MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

Eixo temático

Comércio

Rotas, expedições, portos, mineração e circulação de mercadorias e metais.

11 acontecimentos De c. 4000 – 3400 a.C. a c. 570 a.C.

Período Pré-Dinástico

c. 5300 – 3000 a.C.

2 acontecimentos

c. 4000 – 3400 a.C. Datação aproximada Maadi e Buto ligam o delta ao Levante Maadi, ao sul do Cairo atual, e Buto, no delta ocidental, concentraram no norte um tráfego regular com o Levante: jarras cananeias em quantidade, minério de cobre, betume do Mar Morto e cômodos semienterrados… Comércio Baixo Egito
Localização
Maadi, ao sul do Cairo atual, e Buto, no delta ocidental
Baixo Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

Maadi funcionava como ponto de troca. Suas camadas guardam recipientes de fabricação levantina em número alto demais para presentes ocasionais, minério e lingotes de cobre provavelmente vindos da região do Arabá, vasos de basalto e blocos de betume do Mar Morto. Parte das construções consiste em cômodos escavados no solo com acesso em rampa, solução comum no norte do Negueve e sem paralelo egípcio, o que sugere a presença de gente de fora morando no lugar. Ossos de asno indicam transporte por caravana pela costa do norte do Sinai.

O intervalo cobre várias fases da cultura do Baixo Egito e é ancorado principalmente em correlações entre a cerâmica local e as sequências do sul do Levante, com apoio pontual de análises de laboratório.

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c. 3500 – 3200 a.C. Datação aproximada Nacada II expande o comércio de longa distância A fase de Nacada II trouxe as jarras de asa ondulada, os vasos decorados com frotas de barcos e, acima de tudo, matérias-primas de origem remota: lápis-lazúli do Afeganistão, obsidiana da área do Mar Vermelho… Comércio Alto Egito
Localização
Nacada, Hieracômpolis e Abidos
Alto Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

Nacada, Hieracômpolis e Abidos deixam de ser aldeias grandes e passam a ser centros com bairros de oficinas, cemitérios hierarquizados e sepulturas de câmara múltipla. O artesanato acompanha essa mudança: facas de sílex com lascamento por pressão em lâminas paralelas, vasos torneados em pedra dura, joias de ouro e de contas importadas. Nada disso se explica sem produção especializada em tempo integral, o que por sua vez exige que alguém garanta o alimento de quem produz. As matérias-primas exóticas percorriam distâncias de milhares de quilômetros até chegar ao vale.

A fase se subdivide em etapas reconhecidas pela cerâmica, e cada uma recebe datas ligeiramente diferentes conforme o modelo cronológico adotado. O intervalo usado aqui é o mais corrente entre os especialistas.

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Período Tinita

c. 3000 – 2686 a.C.

1 acontecimento

c. 2940 a.C. Datação aproximada Primeiras expedições de Estado ao Sinai Painéis gravados na rocha do sul do Sinai trazem nomes dos primeiros reis egípcios ao lado de barcos e de sinais de posse, indício de que a coroa já enviava turmas à península em busca de turquesa e de minério… Comércio I Dinastia Djer Sinai
Localização
Uádi Magara, no sul do Sinai
Sinai
Dinastia
I Dinastia
Governante
Djer

As inscrições estão distribuídas por uádis do sudoeste da península, gravadas em paredões junto a rotas de acesso. Ao lado dos nomes reais aparecem embarcações, o que sugere chegada por mar através do golfo de Suez e depois marcha para o interior, e não a travessia terrestre pelo norte. A turquesa extraída ali foi usada em joias recolhidas nos túmulos de Abidos, e o cobre alimentava a produção de ferramentas, agulhas e recipientes que o vale não tinha como obter em quantidade por outros meios.

Os painéis gravados na rocha nomeiam reis, mas não contam anos: a expedição é atribuída ao reinado de Djer pela leitura desses nomes, e sua posição absoluta depende da cronologia adotada para a I Dinastia.

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Antigo Império

c. 2686 – 2181 a.C.

3 acontecimentos

c. 2560 a.C. Datação aproximada O porto de Uádi el-Jarf e os arquivos de bordo mais antigos Na costa do Mar Vermelho, equipes do reinado de Quéops abriram trinta galerias na rocha para guardar barcos desmontados e ergueram um quebra-mar de pedra em forma de gancho. Entre os depósitos selados… Comércio IV Dinastia Quéops Deserto Oriental e Mar Vermelho
Localização
Uádi el-Jarf, costa do Mar Vermelho
Deserto Oriental e Mar Vermelho
Dinastia
IV Dinastia
Governante
Quéops

O ancoradouro fica a cerca de cento e oitenta quilômetros ao sul de Suez, em frente à região mineira do sul do Sinai, e funcionava por temporadas: as embarcações eram desmontadas e guardadas nas galerias, junto com cordas, âncoras de pedra e jarras de provisão, e o pessoal deixava o lugar até a expedição seguinte. Escavações conduzidas a partir de 2011 identificaram o quebra-mar submerso, os alojamentos e os depósitos que os próprios egípcios fecharam com blocos ao abandonar o porto.

