c. 2184 a.C. Datação aproximada
O longo reinado de Pepi II termina e o Estado se fragmenta
Pepi II chegou ao trono ainda criança e permaneceu nele por cerca de nove décadas, o reinado mais longo documentado no Egito. Quando morreu, os governadores das províncias já se comportavam como linhagens próprias, e a autoridade de Mênfis se dissolveu numa sucessão de reinados curtíssimos.
Primeiro Período Intermediário Dinastias Pepi II nomarcas sucessão Mênfis
Contexto
O começo do reinado, sob regência, ainda produziu monumentos de porte: uma pirâmide em Saqara Sul, decretos gravados em pedra para os templos de Coptos e expedições às pedreiras e ao Sinai. Com o passar das décadas, a escala das obras da corte diminui e o volume de isenções concedidas a templos e a funcionários aumenta, subtraindo receita da coroa. Ao mesmo tempo, os nomarcas passam a construir sepulturas grandes e decoradas nas próprias províncias, em Elefantina, Meir, Akhmim e Deir el-Gebrawi, com culto local em vez de enterramento junto ao rei.
A morte do soberano deixou o país sem herdeiro consolidado, depois de os filhos mais velhos terem morrido antes dele. As listas antigas registram para as duas dinastias seguintes dezenas de nomes em pouco mais de vinte anos, quase todos sem monumento identificável; a única sepultura real conhecida dessa fase é uma pirâmide minúscula em Saqara Sul. A administração central não desapareceu de um dia para o outro, mas perdeu a capacidade de arrecadar, de recrutar e de manter as expedições que sustentavam seu prestígio.
Sobre a datação
A duração do reinado depende de listas reais compiladas séculos depois e do resumo transmitido por Manetão: o número corrente é de noventa e quatro anos, e parte dos especialistas o reduz para pouco mais de sessenta.
Importância histórica
O fim da VI Dinastia é o caso mais estudado de desmonte gradual de um Estado antigo. Não houve invasão nem destruição das cidades: o que se observa é a transferência de recursos e de lealdade para o nível provincial, acompanhada de reinados curtos e sem meios. O episódio explica por que o poder seguinte se organizou em duas capitais regionais, e serve de referência comparativa para outros momentos de fragmentação da história egípcia.
Consequências
- Transformou cargos provinciais em posições hereditárias com culto funerário próprio.
- Interrompeu as grandes expedições de Estado à Núbia e ao Sinai.
- Abriu caminho para a ascensão de Heracleópolis como sede de governo no norte.
- Reduziu a arrecadação da coroa por meio de isenções concedidas a templos e funcionários.
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