Eixo temático
Faraós
Reinados, corregências, coroações e disputas em torno do trono.
5 acontecimentos De c. 3200 – 3150 a.C. a c. 1155 a.C.
Período Pré-Dinástico
c. 5300 – 3000 a.C.
1 acontecimento
c. 3200 – 3150 a.C. Datação aproximada A maça do rei Escorpião mostra a realeza em formação Uma maça cerimonial de calcário achada no depósito principal do templo de Hieracômpolis mostra um rei com a coroa branca do Alto Egito abrindo a terra com uma enxada, cercado de portadores de estandartes. O…
- Localização
- Hieracômpolis, depósito principal do templo
Alto Egito - Dinastia
- Dinastia 0
- Governante
- Escorpião II
O objeto chegou fragmentado, mas o essencial da cena se conserva. O rei aparece em escala maior do que todas as outras figuras, tocado com a coroa alta do sul e segurando uma enxada, gesto normalmente entendido como a abertura de um canal ou a inauguração de uma obra de terra. À sua frente desfilam servidores com estandartes encimados por emblemas divinos, e de alguns desses mastros pendem aves amarradas, leitura tradicional para populações submetidas. O nome do soberano não vem escrito por extenso: um único sinal, o escorpião, basta para identificá-lo.
A peça foi recolhida em um depósito remexido do templo, sem estratigrafia útil, e sua data vem do estilo e do paralelo com as etapas finais de Nacada. A posição de Escorpião II na sucessão continua discutida.
Período Tinita
c. 3000 – 2686 a.C.
1 acontecimento
c. 2900 a.C. Datação em debate Merneite recebe honras reais em Abidos Em Umm el-Qaab foi construída, para uma mulher chamada Merneite, uma tumba de dimensões comparáveis às dos reis, cercada de sepulturas subsidiárias e marcada por estelas com seu nome. A regência que se costuma…
- Localização
- Umm el-Qaab, Abidos
Alto Egito - Dinastia
- I Dinastia
- Governante
- Merneite
Os elementos materiais são claros. A sepultura de Merneite em Abidos tem tamanho e planta equivalentes aos túmulos dos reis da mesma dinastia, com câmara central de tijolo, depósitos ao redor e um cinturão de covas de servidores, tratamento que nenhuma outra mulher do período recebeu. Duas estelas de pedra registram seu nome, e uma impressão de selo achada na tumba de Den a inclui em uma relação de soberanos, com o título de mãe do rei. É o conjunto mais antigo de honras funerárias de nível real concedidas a uma mulher no Egito.
A posição de Merneite depende de sua associação com Den, cujo reinado já é datado por aproximação, e nenhuma etiqueta de ano traz seu nome. O ano indicado é apenas uma referência dentro do intervalo estimado para essa parte da I Dinastia.
Segundo Período Intermediário
c. 1777 – 1550 a.C.
1 acontecimento
c. 1777 a.C. Datação aproximada Sobekneferu governa e encerra a XII Dinastia Filha de Amenemhat III, Sobekneferu assumiu o trono com titulatura real completa e governou pouco menos de quatro anos. Seu reinado fecha a XII Dinastia e é tomado aqui como limiar do longo intervalo de…
- Localização
- Itjtauy e Faium
Médio Egito - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Sobekneferu
Sobekneferu governou por direito próprio, com os cinco nomes da titulatura real, combinando formas masculinas e femininas nos textos, sem se apresentar como regente de ninguém. Suas estátuas, encontradas sem cabeça na região do Faium e no delta oriental, mostram uma figura vestindo o saiote e o manto cerimoniais do rei sobre a roupa feminina, solução de compromisso que a arte egípcia inventou para o caso. Ela acrescentou construções ao complexo funerário do pai em Hauara, deixou obra em Heracleópolis e teve o nome preservado nas listas reais posteriores. Seu túmulo não foi identificado com segurança; a atribuição de uma das pirâmides inacabadas de Mazguna continua sem prova.
Uma lista real conservada em Turim atribui ao reinado três anos, dez meses e vinte e quatro dias, mas a posição desse intervalo no calendário absoluto depende das observações lunares e dos sincronismos parciais que ancoram todo o Médio Império, com margem de algumas décadas.
Novo Império
c. 1550 – 1069 a.C.
2 acontecimentos
c. 1473 a.C. Datação aproximada Hatshepsut assume a realeza plena Viúva de Tutmés II, Hatshepsut governou primeiro como regente do enteado criança e, entre o segundo e o sétimo ano desse reinado, adotou titulatura real completa. A solução manteve os dois nomes no trono e foi…
- Localização
- Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Hatshepsut
Filha de Tutmés I e esposa principal de Tutmés II, Hatshepsut acumulava o cargo sacerdotal de Esposa Divina de Amon quando o marido morreu deixando um herdeiro muito jovem. As primeiras inscrições da regência a apresentam como grande esposa real que administra o país em nome do menino. Nos anos seguintes, os epítetos mudam: ela recebe os cinco nomes da titulatura faraônica, entre eles o prenome Maatkaré, e passa a ser representada com o pano de cabeça, o saiote curto e, em parte das imagens, a barba cerimonial do ofício, sem que o gênero feminino desapareça dos textos, onde formas masculinas e femininas alternam.
A passagem da regência à realeza é datada pelos anos de reinado de Tutmés III, que continuaram a ser contados durante toda a corregência, entre o ano dois e o ano sete. Convertida em datas absolutas, a transição varia cerca de dez anos segundo a cronologia adotada para o Novo Império.
c. 1155 a.C. Datação aproximada A conspiração do harém e o julgamento dos culpados Um grupo formado por uma esposa secundária do rei, seu filho e dezenas de funcionários de palácio tentou eliminar Ramsés III e colocar no trono o príncipe conhecido como Pentauer. Os papiros judiciais de Turim…
- Localização
- Corte real e tribunal de Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XX Dinastia
- Governante
- Ramsés III
A corte ramessida abrigava várias esposas reais e seus filhos, e a sucessão não seguia regra automática. A rainha Tiye, mãe do príncipe registrado nos documentos pelo nome Pentauer, articulou uma conspiração que envolveu mordomos, escribas do harém, chefes militares e funcionários do tesouro, com apoio buscado também fora do palácio. Um tribunal extraordinário de doze membros foi nomeado para julgar cerca de quarenta acusados. As sentenças incluíram execução, autorização para tirar a própria vida e mutilação; parte dos próprios juízes foi punida depois por conduta imprópria com as mulheres detidas.
Os papiros do processo não trazem data completa e são situados nos últimos anos de Ramsés III, cujo reinado terminou por volta de 1153 a.C. segundo a cronologia mais usada.
Outros eixos