Eixo temático
Dinastias
Fundação, sucessão, divisão e fim das linhagens que governaram o Egito.
11 acontecimentos De c. 3000 a.C. a 30 a.C.
Período Tinita
c. 3000 – 2686 a.C.
1 acontecimento
c. 3000 a.C. Datação aproximada Unificação do Egito e a paleta de Narmer A paleta de Narmer, uma placa de siltito de mais de sessenta centímetros achada em Hieracômpolis, mostra o rei abatendo um cativo de joelhos e, no outro lado, desfilando entre inimigos decapitados. É uma…
- Localização
- Hieracômpolis, com alcance sobre todo o vale e o delta
Alto Egito - Dinastia
- I Dinastia
- Governante
- Narmer
As duas faces da peça foram esculpidas em registros sobrepostos. Em uma delas, o rei usa a coroa branca do Alto Egito e ergue uma maça sobre um prisioneiro ajoelhado, enquanto um falcão segura pela boca a cabeça de outro adversário. Na face oposta, ele aparece com a coroa vermelha do Baixo Egito à frente de portadores de estandartes, diante de corpos decapitados; abaixo, um touro derruba a muralha de um recinto fortificado, e no alto felinos de pescoço entrelaçado emolduram a cavidade circular de moer pigmento. A reunião das duas coroas em um objeto só é o que sustenta a leitura de domínio sobre as duas metades do país.
O reinado de Narmer é situado por volta de 3000 a.C. a partir da sequência cerâmica e de modelos estatísticos de datação por radiocarbono. Não há eclipse, sincronismo com outro reino ou documento contemporâneo que permita fixar o ano.
Primeiro Período Intermediário
c. 2181 – 2055 a.C.
3 acontecimentos
c. 2184 a.C. Datação aproximada O longo reinado de Pepi II termina e o Estado se fragmenta Pepi II chegou ao trono ainda criança e permaneceu nele por cerca de nove décadas, o reinado mais longo documentado no Egito. Quando morreu, os governadores das províncias já se comportavam como linhagens…
- Localização
- Mênfis e províncias do Alto Egito
Todo o Egito - Dinastia
- VI Dinastia
- Governante
- Pepi II
O começo do reinado, sob regência, ainda produziu monumentos de porte: uma pirâmide em Saqara Sul, decretos gravados em pedra para os templos de Coptos e expedições às pedreiras e ao Sinai. Com o passar das décadas, a escala das obras da corte diminui e o volume de isenções concedidas a templos e a funcionários aumenta, subtraindo receita da coroa. Ao mesmo tempo, os nomarcas passam a construir sepulturas grandes e decoradas nas próprias províncias, em Elefantina, Meir, Akhmim e Deir el-Gebrawi, com culto local em vez de enterramento junto ao rei.
A duração do reinado depende de listas reais compiladas séculos depois e do resumo transmitido por Manetão: o número corrente é de noventa e quatro anos, e parte dos especialistas o reduz para pouco mais de sessenta.
c. 2160 a.C. Datação aproximada Os reis de Heracleópolis governam o norte Com Mênfis esvaziada, uma linhagem instalada em Heracleópolis Magna assumiu o governo do norte e do Médio Egito. Apoiada nos nomarcas de Assiute, manteve por mais de um século administração própria, uma frente…
- Localização
- Heracleópolis Magna, na entrada do Faium
Médio Egito - Dinastia
- IX e X Dinastias
- Governante
- Kheti de Heracleópolis
A cidade ficava na entrada da depressão do Faium, controlando o canal que distribui água para a região e a passagem entre o vale e o norte. É uma escolha de posição, não de tradição: Heracleópolis não tinha peso religioso comparável ao de Mênfis ou de Abidos. O que se sabe desses reis vem sobretudo de uma lista real copiada mil anos mais tarde, hoje fragmentária, e de menções feitas por seus aliados; a arqueologia da própria cidade nesse período é escassa, e nenhum palácio da fase foi identificado.
A sequência e a duração desses reinados vêm de listas posteriores muito danificadas; nem o número de soberanos nem a ordem entre eles podem ser fixados com segurança.
c. 2112 a.C. Datação aproximada Tebas se torna potência sob os Intef Sob Intef II, o domínio tebano deixou de ser um nomo entre outros: a fronteira sul foi levada a Elefantina, a norte alcançou a região tinita e o soberano passou a usar titulatura real completa. Foram cerca de…
- Localização
- Tebas e o nomo de Abidos
Alto Egito - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Intef II
A base do poder era o nomo de Tebas, até então de pouca expressão, cujos governantes controlavam a saída das rotas do deserto oriental e o trecho de rio que liga o vale a Elefantina. Intef II abandonou o título de nomarca, adotou nome de coroação e passou a se apresentar como rei. Sua sepultura em El-Tarif segue o modelo local de pátio escavado na encosta com fachada de pilares, e a estela que dela procede o mostra acompanhado de seus cães de caça, cada um com o nome inscrito.