Os documentos trazem datas contadas por anos de recenseamento de gado do reinado de Quéops, o que permite ordená-los entre si, mas não convertê-los em anos absolutos com precisão.

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c. 2480 a.C. Datação aproximada A primeira expedição naval registrada ao Punt Relevos do templo funerário de Sahuré, em Abusir, mostram navios de alto-mar chegando carregados e tripulações em festa. A lista de anais gravada em pedra credita ao reinado a entrada de grandes quantidades de… Comércio V Dinastia Sahuré Deserto Oriental e Mar Vermelho
Localização
Costa do Mar Vermelho, com destino ao Punt
Deserto Oriental e Mar Vermelho
Dinastia
V Dinastia
Governante
Sahuré

O Punt era uma região alcançada pelo Mar Vermelho, provavelmente na costa africana ao sul do Egito, entre o litoral do Sudão e o Corno de África; sua localização exata continua sem definição. A viagem combinava duas etapas: travessia do deserto oriental por caravana até um ancoradouro, montagem no local de embarcações trazidas em peças e, então, navegação costeira de várias semanas. A carga de retorno consistia em resinas aromáticas, ouro branco, ébano, marfim e animais vivos, mercadorias que o vale não produzia.

O registro pertence ao reinado de Sahuré, de cerca de doze anos, conhecido pelos anais gravados em pedra e pelos relevos de seu templo funerário; o ano exato da viagem não é indicado.

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c. 2290 a.C. Datação aproximada As viagens de Harkhuf abrem a rota para o sul A fachada da tumba de Harkhuf, diante de Elefantina, narra quatro viagens ao país de Iam, além da Segunda Catarata, com trezentos burros carregados de resina, ébano, marfim e peles. Ao lado do relato foi… Comércio VI Dinastia Merenré Núbia e Cuxe
Localização
Iam, ao sul da Segunda Catarata
Núbia e Cuxe
Dinastia
VI Dinastia
Governante
Merenré

Harkhuf governava o extremo sul do país e acumulava os cargos ligados à condução de caravanas e ao trato com povos estrangeiros. Sua inscrição descreve o uso de dois caminhos distintos, o que acompanha o rio a partir de Elefantina e o que corta os oásis pelo deserto, e informa a duração de cada viagem, entre sete e oito meses. No trecho mais revelador, ele conta que o governante de Iam forneceu escolta armada para a travessia de territórios vizinhos, prova de que o sul era ocupado por poderes capazes de negociar de igual para igual.

Três das quatro viagens ocorreram sob Merenré e a última já no início do reinado seguinte, o que situa o conjunto em torno de uma década, sem datas anuais precisas.

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Médio Império

c. 2055 – 1650 a.C.

1 acontecimento

c. 1995 a.C. Datação aproximada Uma expedição ao Punt reabre a rota do deserto oriental O mordomo Henenu atravessou o deserto oriental com três mil homens, abriu poços ao longo da estrada e montou na costa do Mar Vermelho o navio que desceria até o Punt em busca de resina aromática. A inscrição… Comércio XI Dinastia Mentuhotep III Deserto Oriental e Mar Vermelho
Localização
Uádi Hamamate e porto de Mersa Gauasis
Deserto Oriental e Mar Vermelho
Dinastia
XI Dinastia
Governante
Mentuhotep III

O texto gravado na pedreira é um relatório de abastecimento antes de ser um relato de viagem. Henenu conta que recrutou os homens nos nomos do sul, que cada um recebia por dia duas jarras de água e vinte pães, que abriu poços em pontos secos do percurso e que limpou a estrada de grupos hostis. Chegando ao litoral, a equipe montou uma embarcação levada em peças pelo deserto, embarcou e trouxe de volta a resina de incenso e outros produtos do Punt. No caminho de retorno, a mesma força extraiu blocos para estátuas reais.

A inscrição data a viagem pelo oitavo ano do reinado, mas converter esse ano em data absoluta depende das mesmas âncoras lunares e dos sincronismos parciais que sustentam toda a cronologia do Médio Império, com folga de algumas décadas.

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Segundo Período Intermediário

c. 1777 – 1550 a.C.

