1858 d.C. Datação estabelecida
Nasce o serviço de antiguidades e o museu do Cairo
A criação de um serviço de antiguidades em 1858 deu ao país uma autoridade encarregada de fiscalizar escavações e conter a saída de objetos. Mariette, seu primeiro diretor, instalou em Bulaque o museu que reuniria o acervo nacional, transferido em 1902 para a praça Tahrir.
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Contexto
Antes disso não havia controle. Cônsules, negociantes e viajantes compravam, escavavam e embarcavam o que quisessem, e monumentos eram desmontados para servir de pedra de construção. Mariette havia chegado ao país em 1850 para adquirir manuscritos e acabou escavando as galerias subterrâneas do Serapeu, em Saqara. Nomeado em 1858 para dirigir o novo órgão, passou a licenciar escavações, negar autorizações de saída e reunir em um edifício em Bulaque, à margem do rio, o material recolhido. O acervo abriu ao público em 1863, sobreviveu a uma enchente em 1878, mudou-se para um palácio em Gizé e, em 1902, ocupou o prédio construído para ele na praça central da cidade.
O próprio serviço reproduziu os problemas da época. Mariette manteve frentes de trabalho abertas em dezenas de locais ao mesmo tempo, com centenas de operários e supervisão escassa, e a anotação do que foi retirado é sumária ou inexistente. A direção do órgão permaneceu nas mãos de franceses até 1952, embora o acervo pertencesse ao Egito, arranjo que passou a ser contestado com o tempo. A repartição de achados entre a instituição local e as missões estrangeiras, que enviou ao exterior metade do produto de muitas escavações, só foi encerrada por lei em 1983.
Importância histórica
A existência de uma autoridade capaz de conceder e negar licenças mudou as regras do trabalho de campo: escavar deixou de ser iniciativa privada de quem tivesse dinheiro e passou a depender de autorização e de prestação de contas. O museu criado nesse contexto reuniu, pela primeira vez em território egípcio, um acervo comparável ao das grandes coleções europeias. Foi o começo de um processo lento pelo qual o país retomou o controle sobre o que era encontrado em seu solo.
Consequências
- Criou a primeira autoridade encarregada de licenciar escavações no país.
- Concentrou em um museu público o material recolhido em todo o território.
- Reduziu, sem eliminar, a saída de objetos para coleções estrangeiras.
- Deixou um passivo de escavações mal documentadas sob sua própria direção.
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