fecundidade. É o mais antigo documento…
- Localização
- Lahun, junto à pirâmide de Senusret II
Médio Egito - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Amenemhat III
O papiro foi recolhido em 1889 nas escavações da cidade que abrigava o pessoal ligado à pirâmide de Senusret II, e está hoje em uma coleção universitária em Londres. Sobraram duas páginas com parágrafos numerados. No primeiro grupo, cada item segue a mesma estrutura: descreve-se a queixa, com localização da dor ou do incômodo, nomeia-se o problema e indica-se o que fazer, em geral aplicações locais, fumigações ou bebidas preparadas com cerveja, leite, tâmaras, óleo e resinas. O segundo grupo trata de como saber se uma mulher poderá conceber e de preparados destinados a evitar a concepção.
O documento é datado pela escrita e pelo contexto em que foi achado, o que o coloca no fim da XII Dinastia. Como as datas absolutas do período dependem de registros lunares e de sincronismos parciais, resta uma margem de algumas décadas.
Segundo Período Intermediário
c. 1777 – 1550 a.C.
8 acontecimentos
c. 1777 a.C. Datação aproximada Sobekneferu governa e encerra a XII Dinastia Filha de Amenemhat III, Sobekneferu assumiu o trono com titulatura real completa e governou pouco menos de quatro anos. Seu reinado fecha a XII Dinastia e é tomado aqui como limiar do longo intervalo de…
- Localização
- Itjtauy e Faium
Médio Egito - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Sobekneferu
Sobekneferu governou por direito próprio, com os cinco nomes da titulatura real, combinando formas masculinas e femininas nos textos, sem se apresentar como regente de ninguém. Suas estátuas, encontradas sem cabeça na região do Faium e no delta oriental, mostram uma figura vestindo o saiote e o manto cerimoniais do rei sobre a roupa feminina, solução de compromisso que a arte egípcia inventou para o caso. Ela acrescentou construções ao complexo funerário do pai em Hauara, deixou obra em Heracleópolis e teve o nome preservado nas listas reais posteriores. Seu túmulo não foi identificado com segurança; a atribuição de uma das pirâmides inacabadas de Mazguna continua sem prova.
Uma lista real conservada em Turim atribui ao reinado três anos, dez meses e vinte e quatro dias, mas a posição desse intervalo no calendário absoluto depende das observações lunares e dos sincronismos parciais que ancoram todo o Médio Império, com margem de algumas décadas.
c. 1720 a.C. Datação aproximada Avaris cresce como cidade levantina no delta As escavações de Tell el-Dabaa mostram um povoado fundado pela administração da XII Dinastia que, ao longo de gerações, se tornou uma cidade portuária de população majoritariamente levantina, com casas…
- Localização
- Tell el-Dabaa, no delta oriental
Baixo Egito - Dinastia
- XIV Dinastia
- Governante
- Não atribuído
As camadas mais antigas correspondem a um assentamento planejado com templo, obra do Estado egípcio no reinado de Senusret III, num ponto de fácil acesso ao mar. Sobre elas se acumulam níveis de arquitetura de tipo sírio, com casas organizadas em torno de uma sala central, e templos de planta em eixo quebrado, desconhecida no Egito. As sepulturas ficam dentro das áreas de moradia, e várias trazem burros depositados diante da entrada, prática funerária do Levante. Aparecem armas de tipo levantino, como machados de lâmina recortada e punhais de cinto, jarras cananeias, jarrinhas de cerâmica fabricadas localmente segundo modelos estrangeiros, importações de Chipre e rebanhos com predomínio de ovinos e caprinos sobre o gado.
A data marca uma fase de crescimento, não um acontecimento datável. A sequência de camadas do lugar é bem estabelecida, mas sua conversão em anos absolutos depende de amarras com a cronologia do Médio Império e com a do Levante, ambas com folga de décadas.
c. 1650 a.C. Datação aproximada Os hicsos assumem o governo do norte Os chefes instalados em Avaris tomaram o poder sobre o norte do Egito e formaram a XV Dinastia. O termo hicsos vem de uma expressão egípcia para governante de terra estrangeira, e a tomada do poder foi o…
- Localização
- Avaris e Mênfis
Baixo Egito - Dinastia
- XV Dinastia
- Governante
- Não atribuído
A sequência dos fatos, tanto quanto se pode reconstruí-la, é esta: a linhagem que governava desde Itjtauy perdeu o controle de Mênfis e recuou para o sul, e a autoridade sobre o delta e o Médio Egito passou aos senhores de Avaris. Foram poucos reis, alguns com reinados longos, entre eles Khyan e Apepi. Adotaram a titulatura egípcia, empregaram escribas egípcios, mantiveram cultos e templos em funcionamento e cobraram tributo de Tebas em algum momento. Selos com o nome de Khyan aparecem de Creta à Anatólia, indício de uma rede comercial ativa. Achados recentes de lacres em Edfu sugerem que sua posição na sequência dinástica precisa ser revista, e a ordem dos reinados permanece em aberto.
A duração da dinastia é estimada em cerca de um século por listas reais e por resumos antigos, e sua ordem interna continua discutida. As datas absolutas seguem dependentes das mesmas âncoras lunares e sincronismos parciais usados para o Médio Império.
c. 1650 a.C. Datação aproximada Kerma domina a Núbia e pressiona a fronteira sul Kerma não era periferia do Egito: era a capital de um Estado autônomo que controlava o Nilo médio, com templos monumentais de tijolo, oficinas, cemitérios reais de túmulos enormes e domínio sobre as rotas do…
- Localização
- Kerma, a montante da Terceira Catarata
Núbia e Cuxe - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Não atribuído
A cidade tinha muralhas com portas fortificadas, um recinto palaciano com sala de audiências, bairros de oficinas de bronze e de faiança, celeiros e dois grandes edifícios de tijolo cru de dimensões pouco comuns em qualquer lugar do vale, o maior deles um templo com paredes de vários metros de espessura. A leste, o cemitério reúne dezenas de milhares de sepulturas e, entre elas, túmulos reais cobertos por montículos de grande diâmetro, com capelas próprias e sepultamentos de servidores. Ao redor desses montículos foram depositados milhares de crânios de bovinos, sinal do lugar que o rebanho ocupava na riqueza e no ritual. A cerâmica de Kerma, de parede finíssima, com bordo negro e faixa prateada, está entre a melhor produzida no Nilo antigo.
A fase mais poderosa do reino é delimitada por camadas de ocupação e por sepulturas, sem listas de governantes que permitam contagem de anos. As datas dependem de sincronismos com o Egito, cuja própria cronologia admite variação de décadas.
c. 1640 a.C. Datação aproximada Carro de guerra e arco composto mudam a guerra no Egito Entre a XV e a XVIII Dinastias, o exército egípcio incorporou o carro leve de duas rodas, o arco composto, a espada curva e a armadura de escamas. A entrada desse equipamento acompanhou décadas de contato com…
- Localização
- Delta oriental e vale do Nilo
Baixo Egito - Dinastia
- XV Dinastia
- Governante
- Khyan
O carro egípcio era uma plataforma leve: caixa aberta de madeira e couro sobre duas rodas de raios, primeiro quatro e depois seis, puxada por uma parelha de cavalos, com um condutor e um arqueiro. Servia para atirar em movimento, perseguir quem fugia e transportar o comando, e sua adoção exigia muito mais que a carroceria: criação de cavalos, forragem, cocheiros, veterinários, oficinas de rodas e eixos, peças de reposição. O arco composto, feito de camadas de madeira, chifre e tendão colados e amarrados, entregava alcance e penetração muito superiores ao arco de vara única, ao preço de fabricação lenta, custo alto e sensibilidade à umidade.
A adoção desse equipamento é um processo de gerações e não cabe em um ano nem em um reinado. A data serve de marca dentro do período, cujas balizas absolutas continuam apoiadas em registros lunares e em sincronismos parciais com o Oriente Próximo.
c. 1555 a.C. Datação aproximada Seqenenré Taa inicia a guerra contra Avaris O rei tebano Seqenenré Taa rompeu a convivência com Avaris e levou tropas ao norte. Seu corpo apresenta fraturas de machado e cortes de lâmina na cabeça, e é sobretudo dessa evidência física que se reconstrói…
- Localização
- Tebas e Médio Egito
Alto Egito - Dinastia
- XVII Dinastia
- Governante
- Seqenenré Taa
Tebas governava então de Elefantina até as proximidades de Cusae, no Médio Egito, e convivia com o norte em arranjo que permitia comércio e pastagem de gado no delta. A família real tebana desse momento tem perfil incomum, com mulheres de peso político declarado, entre elas Tetisheri e Ahotep. O corpo de Taa, recuperado no esconderijo de múmias reais de Deir el-Bahari, apresenta pelo menos cinco lesões graves no crânio e no rosto, produzidas por armas de tipos diferentes, o que aponta para vários agressores. Exames recentes de imagem observaram ainda a posição rígida das mãos e sugeriram que estivessem imobilizadas, leitura que não é aceita por todos.
O reinado é curto e mal documentado, e sua data de fim é estimada a partir da contagem regressiva desde o início do Novo Império, ela própria fixada por observações lunares e sincronismos parciais que admitem alguns anos de variação.
c. 1552 a.C. Datação aproximada Camés leva a frota tebana até Avaris No terceiro ano de seu reinado, Camés desceu o Nilo com uma frota, tomou Nefrúsi, devastou os arredores de Avaris e voltou sem tomar a cidade. O relato sobrevive em duas versões de uma inscrição real, uma…
- Localização
- Nefrúsi, Cusae e cercanias de Avaris
Médio Egito - Dinastia
- XVII Dinastia
- Governante
- Camés
O texto começa por uma cena de conselho: o rei diz aos seus notáveis que não aceita permanecer entre um senhor estrangeiro ao norte e um núbio ao sul, e os conselheiros recomendam prudência, lembrando que o acordo vigente lhes garante campos e pastagem no delta. O rei parte de todo modo. Nefrúsi, ao norte de Cusae, é tomada; a frota segue até as vizinhanças de Avaris, arrasa vinhedos e captura centenas de embarcações carregadas de madeira de cedro, óleos, resinas, bronze e machados. O tom é comemorativo, como em toda inscrição real, e a cidade em si resiste: a campanha rompe o equilíbrio, mas não decide a guerra.
A campanha é datada pelo terceiro ano de um reinado de poucos anos, imediatamente anterior ao Novo Império. Sua posição no calendário absoluto herda a margem das observações lunares e dos sincronismos parciais usados para fixar o período.
c. 1550 a.C. Datação aproximada O papiro matemático de Rhind é copiado em Avaris Escrito pelo escriba Ahmés no ano trinta e três do rei Apepi, o documento declara ser cópia de um texto do tempo de Amenemhat III. Reúne mais de oitenta problemas resolvidos: divisão de pães, força da cerveja…
- Localização
- Avaris, com original do Médio Império
Baixo Egito - Dinastia
- XV Dinastia
- Governante
- Apepi
A obra abre com uma tabela que converte a fração dois sobre um número ímpar em somas de frações de numerador um, ferramenta básica da aritmética egípcia, que só operava com partes unitárias. Vêm depois os problemas, na forma de enunciado, cálculo e verificação: repartir um número de pães entre trabalhadores em cotas desiguais, medir a força do pão e da cerveja pela quantidade de grão empregada, calcular ração de animais, resolver questões de quantidade desconhecida equivalentes a equações de primeiro grau, achar áreas de triângulos e de quadriláteros, calcular a área do círculo elevando ao quadrado oito nonos do diâmetro, obter o volume de celeiros cilíndricos e determinar a inclinação constante de uma face de pirâmide ou de uma rampa.
O manuscrito traz a data do ano trinta e três de Apepi, o que o situa no fim do domínio de Avaris; converter esse ano de reinado em data absoluta depende das âncoras lunares e dos sincronismos parciais que sustentam a cronologia do período.
Novo Império
c. 1550 – 1069 a.C.
30 acontecimentos
c. 1550 a.C. Datação aproximada Amósis expulsa os hicsos e funda a XVIII Dinastia A tomada de Avaris e o cerco a Sharuhen encerraram o governo hicso no delta oriental. Amósis reuniu o vale e o delta sob um só rei, reabriu as pedreiras de calcário para as obras dos templos e inaugurou a…
- Localização
- Avaris e Sharuhen, no sul do Levante
Baixo Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Amósis I
A ofensiva contra Avaris vinha de duas gerações, iniciada por Seqenenré Taa e continuada por Camés. Amósis subiu ao trono menino e retomou as operações quando dispôs de exército e frota. O relato mais detalhado do episódio não está em um monumento real, mas na autobiografia gravada na tumba do oficial de marinha Ahmés, filho de Ibana, em El-Kab: ele descreve combates embarcados no canal de Avaris, a queda da cidade e, em seguida, um cerco prolongado a Sharuhen, além de condecorações em ouro e cativos recebidos como prêmio de bravura.
