MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

Recorte geográfico

Alto Egito

O vale estreito ao sul de Abidos, com Tebas, Dendera, Esna, Edfu, Kom Ombo, Elefantina, Nacada e Hieracômpolis.

41 acontecimentos

Período Pré-Dinástico

c. 5300 – 3000 a.C.

7 acontecimentos

c. 4400 – 4000 a.C. Datação aproximada Cultura badariana organiza os primeiros cemitérios do Alto Egito Nos arredores de El-Badari, comunidades do vale passaram a enterrar seus mortos em cemitérios apartados das casas, com o corpo recolhido sobre esteiras, potes de paredes finíssimas e os primeiros objetos de… Vida cotidiana Alto Egito
Localização
El-Badari, no Médio e Alto Egito
Alto Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

O enterro badariano segue um padrão reconhecível: cova oval na franja do deserto, corpo em posição recolhida e envolto em esteira ou pele, cabeça voltada para o sul e rosto para o oeste. Junto ao morto ficavam potes de superfície vermelha e bordo negro, alguns com paredes tão delgadas que exigiam torno de mão firme e queima controlada, pentes e colheres de marfim, paletas de siltito para moer malaquita e contas de esteatita vitrificada e de cobre trabalhado a frio. Havia também sepulturas de bois, ovelhas e canídeos tratadas com o mesmo cuidado.

A cultura badariana é situada pela posição de sua cerâmica na sequência do Alto Egito e por um número reduzido de amostras datadas em laboratório. Os limites de quatro séculos são convenção de trabalho, não marcos precisos.

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c. 4000 – 3500 a.C. Datação aproximada Nacada I define a cerâmica de bordo negro e a arte pré-dinástica Na fase de Nacada I as oficinas do Alto Egito padronizaram o pote vermelho de bordo negro, obtido pela queima com a boca enterrada nas cinzas, e criaram a louça de linhas brancas, com as primeiras cenas… Arte Alto Egito
Localização
Nacada, no Alto Egito
Alto Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

O efeito do bordo negro não é pintura: o vaso recebia engobe vermelho polido e era assado de boca para baixo, de modo que a falta de oxigênio carbonizava a borda e a parte interna, criando um contraste nítido e regular. A repetição desse resultado em milhares de peças indica queima controlada e oficinas que trabalhavam com procedimento fixo. Ao lado dessa louça aparece a de linhas brancas, em que o pintor traçava sobre o fundo vermelho figuras de caçadores com arcos, animais em fila, plantas, barcos e cenas de dança com braços erguidos.

A fase é definida por tipos de vaso, não por datas: as balizas absolutas resultam de modelos que combinam a sequência cerâmica com séries de análises de laboratório, e se deslocam a cada revisão desses modelos.

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c. 3600 a.C. Datação aproximada Hieracômpolis produz cerveja em escala industrial Em Hieracômpolis foram localizadas instalações com fileiras de grandes cubas cerâmicas assentadas em barro e aquecidas por baixo, usadas para cozinhar mosto de trigo em lotes de centenas de litros. A produção… Vida cotidiana Alto Egito
Localização
Hieracômpolis, no Alto Egito
Alto Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

Cada cuba comportava algumas dezenas de litros, e elas apareciam agrupadas em conjuntos de cinco ou seis, encaixadas em uma base de argila com espaço para o fogo. Restos de trigo moído e carbonizado nas paredes internas confirmam o uso, e o volume de um único lote ultrapassa em muito o que uma família consumiria. Cerveja no Egito não era bebida de ocasião, e sim alimento diário, espesso e nutritivo, obtido do mesmo grão que dava o pão. Produzi-la nessa quantidade significa alimentar um grupo grande em dia certo.

A instalação foi datada por análise de laboratório em grãos carbonizados retirados das cubas e pela cerâmica associada, o que a situa em torno de 3600 a.C. com margem de cerca de um século.

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c. 3500 – 3200 a.C. Datação aproximada Nacada II expande o comércio de longa distância A fase de Nacada II trouxe as jarras de asa ondulada, os vasos decorados com frotas de barcos e, acima de tudo, matérias-primas de origem remota: lápis-lazúli do Afeganistão, obsidiana da área do Mar Vermelho… Comércio Alto Egito
Localização
Nacada, Hieracômpolis e Abidos
Alto Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

Nacada, Hieracômpolis e Abidos deixam de ser aldeias grandes e passam a ser centros com bairros de oficinas, cemitérios hierarquizados e sepulturas de câmara múltipla. O artesanato acompanha essa mudança: facas de sílex com lascamento por pressão em lâminas paralelas, vasos torneados em pedra dura, joias de ouro e de contas importadas. Nada disso se explica sem produção especializada em tempo integral, o que por sua vez exige que alguém garanta o alimento de quem produz. As matérias-primas exóticas percorriam distâncias de milhares de quilômetros até chegar ao vale.

A fase se subdivide em etapas reconhecidas pela cerâmica, e cada uma recebe datas ligeiramente diferentes conforme o modelo cronológico adotado. O intervalo usado aqui é o mais corrente entre os especialistas.

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c. 3400 a.C. Datação aproximada A Tumba 100 traz a mais antiga pintura mural egípcia A Tumba 100 de Hieracômpolis, uma câmara revestida de tijolo cru, teve as paredes cobertas de pintura sobre argamassa: uma frota de barcos com cabines, caçadas com cães, animais do deserto e figuras humanas em… Arte Alto Egito
Localização
Hieracômpolis, necrópole do Uádi Abu Suffian
Alto Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

A câmara foi cavada na franja do deserto, forrada de tijolo cru e rebocada como se fosse a parede de uma casa, antes de receber a decoração em vermelho, branco e negro. O tema dominante é a navegação: barcos alinhados, alguns com duas cabines e mastros de insígnia, atravessando a superfície da parede. Ao redor deles há caçadores com arco e laço, gazelas, um curral, cães e figuras de porte desigual. Em uma das cenas, uma figura de pé se ergue acima de outras menores, leitura que alguns aproximam da imagem de vitória depois consagrada, sem que exista consenso.

A tumba foi atribuída a uma etapa de Nacada II pela cerâmica recolhida nas proximidades, e não por amostras retiradas dela própria: a escavação, feita no fim do século XIX, não registrou o contexto com o rigor exigido hoje.

