MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

c. 1186 – 1069 a.C.

XX Dinastia

Começa com a defesa do país contra invasões vindas do mar e da Líbia e termina em crise: inflação de grãos, greves de trabalhadores, saques de tumbas e perda do controle sobre o Levante e a Núbia.

Novo Império 7 acontecimentos

Cronologia

Acontecimentos atribuídos à XX Dinastia

1177 a.C. Datação aproximada Ramsés III enfrenta os povos do mar No ano oito de Ramsés III, o Egito enfrentou por terra e por água grupos designados nos textos como peleset, tjeker, chequelech, denien e uechech. As paredes do templo de Medinet Habu registram os combates… Guerras XX Dinastia Ramsés III Baixo Egito
Localização
Bocas do delta e fronteira do Sinai
Baixo Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés III

O período em torno de mil e duzentos anos antes da era comum viu ruir vários centros do Mediterrâneo oriental: Hatti perdeu a capital, Ugarite foi abandonada, cidades micênicas foram destruídas. A expressão povos do mar é uma criação de estudiosos do século dezenove e reúne, sob um rótulo único, populações de origens distintas. Os nomes registrados nos textos egípcios correspondem a grupos que aparecem em contextos variados: alguns como atacantes, outros como soldados já contratados por egípcios e hititas, outros ainda como famílias em deslocamento, com carros de bois e mulheres representadas ao lado dos combatentes.

O ano oito de Ramsés III é indicado pelos textos do templo de Medinet Habu, mas sua conversão em data absoluta varia entre as cronologias propostas para o início da XX Dinastia.

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c. 1157 a.C. Datação aproximada A primeira greve de trabalhadores registrada No ano vinte e nove de Ramsés III, os operários encarregados das tumbas reais deixaram o trabalho e ocuparam os pátios dos templos funerários de Tebas ocidental porque as rações de grão estavam atrasadas. O… Vida cotidiana XX Dinastia Ramsés III Alto Egito
Localização
Deir el-Medina e templo de Medinet Habu
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés III

Os homens de Deir el-Medina não recebiam moeda, e sim uma remuneração em espécie entregue pela administração do tesouro: trigo e cevada em quantidade fixa por mês, além de peixe, lenha, óleo, cerveja e roupas. Quando o grão atrasava, faltava alimento em casa no mesmo mês. No segundo mês da estação de peret, com dezoito dias de atraso acumulado, a equipe cruzou os muros do recinto e sentou-se atrás do templo funerário de Tutmés III, seguindo nos dias seguintes para o Rameseu e para Medinet Habu, onde ficavam os celeiros e a administração local.

O papiro data a paralisação do ano vinte e nove de Ramsés III, com dia e mês precisos; a correspondência desse ano com a escala absoluta depende da cronologia adotada para o reinado.

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c. 1155 a.C. Datação aproximada A conspiração do harém e o julgamento dos culpados Um grupo formado por uma esposa secundária do rei, seu filho e dezenas de funcionários de palácio tentou eliminar Ramsés III e colocar no trono o príncipe conhecido como Pentauer. Os papiros judiciais de Turim… Faraós XX Dinastia Ramsés III Alto Egito
Localização
Corte real e tribunal de Tebas
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés III

A corte ramessida abrigava várias esposas reais e seus filhos, e a sucessão não seguia regra automática. A rainha Tiye, mãe do príncipe registrado nos documentos pelo nome Pentauer, articulou uma conspiração que envolveu mordomos, escribas do harém, chefes militares e funcionários do tesouro, com apoio buscado também fora do palácio. Um tribunal extraordinário de doze membros foi nomeado para julgar cerca de quarenta acusados. As sentenças incluíram execução, autorização para tirar a própria vida e mutilação; parte dos próprios juízes foi punida depois por conduta imprópria com as mulheres detidas.

Os papiros do processo não trazem data completa e são situados nos últimos anos de Ramsés III, cujo reinado terminou por volta de 1153 a.C. segundo a cronologia mais usada.