O reinado de Amósis abre a série cronológica mais firme do Egito faraônico, sustentada por datas lunares, por observações do nascer helíaco de Sirius e por sincronismos com Hatti, a Assíria e a Babilônia. Mesmo assim, a cronologia alta e a baixa separam o início desse reinado por cerca de uma década.
c. 1540 a.C. Datação aproximada O vice-reinado de Cuxe organiza o domínio da Núbia Retomado o sul, a coroa não restaurou a linha de fortalezas do Médio Império: criou um governo civil permanente, chefiado pelo Filho Real de Cuxe. O cargo respondia pela extração de ouro, pela cobrança de…
- Localização
- Do Assuã à Quarta Catarata
Núbia e Cuxe - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Amósis I
O título egípcio do cargo, Filho Real de Cuxe, não indicava parentesco com o rei: marcava delegação direta de autoridade sobre um território governado à parte do restante do país. O titular tinha dois adjuntos, um para Uauat, entre a Primeira e a Segunda Catarata, e outro para Cuxe, a montante. Sob sua alçada ficavam escribas de celeiro, chefes de minas e comandantes de guarnição. Os primeiros ocupantes conhecidos aparecem já no início da XVIII Dinastia, e a lista de titulares atravessa quatro séculos, o que faz do vice-reinado uma das estruturas administrativas mais estáveis do Egito antigo.
A criação do cargo é situada entre o fim do reinado de Amósis e o de Amenhotep I, intervalo em que a documentação nubiana é escassa. Como no restante do Novo Império, as datas absolutas oscilam cerca de dez anos conforme se adote a cronologia alta ou a baixa, ainda que a sequência interna dos reinados seja segura.
c. 1534 a.C. Datação aproximada O papiro Ebers reúne o conhecimento médico egípcio Com cerca de vinte metros de comprimento e mais de oitocentas prescrições, o papiro Ebers é o maior tratado médico egípcio conservado. Nele convivem receitas medidas em frações precisas, roteiros de exame do…
- Localização
- Tebas, com originais mais antigos
Todo o Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Amenhotep I
O rolo tem cento e dez páginas e foi copiado por um escriba a partir de tratados mais antigos, alguns provavelmente do Médio Império, como mostram a linguagem e as repetições internas. Os capítulos se organizam por queixa: dores abdominais, doenças dos olhos, afecções da pele, mordidas, problemas ginecológicos, males da cabeça. Muitas entradas seguem um roteiro fixo, que começa pelo exame do doente, passa ao juízo do profissional e termina na prescrição, com ingredientes como mel, óleo de rícino, tâmaras, cominho, cerveja doce e minerais moídos, dosados em frações de medidas correntes.
O verso do documento traz uma tabela de calendário com o ano nove de um rei não nomeado, geralmente identificado como Amenhotep I, o que fornece a data da cópia e não a da composição. Essa referência é uma das âncoras da cronologia do início da XVIII Dinastia, cujas datas absolutas ainda variam cerca de dez anos entre as propostas alta e baixa.
c. 1520 a.C. Datação aproximada A vila de Deir el-Medina abriga os operários das tumbas reais Em um vale fechado da margem ocidental de Tebas, a coroa instalou o povoado dos artesãos encarregados de escavar e decorar as tumbas reais. Cerca de setenta casas dentro de um muro, salários pagos em grão e…
- Localização
- Deir el-Medina, margem ocidental de Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Amenhotep I
Os moradores se identificavam como servidores do Lugar da Verdade e trabalhavam divididos em duas turmas, a da direita e a da esquerda, cada uma com um chefe, um subchefe e um escriba. O pagamento vinha do tesouro do templo funerário em atividade e consistia sobretudo em trigo emmer e cevada, entregues por mês em sacos, com porções maiores para os chefes e o escriba, além de peixe, verduras, lenha, cerveja, óleo e água trazida por burros, já que o vale não tem poço. Atrasos na entrega do grão paralisavam a vila e geraram registros de reclamação formal.
Tijolos com o selo de Amenhotep I e de Tutmés I situam a fundação no começo do século XVI a.C., embora o povoado só se torne bem documentado a partir da XIX Dinastia. As datas absolutas dependem da cronologia adotada, com diferença próxima de dez anos entre as versões alta e baixa.
c. 1500 a.C. Datação aproximada O Vale dos Reis substitui as pirâmides reais A monarquia abandonou o túmulo visível e passou a esconder a sepultura em um uádi atrás da montanha tebana, separando-a do templo de culto erguido na planície. A decisão mudou a arquitetura funerária real por…
- Localização
- Vale dos Reis, Tebas ocidental
Alto Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés I
O uádi escolhido fica sob o pico de el-Qurn, cuja silhueta triangular funcionava como pirâmide natural sobre as tumbas. O acesso único e a escassez de rotas facilitavam a vigilância por guardas da necrópole. A escavação era feita na rocha, com corredores em declive, poços de proteção, câmaras de anexos e uma sala de sarcófago decorada com textos do repertório funerário real, entre eles o Livro do Amduat. O templo de culto, antes acoplado à pirâmide, passou a ser construído a quilômetros de distância, na borda das terras cultivadas.
A atribuição das duas tumbas mais antigas do vale, KV20 e KV38, ao reinado de Tutmés I é debatida, e com ela a data exata da primeira escavação. O reinado em si está bem posicionado na sequência dinástica, com a habitual margem de cerca de dez anos entre a cronologia alta e a baixa.
c. 1500 a.C. Datação aproximada Tutmés I leva o exército egípcio ao Eufrates Duas frentes marcaram esse reinado: ao sul, a conquista até a Terceira Catarata, comemorada na estela de Tombos; ao norte, uma marcha inédita até o Eufrates, onde o rei mandou erguer uma estela de fronteira…
- Localização
- Norte da Síria, margem do Eufrates
Levante e Síria - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés I
No segundo ano de reinado, uma estela gravada na rocha em Tombos, junto à Terceira Catarata, registra a derrota das forças de Cuxe e a instalação do domínio egípcio a montante. Textos do período descrevem o corpo de um arqueiro núbio pendurado na proa do navio real na volta a Tebas, imagem de vitória destinada ao público interno. No mesmo reinado, o canal aberto na Primeira Catarata em tempos de Senusret III foi desobstruído para permitir a passagem da frota, obra registrada em inscrição na ilha de Sehel.
A campanha na Síria é conhecida por textos comemorativos e por biografias de oficiais, sem data de ano preservada de forma segura. A posição do reinado na sequência do Novo Império é firme, ainda que as datas absolutas se desloquem cerca de uma década conforme a cronologia escolhida.
c. 1473 a.C. Datação aproximada Hatshepsut assume a realeza plena Viúva de Tutmés II, Hatshepsut governou primeiro como regente do enteado criança e, entre o segundo e o sétimo ano desse reinado, adotou titulatura real completa. A solução manteve os dois nomes no trono e foi…
- Localização
- Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Hatshepsut
Filha de Tutmés I e esposa principal de Tutmés II, Hatshepsut acumulava o cargo sacerdotal de Esposa Divina de Amon quando o marido morreu deixando um herdeiro muito jovem. As primeiras inscrições da regência a apresentam como grande esposa real que administra o país em nome do menino. Nos anos seguintes, os epítetos mudam: ela recebe os cinco nomes da titulatura faraônica, entre eles o prenome Maatkaré, e passa a ser representada com o pano de cabeça, o saiote curto e, em parte das imagens, a barba cerimonial do ofício, sem que o gênero feminino desapareça dos textos, onde formas masculinas e femininas alternam.
A passagem da regência à realeza é datada pelos anos de reinado de Tutmés III, que continuaram a ser contados durante toda a corregência, entre o ano dois e o ano sete. Convertida em datas absolutas, a transição varia cerca de dez anos segundo a cronologia adotada para o Novo Império.
c. 1470 a.C. Datação aproximada A expedição ao Punt e o comércio de incenso Cinco navios partiram de um porto do Mar Vermelho em busca de resinas aromáticas e voltaram carregados de mirra, ébano, marfim, ouro e animais vivos. O pórtico sul de Deir el-Bahari registrou a viagem em…
- Localização
- Do Mar Vermelho ao Punt, provavelmente na costa africana
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Hatshepsut
O Punt aparece em documentos egípcios desde a V Dinastia como fonte das resinas queimadas nos templos. Os relevos do templo de Deir el-Bahari são o registro mais detalhado de uma dessas viagens: mostram a montagem dos navios, a travessia, as casas do Punt erguidas sobre estacas entre palmeiras, peixes do Mar Vermelho desenhados com precisão suficiente para identificação de espécie, e o encontro com o chefe Parehu e sua esposa Ati. A chefia da missão é atribuída ao chanceler Nehesi, e a expedição combinou trecho fluvial, travessia do deserto oriental com as peças das embarcações e navegação costeira.
Os relevos situam a viagem no ano nove da corregência, mas não trazem indicação de mês nem de duração total. A conversão para datas absolutas herda a margem de cerca de dez anos que separa as cronologias alta e baixa do Novo Império.
c. 1460 a.C. Datação aproximada Os obeliscos de Karnak e as pedreiras de Assuã Dois monólitos de granito extraídos em Assuã foram erguidos entre o quarto e o quinto pilone de Karnak. O que permanece de pé tem quase trinta metros e mais de trezentas toneladas, e sua base afirma que a…
- Localização
- Karnak e pedreiras de granito de Assuã
Alto Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Hatshepsut
O granito vermelho vinha das pedreiras da margem oriental de Assuã, onde o bloco era isolado por trincheiras abertas a golpes de esferas de dolerito e depois desprendido da rocha viva. O transporte, cerca de duzentos quilômetros rio abaixo, aparece representado em relevo no pórtico inferior de Deir el-Bahari: dois obeliscos deitados lado a lado sobre uma barcaça imensa, rebocada por filas de embarcações a remo. A operação, atribuída nos textos ao mordomo Senenmut, dependia da cheia para aproximar a carga do canteiro e de rampas de tijolo e areia para o levantamento final.
A inscrição da base do obelisco conservado menciona o ano dezesseis da corregência e um prazo de sete meses entre a extração e a instalação. As datas absolutas correspondentes oscilam cerca de uma década entre a cronologia alta e a baixa.
1457 a.C. Datação aproximada A batalha de Megido inaugura o império asiático Ao assumir o governo sozinho, Tutmés III enfrentou uma coalizão de cidades sírias e palestinas reunida em Megido. A escolha da passagem estreita de Aruna surpreendeu o inimigo, e o cerco que se seguiu durou…
- Localização
- Megido, no vale de Jezreel
Levante e Síria - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés III
Os anais foram inscritos nas paredes em torno do santuário de granito de Karnak e derivam de um diário de campanha guardado em rolo no templo de Amon, o que explica o nível de detalhe: datas, itinerários, discursos em conselho de guerra e listas de despojos. Segundo esse texto, a coalizão era chefiada pelo governante de Cades e reunia centenas de chefes locais. O conselho de oficiais recomendou os caminhos largos; o rei impôs a trilha de Aruna, onde a coluna teve de avançar em fila indiana, e apareceu na planície de Jezreel pelo flanco desprotegido.
Os anais datam o combate com precisão de dia dentro do ano vinte e três de Tutmés III, o que faz dele um dos acontecimentos militares mais bem registrados da Antiguidade. A conversão para o calendário atual, no entanto, produz resultados que variam cerca de vinte e cinco anos entre a cronologia alta e a baixa, com 1457 a.C. como valor mais usado.
c. 1450 a.C. Datação aproximada Os anais de Tutmés III e a administração das províncias asiáticas Dezessete campanhas em vinte anos não produziram anexação direta, mas um sistema de vassalagem: chefes locais mantidos no cargo, herdeiros educados na corte egípcia, guarnições em pontos estratégicos e portos…
- Localização
- Karnak e cidades vassalas do Levante
Levante e Síria - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés III
O Egito não instalou governadores próprios na maior parte do Levante. Preferiu contratos de lealdade jurados diante do rei, acompanhados de entrega periódica de bens que os textos chamam de inu: prata, cobre, cavalos, carros, tecidos, vinho, azeite e madeira de construção. Três centros de supervisão foram organizados, com sede em Gaza, na região de Cades e em Ugarite ou suas vizinhanças, sob a autoridade de um funcionário responsável pelas terras estrangeiras do norte. Guarnições pequenas e depósitos de suprimento nos portos da costa garantiam que a próxima campanha encontrasse comida e transporte disponíveis.
As campanhas estão datadas por ano de reinado, do vigésimo terceiro ao quadragésimo segundo, mas a gravação dos anais em Karnak foi feita em etapas, sem data própria. Como em todo o período, a passagem para o calendário atual admite variação próxima de uma década segundo a cronologia adotada.
c. 1450 a.C. Datação aproximada O jardim botânico de Karnak cataloga plantas estrangeiras Nas salas anexas ao Akhmenu, em Karnak, as paredes foram cobertas de plantas e animais gravados em relevo, apresentados como espécies encontradas nas terras de Retjenu. É o mais antigo repertório figurado de…
- Localização
- Templo de Amon em Karnak
Alto Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés III
O Akhmenu, salão de festas erguido a leste do santuário principal de Karnak, recebeu no seu conjunto de câmaras um programa decorativo sem paralelo. Em vez das cenas habituais de oferenda, as paredes exibem fileiras de plantas com raiz, flor e fruto, além de aves, quadrúpedes e frutos isolados. Uma legenda declara que se trata do que a majestade encontrou na terra de Retjenu, designação egípcia da Síria e da Palestina, o que liga o conjunto às campanhas asiáticas. Estimativas correntes apontam cerca de duas centenas e meia de espécies representadas.