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c. 3320 – 3200 a.C. Datação em debate Etiquetas de Abidos registram os primeiros sinais de escrita Na tumba U-j, em Abidos, apareceram cerca de cento e cinquenta etiquetas de osso e marfim com sinais incisos, além de vasos com inscrições a tinta. Parte dos especialistas lê ali nomes de lugares e… Escrita Alto Egito
Localização
Tumba U-j, cemitério U de Abidos
Alto Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

A tumba é uma das maiores do cemitério U, com várias câmaras de tijolo e centenas de jarras importadas que continham vinho do Levante. As etiquetas têm poucos centímetros, são perfuradas para serem amarradas a mercadorias e trazem de um a três sinais incisos. A missão que as escavou entendeu esses grupos como nomes de propriedades, de localidades e indicações de quantidade, isto é, notação administrativa. Outros pesquisadores argumentam que marcas de identificação e de posse não bastam para caracterizar um sistema capaz de escrever a língua falada.

A datação alta proposta pela missão que escavou a tumba, em torno de 3320 a.C., apoia-se na etapa cerâmica e em análises do material associado; outros autores rebaixam o conjunto em um ou dois séculos. A leitura fonética dos sinais também é contestada.

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c. 3200 – 3150 a.C. Datação aproximada A maça do rei Escorpião mostra a realeza em formação Uma maça cerimonial de calcário achada no depósito principal do templo de Hieracômpolis mostra um rei com a coroa branca do Alto Egito abrindo a terra com uma enxada, cercado de portadores de estandartes. O… Faraós Dinastia 0 Escorpião II Alto Egito
Localização
Hieracômpolis, depósito principal do templo
Alto Egito
Dinastia
Dinastia 0
Governante
Escorpião II

O objeto chegou fragmentado, mas o essencial da cena se conserva. O rei aparece em escala maior do que todas as outras figuras, tocado com a coroa alta do sul e segurando uma enxada, gesto normalmente entendido como a abertura de um canal ou a inauguração de uma obra de terra. À sua frente desfilam servidores com estandartes encimados por emblemas divinos, e de alguns desses mastros pendem aves amarradas, leitura tradicional para populações submetidas. O nome do soberano não vem escrito por extenso: um único sinal, o escorpião, basta para identificá-lo.

A peça foi recolhida em um depósito remexido do templo, sem estratigrafia útil, e sua data vem do estilo e do paralelo com as etapas finais de Nacada. A posição de Escorpião II na sucessão continua discutida.

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Período Tinita

c. 3000 – 2686 a.C.

5 acontecimentos

c. 3000 a.C. Datação aproximada Unificação do Egito e a paleta de Narmer A paleta de Narmer, uma placa de siltito de mais de sessenta centímetros achada em Hieracômpolis, mostra o rei abatendo um cativo de joelhos e, no outro lado, desfilando entre inimigos decapitados. É uma… Dinastias I Dinastia Narmer Alto Egito
Localização
Hieracômpolis, com alcance sobre todo o vale e o delta
Alto Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Narmer

As duas faces da peça foram esculpidas em registros sobrepostos. Em uma delas, o rei usa a coroa branca do Alto Egito e ergue uma maça sobre um prisioneiro ajoelhado, enquanto um falcão segura pela boca a cabeça de outro adversário. Na face oposta, ele aparece com a coroa vermelha do Baixo Egito à frente de portadores de estandartes, diante de corpos decapitados; abaixo, um touro derruba a muralha de um recinto fortificado, e no alto felinos de pescoço entrelaçado emolduram a cavidade circular de moer pigmento. A reunião das duas coroas em um objeto só é o que sustenta a leitura de domínio sobre as duas metades do país.

O reinado de Narmer é situado por volta de 3000 a.C. a partir da sequência cerâmica e de modelos estatísticos de datação por radiocarbono. Não há eclipse, sincronismo com outro reino ou documento contemporâneo que permita fixar o ano.

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c. 2980 a.C. Datação aproximada Selos e etiquetas inauguram a contabilidade de Estado Nas tumbas reais de Abidos acumularam-se etiquetas de madeira e marfim e milhares de impressões de selo cilíndrico em tampas de vaso. Elas registram o produto, a quantidade, a propriedade rural de origem e o… Administração I Dinastia Aha Alto Egito
Localização
Abidos e Mênfis
Alto Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Aha

O mecanismo era simples e eficaz. O selo cilíndrico, rolado sobre a argila fresca que fechava uma jarra ou uma caixa, deixava impresso o nome da instituição responsável e, muitas vezes, o do funcionário que respondia pela remessa. As etiquetas, perfuradas e amarradas à mercadoria, indicavam o conteúdo, a medida e a propriedade que o havia entregado. Como o ano recebia o nome de um feito do rei, e não um número, essas mesmas etiquetas funcionavam também como referência de tempo, ligando cada entrega a um momento reconhecível do reinado.

As etiquetas datam por acontecimento memorável, não por ano de reinado contado, de modo que a ordem interna é reconstruída pela sucessão dos reis e pela estratigrafia dos depósitos. Isso deixa margem de décadas nas datas absolutas.

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c. 2950 a.C. Datação aproximada O túmulo de Djer e os enterramentos subsidiários Em Umm el-Qaab, a câmara de tijolo de Djer foi cercada por centenas de sepulturas menores, cobertas de uma só vez e ocupadas por mulheres, servidores e artesãos da corte. A leitura majoritária é que se trata… Mudanças religiosas I Dinastia Djer Alto Egito
Localização
Umm el-Qaab, necrópole real de Abidos
Alto Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Djer

O túmulo consiste em uma grande câmara forrada de tijolo, que abrigava um santuário de madeira, cercada por fileiras regulares de covas pequenas. Muitas delas tinham estelas com nome e função do ocupante, o que permitiu reconhecer mulheres do palácio, servidores domésticos e pessoas de baixa estatura ligadas ao entretenimento da corte. Um segundo conjunto de sepulturas acompanha o recinto de culto do mesmo rei, mais perto da área cultivada. O fato de todo o conjunto ter sido coberto em uma única operação é o argumento central da interpretação corrente, já que nenhuma dessas covas foi reaberta depois.

A duração do reinado de Djer é estimada por meio das etiquetas de ano e de fragmentos de anais gravados séculos mais tarde, que divergem entre si. A data indicada corresponde ao meio de um intervalo de algumas décadas.

