c. 3320 – 3200 a.C. Datação em debate
Etiquetas de Abidos registram os primeiros sinais de escrita
Na tumba U-j, em Abidos, apareceram cerca de cento e cinquenta etiquetas de osso e marfim com sinais incisos, além de vasos com inscrições a tinta. Parte dos especialistas lê ali nomes de lugares e quantidades; outra parte contesta tanto essa leitura quanto a data proposta para o conjunto.
Período Pré-Dinástico Escrita escrita Abidos tumba U-j etiquetas
Contexto
A tumba é uma das maiores do cemitério U, com várias câmaras de tijolo e centenas de jarras importadas que continham vinho do Levante. As etiquetas têm poucos centímetros, são perfuradas para serem amarradas a mercadorias e trazem de um a três sinais incisos. A missão que as escavou entendeu esses grupos como nomes de propriedades, de localidades e indicações de quantidade, isto é, notação administrativa. Outros pesquisadores argumentam que marcas de identificação e de posse não bastam para caracterizar um sistema capaz de escrever a língua falada.
A datação segue igualmente aberta. A proposta mais antiga depende da etapa cerâmica atribuída ao conjunto e de análises do material a ele associado, e há quem situe a tumba um ou dois séculos depois. Isso afeta diretamente a comparação com a Mesopotâmia, onde as tabuletas mais antigas de Uruk são datadas por estratigrafia com margens semelhantes. As duas tradições aparecem dentro de uma janela que os métodos disponíveis não conseguem separar, e a questão da prioridade permanece sem resposta. Nada indica que um sistema tenha derivado do outro.
Sobre a datação
A datação alta proposta pela missão que escavou a tumba, em torno de 3320 a.C., apoia-se na etapa cerâmica e em análises do material associado; outros autores rebaixam o conjunto em um ou dois séculos. A leitura fonética dos sinais também é contestada.
Importância histórica
Seja qual for o desfecho do debate, a tumba U-j mostra que o registro gráfico egípcio nasceu ligado ao movimento de mercadorias: sinais que dizem de onde vem e quanto há daquilo que entra em um depósito ou em um túmulo. Essa origem administrativa explica por que os textos mais antigos do Egito são etiquetas e selos, e por que a escrita de frases completas só aparece séculos mais tarde, quando o mesmo repertório de sinais já servia a outras finalidades.
Consequências
- Situou o início do registro gráfico egípcio no controle de mercadorias, e não em textos religiosos.
- Forneceu o conjunto mais antigo de sinais egípcios em série, ainda de leitura contestada.
- Deslocou o debate sobre a origem da escrita para uma janela em que Egito e Mesopotâmia não se separam com segurança.
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