As salas fazem parte do Akhmenu, cuja construção é situada no fim do reinado de Tutmés III, sem data de dedicação preservada. A cronologia do Novo Império é a mais segura do Egito faraônico, mas as datas absolutas continuam a divergir cerca de dez anos entre as reconstruções alta e baixa.
c. 1440 a.C. Datação em debate O apagamento dos monumentos de Hatshepsut Nomes cinzelados, figuras substituídas, estátuas quebradas e enterradas em fossos, obeliscos ocultados por alvenaria: a memória monumental de Hatshepsut foi removida de forma seletiva. A cronologia do…
- Localização
- Deir el-Bahari e Karnak
Alto Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés III
A intervenção não foi uniforme. Em Deir el-Bahari e em Karnak, os cartuchos e as imagens da soberana com insígnias reais foram removidos, enquanto representações dela como esposa real ou como Esposa Divina de Amon muitas vezes permaneceram intactas. Os nomes suprimidos foram frequentemente substituídos por aqueles de Tutmés I, Tutmés II e Tutmés III. A Capela Vermelha, santuário de quartzito construído por ela, foi desmontada e seus blocos reaproveitados como enchimento no terceiro pilone. Estátuas foram derrubadas, fragmentadas e lançadas em fossos perto do templo, onde escavações do século XX as recuperaram e permitiram remontar várias peças.
O exame das superfícies marteladas e das camadas de reconstrução indica que a remoção começou por volta do ano quarenta e dois de Tutmés III, isto é, cerca de vinte anos depois da morte da soberana, e prosseguiu no reinado seguinte. Além dessa dúvida sobre o momento inicial, vale a margem de aproximadamente dez anos entre a cronologia alta e a baixa do Novo Império.
c. 1400 a.C. Datação aproximada A Estela do Sonho e o primeiro restauro documentado Uma estela de granito instalada entre as patas da Esfinge conta que o príncipe adormeceu à sombra do monumento e ouviu o deus pedir que o livrasse da areia. O texto associa a limpeza do monumento à chegada ao…
- Localização
- Entre as patas da Grande Esfinge, em Gizé
Baixo Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés IV
A laje foi feita a partir de um lintel retirado do templo funerário de Quéfren, mil e cem anos mais antigo, e colocada de pé contra o peito da escultura. O texto narra que o filho do rei, depois de caçar no deserto de Gizé, deitou-se à sombra da Esfinge ao meio-dia e recebeu em sonho a fala do deus Horemakhet, o Hórus do horizonte, que se dizia sufocado pela areia e prometia a realeza em troca da desobstrução. A parte final da inscrição está muito danificada, e a promessa em si depende de restituição, o que torna prudente falar de uma versão oficial e não de um registro literal.
O monumento traz o ano um do reinado de Tutmés IV, o que fixa a data relativa com segurança; a passagem para o calendário atual depende da cronologia escolhida, com diferença de cerca de dez anos entre as versões alta e baixa.
c. 1370 a.C. Datação aproximada O templo de Luxor e os Colossos de Mêmnon O reinado mais próspero da XVIII Dinastia ergueu em Luxor o santuário do sul, com colunata e pátio solar, e na margem oposta um templo funerário de dimensões enormes, guardado por dois colossos de quartzito de…
- Localização
- Luxor e Kom el-Hetan, em Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Amenhotep III
O templo de Luxor, chamado Ipet-resyt, foi concebido para a festa de Opet, quando as imagens dos deuses de Karnak desciam em procissão até o santuário do sul. Suas salas internas trazem a sequência de relevos do nascimento divino do rei, em que Amon assume a forma do pai para gerar o herdeiro, tema já usado em Deir el-Bahari. A obra foi conduzida sob a supervisão do arquiteto Amenhotep, filho de Hapu, funcionário tão prestigiado que recebeu templo de culto próprio, e prosseguiu depois com a colunata concluída no reinado de Tutancâmon.
As obras se distribuem ao longo de um reinado de quase quatro décadas, sem que os monumentos permitam datar cada etapa. A posição do reinado é firme, apoiada em datas lunares e em cartas trocadas com Babilônia e Mitani, com a costumeira diferença de cerca de dez anos entre as cronologias em uso.
c. 1360 – 1330 a.C. Datação aproximada As cartas de Amarna revelam a diplomacia do Oriente Próximo Quase quatrocentas tabuinhas de barro escritas em cuneiforme acadiano formam o arquivo diplomático encontrado em Amarna. Nele se leem pedidos de ouro, negociações de casamento, queixas de vassalos sitiados e o…
- Localização
- Aquetáton, com correspondentes de Babilônia a Hatti
Mesopotâmia e Anatólia - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Amenhotep III
As tabuinhas vieram à luz em 1887, no edifício de Aquetáton identificado como repartição de correspondência do palácio, e hoje estão divididas entre coleções do Cairo, de Berlim, de Londres e de outras cidades. Dois grupos se distinguem. No primeiro, os grandes reis: Kadashman-Enlil e Burna-Buriash, da Babilônia; Tushratta, de Mitani; Suppiluliuma, de Hatti; Ashur-uballit, da Assíria; além dos governantes de Alashia, em Chipre, e de Arzawa. Eles se chamam de irmãos, cobram presentes prometidos, discutem dotes e reclamam de mensageiros retidos por tempo excessivo na corte egípcia.
O arquivo cobre pouco mais de três décadas e é, ele próprio, uma das principais âncoras da cronologia do Bronze Recente, por permitir o cruzamento entre reinados egípcios, hititas, assírios e babilônicos. Mesmo com esses sincronismos, subsiste divergência de cerca de dez anos entre as propostas alta e baixa.
c. 1346 a.C. Datação aproximada A reforma de Aton e a fundação de Aquetáton No quinto ano de reinado, o rei trocou o nome, transferiu a corte para um lugar sem culto anterior e impôs o serviço exclusivo do disco solar. Templos de outros deuses foram fechados, seus bens redirecionados…
- Localização
- Aquetáton, atual Amarna
Médio Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Aquenáton
O culto do disco solar não era novidade: Aton aparece em textos desde o Médio Império e ganhou destaque já com Amenhotep III. A ruptura foi de outra ordem. O rei mandou construir em Karnak um santuário a céu aberto para Aton, o Gempaaton, feito com blocos pequenos de fácil manuseio, os talatate, e em seguida escolheu para nova capital uma planície na margem oriental do Nilo, delimitada por estelas gravadas na rocha que declaram o local como não pertencente a nenhum deus nem a nenhuma deusa. O nome adotado, Aquetáton, significa horizonte do disco solar, e o rei passou a chamar-se Aquenáton.
As estelas de limite da cidade datam a escolha do local do ano cinco do reinado, e a mudança de nome do rei ocorre no mesmo intervalo. Como o restante do período, as datas absolutas variam cerca de uma década conforme a cronologia adotada, apesar dos sincronismos com Hatti, a Assíria e a Babilônia.
c. 1345 a.C. Datação aproximada A arte de Amarna rompe o cânone milenar Crânios alongados, queixos salientes, ventres proeminentes e cenas de intimidade familiar substituíram o corpo idealizado da tradição. A grade de proporções foi refeita, e as oficinas de Aquetáton produziram…
- Localização
- Oficinas de Aquetáton
Médio Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Aquenáton
A convenção egípcia representava o rei como jovem atlético, de proporções fixadas por uma grade de dezoito quadrados. Nos primeiros anos do reinado, essa grade foi substituída por outra, de vinte quadrados, e as figuras passaram a exibir cabeça alongada, feições estreitas, quadris largos e membros finos, tratamento aplicado ao rei, à rainha e às princesas. As cenas mudaram de assunto: o casal aparece abraçando as filhas, beijando-as, comendo em família, chorando em funeral, sempre sob os raios de Aton, e não mais em posturas de combate ou de oferenda solene.
O estilo evolui dentro do reinado, das figuras mais alongadas dos primeiros anos a formas mais contidas no fim, o que impede datar cada obra com precisão. As datas absolutas do reinado permanecem sujeitas à diferença de cerca de dez anos entre cronologia alta e baixa.
c. 1332 a.C. Datação aproximada Tutancâmon restaura os cultos tradicionais Um menino de cerca de nove anos subiu ao trono e, em poucos anos, os templos fechados voltaram a funcionar, as rendas foram devolvidas e o nome do rei passou de Tutankhaton a Tutancâmon. A Estela da…
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- Tebas e Mênfis
Alto Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutancâmon
O texto da estela descreve santuários em ruína, pátios tomados por ervas, capelas transformadas em atalho e o país abandonado pelos deuses, que não atendiam mais a nenhum pedido. Em seguida enumera as medidas: reconstrução de imagens divinas em ouro e pedras finas, restituição de terras e de rendas aos templos, nomeação de novos sacerdotes escolhidos entre filhos de notáveis e retomada dos festivais. O documento foi encontrado em Karnak e teve depois o nome do rei substituído pelo de Horemheb, prática que dificultou por muito tempo a atribuição correta.
A Estela da Restauração não conserva número de ano legível, e a medida é situada nos primeiros anos do reinado pela mudança do nome do rei. As datas absolutas seguem a margem de cerca de dez anos que separa a cronologia alta da baixa no Novo Império.
c. 1320 a.C. Datação aproximada O decreto de Horemheb reorganiza a justiça e o fisco General que chegou ao trono sem herança dinástica, Horemheb gravou em Karnak um longo decreto contra abusos de cobradores e juízes. O texto proíbe requisições arbitrárias de barcos e couros, fixa penas severas…
- Localização
- Karnak, com aplicação em todo o país
Todo o Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Horemheb
A estela foi erguida junto ao décimo pilone de Karnak e chegou incompleta, com lacunas extensas, mas o suficiente para reconstituir a lógica das medidas. Os casos descritos são concretos: agentes do fisco que tomavam embarcações de particulares para transporte oficial, funcionários que confiscavam couros destinados às oficinas de couro do palácio, soldados que se apropriavam de bens durante deslocamentos. Para cada abuso, o decreto indica a proibição e a punição, que em situações graves inclui mutilação e degredo para a guarnição de Tjaru, na fronteira nordeste do delta.
A estela que traz o texto está mutilada na parte da data, e a medida é situada no começo do reinado por argumentos internos. A margem habitual de cerca de dez anos entre as cronologias alta e baixa do Novo Império também se aplica aqui.
c. 1279 a.C. Datação aproximada Pi-Ramsés se torna a nova capital do delta A corte ramessida deixou Tebas como residência e se instalou no delta oriental, perto da antiga Avaris. Pi-Ramsés reuniu palácio, templos, quartel de carros e oficinas de bronze, e sua posição encurtava em…
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- Qantir, no delta oriental
Baixo Egito - Dinastia
- XIX Dinastia
- Governante
- Ramsés II
O local, hoje a região de Qantir, ficava junto ao braço pelusíaco do Nilo, com acesso direto ao Mediterrâneo e à estrada militar do norte do Sinai. As prospecções magnéticas e as escavações revelaram uma cidade de vários quilômetros quadrados, com setor palaciano, distritos de templo, estábulos capazes de abrigar centenas de cavalos, pistas de manobra e uma grande oficina metalúrgica com fornos de fundição de bronze e resíduos de fabricação de armas. Peças de revestimento em faiança azul e ladrilhos decorados indicam o padrão dos edifícios oficiais.
A fundação é atribuída ao início do reinado de Ramsés II, cuja subida ao trono é uma das datas mais bem amarradas do Egito faraônico, apoiada em datas lunares e nos sincronismos com Hatti. Ainda assim, o valor absoluto varia cerca de uma década entre a cronologia alta e a baixa.
1274 a.C. Datação aproximada A batalha de Cades contra o Império Hitita No quinto ano de reinado, quatro divisões egípcias marcharam sobre Cades e caíram em uma emboscada montada por Muwatalli II. O ataque hitita quase destruiu o acampamento real, e o resultado foi um impasse que…
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- Cades, no rio Orontes
Levante e Síria - Dinastia
- XIX Dinastia
- Governante
- Ramsés II
O exército avançou dividido em quatro corpos, com os nomes de Amon, Rá, Ptah e Set, mais um destacamento vindo pela costa. Segundo o relato egípcio, dois beduínos capturados informaram que as forças hititas estavam longe, ao norte, quando na verdade se encontravam escondidas atrás da cidade. A carga dos carros hititas atingiu a divisão de Rá em marcha e a desbaratou, chegando ao acampamento real. A chegada do destacamento costeiro e a reorganização em torno do rei impediram o desastre completo, e no dia seguinte as duas frentes se retiraram sem tomar a praça.
O combate está datado do ano cinco de Ramsés II, e o cruzamento com os arquivos de Hattusa torna essa posição uma das mais seguras do Bronze Recente. A conversão para o calendário atual oscila cerca de dez anos entre a cronologia alta e a baixa, com 1274 a.C. como valor de uso corrente.
c. 1264 a.C. Datação aproximada Os templos de Abu Simbel afirmam o poder egípcio na Núbia Ramsés II mandou escavar na encosta de Abu Simbel dois templos rupestres: o maior, com quatro colossos sentados de cerca de vinte metros, dedicado a Amon-Rá, Rá-Horakhti, Ptá e ao próprio rei divinizado; o…
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- Abu Simbel, ao norte da Segunda Catarata
Núbia e Cuxe - Dinastia
- XIX Dinastia
- Governante
- Ramsés II
A escolha do lugar respondia a uma necessidade de governo. Abu Simbel ficava na rota fluvial que ligava o Egito às minas de ouro e às províncias administradas pelo vice-rei de Cuxe, e as fachadas foram talhadas de frente para o rio, de modo que quem subia ou descia o Nilo encontrasse primeiro os colossos do rei. No santuário mais profundo, quatro estátuas sentadas mostram Ramsés II entre os grandes deuses do Estado, na mesma escala e recebendo o mesmo culto. O eixo do templo foi orientado de tal modo que a luz do sol nascente alcança esse fundo em dois momentos do ano.