O reinado de Intef II é estimado em cerca de cinquenta anos a partir de suas próprias inscrições e da posição que ocupa na sequência tebana; os anos absolutos variam entre as cronologias.
Médio Império
c. 2055 – 1650 a.C.
1 acontecimento
c. 2055 a.C. Datação aproximada Mentuhotep II reunifica o Egito Depois de mais de um século com o país repartido, o rei tebano Nebhepetre Mentuhotep II submeteu o reino de Heracleópolis e voltou a governar o vale e o delta sob um comando único. A mudança ficou registrada…
- Localização
- Tebas, com campanha até Heracleópolis
Alto Egito - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Mentuhotep II
Ao assumir o trono, Mentuhotep II governava uma faixa que ia de Elefantina ao limite norte do nomo de Abidos, herdada dos Intef. O avanço sobre Heracleópolis levou décadas e foi interrompido por uma revolta no próprio sul, provavelmente na região de Tinis, antes de a tropa tebana descer o rio. A sepultura coletiva de sessenta soldados escavada em Deir el-Bahari, com corpos marcados por flechas de haste curta, é a evidência física mais direta desse esforço militar. O rei anunciou o resultado no seu nome de Hórus: trocou-o duas vezes e terminou como Sematauy, aquele que une as Duas Terras.
Os anos absolutos do Médio Império derivam de observações lunares anotadas em arquivos de templo e de sincronismos parciais com o Levante, e não de uma contagem contínua. Para este reinado, a margem em uso entre os especialistas chega a algumas décadas.
Segundo Período Intermediário
c. 1777 – 1550 a.C.
1 acontecimento
c. 1650 a.C. Datação aproximada Os hicsos assumem o governo do norte Os chefes instalados em Avaris tomaram o poder sobre o norte do Egito e formaram a XV Dinastia. O termo hicsos vem de uma expressão egípcia para governante de terra estrangeira, e a tomada do poder foi o…
- Localização
- Avaris e Mênfis
Baixo Egito - Dinastia
- XV Dinastia
- Governante
- Não atribuído
A sequência dos fatos, tanto quanto se pode reconstruí-la, é esta: a linhagem que governava desde Itjtauy perdeu o controle de Mênfis e recuou para o sul, e a autoridade sobre o delta e o Médio Egito passou aos senhores de Avaris. Foram poucos reis, alguns com reinados longos, entre eles Khyan e Apepi. Adotaram a titulatura egípcia, empregaram escribas egípcios, mantiveram cultos e templos em funcionamento e cobraram tributo de Tebas em algum momento. Selos com o nome de Khyan aparecem de Creta à Anatólia, indício de uma rede comercial ativa. Achados recentes de lacres em Edfu sugerem que sua posição na sequência dinástica precisa ser revista, e a ordem dos reinados permanece em aberto.
A duração da dinastia é estimada em cerca de um século por listas reais e por resumos antigos, e sua ordem interna continua discutida. As datas absolutas seguem dependentes das mesmas âncoras lunares e sincronismos parciais usados para o Médio Império.
Terceiro Período Intermediário
c. 1069 – 664 a.C.
1 acontecimento
c. 1069 a.C. Datação aproximada Smendes funda a XXI Dinastia em Tânis Com a morte de Ramsés XI, Smendes assumiu o governo do norte a partir de Tânis e fundou a XXI Dinastia. A nova capital foi erguida em boa parte com pedra retirada de Pi-Ramsés, abandonada porque o braço do…
- Localização
- Tânis, no delta oriental
Baixo Egito - Dinastia
- XXI Dinastia
- Governante
- Smendes
A mudança de capital foi ditada pela hidrografia. Pi-Ramsés dependia de um braço pelusíaco que assoreou, deixando a cidade sem porto e sem água corrente suficiente. Tânis, mais ao norte, ficava sobre um ramo ativo, e para lá foram levados obeliscos, colunas, portais e estátuas dos monumentos ramessidas, reempregados em templos novos dedicados a Amon, Mut e Khonsu, à maneira do santuário de Karnak. O resultado é um lugar em que quase toda pedra inscrita carrega o nome de um rei anterior.
A data corresponde à morte de Ramsés XI segundo a cronologia mais aceita; a duração de vinte e seis anos atribuída a Smendes vem da tradição de Manetão e não é confirmada por documentos contemporâneos.