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c. 2900 a.C. Datação em debate Merneite recebe honras reais em Abidos Em Umm el-Qaab foi construída, para uma mulher chamada Merneite, uma tumba de dimensões comparáveis às dos reis, cercada de sepulturas subsidiárias e marcada por estelas com seu nome. A regência que se costuma… Faraós I Dinastia Merneite Alto Egito
Localização
Umm el-Qaab, Abidos
Alto Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Merneite

Os elementos materiais são claros. A sepultura de Merneite em Abidos tem tamanho e planta equivalentes aos túmulos dos reis da mesma dinastia, com câmara central de tijolo, depósitos ao redor e um cinturão de covas de servidores, tratamento que nenhuma outra mulher do período recebeu. Duas estelas de pedra registram seu nome, e uma impressão de selo achada na tumba de Den a inclui em uma relação de soberanos, com o título de mãe do rei. É o conjunto mais antigo de honras funerárias de nível real concedidas a uma mulher no Egito.

A posição de Merneite depende de sua associação com Den, cujo reinado já é datado por aproximação, e nenhuma etiqueta de ano traz seu nome. O ano indicado é apenas uma referência dentro do intervalo estimado para essa parte da I Dinastia.

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c. 2690 a.C. Datação aproximada Khasekhemuy encerra o conflito interno e ergue o recinto de Abidos Khasekhemuy reuniu em seu nome os emblemas de Hórus e de Set, mandou esculpir estátuas com a contagem de inimigos vencidos no norte e ergueu em Abidos o Shunet el-Zebib, recinto de tijolo cru com muros de mais… Construções II Dinastia Khasekhemuy Alto Egito
Localização
Shunet el-Zebib, Abidos
Alto Egito
Dinastia
II Dinastia
Governante
Khasekhemuy

A II Dinastia deixou poucos monumentos e muitos indícios de tensão. Um de seus reis substituiu o falcão de Hórus pelo animal de Set na escrita de seu nome, e o último, Khasekhemuy, adotou uma forma que reúne as duas divindades, cujo sentido é o de que as duas potências se manifestam juntas. Estátuas suas encontradas em Hieracômpolis trazem, na base, números de adversários derrotados no norte do país. A leitura corrente combina esses elementos e conclui que houve conflito interno encerrado em seu reinado, embora nenhum texto narre os fatos.

O fim da II Dinastia é datado por contagem retroativa a partir da III, e as listas antigas atribuem durações incompatíveis aos reinados anteriores. A data adotada é a mais corrente nas cronologias em uso.

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Primeiro Período Intermediário

c. 2181 – 2055 a.C.

3 acontecimentos

c. 2130 a.C. Datação aproximada Ankhtifi de Moalla registra fome e disputa por grãos Na necrópole de Moalla, o governador Ankhtifi mandou gravar em pilares pintados o balanço de sua administração: reorganizou Hieracômpolis, mediu forças com vizinhos armados e distribuiu cevada a regiões em… Vida cotidiana Alto Egito
Localização
Moalla, entre Tebas e Edfu
Alto Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Ankhtifi, governador de Hieracômpolis e Edfu

A sepultura é escavada na rocha, com pilares e paredes cobertos de pintura em cores vivas e um longo texto em colunas. Ankhtifi conta que assumiu Hieracômpolis em desordem, restabeleceu o serviço público e o culto, evitou combates que considerava inúteis e enviou grão para regiões vizinhas, entre elas Dendera e a área de Elefantina. A passagem mais citada afirma que o Alto Egito inteiro morria de fome, a ponto de haver quem comesse os próprios filhos, e que em seu território ninguém morreu por falta de alimento.

A datação vem do estilo da pintura e da posição de Ankhtifi na sequência de governadores locais, sem qualquer menção a ano de reinado que permita fixá-la.

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c. 2112 a.C. Datação aproximada Tebas se torna potência sob os Intef Sob Intef II, o domínio tebano deixou de ser um nomo entre outros: a fronteira sul foi levada a Elefantina, a norte alcançou a região tinita e o soberano passou a usar titulatura real completa. Foram cerca de… Dinastias XI Dinastia Intef II Alto Egito
Localização
Tebas e o nomo de Abidos
Alto Egito
Dinastia
XI Dinastia
Governante
Intef II

A base do poder era o nomo de Tebas, até então de pouca expressão, cujos governantes controlavam a saída das rotas do deserto oriental e o trecho de rio que liga o vale a Elefantina. Intef II abandonou o título de nomarca, adotou nome de coroação e passou a se apresentar como rei. Sua sepultura em El-Tarif segue o modelo local de pátio escavado na encosta com fachada de pilares, e a estela que dela procede o mostra acompanhado de seus cães de caça, cada um com o nome inscrito.

O reinado de Intef II é estimado em cerca de cinquenta anos a partir de suas próprias inscrições e da posição que ocupa na sequência tebana; os anos absolutos variam entre as cronologias.

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c. 2100 a.C. Datação aproximada Tebas e Heracleópolis disputam Abidos A faixa entre Abidos e Tinis tornou-se a linha de contato entre os dois reinos. Inscrições tebanas relatam combates contra a casa do norte nessa região, e as autobiografias dos nomarcas de Assiute descrevem… Guerras XI Dinastia Intef II Alto Egito
Localização
Região de Abidos e Tinis
Alto Egito
Dinastia
XI Dinastia
Governante
Intef II

O nomo tinita era o corredor obrigatório entre o Médio Egito e o sul, e abrigava o santuário de Abidos, onde se cultuava o senhor dos mortos. Controlá-lo significava juntar vantagem militar e autoridade religiosa, o que fez da região o objeto principal da guerra. Um oficial de Intef II deixou registrada a batalha travada ali e o avanço da fronteira; um comandante de Elkab menciona serviço na mesma frente. Do outro lado, os textos das sepulturas de Assiute falam de frota, recrutamento e represália, e reivindicam a recuperação de território perdido.

Os combates são conhecidos por inscrições de sepultura que não trazem data e usam vocabulário de louvor; a ordem dos episódios é reconstruída por comparação entre os monumentos.

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Médio Império

c. 2055 – 1650 a.C.

3 acontecimentos

c. 2055 a.C. Datação aproximada Mentuhotep II reunifica o Egito Depois de mais de um século com o país repartido, o rei tebano Nebhepetre Mentuhotep II submeteu o reino de Heracleópolis e voltou a governar o vale e o delta sob um comando único. A mudança ficou registrada… Dinastias XI Dinastia Mentuhotep II Alto Egito
Localização
Tebas, com campanha até Heracleópolis
Alto Egito
Dinastia
XI Dinastia
Governante
Mentuhotep II

Ao assumir o trono, Mentuhotep II governava uma faixa que ia de Elefantina ao limite norte do nomo de Abidos, herdada dos Intef. O avanço sobre Heracleópolis levou décadas e foi interrompido por uma revolta no próprio sul, provavelmente na região de Tinis, antes de a tropa tebana descer o rio. A sepultura coletiva de sessenta soldados escavada em Deir el-Bahari, com corpos marcados por flechas de haste curta, é a evidência física mais direta desse esforço militar. O rei anunciou o resultado no seu nome de Hórus: trocou-o duas vezes e terminou como Sematauy, aquele que une as Duas Terras.

