MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

Recorte geográfico

Baixo Egito

O delta do Nilo e sua franja mediterrânica, com Mênfis na entrada meridional, além de Sais, Bubástis, Tânis, Avaris, Buto e, mais tarde, Alexandria.

39 acontecimentos

Período Pré-Dinástico

c. 5300 – 3000 a.C.

1 acontecimento

c. 4000 – 3400 a.C. Datação aproximada Maadi e Buto ligam o delta ao Levante Maadi, ao sul do Cairo atual, e Buto, no delta ocidental, concentraram no norte um tráfego regular com o Levante: jarras cananeias em quantidade, minério de cobre, betume do Mar Morto e cômodos semienterrados… Comércio Baixo Egito
Localização
Maadi, ao sul do Cairo atual, e Buto, no delta ocidental
Baixo Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

Maadi funcionava como ponto de troca. Suas camadas guardam recipientes de fabricação levantina em número alto demais para presentes ocasionais, minério e lingotes de cobre provavelmente vindos da região do Arabá, vasos de basalto e blocos de betume do Mar Morto. Parte das construções consiste em cômodos escavados no solo com acesso em rampa, solução comum no norte do Negueve e sem paralelo egípcio, o que sugere a presença de gente de fora morando no lugar. Ossos de asno indicam transporte por caravana pela costa do norte do Sinai.

O intervalo cobre várias fases da cultura do Baixo Egito e é ancorado principalmente em correlações entre a cerâmica local e as sequências do sul do Levante, com apoio pontual de análises de laboratório.

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Período Tinita

c. 3000 – 2686 a.C.

1 acontecimento

c. 2990 a.C. Datação aproximada Fundação de Mênfis como sede do governo No ponto em que o vale se abre para o delta instalou-se a cidade que os egípcios chamaram de Muralha Branca e que a tradição posterior atribuiu ao primeiro rei. Mênfis passou a concentrar o governo, os… Construções I Dinastia Aha Baixo Egito
Localização
Mênfis, na entrada meridional do delta
Baixo Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Aha

A escolha do lugar tem lógica evidente. Quem se instala na entrada meridional do delta controla ao mesmo tempo o tráfego que sobe o vale e a rede de braços que se abrem para o norte, além de ficar a poucos dias de viagem das rotas para o Sinai e para o Levante. O nome egípcio mais antigo da cidade, Muralha Branca, descreve provavelmente um recinto fortificado de tijolo caiado. A designação Mênfis vem do grego e deriva de Men-nefer, nome do complexo funerário de um rei do Antigo Império que acabou aplicado a toda a aglomeração.

Não existe inscrição de fundação: a data resulta da associação com o reinado de Aha e das mastabas mais antigas de Saqara. As camadas iniciais da cidade seguem soterradas por aluvião e abaixo do nível da água subterrânea.

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Antigo Império

c. 2686 – 2181 a.C.

10 acontecimentos

c. 2650 a.C. Datação aproximada A pirâmide de degraus de Djoser inaugura a arquitetura em pedra Em Saqara, o recinto funerário de Djoser substituiu o tijolo cru pela pedra cortada e empilhou seis níveis de alvenaria até cerca de sessenta metros de altura. Tornou-se o primeiro grande edifício egípcio… Construções III Dinastia Djoser Baixo Egito
Localização
Saqara, necrópole de Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
III Dinastia
Governante
Djoser

O canteiro foi aberto no alto do planalto que domina Mênfis, onde já existiam sepulturas reais da II Dinastia. O recinto erguido para Djoser mede cerca de 545 por 278 metros e é cercado por um muro de calcário com bastiões e catorze portas fingidas, das quais somente uma se abre de fato. Dentro dele, capelas de fachada maciça, colunas engastadas e cercas de junco foram reproduzidas em calcário: as formas que antes se faziam em tijolo cru, madeira e feixe vegetal passaram a ser talhadas, e desse exercício saiu um repertório decorativo reaproveitado por milênios.

A obra ocupa o reinado de Djoser, estimado em cerca de dezenove anos. As datas absolutas dependem da cronologia adotada e variam algumas décadas entre os manuais em uso.

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c. 2650 a.C. Datação em debate Imhotep e a formação do saber técnico e médico da corte A base de uma estátua de Djoser encontrada em Saqara traz o nome de Imhotep seguido de títulos que o situam no topo da administração e do sacerdócio. Em torno dessa geração de altos funcionários organizou-se o… Medicina III Dinastia Djoser Baixo Egito
Localização
Saqara e Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
III Dinastia
Governante
Djoser

O Imhotep histórico é conhecido por poucas menções contemporâneas, e a mais importante delas é o pedestal de uma escultura do rei, no qual ele figura como chanceler, administrador do grande palácio, chefe dos escultores e dos artesãos de vaso de pedra e sacerdote de Heliópolis. Nenhum desses títulos tem relação com a cura. Ele aparece como o funcionário responsável pelas obras do recinto de degraus e pelo aparato ritual da corte; sua própria sepultura nunca foi identificada com segurança, apesar de décadas de busca em Saqara.