O início das obras é situado por volta do ano vinte de Ramsés II, e a conclusão do conjunto se estendeu por cerca de duas décadas. As datas absolutas do reinado variam alguns anos entre as cronologias em uso.
1259 a.C. Datação estabelecida O primeiro tratado de paz conhecido da história Quinze anos depois do confronto em Cades, Ramsés II e Hatusil III firmaram um acordo de não agressão, auxílio militar recíproco e devolução de fugitivos. O texto sobreviveu em duas redações independentes, uma…
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- Pi-Ramsés e Hattusa
Mesopotâmia e Anatólia - Dinastia
- XIX Dinastia
- Governante
- Ramsés II
O acordo não encerrou uma guerra em curso: oficializou um equilíbrio já existente. Depois de Cades, nenhuma das duas potências conseguiu expulsar a outra da Síria central, e a ascensão do Império Assírio a leste tornou a rivalidade custosa para ambos os lados. A redação egípcia foi gravada em pedra no templo de Amon em Karnak e no Rameseu, o templo funerário de Ramsés II em Tebas ocidental. A redação em acádio, língua da diplomacia da época, foi escrita em tábuas de barro e recuperada nos arquivos reais de Hattusa, na Anatólia central.
1208 a.C. Datação aproximada Merneptah repele líbios e povos do mar no delta No quinto ano de Merneptah, uma coalizão de líbios e de grupos vindos do mar avançou sobre o delta ocidental e foi detida em Perire. A estela erguida para celebrar a vitória traz também a mais antiga menção…
- Localização
- Delta ocidental e Perire
Líbia e fronteira ocidental - Dinastia
- XIX Dinastia
- Governante
- Merneptah
A pressão sobre a fronteira oeste vinha crescendo desde o fim do reinado de Ramsés II. Grupos líbios, sobretudo libu e mechuech, procuravam terras cultiváveis na franja do delta, e a eles se juntaram contingentes de origem mediterrânica, entre os quais os designados nos textos como ecuech, tursha, luca, sardana e chequelech, alguns dos quais já serviam como soldados pagos nos exércitos da região. O exército egípcio interceptou o avanço em Perire, e o relato oficial registra milhares de mortos, além de prisioneiros marcados e distribuídos como mão de obra.
O confronto é datado do quinto ano de Merneptah pelos próprios monumentos; a posição desse ano na escala absoluta depende da cronologia adotada para a XIX Dinastia, com variação de poucos anos.
1177 a.C. Datação aproximada Ramsés III enfrenta os povos do mar No ano oito de Ramsés III, o Egito enfrentou por terra e por água grupos designados nos textos como peleset, tjeker, chequelech, denien e uechech. As paredes do templo de Medinet Habu registram os combates…
- Localização
- Bocas do delta e fronteira do Sinai
Baixo Egito - Dinastia
- XX Dinastia
- Governante
- Ramsés III
O período em torno de mil e duzentos anos antes da era comum viu ruir vários centros do Mediterrâneo oriental: Hatti perdeu a capital, Ugarite foi abandonada, cidades micênicas foram destruídas. A expressão povos do mar é uma criação de estudiosos do século dezenove e reúne, sob um rótulo único, populações de origens distintas. Os nomes registrados nos textos egípcios correspondem a grupos que aparecem em contextos variados: alguns como atacantes, outros como soldados já contratados por egípcios e hititas, outros ainda como famílias em deslocamento, com carros de bois e mulheres representadas ao lado dos combatentes.
O ano oito de Ramsés III é indicado pelos textos do templo de Medinet Habu, mas sua conversão em data absoluta varia entre as cronologias propostas para o início da XX Dinastia.
c. 1157 a.C. Datação aproximada A primeira greve de trabalhadores registrada No ano vinte e nove de Ramsés III, os operários encarregados das tumbas reais deixaram o trabalho e ocuparam os pátios dos templos funerários de Tebas ocidental porque as rações de grão estavam atrasadas. O…
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- Deir el-Medina e templo de Medinet Habu
Alto Egito - Dinastia
- XX Dinastia
- Governante
- Ramsés III
Os homens de Deir el-Medina não recebiam moeda, e sim uma remuneração em espécie entregue pela administração do tesouro: trigo e cevada em quantidade fixa por mês, além de peixe, lenha, óleo, cerveja e roupas. Quando o grão atrasava, faltava alimento em casa no mesmo mês. No segundo mês da estação de peret, com dezoito dias de atraso acumulado, a equipe cruzou os muros do recinto e sentou-se atrás do templo funerário de Tutmés III, seguindo nos dias seguintes para o Rameseu e para Medinet Habu, onde ficavam os celeiros e a administração local.
O papiro data a paralisação do ano vinte e nove de Ramsés III, com dia e mês precisos; a correspondência desse ano com a escala absoluta depende da cronologia adotada para o reinado.
c. 1155 a.C. Datação aproximada A conspiração do harém e o julgamento dos culpados Um grupo formado por uma esposa secundária do rei, seu filho e dezenas de funcionários de palácio tentou eliminar Ramsés III e colocar no trono o príncipe conhecido como Pentauer. Os papiros judiciais de Turim…
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- Corte real e tribunal de Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XX Dinastia
- Governante
- Ramsés III
A corte ramessida abrigava várias esposas reais e seus filhos, e a sucessão não seguia regra automática. A rainha Tiye, mãe do príncipe registrado nos documentos pelo nome Pentauer, articulou uma conspiração que envolveu mordomos, escribas do harém, chefes militares e funcionários do tesouro, com apoio buscado também fora do palácio. Um tribunal extraordinário de doze membros foi nomeado para julgar cerca de quarenta acusados. As sentenças incluíram execução, autorização para tirar a própria vida e mutilação; parte dos próprios juízes foi punida depois por conduta imprópria com as mulheres detidas.
Os papiros do processo não trazem data completa e são situados nos últimos anos de Ramsés III, cujo reinado terminou por volta de 1153 a.C. segundo a cronologia mais usada.
c. 1150 a.C. Datação aproximada A mumificação atinge seu ponto técnico mais alto Nas oficinas funerárias de Tebas ocidental, o tratamento dos corpos alcançou no fim do Novo Império seu maior refinamento, com rostos preservados em aparência natural, membros preenchidos e posição cuidada. O…
- Localização
- Oficinas funerárias de Tebas ocidental
Alto Egito - Dinastia
- XX Dinastia
- Governante
- Ramsés IV
O objetivo declarado nos textos não era conservar um cadáver, mas produzir um corpo capaz de receber culto e de participar da existência posterior, identificado a Osíris. O trabalho começava com a retirada dos órgãos internos por uma incisão no flanco esquerdo e com o tratamento da cabeça; seguia-se a dessecação com natrão, sal natural recolhido no Uádi Natrum, por cerca de quarenta dias. Depois vinham lavagens, aplicação de resinas e óleos vegetais, preenchimento das cavidades e o enfaixamento em muitas camadas de linho, com amuletos colocados em pontos determinados.
Não se trata de um acontecimento datável, mas de um patamar alcançado ao longo da XX Dinastia e mantido na seguinte; a data indicada serve apenas para situar esse momento na sequência.
c. 1110 a.C. Datação aproximada Os processos por saque de tumbas reais Uma comissão nomeada no reinado de Ramsés IX inspecionou as necrópoles de Tebas ocidental e instruiu processos contra ladrões de tumbas. Os papiros do caso trazem confissões, listas de bens desviados e a…
- Localização
- Tebas ocidental e tribunal da cidade
Alto Egito - Dinastia
- XX Dinastia
- Governante
- Ramsés IX
A crise do fim da XX Dinastia, com preços de grão instáveis e pagamentos atrasados, atingiu também os responsáveis pela vigilância das necrópoles. No ano dezesseis de Ramsés IX, o prefeito de Tebas oriental acusou formalmente a administração da margem ocidental de omissão diante de arrombamentos. Uma comissão percorreu tumbas reais e particulares e apresentou relatório: a maior parte das sepulturas de reis estava intacta, mas a de um soberano da XVII Dinastia havia sido violada e muitos túmulos de nobres, esvaziados.
A investigação principal é datada do ano dezesseis de Ramsés IX; a duração exata do reinado e sua posição na escala absoluta variam algumas unidades entre as reconstruções.
Terceiro Período Intermediário
c. 1069 – 664 a.C.
10 acontecimentos
c. 1080 a.C. Datação aproximada Herihor divide o poder e Tebas passa ao clero de Amon Sumo sacerdote de Amon, general e vice-rei de Cuxe, Herihor passou a escrever seu nome em cartelas reais nas paredes do templo de Khonsu, em Karnak, enquanto Ramsés XI continuava a ser o rei pelo qual se…
- Localização
- Karnak e Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XX Dinastia
- Governante
- Herihor
O acúmulo de cargos explica o que aconteceu. Desde o reinado de Ramsés III, o templo de Amon controlava terras, rebanhos, oficinas e frotas em escala comparável à do próprio Estado, e no fim da XX Dinastia o pontificado tebano passou a somar o comando militar do Alto Egito e a autoridade sobre a Núbia. Herihor reuniu essas funções e adotou parte da titulatura reservada aos faraós, com o nome inscrito em cartela e representações em tamanho real ao lado dos deuses, sem nunca reivindicar o trono no delta.
A datação depende da correlação entre os anos da era chamada Repetição dos Nascimentos e o reinado de Ramsés XI. A ordem entre Herihor e o pontífice Piankh no comando de Tebas foi revista pela pesquisa recente e continua discutida.
c. 1075 a.C. Datação aproximada A viagem de Unamon expõe o declínio do prestígio egípcio Enviado de Tebas para comprar madeira de cedro destinada à barca de Amon, Unamon foi assaltado em Dor, esperou meses em Biblos e ouviu do príncipe local que o Egito precisaria pagar pelo que antes recebia por…
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- Biblos, Dor e a costa fenícia
Levante e Síria - Dinastia
- XX Dinastia
- Governante
- Ramsés XI
O documento chegou até nós em um papiro encontrado em el-Hibeh, no Médio Egito, e narra em primeira pessoa a missão de um funcionário do templo de Amon. Unamon parte com pouca prata e uma imagem portátil do deus, é roubado no porto de Dor, discute compensações, chega a Biblos e é mantido à espera pelo príncipe Zacarbaal. Quando finalmente é recebido, ouve que os antepassados do príncipe forneciam madeira porque eram pagos, e não porque devessem obediência, e que os registros do arquivo local comprovavam os pagamentos.
O relato usa o quinto ano de uma era contada em Tebas, e não um ano de reinado, o que deixa margem de alguns anos na conversão para datas absolutas.
c. 1069 a.C. Datação aproximada Smendes funda a XXI Dinastia em Tânis Com a morte de Ramsés XI, Smendes assumiu o governo do norte a partir de Tânis e fundou a XXI Dinastia. A nova capital foi erguida em boa parte com pedra retirada de Pi-Ramsés, abandonada porque o braço do…
- Localização
- Tânis, no delta oriental
Baixo Egito - Dinastia
- XXI Dinastia
- Governante
- Smendes
A mudança de capital foi ditada pela hidrografia. Pi-Ramsés dependia de um braço pelusíaco que assoreou, deixando a cidade sem porto e sem água corrente suficiente. Tânis, mais ao norte, ficava sobre um ramo ativo, e para lá foram levados obeliscos, colunas, portais e estátuas dos monumentos ramessidas, reempregados em templos novos dedicados a Amon, Mut e Khonsu, à maneira do santuário de Karnak. O resultado é um lugar em que quase toda pedra inscrita carrega o nome de um rei anterior.
A data corresponde à morte de Ramsés XI segundo a cronologia mais aceita; a duração de vinte e seis anos atribuída a Smendes vem da tradição de Manetão e não é confirmada por documentos contemporâneos.
c. 1000 a.C. Datação aproximada Os sacerdotes escondem as múmias reais Diante dos arrombamentos no Vale dos Reis, os sacerdotes de Amon retiraram os corpos dos faraós de suas tumbas, renovaram o enfaixamento e reuniram-nos em poucos esconderijos vigiados. Cada etapa da operação…
- Localização
- Deir el-Bahari e Vale dos Reis
Alto Egito - Dinastia
- XXI Dinastia
- Governante
- Operação conduzida pelos sumos sacerdotes de Amon, entre eles Pinedjem I e Pinedjem II
A decisão veio depois de décadas de saques documentados em processos judiciais. Equipes autorizadas abriram as sepulturas reais, recolheram os corpos, refizeram o enfaixamento quando necessário, substituíram caixões danificados e transferiram tudo para locais de acesso mais fácil de controlar. Os dois principais foram uma tumba de família sacerdotal em Deir el-Bahari e uma câmara lateral da sepultura de Amenhotep II, no Vale dos Reis. Ali acabaram reunidos, entre outros, Amósis, Amenhotep I, Tutmés II, Tutmés III, Seti I, Ramsés II e vários reis da XX Dinastia.