Os anos absolutos do Médio Império derivam de observações lunares anotadas em arquivos de templo e de sincronismos parciais com o Levante, e não de uma contagem contínua. Para este reinado, a margem em uso entre os especialistas chega a algumas décadas.

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c. 2040 a.C. Datação aproximada O templo em terraços de Mentuhotep II em Deir el-Bahari Na enseada rochosa de Deir el-Bahari, Mentuhotep II ergueu um complexo funerário em terraços, com pórticos de pilares e rampa central, encaixado na base do penhasco. O conjunto recebeu o nome de Akh-isut, os… Construções XI Dinastia Mentuhotep II Alto Egito
Localização
Deir el-Bahari, margem ocidental de Tebas
Alto Egito
Dinastia
XI Dinastia
Governante
Mentuhotep II

Uma calçada subia do vale até um pátio onde foram abertas covas para o plantio de tamargueiras e sicômoros, ainda visíveis. Dali uma rampa levava ao terraço, cercado por galerias de pilares quadrados, no centro do qual se erguia um bloco maciço cuja forma original continua em debate: pirâmide baixa, mastaba ou montículo simbólico, sem que os restos permitam decidir. Ao fundo, escavado na rocha, ficava o santuário dedicado a Amon e ao rei divinizado. Um poço na frente do conjunto, o Bab el-Hosan, guardava uma estátua sentada do rei envolto no manto do festival de jubileu, com a pele pintada de negro.

A obra é atribuída à segunda metade de um reinado cuja duração se conhece melhor que suas datas absolutas, calculadas a partir de âncoras lunares esparsas e de sincronismos incompletos. Daí uma variação de algumas décadas conforme a cronologia adotada.

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c. 1950 a.C. Datação aproximada Senusret I reconstrói Karnak em pedra Senusret I substituiu as instalações de tijolo do santuário de Amon em Karnak por um templo de calcário e ergueu uma capela de jubileu. Séculos depois, seus blocos foram reaproveitados como enchimento em um… Construções XII Dinastia Senusret I Alto Egito
Localização
Karnak, em Tebas
Alto Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Senusret I

É com esse reinado que Karnak entra na história com arquitetura de pedra documentada. O programa incluiu um pátio com pilares, estátuas do rei em forma osiríaca e a chamada Capela Branca, pequena construção de calcário fino que servia de estação para a barca sagrada durante o festival de jubileu. Suas paredes trazem, além das cenas de oferenda, uma relação dos nomos do Egito com medidas de terra e cotas de produtos: um documento administrativo gravado em pedra, raro para qualquer período. No reinado de Amenhotep III a capela foi desmontada e seus blocos foram usados como recheio interno de um pilone, onde ficaram até serem retirados e recompostos, peça por peça, nas décadas de 1920 e 1930.

A obra se estende por um reinado longo, cujas datas absolutas variam segundo a cronologia adotada: as âncoras disponíveis são registros lunares de arquivos administrativos e sincronismos parciais, insuficientes para fechar a conta em menos de algumas décadas.

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Segundo Período Intermediário

c. 1777 – 1550 a.C.

1 acontecimento

c. 1555 a.C. Datação aproximada Seqenenré Taa inicia a guerra contra Avaris O rei tebano Seqenenré Taa rompeu a convivência com Avaris e levou tropas ao norte. Seu corpo apresenta fraturas de machado e cortes de lâmina na cabeça, e é sobretudo dessa evidência física que se reconstrói… Guerras XVII Dinastia Seqenenré Taa Alto Egito
Localização
Tebas e Médio Egito
Alto Egito
Dinastia
XVII Dinastia
Governante
Seqenenré Taa

Tebas governava então de Elefantina até as proximidades de Cusae, no Médio Egito, e convivia com o norte em arranjo que permitia comércio e pastagem de gado no delta. A família real tebana desse momento tem perfil incomum, com mulheres de peso político declarado, entre elas Tetisheri e Ahotep. O corpo de Taa, recuperado no esconderijo de múmias reais de Deir el-Bahari, apresenta pelo menos cinco lesões graves no crânio e no rosto, produzidas por armas de tipos diferentes, o que aponta para vários agressores. Exames recentes de imagem observaram ainda a posição rígida das mãos e sugeriram que estivessem imobilizadas, leitura que não é aceita por todos.

O reinado é curto e mal documentado, e sua data de fim é estimada a partir da contagem regressiva desde o início do Novo Império, ela própria fixada por observações lunares e sincronismos parciais que admitem alguns anos de variação.

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Novo Império

c. 1550 – 1069 a.C.

12 acontecimentos

c. 1520 a.C. Datação aproximada A vila de Deir el-Medina abriga os operários das tumbas reais Em um vale fechado da margem ocidental de Tebas, a coroa instalou o povoado dos artesãos encarregados de escavar e decorar as tumbas reais. Cerca de setenta casas dentro de um muro, salários pagos em grão e… Vida cotidiana XVIII Dinastia Amenhotep I Alto Egito
Localização
Deir el-Medina, margem ocidental de Tebas
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Amenhotep I

Os moradores se identificavam como servidores do Lugar da Verdade e trabalhavam divididos em duas turmas, a da direita e a da esquerda, cada uma com um chefe, um subchefe e um escriba. O pagamento vinha do tesouro do templo funerário em atividade e consistia sobretudo em trigo emmer e cevada, entregues por mês em sacos, com porções maiores para os chefes e o escriba, além de peixe, verduras, lenha, cerveja, óleo e água trazida por burros, já que o vale não tem poço. Atrasos na entrega do grão paralisavam a vila e geraram registros de reclamação formal.

Tijolos com o selo de Amenhotep I e de Tutmés I situam a fundação no começo do século XVI a.C., embora o povoado só se torne bem documentado a partir da XIX Dinastia. As datas absolutas dependem da cronologia adotada, com diferença próxima de dez anos entre as versões alta e baixa.

