1881 d.C. Datação estabelecida
O esconderijo de múmias reais de Deir el-Bahari é revelado
Um poço estreito na encosta de Deir el-Bahari guardava cerca de cinquenta corpos e caixões retirados das tumbas reais por sacerdotes tebanos. O depósito havia sido localizado por moradores da região uma década antes de as autoridades chegarem ao local.
Descobertas arqueológicas Arqueologia múmias reais Deir el-Bahari Gurna retirada apressada
Contexto
A ocultação foi obra dos próprios egípcios. Nos séculos finais do Novo Império e no período seguinte, sacerdotes de Tebas recolheram corpos reais violados por saqueadores, refizeram as ataduras e os transferiram de uma tumba a outra até reuni-los em um poço pertencente a uma família sacerdotal. Etiquetas escritas nas faixas e anotações nos caixões registram as datas e os responsáveis por cada transferência, e constituem a principal fonte para reconstituir esse itinerário.
Moradores de Gurna localizaram o poço por volta de 1871 e passaram uma década vendendo aos poucos manuscritos, estatuetas e objetos rituais. A repetição de peças com nomes reais no mercado levou o serviço de antiguidades a investigar, e um integrante da família admitiu o achado em 1881. A retirada foi feita em dois dias de julho por Émile Brugsch, sem planta do depósito e sem anotação da posição de cada caixão, o que apagou informação impossível de recuperar depois. O carregamento desceu o rio a bordo de um vapor até o Cairo. Um segundo conjunto apareceu em 1898 na tumba de Amenhotep II, e em 2021 os corpos foram transferidos para um museu preparado para recebê-los, após exame e conservação.
Importância histórica
O achado colocou sob guarda pública os restos de boa parte dos reis do Novo Império, entre eles Seti I e Ramsés II, e abriu caminho para mais de um século de estudos sobre saúde, idade de morte, parentesco e técnicas de embalsamamento. As etiquetas antigas, por sua vez, oferecem um relato interno de como a administração tebana lidou com a onda de saques em suas necrópoles. É, ao mesmo tempo, uma lição sobre o custo de uma retirada feita às pressas.
Consequências
- Colocou sob guarda pública os corpos de boa parte dos reis do Novo Império.
- Documentou, pelas etiquetas, a sequência de transferências feitas na Antiguidade.
- Perdeu o registro da disposição original do depósito, esvaziado em dois dias.
- Tornou possível o exame médico dos restos reais ao longo do século seguinte.
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