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c. 1150 a.C. Datação aproximada A mumificação atinge seu ponto técnico mais alto Nas oficinas funerárias de Tebas ocidental, o tratamento dos corpos alcançou no fim do Novo Império seu maior refinamento, com rostos preservados em aparência natural, membros preenchidos e posição cuidada. O… Medicina XX Dinastia Ramsés IV Alto Egito
Localização
Oficinas funerárias de Tebas ocidental
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés IV

O objetivo declarado nos textos não era conservar um cadáver, mas produzir um corpo capaz de receber culto e de participar da existência posterior, identificado a Osíris. O trabalho começava com a retirada dos órgãos internos por uma incisão no flanco esquerdo e com o tratamento da cabeça; seguia-se a dessecação com natrão, sal natural recolhido no Uádi Natrum, por cerca de quarenta dias. Depois vinham lavagens, aplicação de resinas e óleos vegetais, preenchimento das cavidades e o enfaixamento em muitas camadas de linho, com amuletos colocados em pontos determinados.

Não se trata de um acontecimento datável, mas de um patamar alcançado ao longo da XX Dinastia e mantido na seguinte; a data indicada serve apenas para situar esse momento na sequência.

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c. 1110 a.C. Datação aproximada Os processos por saque de tumbas reais Uma comissão nomeada no reinado de Ramsés IX inspecionou as necrópoles de Tebas ocidental e instruiu processos contra ladrões de tumbas. Os papiros do caso trazem confissões, listas de bens desviados e a… Administração XX Dinastia Ramsés IX Alto Egito
Localização
Tebas ocidental e tribunal da cidade
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés IX

A crise do fim da XX Dinastia, com preços de grão instáveis e pagamentos atrasados, atingiu também os responsáveis pela vigilância das necrópoles. No ano dezesseis de Ramsés IX, o prefeito de Tebas oriental acusou formalmente a administração da margem ocidental de omissão diante de arrombamentos. Uma comissão percorreu tumbas reais e particulares e apresentou relatório: a maior parte das sepulturas de reis estava intacta, mas a de um soberano da XVII Dinastia havia sido violada e muitos túmulos de nobres, esvaziados.

A investigação principal é datada do ano dezesseis de Ramsés IX; a duração exata do reinado e sua posição na escala absoluta variam algumas unidades entre as reconstruções.

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c. 1080 a.C. Datação aproximada Herihor divide o poder e Tebas passa ao clero de Amon Sumo sacerdote de Amon, general e vice-rei de Cuxe, Herihor passou a escrever seu nome em cartelas reais nas paredes do templo de Khonsu, em Karnak, enquanto Ramsés XI continuava a ser o rei pelo qual se… Administração XX Dinastia Herihor Alto Egito
Localização
Karnak e Tebas
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Herihor

O acúmulo de cargos explica o que aconteceu. Desde o reinado de Ramsés III, o templo de Amon controlava terras, rebanhos, oficinas e frotas em escala comparável à do próprio Estado, e no fim da XX Dinastia o pontificado tebano passou a somar o comando militar do Alto Egito e a autoridade sobre a Núbia. Herihor reuniu essas funções e adotou parte da titulatura reservada aos faraós, com o nome inscrito em cartela e representações em tamanho real ao lado dos deuses, sem nunca reivindicar o trono no delta.

A datação depende da correlação entre os anos da era chamada Repetição dos Nascimentos e o reinado de Ramsés XI. A ordem entre Herihor e o pontífice Piankh no comando de Tebas foi revista pela pesquisa recente e continua discutida.

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c. 1075 a.C. Datação aproximada A viagem de Unamon expõe o declínio do prestígio egípcio Enviado de Tebas para comprar madeira de cedro destinada à barca de Amon, Unamon foi assaltado em Dor, esperou meses em Biblos e ouviu do príncipe local que o Egito precisaria pagar pelo que antes recebia por… Comércio XX Dinastia Ramsés XI Levante e Síria
Localização
Biblos, Dor e a costa fenícia
Levante e Síria
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés XI

O documento chegou até nós em um papiro encontrado em el-Hibeh, no Médio Egito, e narra em primeira pessoa a missão de um funcionário do templo de Amon. Unamon parte com pouca prata e uma imagem portátil do deus, é roubado no porto de Dor, discute compensações, chega a Biblos e é mantido à espera pelo príncipe Zacarbaal. Quando finalmente é recebido, ouve que os antepassados do príncipe forneciam madeira porque eram pagos, e não porque devessem obediência, e que os registros do arquivo local comprovavam os pagamentos.

O relato usa o quinto ano de uma era contada em Tebas, e não um ano de reinado, o que deixa margem de alguns anos na conversão para datas absolutas.

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