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c. 1500 a.C. Datação aproximada O Vale dos Reis substitui as pirâmides reais A monarquia abandonou o túmulo visível e passou a esconder a sepultura em um uádi atrás da montanha tebana, separando-a do templo de culto erguido na planície. A decisão mudou a arquitetura funerária real por… Construções XVIII Dinastia Tutmés I Alto Egito
Localização
Vale dos Reis, Tebas ocidental
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés I

O uádi escolhido fica sob o pico de el-Qurn, cuja silhueta triangular funcionava como pirâmide natural sobre as tumbas. O acesso único e a escassez de rotas facilitavam a vigilância por guardas da necrópole. A escavação era feita na rocha, com corredores em declive, poços de proteção, câmaras de anexos e uma sala de sarcófago decorada com textos do repertório funerário real, entre eles o Livro do Amduat. O templo de culto, antes acoplado à pirâmide, passou a ser construído a quilômetros de distância, na borda das terras cultivadas.

A atribuição das duas tumbas mais antigas do vale, KV20 e KV38, ao reinado de Tutmés I é debatida, e com ela a data exata da primeira escavação. O reinado em si está bem posicionado na sequência dinástica, com a habitual margem de cerca de dez anos entre a cronologia alta e a baixa.

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c. 1473 a.C. Datação aproximada Hatshepsut assume a realeza plena Viúva de Tutmés II, Hatshepsut governou primeiro como regente do enteado criança e, entre o segundo e o sétimo ano desse reinado, adotou titulatura real completa. A solução manteve os dois nomes no trono e foi… Faraós XVIII Dinastia Hatshepsut Alto Egito
Localização
Tebas
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Hatshepsut

Filha de Tutmés I e esposa principal de Tutmés II, Hatshepsut acumulava o cargo sacerdotal de Esposa Divina de Amon quando o marido morreu deixando um herdeiro muito jovem. As primeiras inscrições da regência a apresentam como grande esposa real que administra o país em nome do menino. Nos anos seguintes, os epítetos mudam: ela recebe os cinco nomes da titulatura faraônica, entre eles o prenome Maatkaré, e passa a ser representada com o pano de cabeça, o saiote curto e, em parte das imagens, a barba cerimonial do ofício, sem que o gênero feminino desapareça dos textos, onde formas masculinas e femininas alternam.

A passagem da regência à realeza é datada pelos anos de reinado de Tutmés III, que continuaram a ser contados durante toda a corregência, entre o ano dois e o ano sete. Convertida em datas absolutas, a transição varia cerca de dez anos segundo a cronologia adotada para o Novo Império.

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c. 1460 a.C. Datação aproximada Os obeliscos de Karnak e as pedreiras de Assuã Dois monólitos de granito extraídos em Assuã foram erguidos entre o quarto e o quinto pilone de Karnak. O que permanece de pé tem quase trinta metros e mais de trezentas toneladas, e sua base afirma que a… Construções XVIII Dinastia Hatshepsut Alto Egito
Localização
Karnak e pedreiras de granito de Assuã
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Hatshepsut

O granito vermelho vinha das pedreiras da margem oriental de Assuã, onde o bloco era isolado por trincheiras abertas a golpes de esferas de dolerito e depois desprendido da rocha viva. O transporte, cerca de duzentos quilômetros rio abaixo, aparece representado em relevo no pórtico inferior de Deir el-Bahari: dois obeliscos deitados lado a lado sobre uma barcaça imensa, rebocada por filas de embarcações a remo. A operação, atribuída nos textos ao mordomo Senenmut, dependia da cheia para aproximar a carga do canteiro e de rampas de tijolo e areia para o levantamento final.

A inscrição da base do obelisco conservado menciona o ano dezesseis da corregência e um prazo de sete meses entre a extração e a instalação. As datas absolutas correspondentes oscilam cerca de uma década entre a cronologia alta e a baixa.

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c. 1450 a.C. Datação aproximada O jardim botânico de Karnak cataloga plantas estrangeiras Nas salas anexas ao Akhmenu, em Karnak, as paredes foram cobertas de plantas e animais gravados em relevo, apresentados como espécies encontradas nas terras de Retjenu. É o mais antigo repertório figurado de… Agricultura XVIII Dinastia Tutmés III Alto Egito
Localização
Templo de Amon em Karnak
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés III

O Akhmenu, salão de festas erguido a leste do santuário principal de Karnak, recebeu no seu conjunto de câmaras um programa decorativo sem paralelo. Em vez das cenas habituais de oferenda, as paredes exibem fileiras de plantas com raiz, flor e fruto, além de aves, quadrúpedes e frutos isolados. Uma legenda declara que se trata do que a majestade encontrou na terra de Retjenu, designação egípcia da Síria e da Palestina, o que liga o conjunto às campanhas asiáticas. Estimativas correntes apontam cerca de duas centenas e meia de espécies representadas.

As salas fazem parte do Akhmenu, cuja construção é situada no fim do reinado de Tutmés III, sem data de dedicação preservada. A cronologia do Novo Império é a mais segura do Egito faraônico, mas as datas absolutas continuam a divergir cerca de dez anos entre as reconstruções alta e baixa.

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c. 1440 a.C. Datação em debate O apagamento dos monumentos de Hatshepsut Nomes cinzelados, figuras substituídas, estátuas quebradas e enterradas em fossos, obeliscos ocultados por alvenaria: a memória monumental de Hatshepsut foi removida de forma seletiva. A cronologia do… Arte XVIII Dinastia Tutmés III Alto Egito
Localização
Deir el-Bahari e Karnak
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés III

A intervenção não foi uniforme. Em Deir el-Bahari e em Karnak, os cartuchos e as imagens da soberana com insígnias reais foram removidos, enquanto representações dela como esposa real ou como Esposa Divina de Amon muitas vezes permaneceram intactas. Os nomes suprimidos foram frequentemente substituídos por aqueles de Tutmés I, Tutmés II e Tutmés III. A Capela Vermelha, santuário de quartzito construído por ela, foi desmontada e seus blocos reaproveitados como enchimento no terceiro pilone. Estátuas foram derrubadas, fragmentadas e lançadas em fossos perto do templo, onde escavações do século XX as recuperaram e permitiram remontar várias peças.

O exame das superfícies marteladas e das camadas de reconstrução indica que a remoção começou por volta do ano quarenta e dois de Tutmés III, isto é, cerca de vinte anos depois da morte da soberana, e prosseguiu no reinado seguinte. Além dessa dúvida sobre o momento inicial, vale a margem de aproximadamente dez anos entre a cronologia alta e a baixa do Novo Império.