Época Baixa
c. 664 – 332 a.C.
2 acontecimentos
656 a.C. Datação aproximada Psamético I reunifica o Egito e rompe com a Assíria Instalado no delta como vassalo assírio, Psamético I aproveitou o desgaste militar de Nínive para submeter os principados vizinhos e obter o reconhecimento de sua autoridade em Tebas. Em 656 a.C. o Egito…
- Localização
- Sais, Mênfis e Tebas
Todo o Egito - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Psamético I
A XXVI Dinastia nasceu de uma derrota. Depois de duas invasões assírias, Sais era apenas um dos principados do delta reconhecidos por Nínive, e Necao I governava com o consentimento de Assurbanipal. Seu filho Psamético chegou a receber um nome de corte assírio e um distrito em Atribis antes de assumir a herança paterna, por volta de 664 a.C., quando o pai morreu no confronto com o último rei cuxita. O que restava era um país partido em três: um delta de dinastas rivais, um Médio Egito de lealdades incertas e uma Tebas administrada por famílias sacerdotais que havia servido à dinastia núbia.
A duração do reinado é firme, mas 656 a.C. marca apenas o momento em que a autoridade saíta foi aceita em Tebas. A reunificação foi um processo distribuído pelos oito primeiros anos de governo.
343 a.C. Datação estabelecida Nectanebo II e o fim da última independência egípcia Nectanebo II sustentou o trono por dezessete anos com generais gregos a soldo e um programa de obras em quase todos os templos do país. Em 343 a.C. as defesas do delta cederam ao ataque de Artaxerxes III, e o…
- Localização
- Delta oriental, Mênfis e Alto Egito
Todo o Egito - Dinastia
- XXX Dinastia
- Governante
- Nectanebo II
A independência recuperada em 404 a.C. dependia de dois pilares: alianças no Egeu e no Levante, que mantinham a Pérsia ocupada, e comandantes gregos contratados para treinar e liderar as tropas. Nectanebo II chegou ao poder por volta de 360 a.C., depois de afastar o antecessor, e usou os dois recursos com competência. Em 351 a.C. repeliu uma invasão persa com o apoio de oficiais atenienses e, nos anos seguintes, financiou a revolta de Sídon e das cidades de Chipre, o que atrasou ainda mais qualquer novo ataque, mas também garantiu que ele viria.
Período Ptolemaico
332 – 30 a.C.
1 acontecimento
332 – 331 a.C. Datação estabelecida Alexandre entra no Egito e funda Alexandria O sátrapa persa entregou o país praticamente sem resistência no fim de 332 a.C. Em Mênfis, Alexandre sacrificou aos deuses locais e foi reconhecido como faraó; meses depois escolheu, junto à ilha de Faros, o…
- Localização
- Mênfis e a costa junto à ilha de Faros
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia argéada
- Governante
- Alexandre III da Macedônia
A guarnição persa do Egito estava enfraquecida desde a derrota de Isso, e o sátrapa Mazaces não tinha exército para oferecer. Entregou o tesouro e as praças fortes, e a coluna macedônia entrou por Pelúsio e subiu o rio até Mênfis sem combater. Ali Alexandre ofereceu sacrifício ao touro Ápis e aos demais deuses egípcios, organizou competições atléticas e musicais com artistas trazidos da Grécia e foi reconhecido como soberano do país. Os relatos de uma cerimônia de coroação completa são muito posteriores, mas os templos egípcios o representam com titulatura faraônica plena, como no santuário que mandou erguer em Luxor.
Domínio romano
30 a.C. – 641 d.C.
1 acontecimento
30 a.C. Datação estabelecida Otaviano anexa o Egito como província imperial A queda de Alexandria, em 30 a.C., encerrou três séculos de governo ptolemaico e transformou o Egito em província romana. Otaviano reservou o território para si: em vez de entregá-lo ao Senado, nomeou um…
- Localização
- Alexandria
Baixo Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Augusto
A anexação não exigiu a criação de uma máquina administrativa nova. Os Ptolomeus já haviam montado um sistema de cadastro de terras, arrendamento e cobrança em grão que Roma julgou eficiente o bastante para preservar quase intacto, trocando apenas o topo da hierarquia. Alexandria perdeu o conselho municipal que possuía sob os reis e ficou sob vigilância estreita, condição que só seria revista dois séculos depois. O primeiro prefeito, Caio Cornélio Galo, reprimiu levantes no Alto Egito e mandou gravar o relato de sua atuação em uma estela trilíngue erguida em Filas, gesto que lhe custaria o cargo e a vida.
Outros eixos