A existência de Imhotep é atestada por inscrições do próprio reinado de Djoser. O que se discute é o alcance real de suas funções, porque grande parte das competências que lhe são creditadas aparece apenas em textos redigidos muito depois.

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c. 2560 a.C. Datação aproximada Construção da Grande Pirâmide de Quéops No planalto de Gizé, o reinado de Quéops ergueu a maior pirâmide já construída, com cerca de 146 metros de altura original e mais de dois milhões de blocos assentados. A obra exigiu uma organização de trabalho… Construções IV Dinastia Quéops Baixo Egito
Localização
Planalto de Gizé, a sudoeste de Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
IV Dinastia
Governante
Quéops

A escolha de Gizé rompeu com a tradição de Dachur, onde Snefru havia concluído duas pirâmides. O novo canteiro oferecia um afloramento de calcário resistente, capaz de sustentar o peso da estrutura, e acesso fluvial durante a inundação, quando barcaças podiam se aproximar do porto construído ao pé do planalto.

A obra corresponde ao reinado de Quéops, cuja duração é estimada em cerca de vinte e três anos; as datas absolutas variam algumas décadas entre as cronologias em uso.

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c. 2550 a.C. Datação aproximada A vila dos construtores revela o cotidiano do canteiro As escavações de Heit el-Ghurab, ao sul do planalto, expuseram padarias, galerias de dormir, currais, silos e uma oficina de salga de peixe montadas para sustentar o canteiro. O assentamento e o cemitério… Vida cotidiana IV Dinastia Quéfren Baixo Egito
Localização
Heit el-Ghurab, ao sul do planalto de Gizé
Baixo Egito
Dinastia
IV Dinastia
Governante
Quéfren

O núcleo do assentamento é formado por longas galerias com plataformas laterais, capazes de abrigar algumas dezenas de pessoas cada uma, agrupadas em blocos com pátio e cozinha. Ao redor delas foram encontradas padarias com moldes cerâmicos de pão empilhados por tamanho, tanques de fermentação, um edifício destinado a limpar e salgar peixe, currais e silos ligados a um grande recinto administrativo. A análise dos ossos de animais indica bovinos jovens, ovelhas e cabras trazidos das províncias, em volume que aponta abate diário para milhares de refeições.

A ocupação do assentamento acompanha os canteiros de Quéops a Miquerinos, e a datação vem da cerâmica, dos selos e das reformas sucessivas do próprio sítio.

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c. 2540 a.C. Datação em debate Escultura da Grande Esfinge de Gizé Talhada em um afloramento de calcário deixado pela exploração de uma pedreira, a Grande Esfinge mede cerca de setenta e três metros de comprimento e reúne corpo de leão e cabeça de rei. É a primeira escultura… Arte IV Dinastia Quéfren Baixo Egito
Localização
Planalto de Gizé, junto à calçada de Quéfren
Baixo Egito
Dinastia
IV Dinastia
Governante
Quéfren

A figura não foi montada com blocos: os escultores rebaixaram a rocha em torno de um esporão de calcário e trabalharam a massa restante no lugar, aproveitando a camada superior, mais dura, para a cabeça e o toucado. As camadas médias, mais brandas, sofreram desgaste rápido e receberam remendos de alvenaria em várias épocas. Diante das patas foi erguido um templo com vinte e quatro pilares de granito, ligado ao templo do vale de Quéfren, e restos de pigmento indicam que o conjunto era pintado.

A maioria dos especialistas atribui a obra a Quéfren, pela integração com sua calçada e com o templo vizinho. Há defesa da atribuição a Quéops ou a seu filho Djedefré, e nenhuma inscrição do Antigo Império nomeia o responsável.

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c. 2510 a.C. Datação aproximada As tríades de Miquerinos e o cânone da estatuária real No templo do vale de Miquerinos, em Gizé, foram recuperadas esculturas de grauvaque que mostram o rei ao lado de Hator e da personificação de um nomo. As peças aplicam com rigor o sistema de proporções da… Arte IV Dinastia Miquerinos Baixo Egito
Localização
Templo do vale de Miquerinos, Gizé
Baixo Egito
Dinastia
IV Dinastia
Governante
Miquerinos

As escavações do templo do vale, em 1908, encontraram quatro grupos completos e fragmentos de outros, todos em grauvaque, pedra escura trazida do deserto oriental. Em cada conjunto o rei aparece de pé, com o passo esquerdo à frente, tendo à direita a deusa Hator e à esquerda uma figura que traz sobre a cabeça o emblema de uma província, com a inscrição prometendo oferendas ao culto real. A leitura mais aceita é que os grupos representavam as regiões encarregadas de sustentar o templo, e que a série original seria maior.

As esculturas pertencem ao equipamento do templo do vale, concluído no fim do reinado ou já sob seu sucessor, o que deixa uma margem de alguns anos na datação.