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c. 1370 a.C. Datação aproximada O templo de Luxor e os Colossos de Mêmnon O reinado mais próspero da XVIII Dinastia ergueu em Luxor o santuário do sul, com colunata e pátio solar, e na margem oposta um templo funerário de dimensões enormes, guardado por dois colossos de quartzito de… Construções XVIII Dinastia Amenhotep III Alto Egito
Localização
Luxor e Kom el-Hetan, em Tebas
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Amenhotep III

O templo de Luxor, chamado Ipet-resyt, foi concebido para a festa de Opet, quando as imagens dos deuses de Karnak desciam em procissão até o santuário do sul. Suas salas internas trazem a sequência de relevos do nascimento divino do rei, em que Amon assume a forma do pai para gerar o herdeiro, tema já usado em Deir el-Bahari. A obra foi conduzida sob a supervisão do arquiteto Amenhotep, filho de Hapu, funcionário tão prestigiado que recebeu templo de culto próprio, e prosseguiu depois com a colunata concluída no reinado de Tutancâmon.

As obras se distribuem ao longo de um reinado de quase quatro décadas, sem que os monumentos permitam datar cada etapa. A posição do reinado é firme, apoiada em datas lunares e em cartas trocadas com Babilônia e Mitani, com a costumeira diferença de cerca de dez anos entre as cronologias em uso.

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c. 1332 a.C. Datação aproximada Tutancâmon restaura os cultos tradicionais Um menino de cerca de nove anos subiu ao trono e, em poucos anos, os templos fechados voltaram a funcionar, as rendas foram devolvidas e o nome do rei passou de Tutankhaton a Tutancâmon. A Estela da… Mudanças religiosas XVIII Dinastia Tutancâmon Alto Egito
Localização
Tebas e Mênfis
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutancâmon

O texto da estela descreve santuários em ruína, pátios tomados por ervas, capelas transformadas em atalho e o país abandonado pelos deuses, que não atendiam mais a nenhum pedido. Em seguida enumera as medidas: reconstrução de imagens divinas em ouro e pedras finas, restituição de terras e de rendas aos templos, nomeação de novos sacerdotes escolhidos entre filhos de notáveis e retomada dos festivais. O documento foi encontrado em Karnak e teve depois o nome do rei substituído pelo de Horemheb, prática que dificultou por muito tempo a atribuição correta.

A Estela da Restauração não conserva número de ano legível, e a medida é situada nos primeiros anos do reinado pela mudança do nome do rei. As datas absolutas seguem a margem de cerca de dez anos que separa a cronologia alta da baixa no Novo Império.

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c. 1157 a.C. Datação aproximada A primeira greve de trabalhadores registrada No ano vinte e nove de Ramsés III, os operários encarregados das tumbas reais deixaram o trabalho e ocuparam os pátios dos templos funerários de Tebas ocidental porque as rações de grão estavam atrasadas. O… Vida cotidiana XX Dinastia Ramsés III Alto Egito
Localização
Deir el-Medina e templo de Medinet Habu
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés III

Os homens de Deir el-Medina não recebiam moeda, e sim uma remuneração em espécie entregue pela administração do tesouro: trigo e cevada em quantidade fixa por mês, além de peixe, lenha, óleo, cerveja e roupas. Quando o grão atrasava, faltava alimento em casa no mesmo mês. No segundo mês da estação de peret, com dezoito dias de atraso acumulado, a equipe cruzou os muros do recinto e sentou-se atrás do templo funerário de Tutmés III, seguindo nos dias seguintes para o Rameseu e para Medinet Habu, onde ficavam os celeiros e a administração local.

O papiro data a paralisação do ano vinte e nove de Ramsés III, com dia e mês precisos; a correspondência desse ano com a escala absoluta depende da cronologia adotada para o reinado.

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c. 1155 a.C. Datação aproximada A conspiração do harém e o julgamento dos culpados Um grupo formado por uma esposa secundária do rei, seu filho e dezenas de funcionários de palácio tentou eliminar Ramsés III e colocar no trono o príncipe conhecido como Pentauer. Os papiros judiciais de Turim… Faraós XX Dinastia Ramsés III Alto Egito
Localização
Corte real e tribunal de Tebas
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés III

A corte ramessida abrigava várias esposas reais e seus filhos, e a sucessão não seguia regra automática. A rainha Tiye, mãe do príncipe registrado nos documentos pelo nome Pentauer, articulou uma conspiração que envolveu mordomos, escribas do harém, chefes militares e funcionários do tesouro, com apoio buscado também fora do palácio. Um tribunal extraordinário de doze membros foi nomeado para julgar cerca de quarenta acusados. As sentenças incluíram execução, autorização para tirar a própria vida e mutilação; parte dos próprios juízes foi punida depois por conduta imprópria com as mulheres detidas.

Os papiros do processo não trazem data completa e são situados nos últimos anos de Ramsés III, cujo reinado terminou por volta de 1153 a.C. segundo a cronologia mais usada.

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c. 1150 a.C. Datação aproximada A mumificação atinge seu ponto técnico mais alto Nas oficinas funerárias de Tebas ocidental, o tratamento dos corpos alcançou no fim do Novo Império seu maior refinamento, com rostos preservados em aparência natural, membros preenchidos e posição cuidada. O… Medicina XX Dinastia Ramsés IV Alto Egito
Localização
Oficinas funerárias de Tebas ocidental
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés IV

O objetivo declarado nos textos não era conservar um cadáver, mas produzir um corpo capaz de receber culto e de participar da existência posterior, identificado a Osíris. O trabalho começava com a retirada dos órgãos internos por uma incisão no flanco esquerdo e com o tratamento da cabeça; seguia-se a dessecação com natrão, sal natural recolhido no Uádi Natrum, por cerca de quarenta dias. Depois vinham lavagens, aplicação de resinas e óleos vegetais, preenchimento das cavidades e o enfaixamento em muitas camadas de linho, com amuletos colocados em pontos determinados.

Não se trata de um acontecimento datável, mas de um patamar alcançado ao longo da XX Dinastia e mantido na seguinte; a data indicada serve apenas para situar esse momento na sequência.

