c. 2560 a.C. Datação aproximada
O porto de Uádi el-Jarf e os arquivos de bordo mais antigos
Na costa do Mar Vermelho, equipes do reinado de Quéops abriram trinta galerias na rocha para guardar barcos desmontados e ergueram um quebra-mar de pedra em forma de gancho. Entre os depósitos selados apareceram os papiros escritos mais antigos conhecidos, com contas e o diário de um inspetor chamado Merer.
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Contexto
O ancoradouro fica a cerca de cento e oitenta quilômetros ao sul de Suez, em frente à região mineira do sul do Sinai, e funcionava por temporadas: as embarcações eram desmontadas e guardadas nas galerias, junto com cordas, âncoras de pedra e jarras de provisão, e o pessoal deixava o lugar até a expedição seguinte. Escavações conduzidas a partir de 2011 identificaram o quebra-mar submerso, os alojamentos e os depósitos que os próprios egípcios fecharam com blocos ao abandonar o porto.
Nos entulhos de vedação estavam centenas de fragmentos de papiro com escrita cursiva. Uma parte é contabilidade de rações de pão, cerveja e tecido; outra é um registro diário mantido pelo inspetor Merer, chefe de uma equipe de algumas dezenas de homens encarregada de levar calcário das pedreiras de Tura até o canteiro de Gizé, com o tempo de cada travessia anotado. Os textos mencionam o príncipe Ankhaf como responsável pelos trabalhos e descrevem uma cadeia de comando escrita, com prestação de contas por escrito em cada etapa.
Sobre a datação
Os documentos trazem datas contadas por anos de recenseamento de gado do reinado de Quéops, o que permite ordená-los entre si, mas não convertê-los em anos absolutos com precisão.
Importância histórica
Antes desse achado, a administração do canteiro de Gizé era reconstruída sobre indícios indiretos. Os papiros mostram, dia a dia, quem transportava o que, quanto recebia e a quem respondia, e ligam o Mar Vermelho, o Sinai e o vale do Nilo numa mesma operação de Estado. São também a prova material mais antiga do uso do papiro como suporte de arquivo, e o único conjunto documental do Antigo Império recuperado no lugar em que foi guardado.
Consequências
- Comprovou a existência de um porto de Estado no Mar Vermelho já na IV Dinastia.
- Forneceu o nome, a rotina e a ração de uma equipe de transporte ligada a Gizé.
- Ancorou a cronologia interna do reinado de Quéops em datas de recenseamento.
- Documentou a prática de guardar embarcações desmontadas entre temporadas de navegação.
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