Os deslocamentos ocorreram ao longo de mais de um século, entre o fim da XX Dinastia e a XXI. A data indicada corresponde à fase mais intensa da operação, tal como reconstituída pelas anotações datadas.
c. 991 a.C. Datação aproximada A sepultura de Psusenes I e a ourivesaria de Tânis A câmara de Psusenes I em Tânis foi encontrada fechada e completa, com um caixão interno de prata maciça, máscara de ouro, joias e vasos de metal. É o enterramento real intacto mais bem documentado depois do…
- Localização
- Necrópole real de Tânis
Baixo Egito - Dinastia
- XXI Dinastia
- Governante
- Psusenes I
A necrópole real de Tânis foi instalada dentro do recinto do templo de Amon, prática nova que aproximava os mortos reais do santuário e das muralhas. As escavações do fim da década de trinta e do começo da de quarenta encontraram sepulturas de vários reis do norte, entre elas a de Psusenes I, que reinou cerca de meio século. O sarcófago externo, de granito, e o antropoide interno vinham de monumentos anteriores reaproveitados; dentro deles estava um caixão de prata maciça, com máscara de ouro sobre o rosto.
A data corresponde ao fim do reinado de Psusenes I, estimado em cerca de quarenta e seis anos a partir de fontes indiretas; a margem é de alguns anos.
c. 925 a.C. Datação aproximada Sesonquis I reunifica o Egito e ataca o Levante De origem líbia e vindo de Bubástis, Sesonquis I recompôs a autoridade sobre o Egito inteiro colocando parentes nos cargos decisivos e conduziu uma campanha ao Levante. A relação dos lugares alcançados foi…
- Localização
- Do sul do Levante a Megido
Levante e Síria - Dinastia
- XXII Dinastia
- Governante
- Sesonquis I
A XXII Dinastia nasceu da integração de famílias líbias instaladas no delta havia gerações, com chefias militares reconhecidas e terras próprias. Sesonquis I reuniu o norte e obteve o reconhecimento do sul pelo caminho mais eficaz: nomeou o próprio filho sumo sacerdote de Amon em Tebas e distribuiu comandos e sacerdócios entre membros da família. Com o país sob uma só autoridade pela primeira vez em mais de um século, retomou a antiga política de intervenção na Ásia, interrompida desde o fim do Novo Império.
A campanha é situada nos últimos anos de Sesonquis I, mas o texto de Karnak não a data com clareza, e as propostas variam entre o vigésimo e o vigésimo segundo ano de reinado.
853 a.C. Datação em debate O Egito na coalizão contra a Assíria em Carcar Em Carcar, no Orontes, uma aliança de reinos sírios e levantinos enfrentou o exército de Salmanasar III. O monólito assírio que narra o episódio arrola entre os aliados mil soldados de Musri, termo em geral…
- Localização
- Carcar, no rio Orontes
Levante e Síria - Dinastia
- XXII Dinastia
- Governante
- Osorkon II
O avanço assírio para oeste ameaçava as rotas que ligavam a Mesopotâmia ao Mediterrâneo e, por extensão, os interesses egípcios na região. A coalizão reuniu Damasco, Hamat, Israel e outros contingentes menores, entre eles o de Musri. Salmanasar III declarou vitória e enumerou perdas enormes do adversário, mas não prosseguiu para o sul, não cobrou tributo das cidades derrotadas e voltou a atacar a mesma região em campanhas posteriores, o que sugere um resultado bem menos definitivo do que o texto afirma.
O ano é fixado com segurança pelos registros assírios, mas a participação egípcia depende da leitura do nome Musri no monólito de Kurkh e da atribuição do contingente a Osorkon II, dois pontos em que os especialistas divergem.
c. 750 a.C. Datação aproximada A Esposa Divina de Amon concentra poder em Tebas O título de Esposa Divina de Amon, antigo mas secundário, tornou-se no primeiro milênio o cargo mais poderoso de Tebas. Ocupado por filhas de reis que não se casavam e escolhiam a sucessora por adoção, dava a…
- Localização
- Karnak e Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XXV Dinastia
- Governante
- Titulares do cargo, de Chepenupet, filha de Osorkon III, a Ankhnesneferibré, filha de Psamético II
O arranjo resolvia um problema concreto. Depois de séculos de autonomia sacerdotal, os reis do delta e, em seguida, os de Cuxe precisavam de alguém em Tebas que representasse sua autoridade sem criar uma linhagem rival. A solução foi entregar o cargo a uma princesa consagrada ao deus, sem descendência e, portanto, sem herdeiros capazes de disputar o trono. A titular administrava o domínio do templo, patrocinava construções em Karnak e em Medinet Habu, presidia rituais antes reservados ao rei e tinha o nome escrito na cartela oval dos soberanos.
A data indicada corresponde ao momento em que a função passou às princesas cuxitas. A instituição é mais antiga e atravessou várias dinastias, e sua cronologia interna depende de sincronismos entre listas sacerdotais e reinados.
c. 727 a.C. Datação aproximada Pie conquista o Egito e instala a XXV Dinastia Rei de Cuxe sediado em Napata, Pie desceu o Nilo para impor ordem entre os príncipes do delta e fazer valer sua autoridade sobre todo o país. A Grande Estela da Vitória, achada no templo de Gebel Barkal, narra…
- Localização
- De Napata a Mênfis e ao delta
Todo o Egito - Dinastia
- XXV Dinastia
- Governante
- Pie
Os reis de Cuxe não chegaram ao Egito como estrangeiros diante de uma cultura alheia. Governavam desde Napata uma região onde o culto de Amon estava estabelecido havia séculos, escreviam na língua clássica egípcia, adotavam a titulatura faraônica completa e se apresentavam como restauradores de uma ordem que os príncipes do delta teriam abandonado. A intervenção foi motivada pelo avanço de Tefnakht, príncipe de Sais, que unificava o norte e ameaçava as cidades do Médio Egito leais a Cuxe.
A campanha é datada do ano vinte e um de Pie na Grande Estela da Vitória; a conversão em data absoluta depende da duração atribuída aos primeiros reinados cuxitas, que varia entre as reconstruções.
663 a.C. Datação estabelecida As invasões assírias e o saque de Tebas Depois de duas décadas de choques, o exército de Assurbanipal respondeu à retomada de Mênfis por Tanutamani avançando até Tebas, que foi saqueada e teve obeliscos levados para a Assíria. A XXV Dinastia recuou…
- Localização
- Mênfis e Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XXV Dinastia
- Governante
- Tanutamani
O conflito começou no reinado de Taharca. Esarhadon tomou Mênfis, e Assurbanipal derrotou o rei cuxita em duas campanhas, instalando dinastas locais do delta como vassalos e levando parte da família real como cativa. Com a morte de Taharca, Tanutamani subiu ao trono, desceu o rio e retomou Mênfis; Necau de Sais, principal apoio dos assírios no norte, morreu nesse episódio. A reação veio de imediato e chegou mais longe no vale do Nilo do que qualquer exército estrangeiro havia chegado até então.
Época Baixa
c. 664 – 332 a.C.
11 acontecimentos
656 a.C. Datação aproximada Psamético I reunifica o Egito e rompe com a Assíria Instalado no delta como vassalo assírio, Psamético I aproveitou o desgaste militar de Nínive para submeter os principados vizinhos e obter o reconhecimento de sua autoridade em Tebas. Em 656 a.C. o Egito…
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- Sais, Mênfis e Tebas
Todo o Egito - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Psamético I
A XXVI Dinastia nasceu de uma derrota. Depois de duas invasões assírias, Sais era apenas um dos principados do delta reconhecidos por Nínive, e Necao I governava com o consentimento de Assurbanipal. Seu filho Psamético chegou a receber um nome de corte assírio e um distrito em Atribis antes de assumir a herança paterna, por volta de 664 a.C., quando o pai morreu no confronto com o último rei cuxita. O que restava era um país partido em três: um delta de dinastas rivais, um Médio Egito de lealdades incertas e uma Tebas administrada por famílias sacerdotais que havia servido à dinastia núbia.
A duração do reinado é firme, mas 656 a.C. marca apenas o momento em que a autoridade saíta foi aceita em Tebas. A reunificação foi um processo distribuído pelos oito primeiros anos de governo.
c. 650 a.C. Datação aproximada O renascimento saíta reinventa a tradição As oficinas saítas voltaram a copiar relevos, títulos e tipos de estátua do Antigo e do Médio Império, mas com pedras mais duras, outra grade de proporções e um acabamento sem precedente. A escolha do…
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- Sais, Mênfis e oficinas do delta
Baixo Egito - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Psamético I
O arcaísmo saíta não foi um estilo, mas um método. Nas tumbas tebanas de Montuemhat e de Ibi, cenas inteiras foram decalcadas de mastabas de Saqara do terceiro milênio e de relevos do templo de Mentuhotep II, depois recombinadas com motivos contemporâneos. Sarcófagos e paredes de câmara voltaram a receber os Textos das Pirâmides, fora de uso havia mais de mil anos, e altos funcionários ressuscitaram cargos que já eram antiguidades no próprio tempo deles. A operação exigia acesso aos monumentos, cópia em campo e uma noção precisa de quais épocas valia a pena citar.
O termo designa uma tendência que atravessa a dinastia inteira, e não um acontecimento isolado. A data serve de marco para o momento em que as oficinas de Sais e de Mênfis já trabalhavam nesse programa.
c. 650 a.C. Datação aproximada Mercenários gregos e cários entram no exército egípcio Psamético I pagou soldados vindos da Jônia e da Cária e os assentou em acampamentos permanentes no delta oriental. Em poucas gerações aquelas guarnições tinham famílias, cemitérios e estelas funerárias em duas…
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- Guarnições do delta e Mênfis
Baixo Egito - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Psamético I
Heródoto conta que homens armados de bronze desembarcaram no delta e que o rei os tomou a soldo, concedendo-lhes terras em dois acampamentos no braço pelusíaco. Acrescenta que meninos egípcios foram entregues a eles para aprender a falar com estrangeiros, o que teria criado a classe dos intérpretes. Amásis II, um século depois, transferiu esses contingentes para Mênfis e fez deles sua guarda pessoal. A narrativa é tardia e esquemática, mas o quadro geral coincide com o que a documentação mostra: uma coroa que preferia pagar profissionais a mobilizar camponeses.
A chegada dos primeiros contingentes é situada nos anos iniciais de Psamético I, sem data documentada. O relato de Heródoto é a única narrativa disponível e comprime décadas em poucos episódios.
c. 640 a.C. Datação aproximada O culto de Ápis e as galerias do Serapeu Um único touro por vez encarnava Ápis, manifestação viva de Ptah em Mênfis. Reconhecido por marcas na pelagem, vivia num recinto do templo, era embalsamado ao morrer e depositado em um sarcófago de pedra nas…
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- Serapeu de Saqara, junto a Mênfis
Baixo Egito - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Psamético I
O animal era escolhido por sinais precisos no pelo e recebido no templo de Ptah com sua mãe, que também tinha culto próprio. Respondia a consultas por meio de movimentos interpretados por sacerdotes, aparecia em festas e tinha um pessoal permanente a seu serviço. Quando morria, o país entrava em luto: o corpo era tratado durante setenta dias em mesas de alabastro na oficina de embalsamamento de Mênfis, conduzido em procissão ao planalto de Saqara e sepultado como Osíris-Ápis. Só então começava a busca pelo sucessor, que podia levar meses.
A data marca a abertura da grande galeria escavada no reinado de Psamético I. O culto é muito mais antigo, e cada enterramento é datado pelo ano de reinado do soberano, não por um calendário absoluto.
605 a.C. Datação estabelecida A derrota em Carquemis encerra a influência egípcia na Ásia Depois de quatro anos administrando a Síria e a Palestina, o exército de Necao II foi desfeito em Carquemis pelas tropas babilônicas de Nabucodonosor. O Egito recuou para as próprias fronteiras e nunca voltou…
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- Carquemis, no alto Eufrates
Levante e Síria - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Necao II
A queda de Nínive, em 612 a.C., deixou um vazio que o Egito tentou ocupar. Em 609 a.C. Necao II marchou para o norte em socorro do que restava do poder assírio, enfrentou e matou Josias de Judá no caminho por Megido, e passou a dispor das cidades levantinas como senhor: depôs e nomeou reis em Jerusalém, cobrou tributo e instalou guarnições até o alto Eufrates. Durante quatro anos o vale do Orontes e a costa fenícia estiveram sob controle egípcio, uma situação que não se repetia desde o fim do Novo Império.
c. 600 a.C. Datação aproximada A tentativa de ligar o Nilo ao Mar Vermelho Necao II abriu uma via navegável que partia do braço pelusíaco do Nilo e seguia pelo Uádi Tumilate em direção aos lagos amargos. Não era um corte entre dois mares, como o traçado moderno: a obra foi…
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- Uádi Tumilate, do delta oriental aos lagos amargos
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Necao II
O percurso aproveitava uma depressão natural que corre para leste a partir do delta oriental. A escavação levava água do rio até a região dos lagos amargos e, de lá, descia para o golfo de Suez, de modo que barcos de rio pudessem alcançar a costa oriental. Nada disso funcionava como uma passagem entre mares abertos: o canal dependia do nível do Nilo, servia sobretudo durante a inundação e precisava de dragagem constante para não desaparecer sob o assoreamento. Necao II tinha motivos claros para tentar, pois estava construindo ao mesmo tempo uma frota de guerra em dois mares.