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c. 1110 a.C. Datação aproximada Os processos por saque de tumbas reais Uma comissão nomeada no reinado de Ramsés IX inspecionou as necrópoles de Tebas ocidental e instruiu processos contra ladrões de tumbas. Os papiros do caso trazem confissões, listas de bens desviados e a… Administração XX Dinastia Ramsés IX Alto Egito
Localização
Tebas ocidental e tribunal da cidade
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés IX

A crise do fim da XX Dinastia, com preços de grão instáveis e pagamentos atrasados, atingiu também os responsáveis pela vigilância das necrópoles. No ano dezesseis de Ramsés IX, o prefeito de Tebas oriental acusou formalmente a administração da margem ocidental de omissão diante de arrombamentos. Uma comissão percorreu tumbas reais e particulares e apresentou relatório: a maior parte das sepulturas de reis estava intacta, mas a de um soberano da XVII Dinastia havia sido violada e muitos túmulos de nobres, esvaziados.

A investigação principal é datada do ano dezesseis de Ramsés IX; a duração exata do reinado e sua posição na escala absoluta variam algumas unidades entre as reconstruções.

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Terceiro Período Intermediário

c. 1069 – 664 a.C.

4 acontecimentos

c. 1080 a.C. Datação aproximada Herihor divide o poder e Tebas passa ao clero de Amon Sumo sacerdote de Amon, general e vice-rei de Cuxe, Herihor passou a escrever seu nome em cartelas reais nas paredes do templo de Khonsu, em Karnak, enquanto Ramsés XI continuava a ser o rei pelo qual se… Administração XX Dinastia Herihor Alto Egito
Localização
Karnak e Tebas
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Herihor

O acúmulo de cargos explica o que aconteceu. Desde o reinado de Ramsés III, o templo de Amon controlava terras, rebanhos, oficinas e frotas em escala comparável à do próprio Estado, e no fim da XX Dinastia o pontificado tebano passou a somar o comando militar do Alto Egito e a autoridade sobre a Núbia. Herihor reuniu essas funções e adotou parte da titulatura reservada aos faraós, com o nome inscrito em cartela e representações em tamanho real ao lado dos deuses, sem nunca reivindicar o trono no delta.

A datação depende da correlação entre os anos da era chamada Repetição dos Nascimentos e o reinado de Ramsés XI. A ordem entre Herihor e o pontífice Piankh no comando de Tebas foi revista pela pesquisa recente e continua discutida.

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c. 1000 a.C. Datação aproximada Os sacerdotes escondem as múmias reais Diante dos arrombamentos no Vale dos Reis, os sacerdotes de Amon retiraram os corpos dos faraós de suas tumbas, renovaram o enfaixamento e reuniram-nos em poucos esconderijos vigiados. Cada etapa da operação… Mudanças religiosas XXI Dinastia Alto Egito
Localização
Deir el-Bahari e Vale dos Reis
Alto Egito
Dinastia
XXI Dinastia
Governante
Operação conduzida pelos sumos sacerdotes de Amon, entre eles Pinedjem I e Pinedjem II

A decisão veio depois de décadas de saques documentados em processos judiciais. Equipes autorizadas abriram as sepulturas reais, recolheram os corpos, refizeram o enfaixamento quando necessário, substituíram caixões danificados e transferiram tudo para locais de acesso mais fácil de controlar. Os dois principais foram uma tumba de família sacerdotal em Deir el-Bahari e uma câmara lateral da sepultura de Amenhotep II, no Vale dos Reis. Ali acabaram reunidos, entre outros, Amósis, Amenhotep I, Tutmés II, Tutmés III, Seti I, Ramsés II e vários reis da XX Dinastia.

Os deslocamentos ocorreram ao longo de mais de um século, entre o fim da XX Dinastia e a XXI. A data indicada corresponde à fase mais intensa da operação, tal como reconstituída pelas anotações datadas.

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c. 750 a.C. Datação aproximada A Esposa Divina de Amon concentra poder em Tebas O título de Esposa Divina de Amon, antigo mas secundário, tornou-se no primeiro milênio o cargo mais poderoso de Tebas. Ocupado por filhas de reis que não se casavam e escolhiam a sucessora por adoção, dava a… Mudanças religiosas XXV Dinastia Alto Egito
Localização
Karnak e Tebas
Alto Egito
Dinastia
XXV Dinastia
Governante
Titulares do cargo, de Chepenupet, filha de Osorkon III, a Ankhnesneferibré, filha de Psamético II

O arranjo resolvia um problema concreto. Depois de séculos de autonomia sacerdotal, os reis do delta e, em seguida, os de Cuxe precisavam de alguém em Tebas que representasse sua autoridade sem criar uma linhagem rival. A solução foi entregar o cargo a uma princesa consagrada ao deus, sem descendência e, portanto, sem herdeiros capazes de disputar o trono. A titular administrava o domínio do templo, patrocinava construções em Karnak e em Medinet Habu, presidia rituais antes reservados ao rei e tinha o nome escrito na cartela oval dos soberanos.

A data indicada corresponde ao momento em que a função passou às princesas cuxitas. A instituição é mais antiga e atravessou várias dinastias, e sua cronologia interna depende de sincronismos entre listas sacerdotais e reinados.

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663 a.C. Datação estabelecida As invasões assírias e o saque de Tebas Depois de duas décadas de choques, o exército de Assurbanipal respondeu à retomada de Mênfis por Tanutamani avançando até Tebas, que foi saqueada e teve obeliscos levados para a Assíria. A XXV Dinastia recuou… Guerras XXV Dinastia Tanutamani Alto Egito
Localização
Mênfis e Tebas
Alto Egito
Dinastia
XXV Dinastia
Governante
Tanutamani

O conflito começou no reinado de Taharca. Esarhadon tomou Mênfis, e Assurbanipal derrotou o rei cuxita em duas campanhas, instalando dinastas locais do delta como vassalos e levando parte da família real como cativa. Com a morte de Taharca, Tanutamani subiu ao trono, desceu o rio e retomou Mênfis; Necau de Sais, principal apoio dos assírios no norte, morreu nesse episódio. A reação veio de imediato e chegou mais longe no vale do Nilo do que qualquer exército estrangeiro havia chegado até então.

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Período Ptolemaico

332 – 30 a.C.

