c. 991 a.C. Datação aproximada
A sepultura de Psusenes I e a ourivesaria de Tânis
A câmara de Psusenes I em Tânis foi encontrada fechada e completa, com um caixão interno de prata maciça, máscara de ouro, joias e vasos de metal. É o enterramento real intacto mais bem documentado depois do de Tutancâmon, e mostra que a arte suntuária não decaiu com a fragmentação política.
Terceiro Período Intermediário Arte ourivesaria prata Tânis enterramento real
Contexto
A necrópole real de Tânis foi instalada dentro do recinto do templo de Amon, prática nova que aproximava os mortos reais do santuário e das muralhas. As escavações do fim da década de trinta e do começo da de quarenta encontraram sepulturas de vários reis do norte, entre elas a de Psusenes I, que reinou cerca de meio século. O sarcófago externo, de granito, e o antropoide interno vinham de monumentos anteriores reaproveitados; dentro deles estava um caixão de prata maciça, com máscara de ouro sobre o rosto.
A escolha da prata não é acidental. O Egito não possuía minas desse metal e precisava importá-lo, o que o tornava mais valioso que o ouro; um caixão inteiro em prata representa um gasto extraordinário. O conjunto inclui peitorais, pulseiras, anéis, amuletos e serviço de vasos, com trabalho de encaixe e de granulação em nível altíssimo. Câmaras vizinhas guardavam outros soberanos, entre eles um cujo caixão de prata tem cabeça de falcão. A descoberta coincidiu com o começo da guerra na Europa e recebeu pouca atenção fora do meio especializado.
Sobre a datação
A data corresponde ao fim do reinado de Psusenes I, estimado em cerca de quarenta e seis anos a partir de fontes indiretas; a margem é de alguns anos.
Importância histórica
O achado corrigiu uma ideia difundida sobre o Terceiro Período Intermediário. A perda de território e de unidade política não significou perda de meios nem de qualidade artística: as oficinas do delta continuaram a produzir metal trabalhado no mais alto padrão, com soluções próprias e não como cópia dos modelos ramessidas. A sepultura fornece ainda um ponto de datação seguro para joias e vasos que, sem contexto de escavação, seriam difíceis de situar no tempo.
Consequências
- Forneceu um conjunto datado de referência para a ourivesaria do primeiro milênio antes da era comum.
- Confirmou o costume de enterrar os reis do norte dentro do recinto do templo.
- Documentou o reaproveitamento de sarcófagos antigos até no enterramento de um soberano.
- Ampliou o acervo do museu do Cairo com um dos conjuntos de metal mais completos do país.
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