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c. 2470 a.C. Datação aproximada Os templos solares de Abusir e a ascensão de Rá A V Dinastia acrescentou ao aparato real um segundo tipo de monumento: o templo solar, com pátio aberto ao céu, grande altar de alabastro e um pilar maciço sobre pódio. Seis são conhecidos por menções escritas… Mudanças religiosas V Dinastia Userkaf Baixo Egito
Localização
Abusir e Abu Gurab
Baixo Egito
Dinastia
V Dinastia
Governante
Userkaf

A planta desses santuários inverte a lógica do templo fechado. Uma calçada sobe de um edifício junto ao vale até um recinto murado cujo centro é um pátio descoberto, com um altar formado por quatro blocos de alabastro dispostos em torno de um disco, área de abate para as oferendas e depósitos laterais. Ao fundo, sobre um pódio maciço, erguia-se um pilar curto e largo, antepassado do obelisco. Corredores decorados com relevos ligavam o pátio às dependências de serviço, e cada templo tinha nome próprio, terras e pessoal.

A série de templos solares se estende de Userkaf a Niuserré, ao longo de várias gerações; o ano indicado marca a fase inicial dessa política de construção.

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c. 2430 a.C. Datação aproximada Os relevos das estações descrevem o ano agrícola Uma câmara do templo solar de Abu Gurab foi decorada como um calendário visual: peixes que desovam, aves que nidificam, rebanhos no pasto, ceifa e transporte de grãos. Os fragmentos preservados cobrem duas das… Agricultura V Dinastia Niuserré Baixo Egito
Localização
Templo solar de Niuserré, em Abu Gurab
Baixo Egito
Dinastia
V Dinastia
Governante
Niuserré

A sala foi identificada por uma missão alemã que trabalhou no sítio entre 1898 e 1901 e retirou centenas de blocos decorados, hoje divididos entre acervos do Cairo e de Berlim. A composição está organizada por estação: o tempo da semeadura, quando as águas baixam, e o da colheita, com a ceifa, a debulha e a condução do gado sobre a espiga. Faltam as cenas da inundação, perdidas com a parte destruída da parede. Entre as figuras aparecem personificações do rio, das províncias e das propriedades que traziam produtos ao santuário.

Os relevos pertencem ao templo solar de Niuserré, cujo reinado é situado em cerca de vinte e quatro anos; a data corresponde ao período de decoração do santuário.

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c. 2400 a.C. Datação aproximada Os arquivos de Abusir e a rotina administrativa dos templos Um lote de documentos em escrita cursiva recolhido no templo funerário de Neferirkaré, em Abusir, registra escalas de plantão, inventários de utensílios e a entrada diária de oferendas. É o conjunto de arquivo… Administração V Dinastia Djedkaré Isesi Baixo Egito
Localização
Templo funerário de Neferirkaré, em Abusir
Baixo Egito
Dinastia
V Dinastia
Governante
Djedkaré Isesi

O achado principal ocorreu em 1893, entre as ruínas do templo, e foi seguido por novas descobertas em santuários vizinhos ao longo do século XX. Os documentos estão organizados em tabelas de colunas traçadas a régua, com anos de reinado, meses e dias, e trazem correções, somas e assinaturas de conferência. Uma parte permaneceu ilegível pelo estado do material, mas o suficiente foi recuperado para reconstruir o funcionamento de um templo funerário durante várias décadas.

Os documentos trazem anos de reinado de Djedkaré Isesi e de seus sucessores imediatos, o que os situa com segurança relativa dentro da V Dinastia, sem permitir conversão exata em anos absolutos.

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c. 2350 a.C. Datação aproximada Os Textos das Pirâmides aparecem na tumba de Unas As paredes da câmara funerária e da antecâmara de Unas, em Saqara, receberam colunas de hieróglifos com fórmulas destinadas a garantir a passagem do rei morto. É o mais antigo conjunto extenso de textos… Escrita V Dinastia Unas Baixo Egito
Localização
Pirâmide de Unas, em Saqara
Baixo Egito
Dinastia
V Dinastia
Governante
Unas

A pirâmide de Unas é pequena e mal conservada por fora, mas suas câmaras internas trazem cerca de duzentas e trinta fórmulas dispostas em ordem ritual, das paredes que cercam o sarcófago em direção à saída. O repertório reúne o ritual de oferendas, encantamentos de proteção contra serpentes e escorpiões, passagens sobre a subida ao céu, a integração ao curso do sol e às estrelas que nunca se põem, além de trechos ligados a Osíris. A grafia é cuidadosa, com sinais pintados em verde e distribuição calculada para caber no espaço.

As inscrições pertencem ao reinado de Unas, estimado em cerca de trinta anos no fim da V Dinastia; parte das fórmulas é mais antiga que a própria gravação e não pode ser datada.

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Médio Império

c. 2055 – 1650 a.C.

