c. 1080 a.C. Datação aproximada
Herihor divide o poder e Tebas passa ao clero de Amon
Sumo sacerdote de Amon, general e vice-rei de Cuxe, Herihor passou a escrever seu nome em cartelas reais nas paredes do templo de Khonsu, em Karnak, enquanto Ramsés XI continuava a ser o rei pelo qual se datavam os documentos. O sul deixou de ser governado pelo palácio.
Terceiro Período Intermediário Administração sumo sacerdócio Karnak divisão do país transição
Contexto
O acúmulo de cargos explica o que aconteceu. Desde o reinado de Ramsés III, o templo de Amon controlava terras, rebanhos, oficinas e frotas em escala comparável à do próprio Estado, e no fim da XX Dinastia o pontificado tebano passou a somar o comando militar do Alto Egito e a autoridade sobre a Núbia. Herihor reuniu essas funções e adotou parte da titulatura reservada aos faraós, com o nome inscrito em cartela e representações em tamanho real ao lado dos deuses, sem nunca reivindicar o trono no delta.
Este acontecimento está na fronteira entre dois períodos. Pela contagem dinástica, Herihor pertence à XX Dinastia e ao Novo Império, e os documentos do sul continuaram datados pelos anos de reinado de Ramsés XI, dentro da era chamada Repetição dos Nascimentos. Pelo funcionamento efetivo do país, porém, ele inaugura o arranjo que define o Terceiro Período Intermediário: um rei no norte e uma administração sacerdotal autônoma em Tebas, cada uma com seu exército, seus celeiros e sua diplomacia.
Sobre a datação
A datação depende da correlação entre os anos da era chamada Repetição dos Nascimentos e o reinado de Ramsés XI. A ordem entre Herihor e o pontífice Piankh no comando de Tebas foi revista pela pesquisa recente e continua discutida.
Importância histórica
A divisão inaugurada em Tebas durou mais de quatro séculos e condicionou tudo o que veio depois: dinastias no delta obrigadas a negociar com o clero do sul, casamentos e adoções usados como instrumento de controle, um Egito de dois centros. Herihor mostra também que o poder podia mudar de mãos sem batalha nem ruptura formal, apenas pela concentração de cargos em uma única pessoa e pela alteração silenciosa de quem paga, arma e nomeia.
Consequências
- Tebas passou a ser administrada por sumos sacerdotes com prerrogativas de soberano.
- A Núbia deixou de responder a uma autoridade nomeada pelo palácio do norte.
- As terras e os celeiros do templo de Amon tornaram-se a base material do governo do sul.
- A titulatura real deixou de ser exclusiva de quem ocupava o trono.
Acontecimentos relacionados
-
c. 1075 a.C. 3.º Intermediário
A viagem de Unamon expõe o declínio do prestígio egípcio
Enviado de Tebas para comprar madeira de cedro destinada à barca de Amon, Unamon foi assaltado em Dor, esperou meses em Biblos e ouviu do príncipe…
Comércio -
c. 1110 a.C. Novo Império
Os processos por saque de tumbas reais
Uma comissão nomeada no reinado de Ramsés IX inspecionou as necrópoles de Tebas ocidental e instruiu processos contra ladrões de tumbas. Os papiros…
Administração -
c. 1069 a.C. 3.º Intermediário
Smendes funda a XXI Dinastia em Tânis
Com a morte de Ramsés XI, Smendes assumiu o governo do norte a partir de Tânis e fundou a XXI Dinastia. A nova capital foi erguida em boa parte com…
Dinastias -
c. 750 a.C. 3.º Intermediário
A Esposa Divina de Amon concentra poder em Tebas
O título de Esposa Divina de Amon, antigo mas secundário, tornou-se no primeiro milênio o cargo mais poderoso de Tebas. Ocupado por filhas de reis…
Mudanças religiosas