Recorte geográfico
Deserto Oriental e Mar Vermelho
As montanhas entre o vale e o Mar Vermelho, com o Uádi Hamamate, as minas de ouro e os portos de Mersa Gauasis e Berenice.
6 acontecimentos
Antigo Império
c. 2686 – 2181 a.C.
2 acontecimentos
c. 2560 a.C. Datação aproximada O porto de Uádi el-Jarf e os arquivos de bordo mais antigos Na costa do Mar Vermelho, equipes do reinado de Quéops abriram trinta galerias na rocha para guardar barcos desmontados e ergueram um quebra-mar de pedra em forma de gancho. Entre os depósitos selados…
- Localização
- Uádi el-Jarf, costa do Mar Vermelho
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- IV Dinastia
- Governante
- Quéops
O ancoradouro fica a cerca de cento e oitenta quilômetros ao sul de Suez, em frente à região mineira do sul do Sinai, e funcionava por temporadas: as embarcações eram desmontadas e guardadas nas galerias, junto com cordas, âncoras de pedra e jarras de provisão, e o pessoal deixava o lugar até a expedição seguinte. Escavações conduzidas a partir de 2011 identificaram o quebra-mar submerso, os alojamentos e os depósitos que os próprios egípcios fecharam com blocos ao abandonar o porto.
Os documentos trazem datas contadas por anos de recenseamento de gado do reinado de Quéops, o que permite ordená-los entre si, mas não convertê-los em anos absolutos com precisão.
Médio Império
c. 2055 – 1650 a.C.
1 acontecimento
c. 1995 a.C. Datação aproximada Uma expedição ao Punt reabre a rota do deserto oriental O mordomo Henenu atravessou o deserto oriental com três mil homens, abriu poços ao longo da estrada e montou na costa do Mar Vermelho o navio que desceria até o Punt em busca de resina aromática. A inscrição…
- Localização
- Uádi Hamamate e porto de Mersa Gauasis
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Mentuhotep III
O texto gravado na pedreira é um relatório de abastecimento antes de ser um relato de viagem. Henenu conta que recrutou os homens nos nomos do sul, que cada um recebia por dia duas jarras de água e vinte pães, que abriu poços em pontos secos do percurso e que limpou a estrada de grupos hostis. Chegando ao litoral, a equipe montou uma embarcação levada em peças pelo deserto, embarcou e trouxe de volta a resina de incenso e outros produtos do Punt. No caminho de retorno, a mesma força extraiu blocos para estátuas reais.
A inscrição data a viagem pelo oitavo ano do reinado, mas converter esse ano em data absoluta depende das mesmas âncoras lunares e dos sincronismos parciais que sustentam toda a cronologia do Médio Império, com folga de algumas décadas.
Novo Império
c. 1550 – 1069 a.C.
1 acontecimento
c. 1470 a.C. Datação aproximada A expedição ao Punt e o comércio de incenso Cinco navios partiram de um porto do Mar Vermelho em busca de resinas aromáticas e voltaram carregados de mirra, ébano, marfim, ouro e animais vivos. O pórtico sul de Deir el-Bahari registrou a viagem em…
- Localização
- Do Mar Vermelho ao Punt, provavelmente na costa africana
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Hatshepsut
O Punt aparece em documentos egípcios desde a V Dinastia como fonte das resinas queimadas nos templos. Os relevos do templo de Deir el-Bahari são o registro mais detalhado de uma dessas viagens: mostram a montagem dos navios, a travessia, as casas do Punt erguidas sobre estacas entre palmeiras, peixes do Mar Vermelho desenhados com precisão suficiente para identificação de espécie, e o encontro com o chefe Parehu e sua esposa Ati. A chefia da missão é atribuída ao chanceler Nehesi, e a expedição combinou trecho fluvial, travessia do deserto oriental com as peças das embarcações e navegação costeira.
Os relevos situam a viagem no ano nove da corregência, mas não trazem indicação de mês nem de duração total. A conversão para datas absolutas herda a margem de cerca de dez anos que separa as cronologias alta e baixa do Novo Império.
Época Baixa
c. 664 – 332 a.C.
1 acontecimento
c. 600 a.C. Datação aproximada A tentativa de ligar o Nilo ao Mar Vermelho Necao II abriu uma via navegável que partia do braço pelusíaco do Nilo e seguia pelo Uádi Tumilate em direção aos lagos amargos. Não era um corte entre dois mares, como o traçado moderno: a obra foi…
- Localização
- Uádi Tumilate, do delta oriental aos lagos amargos
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Necao II
O percurso aproveitava uma depressão natural que corre para leste a partir do delta oriental. A escavação levava água do rio até a região dos lagos amargos e, de lá, descia para o golfo de Suez, de modo que barcos de rio pudessem alcançar a costa oriental. Nada disso funcionava como uma passagem entre mares abertos: o canal dependia do nível do Nilo, servia sobretudo durante a inundação e precisava de dragagem constante para não desaparecer sob o assoreamento. Necao II tinha motivos claros para tentar, pois estava construindo ao mesmo tempo uma frota de guerra em dois mares.
O início das obras é situado no reinado de Necao II sem ano preciso. Os relatos antigos sobre a interrupção e sobre a etapa final divergem nos detalhes.
Domínio romano
30 a.C. – 641 d.C.
1 acontecimento
c. 320 d.C. Datação aproximada O monaquismo nasce no deserto egípcio O afastamento de cristãos para o deserto, primeiro como eremitas isolados e depois em comunidades organizadas, começou no Egito e se difundiu pelo mundo cristão. Pacômio redigiu a primeira regra de vida em…
- Localização
- Deserto oriental e Tebaida
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Não atribuído
A prática começou de forma individual. Cristãos deixavam as aldeias do vale e se instalavam na franja desértica, em cavernas ou celas isoladas, sustentando-se com trabalho manual e recebendo quem procurava conselho. Antão, camponês do Médio Egito, seguiu esse caminho por volta do fim do terceiro século e retirou-se para a montanha próxima ao Mar Vermelho. A biografia que lhe dedicou Atanásio, bispo de Alexandria, circulou em grego e em latim e transformou sua trajetória em modelo imitado na Palestina, na Itália e na Gália.
As datas da retirada de Antão e da fundação das primeiras comunidades dependem de relatos escritos décadas depois dos fatos. O intervalo indicado reúne as estimativas aceitas pela maior parte dos estudos.
Outras regiões