1 acontecimento

c. 1975 a.C. Datação aproximada O Muro do Governante fecha a fronteira nordeste A passagem estreita entre o delta oriental e o Sinai recebeu uma linha de postos militares conhecida como Muro do Governante, destinada a vigiar quem entrava pelo nordeste. A obra é conhecida por menções em… Guerras XII Dinastia Amenemhat I Baixo Egito
Localização
Istmo entre o delta oriental e o Sinai
Baixo Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Amenemhat I

A geografia explica a escolha do lugar: entre o braço pelusíaco do Nilo e os lagos rasos do istmo, a travessia por terra se reduzia a poucos corredores com água. Duas composições da própria XII Dinastia citam a obra. Na narrativa de Sinuhe, o fugitivo espera a noite para contornar as fortificações erguidas para conter os beduínos; em outro texto, o rei aparece anunciando que fará barreira contra quem vem do leste. Como se trata de literatura de escola, o que se extrai delas é a existência e o propósito do dispositivo, não sua planta. Nenhuma escavação identificou até hoje uma muralha contínua, e a leitura mais aceita é a de uma sequência de fortins e postos de vigia sobre os pontos de água.

Não há data de construção registrada: o conjunto é atribuído ao reinado de Amenemhat I por menções escritas, e o reinado, por sua vez, é situado por observações lunares e sincronismos parciais que deixam margem de algumas décadas.

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Segundo Período Intermediário

c. 1777 – 1550 a.C.

4 acontecimentos

c. 1720 a.C. Datação aproximada Avaris cresce como cidade levantina no delta As escavações de Tell el-Dabaa mostram um povoado fundado pela administração da XII Dinastia que, ao longo de gerações, se tornou uma cidade portuária de população majoritariamente levantina, com casas… Vida cotidiana XIV Dinastia Baixo Egito
Localização
Tell el-Dabaa, no delta oriental
Baixo Egito
Dinastia
XIV Dinastia
Governante
Não atribuído

As camadas mais antigas correspondem a um assentamento planejado com templo, obra do Estado egípcio no reinado de Senusret III, num ponto de fácil acesso ao mar. Sobre elas se acumulam níveis de arquitetura de tipo sírio, com casas organizadas em torno de uma sala central, e templos de planta em eixo quebrado, desconhecida no Egito. As sepulturas ficam dentro das áreas de moradia, e várias trazem burros depositados diante da entrada, prática funerária do Levante. Aparecem armas de tipo levantino, como machados de lâmina recortada e punhais de cinto, jarras cananeias, jarrinhas de cerâmica fabricadas localmente segundo modelos estrangeiros, importações de Chipre e rebanhos com predomínio de ovinos e caprinos sobre o gado.

A data marca uma fase de crescimento, não um acontecimento datável. A sequência de camadas do lugar é bem estabelecida, mas sua conversão em anos absolutos depende de amarras com a cronologia do Médio Império e com a do Levante, ambas com folga de décadas.

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c. 1650 a.C. Datação aproximada Os hicsos assumem o governo do norte Os chefes instalados em Avaris tomaram o poder sobre o norte do Egito e formaram a XV Dinastia. O termo hicsos vem de uma expressão egípcia para governante de terra estrangeira, e a tomada do poder foi o… Dinastias XV Dinastia Baixo Egito
Localização
Avaris e Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
XV Dinastia
Governante
Não atribuído

A sequência dos fatos, tanto quanto se pode reconstruí-la, é esta: a linhagem que governava desde Itjtauy perdeu o controle de Mênfis e recuou para o sul, e a autoridade sobre o delta e o Médio Egito passou aos senhores de Avaris. Foram poucos reis, alguns com reinados longos, entre eles Khyan e Apepi. Adotaram a titulatura egípcia, empregaram escribas egípcios, mantiveram cultos e templos em funcionamento e cobraram tributo de Tebas em algum momento. Selos com o nome de Khyan aparecem de Creta à Anatólia, indício de uma rede comercial ativa. Achados recentes de lacres em Edfu sugerem que sua posição na sequência dinástica precisa ser revista, e a ordem dos reinados permanece em aberto.

A duração da dinastia é estimada em cerca de um século por listas reais e por resumos antigos, e sua ordem interna continua discutida. As datas absolutas seguem dependentes das mesmas âncoras lunares e sincronismos parciais usados para o Médio Império.

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c. 1640 a.C. Datação aproximada Carro de guerra e arco composto mudam a guerra no Egito Entre a XV e a XVIII Dinastias, o exército egípcio incorporou o carro leve de duas rodas, o arco composto, a espada curva e a armadura de escamas. A entrada desse equipamento acompanhou décadas de contato com… Guerras XV Dinastia Khyan Baixo Egito
Localização
Delta oriental e vale do Nilo
Baixo Egito
Dinastia
XV Dinastia
Governante
Khyan

O carro egípcio era uma plataforma leve: caixa aberta de madeira e couro sobre duas rodas de raios, primeiro quatro e depois seis, puxada por uma parelha de cavalos, com um condutor e um arqueiro. Servia para atirar em movimento, perseguir quem fugia e transportar o comando, e sua adoção exigia muito mais que a carroceria: criação de cavalos, forragem, cocheiros, veterinários, oficinas de rodas e eixos, peças de reposição. O arco composto, feito de camadas de madeira, chifre e tendão colados e amarrados, entregava alcance e penetração muito superiores ao arco de vara única, ao preço de fabricação lenta, custo alto e sensibilidade à umidade.