O início das obras é situado no reinado de Necao II sem ano preciso. Os relatos antigos sobre a interrupção e sobre a etapa final divergem nos detalhes.
593 a.C. Datação aproximada Soldados de Psamético II assinam a parede de Abu Simbel Na perna de um colosso de Ramsés II, soldados a serviço de Psamético II gravaram em grego, em cário e em fenício o registro de sua subida do Nilo. O conjunto está entre os textos alfabéticos gregos mais…
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- Abu Simbel, durante a campanha contra Cuxe
Núbia e Cuxe - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Psamético II
No terceiro ano de reinado, Psamético II enviou contra Cuxe uma expedição que subiu o rio muito além da Segunda Catarata. Estelas encontradas em Tânis, Karnak e Assuã celebram a vitória, e o mesmo reinado ordenou o apagamento dos nomes dos reis núbios nos monumentos egípcios. O grafite grego de Abu Simbel completa o quadro pelo lado da tropa: diz que os autores chegaram até onde o rio permitia navegar, na altura de Kerkis, e nomeia os dois comandantes, um à frente dos contingentes estrangeiros e outro à frente dos egípcios.
A campanha é datada do terceiro ano de Psamético II por estelas egípcias, mas os grafites não trazem data. Discute-se se foram gravados na subida do rio ou no regresso.
c. 570 a.C. Datação aproximada Náucratis concentra e regula o comércio grego Amásis II concedeu aos gregos um porto único no braço canópico do Nilo, com santuários, oficinas e cobrança de direitos. Os achados do local mostram que o povoado já existia antes dele: o que a coroa fez foi…
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- Náucratis, no braço canópico do Nilo
Baixo Egito - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Amásis II
Náucratis ficava a cerca de oitenta quilômetros do mar, sobre o braço canópico, longe o bastante para que todo o tráfego passasse por postos de controle egípcios. Ali conviviam santuários de Apolo, de Hera e de Afrodite, um recinto comum fundado por nove cidades da Ásia Menor e das ilhas, um templo egípcio de Amon e oficinas que produziam amuletos e faianças em série. Os mercadores traziam prata, vinho e azeite e levavam cereal, natrão, papiro e linho. O povoado tinha caráter permanente, com bairros, cemitérios e famílias mistas.
A cerâmica encontrada no local indica presença grega já no fim do século VII a.C., antes da regulamentação atribuída a Amásis II. A data corresponde ao início desse reinado, não à fundação do povoado.
525 a.C. Datação estabelecida A conquista persa e a batalha de Pelúsio O exército de Cambises II derrotou Psamético III em Pelúsio e tomou Mênfis, transformando o Egito em província do Império Persa. Sobre a conduta do vencedor, a tradição grega e os documentos egípcios…
- Localização
- Pelúsio, no delta oriental
Baixo Egito - Dinastia
- XXVII Dinastia
- Governante
- Cambises II
Amásis II morreu pouco antes do ataque, e seu filho Psamético III reinava havia poucos meses quando a força persa atravessou o Sinai com apoio de guias árabes. O confronto decisivo ocorreu em Pelúsio, na entrada oriental do delta; em seguida Mênfis foi sitiada e tomada, o rei egípcio foi deposto e mais tarde executado. Cambises assumiu titulatura faraônica e organizou o país como satrapia, o bloco que as listas antigas contam como XXVII Dinastia. Cirene e os vizinhos líbios enviaram submissão sem luta.
c. 450 a.C. Datação em debate Heródoto visita o Egito e escreve sobre o país O segundo livro das Histórias descreve o Egito sob domínio persa: embalsamamento, cultos animais, festas, o regime da cheia e uma longa lista de reis. Heródoto afirma ter chegado a Elefantina, mas a extensão…
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- Do delta a Elefantina
Todo o Egito - Dinastia
- XXVII Dinastia
- Governante
- Heródoto de Halicarnasso
O relato é a mais antiga descrição extensa do Egito feita por um estrangeiro e continua indispensável. Dele vêm informações que nenhuma outra fonte conserva: as três faixas de preço do embalsamamento, o funcionamento de Náucratis, a instalação dos soldados estrangeiros, o calendário de festas em Bubástis, as medições do edifício de Hauara que os gregos chamavam de Labirinto. Heródoto diz ter conversado com sacerdotes em Mênfis, em Tebas e em Heliópolis, e recorreu a intérpretes, quase certamente das comunidades gregas e cárias instaladas no país havia gerações.
A viagem é datada apenas por indícios internos da obra, entre cerca de 460 e 440 a.C. A extensão do roteiro, a duração da estadia e a confiabilidade de várias informações continuam em debate.
343 a.C. Datação estabelecida Nectanebo II e o fim da última independência egípcia Nectanebo II sustentou o trono por dezessete anos com generais gregos a soldo e um programa de obras em quase todos os templos do país. Em 343 a.C. as defesas do delta cederam ao ataque de Artaxerxes III, e o…
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- Delta oriental, Mênfis e Alto Egito
Todo o Egito - Dinastia
- XXX Dinastia
- Governante
- Nectanebo II
A independência recuperada em 404 a.C. dependia de dois pilares: alianças no Egeu e no Levante, que mantinham a Pérsia ocupada, e comandantes gregos contratados para treinar e liderar as tropas. Nectanebo II chegou ao poder por volta de 360 a.C., depois de afastar o antecessor, e usou os dois recursos com competência. Em 351 a.C. repeliu uma invasão persa com o apoio de oficiais atenienses e, nos anos seguintes, financiou a revolta de Sídon e das cidades de Chipre, o que atrasou ainda mais qualquer novo ataque, mas também garantiu que ele viria.
Período Ptolemaico
332 – 30 a.C.
11 acontecimentos
331 a.C. Datação em debate A consulta ao oráculo de Amon em Siuá Alexandre atravessou centenas de quilômetros de deserto para consultar o oráculo de Amon em Siuá e entrou sozinho no santuário. Nada do que foi dito ali ficou registrado por testemunha direta: as versões que…
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- Oásis de Siuá, no Deserto Ocidental
Deserto Ocidental - Dinastia
- Dinastia argéada
- Governante
- Alexandre III da Macedônia
O oráculo do oásis tinha prestígio antigo no mundo grego, procurado por Cirene, por Esparta e por Atenas muito antes da chegada dos macedônios. O templo de Amon em Aghurmi, sobre uma elevação rochosa, havia sido erguido no período saíta e funcionava com um corpo sacerdotal próprio. Alexandre foi de Paretônio, na costa, para o interior, em uma travessia que os autores antigos descrevem com tempestades de areia, guias perdidos e sinais favoráveis. O trajeto era longo e sem vantagem militar: a viagem só se explica pelo valor político e religioso da resposta esperada.
O ano é seguro, mas as fontes antigas divergem sobre a ordem dos acontecimentos, umas situando a travessia antes e outras depois da escolha do sítio de Alexandria, e sobre o próprio conteúdo da consulta.
332 – 331 a.C. Datação estabelecida Alexandre entra no Egito e funda Alexandria O sátrapa persa entregou o país praticamente sem resistência no fim de 332 a.C. Em Mênfis, Alexandre sacrificou aos deuses locais e foi reconhecido como faraó; meses depois escolheu, junto à ilha de Faros, o…
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- Mênfis e a costa junto à ilha de Faros
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia argéada
- Governante
- Alexandre III da Macedônia
A guarnição persa do Egito estava enfraquecida desde a derrota de Isso, e o sátrapa Mazaces não tinha exército para oferecer. Entregou o tesouro e as praças fortes, e a coluna macedônia entrou por Pelúsio e subiu o rio até Mênfis sem combater. Ali Alexandre ofereceu sacrifício ao touro Ápis e aos demais deuses egípcios, organizou competições atléticas e musicais com artistas trazidos da Grécia e foi reconhecido como soberano do país. Os relatos de uma cerimônia de coroação completa são muito posteriores, mas os templos egípcios o representam com titulatura faraônica plena, como no santuário que mandou erguer em Luxor.
c. 300 a.C. Datação aproximada Ptolomeu I institui o culto de Serápis O deus principal da nova capital nasceu de Osíris-Ápis, o touro divinizado de Mênfis, apresentado em forma humana grega, entronizado e com um cesto de grãos na cabeça. Serápis dava aos habitantes de Alexandria…
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- Alexandria e Mênfis
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu I Sóter
O ponto de partida era um culto egípcio consolidado. No Serapeu de Mênfis, o touro Ápis morto tornava-se Osíris-Ápis, e o santuário já recebia moradores de língua grega, que ali deixavam oferendas e pediam cura e sonhos. A corte ptolemaica manteve o nome e trocou a imagem: em lugar do animal, um deus barbado sentado em trono, com cetro, o cão de três cabeças a seus pés e o cesto de medida de grãos sobre a cabeça, atributos tomados de Zeus, de Hades e de Asclépio. Autores tardios atribuem a formulação a conselheiros do rei, entre eles um sacerdote de Elêusis e o egípcio Manetão.
A instituição do culto é atribuída ao reinado de Ptolomeu I sem data documentada, e parte dos especialistas a situa já sob seu sucessor. As tradições sobre a origem da imagem são muito posteriores.
c. 290 a.C. Datação aproximada A Biblioteca e o Museu de Alexandria O Museu era uma instituição do palácio, com sábios assalariados, refeitório comum e uma coleção de rolos reunida por compra e cópia sistemáticas. Dela saíram a crítica de textos, o catálogo por autor e gênero…
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- Bairro real de Alexandria
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu II Filadelfo
Nada ali se parecia com uma biblioteca aberta ao público. O conjunto ficava dentro do bairro real, junto aos palácios, e reunia um recinto consagrado às Musas, colunatas, salas de trabalho e uma mesa comum onde os eruditos comiam por conta do rei, isentos de tributo. A direção da coleção passou por Zenódoto, Apolônio de Rodes, Eratóstenes, Aristófanes de Bizâncio e Aristarco. Calímaco organizou o acervo em catálogos por gênero e autor, com dados de atribuição e primeiras palavras de cada obra. Uma segunda coleção, menor, funcionava junto ao santuário de Serápis.
Nenhum documento datado registra a criação das duas instituições. A iniciativa é atribuída a Ptolomeu I e sua organização a Ptolomeu II, e a data funciona como marco convencional.
c. 280 a.C. Datação aproximada Manetão organiza a história egípcia em dinastias Sacerdote de Sebenitos, Manetão escreveu em grego uma história do Egito que distribuía os soberanos em trinta linhagens sucessivas. O texto original desapareceu e sobrevive em resumos discordantes, mas a…
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- Alexandria e templo de Sebenitos
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu II Filadelfo
Manetão pertencia ao clero de uma cidade do delta e tinha acesso aos arquivos de templo, com listas de reis, anais e registros de reinado acumulados por séculos. Escreveu para leitores de fora, no momento em que uma casa macedônia precisava entender e reivindicar o passado do país que governava. Sua obra, em três livros, ia dos deuses e semideuses até o domínio persa, e agrupava os reis por sede de poder e por família, com duração de cada reinado e notas curtas sobre acontecimentos. O agrupamento em trinta linhagens é dele; a trigésima primeira foi acrescentada depois.
A obra não traz data e o autor é conhecido apenas por citações de terceiros. Sua composição é situada no reinado de Ptolomeu II com base em referências indiretas.
c. 280 a.C. Datação aproximada O Farol de Alexandria e o porto do Mediterrâneo Erguido na ponta da ilha que deu nome ao edifício, o farol tinha três corpos sobrepostos e um foco de luz no alto, alimentado por fogo segundo as descrições antigas. Orientou a navegação por mais de mil anos…
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- Ilha de Faros, em Alexandria
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu II Filadelfo
A costa egípcia é baixa, monótona e cheia de bancos de areia, sem qualquer marco natural que indique a entrada de um porto. A torre resolveu esse problema. As moedas, os mosaicos e os relatos de viajantes árabes descrevem três corpos sobrepostos, o primeiro de planta quadrada, o segundo octogonal e o terceiro cilíndrico, com uma rampa interna para levar combustível ao topo. As estimativas de altura vão de cem a mais de cento e trinta metros. Estrabão e Plínio registram a dedicatória feita por Sóstrato de Cnido, e o dique chamado Heptastádio ligava a ilha à terra firme, criando dois portos abrigados.
A conclusão é situada entre cerca de 285 e 280 a.C., no reinado de Ptolomeu II. A altura e a forma dependem de descrições, moedas e mosaicos posteriores, que não concordam entre si.
c. 275 a.C. Datação aproximada A escola médica de Alexandria e o estudo do corpo Herófilo de Calcedônia e Erasístrato de Ceos dissecaram corpos humanos de forma sistemática, prática que nenhuma outra cidade antiga autorizou. Descreveram nervos, ventrículos cerebrais, válvulas do coração e…
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- Museu e bairro real de Alexandria
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu II Filadelfo
A combinação que tornou o trabalho possível foi excepcional e durou pouco. Havia patrocínio real dentro do Museu, uma cidade recém-fundada sem os costumes restritivos das antigas comunidades gregas e um país onde o tratamento dos mortos era ofício especializado e socialmente aceito. Esses três fatores são os que os especialistas costumam invocar para explicar por que a dissecação de corpos humanos ocorreu ali e em nenhum outro lugar da Antiguidade. A relação direta com as oficinas de embalsamamento egípcias é discutida, mas difícil de demonstrar com os documentos disponíveis.
