c. 2112 a.C. Datação aproximada
Tebas se torna potência sob os Intef
Sob Intef II, o domínio tebano deixou de ser um nomo entre outros: a fronteira sul foi levada a Elefantina, a norte alcançou a região tinita e o soberano passou a usar titulatura real completa. Foram cerca de cinquenta anos de governo que prepararam a reunificação do país.
Primeiro Período Intermediário Dinastias Tebas Intef II Amon Elefantina
Contexto
A base do poder era o nomo de Tebas, até então de pouca expressão, cujos governantes controlavam a saída das rotas do deserto oriental e o trecho de rio que liga o vale a Elefantina. Intef II abandonou o título de nomarca, adotou nome de coroação e passou a se apresentar como rei. Sua sepultura em El-Tarif segue o modelo local de pátio escavado na encosta com fachada de pilares, e a estela que dela procede o mostra acompanhado de seus cães de caça, cada um com o nome inscrito.
A expansão foi feita por partes. Ao sul, a incorporação de Elefantina deu a Tebas o controle do tráfego com a Núbia e das pedreiras da região; ao norte, avanços sucessivos levaram a fronteira ao nomo tinita, onde ficava o santuário de Abidos. Ao mesmo tempo, o soberano investiu no culto de Amon, cujo primeiro registro construtivo conhecido em Karnak vem de seu reinado, e firmou alianças com famílias de Elkab e de Coptos. Seus sucessores herdaram um Estado com exército, fronteira definida e um deus dinástico em formação.
Sobre a datação
O reinado de Intef II é estimado em cerca de cinquenta anos a partir de suas próprias inscrições e da posição que ocupa na sequência tebana; os anos absolutos variam entre as cronologias.
Importância histórica
A ascensão dos Intef explica por que a reunificação partiu do sul e não do norte. Em duas gerações, um nomo periférico transformou-se em reino com titulatura, exército, culto oficial e política de fronteira. O reinado de Intef II também inaugura a associação entre Tebas e Amon que definiria a geografia religiosa egípcia pelos mil e quinhentos anos seguintes, e cria o modelo de expansão gradual que Mentuhotep II usaria para concluir a conquista.
Consequências
- Levou a fronteira meridional tebana até Elefantina e ao tráfego com a Núbia.
- Substituiu o título de nomarca pela titulatura real completa no sul.
- Iniciou a construção em Karnak e a promoção de Amon como deus dinástico.
- Deixou aos sucessores uma frente militar estabelecida no nomo tinita.
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