A adoção desse equipamento é um processo de gerações e não cabe em um ano nem em um reinado. A data serve de marca dentro do período, cujas balizas absolutas continuam apoiadas em registros lunares e em sincronismos parciais com o Oriente Próximo.

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c. 1550 a.C. Datação aproximada O papiro matemático de Rhind é copiado em Avaris Escrito pelo escriba Ahmés no ano trinta e três do rei Apepi, o documento declara ser cópia de um texto do tempo de Amenemhat III. Reúne mais de oitenta problemas resolvidos: divisão de pães, força da cerveja… Escrita XV Dinastia Apepi Baixo Egito
Localização
Avaris, com original do Médio Império
Baixo Egito
Dinastia
XV Dinastia
Governante
Apepi

A obra abre com uma tabela que converte a fração dois sobre um número ímpar em somas de frações de numerador um, ferramenta básica da aritmética egípcia, que só operava com partes unitárias. Vêm depois os problemas, na forma de enunciado, cálculo e verificação: repartir um número de pães entre trabalhadores em cotas desiguais, medir a força do pão e da cerveja pela quantidade de grão empregada, calcular ração de animais, resolver questões de quantidade desconhecida equivalentes a equações de primeiro grau, achar áreas de triângulos e de quadriláteros, calcular a área do círculo elevando ao quadrado oito nonos do diâmetro, obter o volume de celeiros cilíndricos e determinar a inclinação constante de uma face de pirâmide ou de uma rampa.

O manuscrito traz a data do ano trinta e três de Apepi, o que o situa no fim do domínio de Avaris; converter esse ano de reinado em data absoluta depende das âncoras lunares e dos sincronismos parciais que sustentam a cronologia do período.

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Novo Império

c. 1550 – 1069 a.C.

4 acontecimentos

c. 1550 a.C. Datação aproximada Amósis expulsa os hicsos e funda a XVIII Dinastia A tomada de Avaris e o cerco a Sharuhen encerraram o governo hicso no delta oriental. Amósis reuniu o vale e o delta sob um só rei, reabriu as pedreiras de calcário para as obras dos templos e inaugurou a… Guerras XVIII Dinastia Amósis I Baixo Egito
Localização
Avaris e Sharuhen, no sul do Levante
Baixo Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Amósis I

A ofensiva contra Avaris vinha de duas gerações, iniciada por Seqenenré Taa e continuada por Camés. Amósis subiu ao trono menino e retomou as operações quando dispôs de exército e frota. O relato mais detalhado do episódio não está em um monumento real, mas na autobiografia gravada na tumba do oficial de marinha Ahmés, filho de Ibana, em El-Kab: ele descreve combates embarcados no canal de Avaris, a queda da cidade e, em seguida, um cerco prolongado a Sharuhen, além de condecorações em ouro e cativos recebidos como prêmio de bravura.

O reinado de Amósis abre a série cronológica mais firme do Egito faraônico, sustentada por datas lunares, por observações do nascer helíaco de Sirius e por sincronismos com Hatti, a Assíria e a Babilônia. Mesmo assim, a cronologia alta e a baixa separam o início desse reinado por cerca de uma década.

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c. 1400 a.C. Datação aproximada A Estela do Sonho e o primeiro restauro documentado Uma estela de granito instalada entre as patas da Esfinge conta que o príncipe adormeceu à sombra do monumento e ouviu o deus pedir que o livrasse da areia. O texto associa a limpeza do monumento à chegada ao… Mudanças religiosas XVIII Dinastia Tutmés IV Baixo Egito
Localização
Entre as patas da Grande Esfinge, em Gizé
Baixo Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés IV

A laje foi feita a partir de um lintel retirado do templo funerário de Quéfren, mil e cem anos mais antigo, e colocada de pé contra o peito da escultura. O texto narra que o filho do rei, depois de caçar no deserto de Gizé, deitou-se à sombra da Esfinge ao meio-dia e recebeu em sonho a fala do deus Horemakhet, o Hórus do horizonte, que se dizia sufocado pela areia e prometia a realeza em troca da desobstrução. A parte final da inscrição está muito danificada, e a promessa em si depende de restituição, o que torna prudente falar de uma versão oficial e não de um registro literal.

O monumento traz o ano um do reinado de Tutmés IV, o que fixa a data relativa com segurança; a passagem para o calendário atual depende da cronologia escolhida, com diferença de cerca de dez anos entre as versões alta e baixa.

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c. 1279 a.C. Datação aproximada Pi-Ramsés se torna a nova capital do delta A corte ramessida deixou Tebas como residência e se instalou no delta oriental, perto da antiga Avaris. Pi-Ramsés reuniu palácio, templos, quartel de carros e oficinas de bronze, e sua posição encurtava em… Construções XIX Dinastia Ramsés II Baixo Egito
Localização
Qantir, no delta oriental
Baixo Egito
Dinastia
XIX Dinastia
Governante
Ramsés II

O local, hoje a região de Qantir, ficava junto ao braço pelusíaco do Nilo, com acesso direto ao Mediterrâneo e à estrada militar do norte do Sinai. As prospecções magnéticas e as escavações revelaram uma cidade de vários quilômetros quadrados, com setor palaciano, distritos de templo, estábulos capazes de abrigar centenas de cavalos, pistas de manobra e uma grande oficina metalúrgica com fornos de fundição de bronze e resíduos de fabricação de armas. Peças de revestimento em faiança azul e ladrilhos decorados indicam o padrão dos edifícios oficiais.