As datas de atividade de Herófilo e de Erasístrato são deduzidas de citações posteriores. Suas obras se perderam e são conhecidas por resumos de autores romanos e de Galeno.
c. 260 a.C. Datação aproximada A burocracia ptolemaica reorganiza a terra e o imposto No Faium ampliado por drenagem, a coroa mediu terras, classificou lavradores e arrendou a arrecadação a particulares. Milhares de documentos guardados em Filadélfia mostram a máquina em funcionamento, operando…
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- Faium e arquivos de Filadélfia
Médio Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu II Filadelfo
A ocupação do Faium foi o maior projeto agrário do período. Canais e diques recuperaram terra do lago, e nas aldeias novas, várias delas batizadas com nomes da família real, assentaram-se veteranos macedônios e gregos que recebiam lotes em troca de serviço militar. Ao lado deles trabalhavam camponeses egípcios em terra da coroa e em terra de templo, com contratos de arrendamento, sementes adiantadas e quotas fixadas por escrito. Foi também nesse momento que o trigo duro substituiu em larga escala os cereais tradicionais do país, mudança visível nos recibos de colheita.
A data corresponde ao período coberto pelos arquivos de Filadélfia e pela lei de receitas de Ptolomeu II. A implantação do sistema foi gradual e desigual entre as regiões do país.
237 a.C. Datação estabelecida O templo de Edfu e a arquitetura dos últimos santuários A pedra fundamental do templo de Hórus foi assentada em 237 a.C., e a obra só terminou cento e oitenta anos depois. Suas paredes cobertas de texto formam o maior repositório conhecido de ritual, calendário de…
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- Edfu, no Alto Egito
Alto Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu III Evérgeta
A construção começou no reinado de Ptolomeu III, sobre o lugar de um santuário mais antigo. O corpo interior ficou pronto em 212 a.C. e recebeu decoração até 142; o pátio, a sala hipóstila externa e o pilone só foram concluídos em 57 a.C., sob Ptolomeu XII. As datas estão gravadas nas próprias paredes, em textos que registram cada etapa. No santuário permaneceu o naos monolítico de granito do último faraó nativo, herdado do edifício anterior. O templo chegou quase intacto ao século XIX porque estava soterrado em areia e coberto por casas de aldeia, retiradas nas obras de desobstrução iniciadas em 1860.
196 a.C. Datação estabelecida O decreto de Mênfis inscrito na Pedra de Roseta Reunidos em Mênfis em março de 196 a.C., os sacerdotes do Egito votaram honras e culto ao jovem Ptolomeu V em troca de isenções, perdão de dívidas e confirmação das rendas dos templos. O acordo devia ser…
- Localização
- Mênfis, com cópia erguida em Sais
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu V Epifânio
O reinado começara mal. Ptolomeu V herdou o trono criança, o reino perdeu suas possessões externas na guerra contra os selêucidas e o Alto Egito estava em revolta havia uma década, sob soberanos locais que se proclamaram faraós em Tebas. A coroação segundo o rito egípcio, celebrada em Mênfis, foi parte da resposta: um gesto dirigido ao clero, cuja colaboração era indispensável para arrecadar e governar o interior. O sínodo sacerdotal reunido na mesma cidade aprovou então o texto que conhecemos, no qual o rei aparece como restaurador da ordem e vencedor da rebelião de Licópolis.
31 – 30 a.C. Datação estabelecida Cleópatra VII, Áccio e o fim do Egito independente Cleópatra VII governou vinte e um anos apoiando-se nas guerras civis romanas para manter o Egito fora do domínio direto de Roma. A derrota naval em Áccio, em setembro de 31 a.C., e a queda de Alexandria no ano…
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- Áccio, na Grécia ocidental, e Alexandria
Mediterrâneo e Egeu - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Cleópatra VII
Assumiu o trono em 51 a.C., com dezoito anos, um reino hipotecado a credores romanos e uma corte capaz de depô-la, como fez uma vez. Enfrentou cheias fracas e fome entre 50 e 48 a.C., reorganizou a distribuição de grão, reformou a moeda, governou ao lado de dois irmãos e depois do próprio filho, e retomou o programa de construção de templos, aparecendo em Dendera com titulatura egípcia. Plutarco registra que falava a língua do país, coisa incomum em sua família. Cada um de seus alinhamentos com generais romanos foi instrumento da mesma política: manter o Egito formalmente independente enquanto Chipre, Cirene e o Levante mudavam de mãos.
Domínio romano
30 a.C. – 641 d.C.
10 acontecimentos
30 a.C. Datação estabelecida Otaviano anexa o Egito como província imperial A queda de Alexandria, em 30 a.C., encerrou três séculos de governo ptolemaico e transformou o Egito em província romana. Otaviano reservou o território para si: em vez de entregá-lo ao Senado, nomeou um…
- Localização
- Alexandria
Baixo Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Augusto
A anexação não exigiu a criação de uma máquina administrativa nova. Os Ptolomeus já haviam montado um sistema de cadastro de terras, arrendamento e cobrança em grão que Roma julgou eficiente o bastante para preservar quase intacto, trocando apenas o topo da hierarquia. Alexandria perdeu o conselho municipal que possuía sob os reis e ficou sob vigilância estreita, condição que só seria revista dois séculos depois. O primeiro prefeito, Caio Cornélio Galo, reprimiu levantes no Alto Egito e mandou gravar o relato de sua atuação em uma estela trilíngue erguida em Filas, gesto que lhe custaria o cargo e a vida.
c. 20 a.C. Datação aproximada O Egito se torna o celeiro de Roma Roma passou a depender das colheitas egípcias para alimentar sua população. Uma parcela expressiva do trigo consumido na capital saía todos os anos de Alexandria em comboios organizados pelo Estado, resultado…
- Localização
- Vale do Nilo, com embarque em Alexandria
Todo o Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Augusto
O imposto fundiário do Egito era pago sobretudo em grão. Cada parcela cultivável estava registrada em cadastros que indicavam responsável, área e categoria de terra, e a cota devida variava conforme a altura da inundação medida nos nilômetros. A colheita recolhida se concentrava em celeiros de aldeia, era transferida para armazéns distritais e seguia em barcaças rio abaixo até Alexandria, de onde partia por mar rumo aos portos de Putéoli e, mais tarde, de Óstia.
A remessa anual de grão consolidou-se ao longo do principado de Augusto, sem marco inicial datado. A data indicada corresponde ao momento em que a frota de abastecimento já operava com regularidade.
c. 30 d.C. Datação aproximada Dendera é concluída sob administração romana O grande santuário de Hator, iniciado no fim do período ptolemaico, recebeu seu vestíbulo colunado já sob Roma, com o imperador esculpido como faraó diante dos deuses. Dendera mostra que a construção religiosa…
- Localização
- Dendera, no Alto Egito
Alto Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Tibério
O templo dedicado a Hator começou a ser erguido no primeiro século antes da era comum e ganhou, sob administração romana, um vestíbulo de vinte e quatro colunas encimadas pelo rosto da deusa. O teto abriga uma das representações do céu mais completas conhecidas no Egito, com constelações, planetas e as divindades que marcavam os períodos de dez dias. De uma capela no terraço veio o relevo circular hoje conservado em Paris, retirado do edifício em 1821 e substituído por uma cópia.
O vestíbulo colunado leva o nome de Tibério, mas sua decoração prosseguiu nos reinados seguintes. Não há data única que marque a conclusão do conjunto.
c. 100 d.C. Datação aproximada Os retratos do Faium unem duas tradições funerárias Painéis pintados sobre madeira, com rostos de homens, mulheres e crianças, eram amarrados às ataduras das múmias no Faium e em Antinoópolis. Cada peça reúne a pintura de retrato de tradição greco-romana e o…
- Localização
- Hauara, Antinoópolis e o Faium
Médio Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Não atribuído
O painel era pintado em madeira fina, com cera de abelha aquecida e pigmento ou com têmpera, e depois encaixado nas faixas de linho sobre o rosto do morto. O tratamento pictórico é o da tradição helenística: luz lateral, modelado do volume, olhar dirigido a quem observa. Penteados, barbas e joias acompanham a moda das cortes imperiais, o que permite datar boa parte das peças por comparação com bustos e moedas. Sob o painel, o corpo continuava a receber as substâncias de conservação e as fórmulas de proteção da tradição local, por vezes com máscara de estuque dourado sobre o peito.
A produção se estende de meados do primeiro século ao terceiro século d.C. A data indicada corresponde ao auge da prática, já que poucos painéis podem ser datados individualmente com precisão.
130 d.C. Datação estabelecida Adriano viaja pelo Egito e funda Antinoópolis Adriano percorreu o Egito com a corte no ano 130. Depois que Antínoo morreu afogado no Nilo, o imperador fundou no local uma cidade de estatuto grego, e o séquito deixou versos gravados na perna de um dos…
- Localização
- Antinoópolis e Colossos de Mêmnon
Médio Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Adriano
A comitiva subiu o rio no verão e no outono daquele ano, com paradas em Alexandria, na franja do deserto ocidental e nas grandes cidades do vale. Em Tebas, antes do nascer do sol, o grupo foi ouvir o ruído emitido por uma das duas estátuas colossais de Amenhotep III, rachada por um terremoto séculos antes. Júlia Balbila, poetisa que acompanhava a viagem, mandou inscrever versos em grego na perna da estátua, e eles se somaram a mais de uma centena de inscrições deixadas por quem havia feito a mesma peregrinação. O fenômeno cessou depois que a estátua foi restaurada, já no início do século seguinte.
c. 150 d.C. Datação aproximada Os papiros de Oxirrinco revelam a vida na província Os montes de entulho de uma cidade do Médio Egito guardaram centenas de milhares de fragmentos escritos, do recibo de imposto à carta de família. É o retrato documental mais denso que sobreviveu de uma…
- Localização
- Oxirrinco, no Médio Egito
Médio Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Não atribuído
A cidade ficava a oeste do braço principal do rio, em terreno seco o bastante para conservar folhas de papiro descartadas. Durante séculos, seus moradores jogaram fora contratos vencidos, minutas de repartição, exercícios escolares e correspondência inútil em depósitos de lixo na borda do povoado. Dois pesquisadores de Oxford começaram a escavá-los em 1896 e retiraram, em pouco mais de dez anos, um volume de material que nenhuma equipe conseguiu esgotar. A edição do acervo começou em 1898 e prossegue, volume após volume, com uma fração pequena do total publicada até agora.
Os documentos recuperados na cidade cobrem cerca de sete séculos de vida urbana. A data indicada situa o centro do conjunto, e não um acontecimento isolado.
c. 200 d.C. Datação aproximada O cristianismo se enraíza no Egito Ao longo do segundo e do terceiro séculos, comunidades cristãs se estabeleceram em Alexandria e nas cidades do vale. A produção intelectual da escola alexandrina e a passagem das escrituras para a língua…
- Localização
- Alexandria e vale do Nilo
Baixo Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Não atribuído
Os indícios mais antigos são fragmentos de escritos cristãos achados em cidades do interior e atribuídos ao segundo século pela comparação do traçado das letras, o que indica difusão precoce fora da capital. A tradição registrada por Eusébio de Cesareia atribui a fundação da comunidade alexandrina ao evangelista Marcos, mas não há documentação contemporânea que a confirme, e a lista dos primeiros bispos é conhecida somente por fontes posteriores. Certificados de sacrifício expedidos durante a perseguição ordenada por Décio, em meados do terceiro século, sobreviveram entre os documentos da província e mostram a nova religião já suficientemente difundida para exigir controle administrativo.
As primeiras comunidades cristãs egípcias não deixaram registro datado de fundação. A data indicada marca o período em que sua presença se torna documentada tanto em Alexandria quanto no interior.
c. 320 d.C. Datação aproximada O monaquismo nasce no deserto egípcio O afastamento de cristãos para o deserto, primeiro como eremitas isolados e depois em comunidades organizadas, começou no Egito e se difundiu pelo mundo cristão. Pacômio redigiu a primeira regra de vida em…
- Localização
- Deserto oriental e Tebaida
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Não atribuído
A prática começou de forma individual. Cristãos deixavam as aldeias do vale e se instalavam na franja desértica, em cavernas ou celas isoladas, sustentando-se com trabalho manual e recebendo quem procurava conselho. Antão, camponês do Médio Egito, seguiu esse caminho por volta do fim do terceiro século e retirou-se para a montanha próxima ao Mar Vermelho. A biografia que lhe dedicou Atanásio, bispo de Alexandria, circulou em grego e em latim e transformou sua trajetória em modelo imitado na Palestina, na Itália e na Gália.
As datas da retirada de Antão e da fundação das primeiras comunidades dependem de relatos escritos décadas depois dos fatos. O intervalo indicado reúne as estimativas aceitas pela maior parte dos estudos.