1 acontecimento

c. 1650 a.C. Datação aproximada Kerma domina a Núbia e pressiona a fronteira sul Kerma não era periferia do Egito: era a capital de um Estado autônomo que controlava o Nilo médio, com templos monumentais de tijolo, oficinas, cemitérios reais de túmulos enormes e domínio sobre as rotas do… Comércio Núbia e Cuxe
Localização
Kerma, a montante da Terceira Catarata
Núbia e Cuxe
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

A cidade tinha muralhas com portas fortificadas, um recinto palaciano com sala de audiências, bairros de oficinas de bronze e de faiança, celeiros e dois grandes edifícios de tijolo cru de dimensões pouco comuns em qualquer lugar do vale, o maior deles um templo com paredes de vários metros de espessura. A leste, o cemitério reúne dezenas de milhares de sepulturas e, entre elas, túmulos reais cobertos por montículos de grande diâmetro, com capelas próprias e sepultamentos de servidores. Ao redor desses montículos foram depositados milhares de crânios de bovinos, sinal do lugar que o rebanho ocupava na riqueza e no ritual. A cerâmica de Kerma, de parede finíssima, com bordo negro e faixa prateada, está entre a melhor produzida no Nilo antigo.

A fase mais poderosa do reino é delimitada por camadas de ocupação e por sepulturas, sem listas de governantes que permitam contagem de anos. As datas dependem de sincronismos com o Egito, cuja própria cronologia admite variação de décadas.

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Novo Império

c. 1550 – 1069 a.C.

1 acontecimento

c. 1470 a.C. Datação aproximada A expedição ao Punt e o comércio de incenso Cinco navios partiram de um porto do Mar Vermelho em busca de resinas aromáticas e voltaram carregados de mirra, ébano, marfim, ouro e animais vivos. O pórtico sul de Deir el-Bahari registrou a viagem em… Comércio XVIII Dinastia Hatshepsut Deserto Oriental e Mar Vermelho
Localização
Do Mar Vermelho ao Punt, provavelmente na costa africana
Deserto Oriental e Mar Vermelho
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Hatshepsut

O Punt aparece em documentos egípcios desde a V Dinastia como fonte das resinas queimadas nos templos. Os relevos do templo de Deir el-Bahari são o registro mais detalhado de uma dessas viagens: mostram a montagem dos navios, a travessia, as casas do Punt erguidas sobre estacas entre palmeiras, peixes do Mar Vermelho desenhados com precisão suficiente para identificação de espécie, e o encontro com o chefe Parehu e sua esposa Ati. A chefia da missão é atribuída ao chanceler Nehesi, e a expedição combinou trecho fluvial, travessia do deserto oriental com as peças das embarcações e navegação costeira.

Os relevos situam a viagem no ano nove da corregência, mas não trazem indicação de mês nem de duração total. A conversão para datas absolutas herda a margem de cerca de dez anos que separa as cronologias alta e baixa do Novo Império.

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Terceiro Período Intermediário

c. 1069 – 664 a.C.

1 acontecimento

c. 1075 a.C. Datação aproximada A viagem de Unamon expõe o declínio do prestígio egípcio Enviado de Tebas para comprar madeira de cedro destinada à barca de Amon, Unamon foi assaltado em Dor, esperou meses em Biblos e ouviu do príncipe local que o Egito precisaria pagar pelo que antes recebia por… Comércio XX Dinastia Ramsés XI Levante e Síria
Localização
Biblos, Dor e a costa fenícia
Levante e Síria
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés XI

O documento chegou até nós em um papiro encontrado em el-Hibeh, no Médio Egito, e narra em primeira pessoa a missão de um funcionário do templo de Amon. Unamon parte com pouca prata e uma imagem portátil do deus, é roubado no porto de Dor, discute compensações, chega a Biblos e é mantido à espera pelo príncipe Zacarbaal. Quando finalmente é recebido, ouve que os antepassados do príncipe forneciam madeira porque eram pagos, e não porque devessem obediência, e que os registros do arquivo local comprovavam os pagamentos.

O relato usa o quinto ano de uma era contada em Tebas, e não um ano de reinado, o que deixa margem de alguns anos na conversão para datas absolutas.

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Época Baixa

c. 664 – 332 a.C.

1 acontecimento

c. 570 a.C. Datação aproximada Náucratis concentra e regula o comércio grego Amásis II concedeu aos gregos um porto único no braço canópico do Nilo, com santuários, oficinas e cobrança de direitos. Os achados do local mostram que o povoado já existia antes dele: o que a coroa fez foi… Comércio XXVI Dinastia Amásis II Baixo Egito
Localização
Náucratis, no braço canópico do Nilo
Baixo Egito
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Amásis II

Náucratis ficava a cerca de oitenta quilômetros do mar, sobre o braço canópico, longe o bastante para que todo o tráfego passasse por postos de controle egípcios. Ali conviviam santuários de Apolo, de Hera e de Afrodite, um recinto comum fundado por nove cidades da Ásia Menor e das ilhas, um templo egípcio de Amon e oficinas que produziam amuletos e faianças em série. Os mercadores traziam prata, vinho e azeite e levavam cereal, natrão, papiro e linho. O povoado tinha caráter permanente, com bairros, cemitérios e famílias mistas.

A cerâmica encontrada no local indica presença grega já no fim do século VII a.C., antes da regulamentação atribuída a Amásis II. A data corresponde ao início desse reinado, não à fundação do povoado.

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