A fundação é atribuída ao início do reinado de Ramsés II, cuja subida ao trono é uma das datas mais bem amarradas do Egito faraônico, apoiada em datas lunares e nos sincronismos com Hatti. Ainda assim, o valor absoluto varia cerca de uma década entre a cronologia alta e a baixa.

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1177 a.C. Datação aproximada Ramsés III enfrenta os povos do mar No ano oito de Ramsés III, o Egito enfrentou por terra e por água grupos designados nos textos como peleset, tjeker, chequelech, denien e uechech. As paredes do templo de Medinet Habu registram os combates… Guerras XX Dinastia Ramsés III Baixo Egito
Localização
Bocas do delta e fronteira do Sinai
Baixo Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés III

O período em torno de mil e duzentos anos antes da era comum viu ruir vários centros do Mediterrâneo oriental: Hatti perdeu a capital, Ugarite foi abandonada, cidades micênicas foram destruídas. A expressão povos do mar é uma criação de estudiosos do século dezenove e reúne, sob um rótulo único, populações de origens distintas. Os nomes registrados nos textos egípcios correspondem a grupos que aparecem em contextos variados: alguns como atacantes, outros como soldados já contratados por egípcios e hititas, outros ainda como famílias em deslocamento, com carros de bois e mulheres representadas ao lado dos combatentes.

O ano oito de Ramsés III é indicado pelos textos do templo de Medinet Habu, mas sua conversão em data absoluta varia entre as cronologias propostas para o início da XX Dinastia.

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Terceiro Período Intermediário

c. 1069 – 664 a.C.

2 acontecimentos

c. 1069 a.C. Datação aproximada Smendes funda a XXI Dinastia em Tânis Com a morte de Ramsés XI, Smendes assumiu o governo do norte a partir de Tânis e fundou a XXI Dinastia. A nova capital foi erguida em boa parte com pedra retirada de Pi-Ramsés, abandonada porque o braço do… Dinastias XXI Dinastia Smendes Baixo Egito
Localização
Tânis, no delta oriental
Baixo Egito
Dinastia
XXI Dinastia
Governante
Smendes

A mudança de capital foi ditada pela hidrografia. Pi-Ramsés dependia de um braço pelusíaco que assoreou, deixando a cidade sem porto e sem água corrente suficiente. Tânis, mais ao norte, ficava sobre um ramo ativo, e para lá foram levados obeliscos, colunas, portais e estátuas dos monumentos ramessidas, reempregados em templos novos dedicados a Amon, Mut e Khonsu, à maneira do santuário de Karnak. O resultado é um lugar em que quase toda pedra inscrita carrega o nome de um rei anterior.

A data corresponde à morte de Ramsés XI segundo a cronologia mais aceita; a duração de vinte e seis anos atribuída a Smendes vem da tradição de Manetão e não é confirmada por documentos contemporâneos.

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c. 991 a.C. Datação aproximada A sepultura de Psusenes I e a ourivesaria de Tânis A câmara de Psusenes I em Tânis foi encontrada fechada e completa, com um caixão interno de prata maciça, máscara de ouro, joias e vasos de metal. É o enterramento real intacto mais bem documentado depois do… Arte XXI Dinastia Psusenes I Baixo Egito
Localização
Necrópole real de Tânis
Baixo Egito
Dinastia
XXI Dinastia
Governante
Psusenes I

A necrópole real de Tânis foi instalada dentro do recinto do templo de Amon, prática nova que aproximava os mortos reais do santuário e das muralhas. As escavações do fim da década de trinta e do começo da de quarenta encontraram sepulturas de vários reis do norte, entre elas a de Psusenes I, que reinou cerca de meio século. O sarcófago externo, de granito, e o antropoide interno vinham de monumentos anteriores reaproveitados; dentro deles estava um caixão de prata maciça, com máscara de ouro sobre o rosto.

A data corresponde ao fim do reinado de Psusenes I, estimado em cerca de quarenta e seis anos a partir de fontes indiretas; a margem é de alguns anos.

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Época Baixa

c. 664 – 332 a.C.

5 acontecimentos

c. 650 a.C. Datação aproximada O renascimento saíta reinventa a tradição As oficinas saítas voltaram a copiar relevos, títulos e tipos de estátua do Antigo e do Médio Império, mas com pedras mais duras, outra grade de proporções e um acabamento sem precedente. A escolha do… Arte XXVI Dinastia Psamético I Baixo Egito
Localização
Sais, Mênfis e oficinas do delta
Baixo Egito
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Psamético I

O arcaísmo saíta não foi um estilo, mas um método. Nas tumbas tebanas de Montuemhat e de Ibi, cenas inteiras foram decalcadas de mastabas de Saqara do terceiro milênio e de relevos do templo de Mentuhotep II, depois recombinadas com motivos contemporâneos. Sarcófagos e paredes de câmara voltaram a receber os Textos das Pirâmides, fora de uso havia mais de mil anos, e altos funcionários ressuscitaram cargos que já eram antiguidades no próprio tempo deles. A operação exigia acesso aos monumentos, cópia em campo e uma noção precisa de quais épocas valia a pena citar.