394 d.C. Datação estabelecida A última inscrição hieroglífica é gravada em Filas Em 24 de agosto de 394, um sacerdote gravou no templo de Ísis, em Filas, algumas linhas em hieróglifos acompanhadas de texto em demótico. É o registro datado mais recente que se conhece dessa escrita, usada de…
- Localização
- Templo de Ísis, na ilha de Filas
Alto Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Teodósio I
A inscrição é obra de Esmet-Akhom, integrante de uma família sacerdotal ligada ao santuário, e acompanha a figura de Mandúlis, divindade cultuada na região da Primeira Catarata. Traz data precisa e vem seguida de linhas em demótico, a escrita cursiva usada no cotidiano dos últimos séculos. Convém ser exato quanto ao alcance do fato: não se trata necessariamente do último ato de escrita hieroglífica, e sim do exemplo datado mais recente que sobreviveu. Textos posteriores sem data, ou simplesmente perdidos, não podem ser descartados. No mesmo templo está também o registro demótico datado mais tardio de que se tem notícia, do ano 452.
c. 537 d.C. Datação aproximada O fechamento de Filas encerra os cultos antigos Por ordem de Justiniano, um comandante enviado à Primeira Catarata encerrou o santuário de Ísis, confiscou as imagens de culto e prendeu os sacerdotes. O edifício foi convertido em igreja, e com ele terminou o…
- Localização
- Ilha de Filas, na Primeira Catarata
Alto Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Justiniano I
Filas resistiu mais do que os outros santuários por razão diplomática. A ilha ficava na fronteira sul, e o culto de Ísis atendia também os blêmios e os nobades, povos da Núbia com quem o império mantinha acordos. Um tratado firmado em 452 lhes garantia o direito de conduzir a imagem da deusa em procissão até seu próprio território, e enquanto essa cláusula servisse à estabilidade da fronteira o templo permaneceu aberto, mesmo depois de a legislação imperial ter proibido os cultos não cristãos.
O episódio é conhecido pelo relato de Procópio, que não fornece data exata. Os estudos costumam situá-lo entre 535 e 537, durante o reinado de Justiniano.
Descobertas arqueológicas
1798 d.C. – presente
11 acontecimentos
1798 – 1801 d.C. Datação estabelecida A expedição científica que inventariou o Egito A campanha militar francesa no Egito trouxe consigo uma comissão de cerca de cento e sessenta especialistas encarregados de medir, desenhar e descrever o país. O resultado foi um levantamento em vários volumes…
- Localização
- Do delta a Assuã
Todo o Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Equipe de sábios da expedição ao Egito
A comissão reunia engenheiros, desenhistas, naturalistas, médicos e matemáticos, instalados no Cairo em uma sociedade científica criada em agosto de 1798. Enquanto as tropas subiam o rio, Vivant Denon acompanhava a marcha desenhando templos em condições precárias, muitas vezes com poucas horas em cada parada. Outros integrantes mediram edifícios, traçaram plantas baixas, catalogaram espécies vegetais e animais e descreveram o Egito de seu tempo, do funcionamento da irrigação aos ofícios praticados nas cidades. O conjunto foi impresso em Paris entre 1809 e 1829, com centenas de estampas de grande formato.
1799 d.C. Datação estabelecida A Pedra de Roseta é encontrada em Rachid Durante obras em um forte perto de Rachid, no delta, soldados franceses notaram um bloco de granodiorito reaproveitado na alvenaria, com o mesmo decreto gravado em três formas de escrita. A peça deu aos…
- Localização
- Fortaleza de Julien, em Rachid, no delta
Baixo Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Oficiais e engenheiros em Rachid
O bloco apareceu em julho de 1799, durante o reforço de uma fortificação junto à foz ocidental do rio. Um oficial percebeu que a pedra encaixada no muro trazia inscrições distribuídas em três faixas e mandou retirá-la. Cópias em tinta foram tiradas e enviadas a estudiosos na Europa antes mesmo de a peça sair do Egito. Com a capitulação francesa em 1801, o original passou às mãos britânicas e está exposto em Londres desde 1802. A pedra já era material reaproveitado quando surgiu na muralha: seu lugar de origem era um templo do delta, e não a fortaleza onde foi vista pela primeira vez.
1817 d.C. Datação estabelecida Abu Simbel é desobstruída e o Vale dos Reis reaberto Contratado para recolher antiguidades de grande porte, Belzoni removeu a areia que soterrava a fachada do grande templo de Abu Simbel e entrou no interior em agosto de 1817. Meses depois localizou no Vale dos…
- Localização
- Abu Simbel e Vale dos Reis
Núbia e Cuxe - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Giovanni Battista Belzoni
Engenheiro hidráulico de formação e artista de força em Londres antes de chegar ao Egito, Belzoni foi contratado pelo cônsul britânico para obter peças de grandes dimensões. Em 1816 retirou do templo funerário de Ramsés II uma cabeça colossal, arrastada até o rio sobre roletes, e no ano seguinte voltou a Abu Simbel, onde a areia cobria a fachada quase até o topo das estátuas sentadas. A remoção durou dias e permitiu entrar nas salas escavadas na rocha pela primeira vez em séculos. Em outubro localizou a tumba de Seti I e, no ano seguinte, a entrada da pirâmide de Quéfren.
1822 d.C. Datação estabelecida Champollion decifra a escrita hieroglífica Em setembro de 1822, Champollion demonstrou que os sinais hieroglíficos registravam sons da língua egípcia, e não apenas ideias. A leitura de nomes reais dentro das cartelas e o domínio do copta permitiram…
- Localização
- Paris, a partir de cópias da Pedra de Roseta
Mediterrâneo e Egeu - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Jean-François Champollion
O trabalho não começou do zero. Entre 1814 e 1819, o inglês Thomas Young estabeleceu que a escrita cursiva do decreto e os hieróglifos pertenciam ao mesmo sistema, isolou a cartela de Ptolomeu, propôs valores sonoros corretos para vários sinais e percebeu que os nomes reais eram grafados foneticamente. Young considerou, no entanto, que esse recurso servia apenas para transcrever nomes estrangeiros, e não para escrever a própria língua do país. Um obelisco trazido de Filas, com os nomes de Ptolomeu e de Cleópatra, ofereceu um segundo ponto de conferência para as equivalências então em discussão.
1858 d.C. Datação estabelecida Nasce o serviço de antiguidades e o museu do Cairo A criação de um serviço de antiguidades em 1858 deu ao país uma autoridade encarregada de fiscalizar escavações e conter a saída de objetos. Mariette, seu primeiro diretor, instalou em Bulaque o museu que…
- Localização
- Bulaque e, depois, praça Tahrir, no Cairo
Baixo Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Auguste Mariette
Antes disso não havia controle. Cônsules, negociantes e viajantes compravam, escavavam e embarcavam o que quisessem, e monumentos eram desmontados para servir de pedra de construção. Mariette havia chegado ao país em 1850 para adquirir manuscritos e acabou escavando as galerias subterrâneas do Serapeu, em Saqara. Nomeado em 1858 para dirigir o novo órgão, passou a licenciar escavações, negar autorizações de saída e reunir em um edifício em Bulaque, à margem do rio, o material recolhido. O acervo abriu ao público em 1863, sobreviveu a uma enchente em 1878, mudou-se para um palácio em Gizé e, em 1902, ocupou o prédio construído para ele na praça central da cidade.
1881 d.C. Datação estabelecida O esconderijo de múmias reais de Deir el-Bahari é revelado Um poço estreito na encosta de Deir el-Bahari guardava cerca de cinquenta corpos e caixões retirados das tumbas reais por sacerdotes tebanos. O depósito havia sido localizado por moradores da região uma década…
- Localização
- Deir el-Bahari, Tebas ocidental
Alto Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Gaston Maspero e Émile Brugsch
A ocultação foi obra dos próprios egípcios. Nos séculos finais do Novo Império e no período seguinte, sacerdotes de Tebas recolheram corpos reais violados por saqueadores, refizeram as ataduras e os transferiram de uma tumba a outra até reuni-los em um poço pertencente a uma família sacerdotal. Etiquetas escritas nas faixas e anotações nos caixões registram as datas e os responsáveis por cada transferência, e constituem a principal fonte para reconstituir esse itinerário.
1880 – 1900 d.C. Datação estabelecida Petrie transforma a escavação em método Petrie substituiu a busca por peças notáveis pelo registro exaustivo de tudo o que aparecia em uma escavação, a começar pela cerâmica comum. A partir de novecentas sepulturas pré-dinásticas montou uma…
- Localização
- Nacada, Lahun, Amarna e outros sítios
Todo o Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- William Matthew Flinders Petrie
O procedimento era simples de enunciar e trabalhoso de aplicar: anotar tudo, guardar tudo, publicar depressa. Petrie recolhia os cacos que outros descartavam, marcava a posição das peças, desenhava perfis e imprimia um volume por temporada de campo, hábito raro entre seus contemporâneos. Em um cemitério do Alto Egito, ordenou cerca de novecentas sepulturas pré-dinásticas segundo a variação gradual de um tipo de vaso com alças onduladas, agrupando-as em estágios numerados. Essa sequência atribuía idade relativa a enterramentos sem nome, sem data e sem texto, e resolvia um problema que a leitura de inscrições jamais resolveria.
1912 d.C. Datação estabelecida O busto de Nefertiti emerge das oficinas de Amarna Em dezembro de 1912, uma missão alemã encontrou em Amarna a cabeça pintada de Nefertiti, deixada na oficina de um escultor da corte ao lado de estudos em gesso. A peça coube à parte alemã na repartição dos…
- Localização
- Casa do escultor Tutmés, em Amarna
Médio Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Ludwig Borchardt
A casa foi identificada como oficina pelo achado de uma peça de arreio em marfim com o nome do escultor Tutmés. Em um cômodo lateral estavam a cabeça pintada, apoiada no chão junto a uma parede, e um conjunto de estudos em gesso com rostos de integrantes da corte. A cabeça é de calcário revestido de estuque e pintado; um dos olhos recebeu embutido de cristal de rocha e o outro ficou vazio, o que indica peça de referência para uso interno da oficina, e não imagem destinada a culto. Os estudos em gesso esclareceram o método de trabalho: modelo, correção e transposição para pedra.
1922 d.C. Datação estabelecida A tumba de Tutancâmon é encontrada quase intacta A escada localizada em novembro de 1922 conduziu à única sepultura real do Vale dos Reis encontrada com o enxoval praticamente completo. Foram mais de cinco mil objetos, retirados ao longo de dez temporadas…
- Localização
- Tumba KV62, Vale dos Reis
Alto Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Howard Carter e a equipe de Lorde Carnarvon
A escada apareceu sob restos de cabanas de operários, a poucos metros da entrada da tumba de Ramsés VI, em uma área já revolvida em campanhas anteriores. Atrás da porta selada havia uma antecâmara cheia de móveis, carros desmontados, caixas e estatuária, seguida da câmara funerária. A sepultura não estava inteiramente intacta: foi aberta ao menos duas vezes na Antiguidade e tornou a ser fechada pelos administradores da necrópole, que rearrumaram o depósito às pressas. O esvaziamento levou dez temporadas e foi conduzido por uma equipe fixa, com fotógrafo, químico, conservador, epigrafista e desenhista, instalada em uma tumba vizinha adaptada como laboratório.
1960 – 1980 d.C. Datação estabelecida A campanha internacional que moveu os templos da Núbia Para salvar os templos que o lago da represa de Assuã iria submergir, cerca de cinquenta países financiaram o desmonte e a remontagem de monumentos inteiros entre 1960 e 1980. A operação deu origem à ideia de…
- Localização
- De Abu Simbel a Filas
Núbia e Cuxe - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Campanha internacional coordenada pela UNESCO
A nova barragem elevaria o nível do rio e cobriria a Núbia setentrional. O apelo lançado em 1960 reuniu financiamento e equipes de dezenas de países. Em Abu Simbel, as fachadas e as salas escavadas na rocha foram serradas à mão em mais de mil blocos de vinte a trinta toneladas, içados e recompostos sessenta e cinco metros acima e duzentos metros atrás da posição original, dentro de uma colina artificial sustentada por uma cúpula de concreto que recebe o peso do terreno. O templo de Ísis foi desmontado e reerguido na ilha vizinha de Agilkia, cujo relevo foi remodelado para se aproximar do original. Kalabsha, Amada e Uádi es-Sebua também mudaram de lugar.
2000 – 2026 d.C. Datação estabelecida Novos métodos e descobertas das últimas décadas As últimas duas décadas somaram achados de campo e formas de exame que antes não existiam: arquivos administrativos do reinado de Quéops, necrópoles seladas em Saqara, um assentamento do Novo Império em Luxor…
- Localização
- Uádi el-Jarf, Saqara, Luxor e laboratórios de análise
Todo o Egito - Dinastia
- Anterior às dinastias
- Governante
- Missões egípcias e internacionais em atividade
Do lado do campo, a escavação de um porto do Antigo Império na costa do Mar Vermelho recuperou os documentos administrativos mais antigos conhecidos, publicados a partir de 2013, entre eles o registro diário de um chefe de equipe encarregado de levar blocos de calcário até o canteiro de Gizé. Em Saqara, missões egípcias vêm expondo desde 2018 centenas de caixões selados, instalações de embalsamamento e sepulturas de funcionários de várias épocas. Em 2021 anunciou-se, na margem ocidental de Luxor, um extenso assentamento do Novo Império com casas, fornos, oficinas e depósitos, que documenta o funcionamento cotidiano de um núcleo urbano ligado à corte.
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