1912 d.C. Datação estabelecida
O busto de Nefertiti emerge das oficinas de Amarna
Em dezembro de 1912, uma missão alemã encontrou em Amarna a cabeça pintada de Nefertiti, deixada na oficina de um escultor da corte ao lado de estudos em gesso. A peça coube à parte alemã na repartição dos achados, e a forma como essa divisão foi feita é contestada desde então.
Descobertas arqueológicas Arqueologia Nefertiti Amarna Borchardt pedido de devolução
Contexto
A casa foi identificada como oficina pelo achado de uma peça de arreio em marfim com o nome do escultor Tutmés. Em um cômodo lateral estavam a cabeça pintada, apoiada no chão junto a uma parede, e um conjunto de estudos em gesso com rostos de integrantes da corte. A cabeça é de calcário revestido de estuque e pintado; um dos olhos recebeu embutido de cristal de rocha e o outro ficou vazio, o que indica peça de referência para uso interno da oficina, e não imagem destinada a culto. Os estudos em gesso esclareceram o método de trabalho: modelo, correção e transposição para pedra.
A repartição dos achados obedecia às regras então vigentes, que dividiam o material entre o serviço de antiguidades e a missão financiadora. Na divisão realizada em janeiro de 1913 a cabeça coube aos escavadores e seguiu para Berlim, onde só foi exposta em 1924. A publicidade da exposição desencadeou uma contestação que nunca se encerrou: autoridades egípcias pediram a devolução em várias ocasiões, e o museu manteve a recusa, sustentando a legalidade do procedimento adotado. O caso é citado com frequência sempre que se discute o destino de objetos saídos do Egito antes das leis atuais.
Importância histórica
A oficina de Tutmés é a evidência mais direta de como se produzia um retrato real no Egito antigo, com modelos de estudo, correções sucessivas e uma peça de referência mantida no ateliê. A cabeça pintada tornou-se, além disso, a imagem mais reproduzida da arte egípcia em todo o mundo, o que lhe deu um peso simbólico próprio. Sua história posterior transformou o objeto em referência obrigatória nas discussões sobre repartição de achados.
Consequências
- Revelou o funcionamento de uma oficina de escultura ligada diretamente à corte.
- Deu à arte do período de Amarna sua imagem mais divulgada.
- Alimentou uma contestação duradoura sobre a divisão de achados com missões estrangeiras.
- Mostrou o uso de modelos em gesso na produção de retratos reais.
Acontecimentos relacionados
-
c. 1345 a.C. Novo Império
A arte de Amarna rompe o cânone milenar
Crânios alongados, queixos salientes, ventres proeminentes e cenas de intimidade familiar substituíram o corpo idealizado da tradição. A grade de…
Arte -
c. 1346 a.C. Novo Império
A reforma de Aton e a fundação de Aquetáton
No quinto ano de reinado, o rei trocou o nome, transferiu a corte para um lugar sem culto anterior e impôs o serviço exclusivo do disco solar…
Mudanças religiosas -
1880 – 1900 d.C. Descobertas
Petrie transforma a escavação em método
Petrie substituiu a busca por peças notáveis pelo registro exaustivo de tudo o que aparecia em uma escavação, a começar pela cerâmica comum. A partir…
Arqueologia -
1858 d.C. Descobertas
Nasce o serviço de antiguidades e o museu do Cairo
A criação de um serviço de antiguidades em 1858 deu ao país uma autoridade encarregada de fiscalizar escavações e conter a saída de objetos…
Arqueologia