O termo designa uma tendência que atravessa a dinastia inteira, e não um acontecimento isolado. A data serve de marco para o momento em que as oficinas de Sais e de Mênfis já trabalhavam nesse programa.

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c. 650 a.C. Datação aproximada Mercenários gregos e cários entram no exército egípcio Psamético I pagou soldados vindos da Jônia e da Cária e os assentou em acampamentos permanentes no delta oriental. Em poucas gerações aquelas guarnições tinham famílias, cemitérios e estelas funerárias em duas… Vida cotidiana XXVI Dinastia Psamético I Baixo Egito
Localização
Guarnições do delta e Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Psamético I

Heródoto conta que homens armados de bronze desembarcaram no delta e que o rei os tomou a soldo, concedendo-lhes terras em dois acampamentos no braço pelusíaco. Acrescenta que meninos egípcios foram entregues a eles para aprender a falar com estrangeiros, o que teria criado a classe dos intérpretes. Amásis II, um século depois, transferiu esses contingentes para Mênfis e fez deles sua guarda pessoal. A narrativa é tardia e esquemática, mas o quadro geral coincide com o que a documentação mostra: uma coroa que preferia pagar profissionais a mobilizar camponeses.

A chegada dos primeiros contingentes é situada nos anos iniciais de Psamético I, sem data documentada. O relato de Heródoto é a única narrativa disponível e comprime décadas em poucos episódios.

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c. 640 a.C. Datação aproximada O culto de Ápis e as galerias do Serapeu Um único touro por vez encarnava Ápis, manifestação viva de Ptah em Mênfis. Reconhecido por marcas na pelagem, vivia num recinto do templo, era embalsamado ao morrer e depositado em um sarcófago de pedra nas… Mudanças religiosas XXVI Dinastia Psamético I Baixo Egito
Localização
Serapeu de Saqara, junto a Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Psamético I

O animal era escolhido por sinais precisos no pelo e recebido no templo de Ptah com sua mãe, que também tinha culto próprio. Respondia a consultas por meio de movimentos interpretados por sacerdotes, aparecia em festas e tinha um pessoal permanente a seu serviço. Quando morria, o país entrava em luto: o corpo era tratado durante setenta dias em mesas de alabastro na oficina de embalsamamento de Mênfis, conduzido em procissão ao planalto de Saqara e sepultado como Osíris-Ápis. Só então começava a busca pelo sucessor, que podia levar meses.

A data marca a abertura da grande galeria escavada no reinado de Psamético I. O culto é muito mais antigo, e cada enterramento é datado pelo ano de reinado do soberano, não por um calendário absoluto.

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c. 570 a.C. Datação aproximada Náucratis concentra e regula o comércio grego Amásis II concedeu aos gregos um porto único no braço canópico do Nilo, com santuários, oficinas e cobrança de direitos. Os achados do local mostram que o povoado já existia antes dele: o que a coroa fez foi… Comércio XXVI Dinastia Amásis II Baixo Egito
Localização
Náucratis, no braço canópico do Nilo
Baixo Egito
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Amásis II

Náucratis ficava a cerca de oitenta quilômetros do mar, sobre o braço canópico, longe o bastante para que todo o tráfego passasse por postos de controle egípcios. Ali conviviam santuários de Apolo, de Hera e de Afrodite, um recinto comum fundado por nove cidades da Ásia Menor e das ilhas, um templo egípcio de Amon e oficinas que produziam amuletos e faianças em série. Os mercadores traziam prata, vinho e azeite e levavam cereal, natrão, papiro e linho. O povoado tinha caráter permanente, com bairros, cemitérios e famílias mistas.

A cerâmica encontrada no local indica presença grega já no fim do século VII a.C., antes da regulamentação atribuída a Amásis II. A data corresponde ao início desse reinado, não à fundação do povoado.

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525 a.C. Datação estabelecida A conquista persa e a batalha de Pelúsio O exército de Cambises II derrotou Psamético III em Pelúsio e tomou Mênfis, transformando o Egito em província do Império Persa. Sobre a conduta do vencedor, a tradição grega e os documentos egípcios… Guerras XXVII Dinastia Cambises II Baixo Egito
Localização
Pelúsio, no delta oriental
Baixo Egito
Dinastia
XXVII Dinastia
Governante
Cambises II

Amásis II morreu pouco antes do ataque, e seu filho Psamético III reinava havia poucos meses quando a força persa atravessou o Sinai com apoio de guias árabes. O confronto decisivo ocorreu em Pelúsio, na entrada oriental do delta; em seguida Mênfis foi sitiada e tomada, o rei egípcio foi deposto e mais tarde executado. Cambises assumiu titulatura faraônica e organizou o país como satrapia, o bloco que as listas antigas contam como XXVII Dinastia. Cirene e os vizinhos líbios enviaram submissão sem luta.

