c. 1346 a.C. Datação aproximada
A reforma de Aton e a fundação de Aquetáton
No quinto ano de reinado, o rei trocou o nome, transferiu a corte para um lugar sem culto anterior e impôs o serviço exclusivo do disco solar. Templos de outros deuses foram fechados, seus bens redirecionados e o nome de Amon foi apagado de monumentos por todo o país.
Novo Império Mudanças religiosas Aton Amarna estelas de limite culto de Estado
Contexto
O culto do disco solar não era novidade: Aton aparece em textos desde o Médio Império e ganhou destaque já com Amenhotep III. A ruptura foi de outra ordem. O rei mandou construir em Karnak um santuário a céu aberto para Aton, o Gempaaton, feito com blocos pequenos de fácil manuseio, os talatate, e em seguida escolheu para nova capital uma planície na margem oriental do Nilo, delimitada por estelas gravadas na rocha que declaram o local como não pertencente a nenhum deus nem a nenhuma deusa. O nome adotado, Aquetáton, significa horizonte do disco solar, e o rei passou a chamar-se Aquenáton.
A reforma foi um programa de Estado, não uma pregação. As oficinas dos templos de Amon foram fechadas, seus recursos transferidos, os festivais suspensos e o nome do deus cinzelado inclusive em contextos particulares, atingindo até a palavra empregada no plural para designar os deuses. Aton deixou de ser figurado como homem ou animal e passou a ser mostrado apenas como o disco de raios terminados em mãos, acessível através do casal real. Até que ponto a religiosidade doméstica mudou é objeto de divergência: nas casas de Amarna foram encontrados amuletos e imagens de Bes e de Tueris, indício de que os cultos familiares seguiram vivos.
Sobre a datação
As estelas de limite da cidade datam a escolha do local do ano cinco do reinado, e a mudança de nome do rei ocorre no mesmo intervalo. Como o restante do período, as datas absolutas variam cerca de uma década conforme a cronologia adotada, apesar dos sincronismos com Hatti, a Assíria e a Babilônia.
Importância histórica
Chamar a reforma de primeiro monoteísmo exige qualificação. Ela restringiu o culto oficial a uma única divindade e negou as demais no plano do Estado, o que é excepcional na história egípcia, mas o rei permaneceu como intermediário indispensável e a devoção popular não foi extinta por decreto. O episódio é decisivo por mostrar até onde ia o poder faraônico sobre a esfera religiosa e por revelar, na reação posterior, a força institucional do clero e da tradição que ele havia tentado desmontar.
Consequências
- Transferiu a corte, a administração central e o culto de Estado para uma cidade construída em terreno virgem.
- Interrompeu os festivais e as rendas dos templos de Amon, com efeito imediato sobre a economia tebana.
- Impôs o apagamento do nome de Amon e da menção plural aos deuses em monumentos de todo o país.
- Provocou o abandono do local poucos anos depois da morte do rei e o desmonte de seus edifícios.
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