c. 3200 – 3150 a.C. Datação aproximada
A maça do rei Escorpião mostra a realeza em formação
Uma maça cerimonial de calcário achada no depósito principal do templo de Hieracômpolis mostra um rei com a coroa branca do Alto Egito abrindo a terra com uma enxada, cercado de portadores de estandartes. O sinal de escorpião gravado diante de seu rosto é lido como nome próprio.
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Contexto
O objeto chegou fragmentado, mas o essencial da cena se conserva. O rei aparece em escala maior do que todas as outras figuras, tocado com a coroa alta do sul e segurando uma enxada, gesto normalmente entendido como a abertura de um canal ou a inauguração de uma obra de terra. À sua frente desfilam servidores com estandartes encimados por emblemas divinos, e de alguns desses mastros pendem aves amarradas, leitura tradicional para populações submetidas. O nome do soberano não vem escrito por extenso: um único sinal, o escorpião, basta para identificá-lo.
Escorpião II integra o grupo de governantes que os egiptólogos reúnem sob a designação convencional de Dinastia 0, conhecidos por túmulos em Abidos e por inscrições em vasos e etiquetas. A ordem em que esses reis se sucederam, e a relação de cada um com Narmer, seguem em discussão. O depósito de Hieracômpolis onde a maça foi encontrada era um acúmulo revolvido de objetos votivos de épocas diferentes, o que eliminou qualquer controle de camadas. A peça é hoje conservada em uma coleção universitária em Oxford.
Sobre a datação
A peça foi recolhida em um depósito remexido do templo, sem estratigrafia útil, e sua data vem do estilo e do paralelo com as etapas finais de Nacada. A posição de Escorpião II na sucessão continua discutida.
Importância histórica
A maça demonstra que a linguagem visual da realeza estava formada no sul antes da primeira dinastia: coroa, escala hierárquica das figuras, estandartes de culto e o rei executando um ato de fundação. Mostra também que um governante já podia ser nomeado por um sinal isolado, no limite entre insígnia e escrita. É a principal evidência de que a instituição da monarquia precedeu o Estado unificado, em vez de nascer com ele.
Consequências
- Atestou o uso da coroa branca e dos estandartes reais antes da I Dinastia.
- Ofereceu um dos primeiros nomes de governante egípcio identificáveis por um único sinal.
- Firmou a maça votiva e a paleta cerimonial como suportes da afirmação do poder real.
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