1 acontecimento

237 a.C. Datação estabelecida O templo de Edfu e a arquitetura dos últimos santuários A pedra fundamental do templo de Hórus foi assentada em 237 a.C., e a obra só terminou cento e oitenta anos depois. Suas paredes cobertas de texto formam o maior repositório conhecido de ritual, calendário de… Construções Dinastia ptolemaica Ptolomeu III Evérgeta Alto Egito
Localização
Edfu, no Alto Egito
Alto Egito
Dinastia
Dinastia ptolemaica
Governante
Ptolomeu III Evérgeta

A construção começou no reinado de Ptolomeu III, sobre o lugar de um santuário mais antigo. O corpo interior ficou pronto em 212 a.C. e recebeu decoração até 142; o pátio, a sala hipóstila externa e o pilone só foram concluídos em 57 a.C., sob Ptolomeu XII. As datas estão gravadas nas próprias paredes, em textos que registram cada etapa. No santuário permaneceu o naos monolítico de granito do último faraó nativo, herdado do edifício anterior. O templo chegou quase intacto ao século XIX porque estava soterrado em areia e coberto por casas de aldeia, retiradas nas obras de desobstrução iniciadas em 1860.

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Domínio romano

30 a.C. – 641 d.C.

3 acontecimentos

c. 30 d.C. Datação aproximada Dendera é concluída sob administração romana O grande santuário de Hator, iniciado no fim do período ptolemaico, recebeu seu vestíbulo colunado já sob Roma, com o imperador esculpido como faraó diante dos deuses. Dendera mostra que a construção religiosa… Construções Província romana e bizantina Tibério Alto Egito
Localização
Dendera, no Alto Egito
Alto Egito
Dinastia
Província romana e bizantina
Governante
Tibério

O templo dedicado a Hator começou a ser erguido no primeiro século antes da era comum e ganhou, sob administração romana, um vestíbulo de vinte e quatro colunas encimadas pelo rosto da deusa. O teto abriga uma das representações do céu mais completas conhecidas no Egito, com constelações, planetas e as divindades que marcavam os períodos de dez dias. De uma capela no terraço veio o relevo circular hoje conservado em Paris, retirado do edifício em 1821 e substituído por uma cópia.

O vestíbulo colunado leva o nome de Tibério, mas sua decoração prosseguiu nos reinados seguintes. Não há data única que marque a conclusão do conjunto.

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394 d.C. Datação estabelecida A última inscrição hieroglífica é gravada em Filas Em 24 de agosto de 394, um sacerdote gravou no templo de Ísis, em Filas, algumas linhas em hieróglifos acompanhadas de texto em demótico. É o registro datado mais recente que se conhece dessa escrita, usada de… Escrita Província romana e bizantina Teodósio I Alto Egito
Localização
Templo de Ísis, na ilha de Filas
Alto Egito
Dinastia
Província romana e bizantina
Governante
Teodósio I

A inscrição é obra de Esmet-Akhom, integrante de uma família sacerdotal ligada ao santuário, e acompanha a figura de Mandúlis, divindade cultuada na região da Primeira Catarata. Traz data precisa e vem seguida de linhas em demótico, a escrita cursiva usada no cotidiano dos últimos séculos. Convém ser exato quanto ao alcance do fato: não se trata necessariamente do último ato de escrita hieroglífica, e sim do exemplo datado mais recente que sobreviveu. Textos posteriores sem data, ou simplesmente perdidos, não podem ser descartados. No mesmo templo está também o registro demótico datado mais tardio de que se tem notícia, do ano 452.

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c. 537 d.C. Datação aproximada O fechamento de Filas encerra os cultos antigos Por ordem de Justiniano, um comandante enviado à Primeira Catarata encerrou o santuário de Ísis, confiscou as imagens de culto e prendeu os sacerdotes. O edifício foi convertido em igreja, e com ele terminou o… Mudanças religiosas Província romana e bizantina Justiniano I Alto Egito
Localização
Ilha de Filas, na Primeira Catarata
Alto Egito
Dinastia
Província romana e bizantina
Governante
Justiniano I

Filas resistiu mais do que os outros santuários por razão diplomática. A ilha ficava na fronteira sul, e o culto de Ísis atendia também os blêmios e os nobades, povos da Núbia com quem o império mantinha acordos. Um tratado firmado em 452 lhes garantia o direito de conduzir a imagem da deusa em procissão até seu próprio território, e enquanto essa cláusula servisse à estabilidade da fronteira o templo permaneceu aberto, mesmo depois de a legislação imperial ter proibido os cultos não cristãos.

O episódio é conhecido pelo relato de Procópio, que não fornece data exata. Os estudos costumam situá-lo entre 535 e 537, durante o reinado de Justiniano.

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Descobertas arqueológicas

1798 d.C. – presente

2 acontecimentos

1881 d.C. Datação estabelecida O esconderijo de múmias reais de Deir el-Bahari é revelado Um poço estreito na encosta de Deir el-Bahari guardava cerca de cinquenta corpos e caixões retirados das tumbas reais por sacerdotes tebanos. O depósito havia sido localizado por moradores da região uma década… Arqueologia Alto Egito
Localização
Deir el-Bahari, Tebas ocidental
Alto Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Gaston Maspero e Émile Brugsch

A ocultação foi obra dos próprios egípcios. Nos séculos finais do Novo Império e no período seguinte, sacerdotes de Tebas recolheram corpos reais violados por saqueadores, refizeram as ataduras e os transferiram de uma tumba a outra até reuni-los em um poço pertencente a uma família sacerdotal. Etiquetas escritas nas faixas e anotações nos caixões registram as datas e os responsáveis por cada transferência, e constituem a principal fonte para reconstituir esse itinerário.

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1922 d.C. Datação estabelecida A tumba de Tutancâmon é encontrada quase intacta A escada localizada em novembro de 1922 conduziu à única sepultura real do Vale dos Reis encontrada com o enxoval praticamente completo. Foram mais de cinco mil objetos, retirados ao longo de dez temporadas… Arqueologia Alto Egito
Localização
Tumba KV62, Vale dos Reis
Alto Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Howard Carter e a equipe de Lorde Carnarvon

A escada apareceu sob restos de cabanas de operários, a poucos metros da entrada da tumba de Ramsés VI, em uma área já revolvida em campanhas anteriores. Atrás da porta selada havia uma antecâmara cheia de móveis, carros desmontados, caixas e estatuária, seguida da câmara funerária. A sepultura não estava inteiramente intacta: foi aberta ao menos duas vezes na Antiguidade e tornou a ser fechada pelos administradores da necrópole, que rearrumaram o depósito às pressas. O esvaziamento levou dez temporadas e foi conduzido por uma equipe fixa, com fotógrafo, químico, conservador, epigrafista e desenhista, instalada em uma tumba vizinha adaptada como laboratório.

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