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Período Ptolemaico

332 – 30 a.C.

7 acontecimentos

332 – 331 a.C. Datação estabelecida Alexandre entra no Egito e funda Alexandria O sátrapa persa entregou o país praticamente sem resistência no fim de 332 a.C. Em Mênfis, Alexandre sacrificou aos deuses locais e foi reconhecido como faraó; meses depois escolheu, junto à ilha de Faros, o… Dinastias Dinastia argéada Alexandre III da Macedônia Baixo Egito
Localização
Mênfis e a costa junto à ilha de Faros
Baixo Egito
Dinastia
Dinastia argéada
Governante
Alexandre III da Macedônia

A guarnição persa do Egito estava enfraquecida desde a derrota de Isso, e o sátrapa Mazaces não tinha exército para oferecer. Entregou o tesouro e as praças fortes, e a coluna macedônia entrou por Pelúsio e subiu o rio até Mênfis sem combater. Ali Alexandre ofereceu sacrifício ao touro Ápis e aos demais deuses egípcios, organizou competições atléticas e musicais com artistas trazidos da Grécia e foi reconhecido como soberano do país. Os relatos de uma cerimônia de coroação completa são muito posteriores, mas os templos egípcios o representam com titulatura faraônica plena, como no santuário que mandou erguer em Luxor.

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c. 300 a.C. Datação aproximada Ptolomeu I institui o culto de Serápis O deus principal da nova capital nasceu de Osíris-Ápis, o touro divinizado de Mênfis, apresentado em forma humana grega, entronizado e com um cesto de grãos na cabeça. Serápis dava aos habitantes de Alexandria… Mudanças religiosas Dinastia ptolemaica Ptolomeu I Sóter Baixo Egito
Localização
Alexandria e Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
Dinastia ptolemaica
Governante
Ptolomeu I Sóter

O ponto de partida era um culto egípcio consolidado. No Serapeu de Mênfis, o touro Ápis morto tornava-se Osíris-Ápis, e o santuário já recebia moradores de língua grega, que ali deixavam oferendas e pediam cura e sonhos. A corte ptolemaica manteve o nome e trocou a imagem: em lugar do animal, um deus barbado sentado em trono, com cetro, o cão de três cabeças a seus pés e o cesto de medida de grãos sobre a cabeça, atributos tomados de Zeus, de Hades e de Asclépio. Autores tardios atribuem a formulação a conselheiros do rei, entre eles um sacerdote de Elêusis e o egípcio Manetão.

A instituição do culto é atribuída ao reinado de Ptolomeu I sem data documentada, e parte dos especialistas a situa já sob seu sucessor. As tradições sobre a origem da imagem são muito posteriores.

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c. 290 a.C. Datação aproximada A Biblioteca e o Museu de Alexandria O Museu era uma instituição do palácio, com sábios assalariados, refeitório comum e uma coleção de rolos reunida por compra e cópia sistemáticas. Dela saíram a crítica de textos, o catálogo por autor e gênero… Escrita Dinastia ptolemaica Ptolomeu II Filadelfo Baixo Egito
Localização
Bairro real de Alexandria
Baixo Egito
Dinastia
Dinastia ptolemaica
Governante
Ptolomeu II Filadelfo

Nada ali se parecia com uma biblioteca aberta ao público. O conjunto ficava dentro do bairro real, junto aos palácios, e reunia um recinto consagrado às Musas, colunatas, salas de trabalho e uma mesa comum onde os eruditos comiam por conta do rei, isentos de tributo. A direção da coleção passou por Zenódoto, Apolônio de Rodes, Eratóstenes, Aristófanes de Bizâncio e Aristarco. Calímaco organizou o acervo em catálogos por gênero e autor, com dados de atribuição e primeiras palavras de cada obra. Uma segunda coleção, menor, funcionava junto ao santuário de Serápis.

Nenhum documento datado registra a criação das duas instituições. A iniciativa é atribuída a Ptolomeu I e sua organização a Ptolomeu II, e a data funciona como marco convencional.

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c. 280 a.C. Datação aproximada Manetão organiza a história egípcia em dinastias Sacerdote de Sebenitos, Manetão escreveu em grego uma história do Egito que distribuía os soberanos em trinta linhagens sucessivas. O texto original desapareceu e sobrevive em resumos discordantes, mas a… Escrita Dinastia ptolemaica Ptolomeu II Filadelfo Baixo Egito
Localização
Alexandria e templo de Sebenitos
Baixo Egito
Dinastia
Dinastia ptolemaica
Governante
Ptolomeu II Filadelfo

Manetão pertencia ao clero de uma cidade do delta e tinha acesso aos arquivos de templo, com listas de reis, anais e registros de reinado acumulados por séculos. Escreveu para leitores de fora, no momento em que uma casa macedônia precisava entender e reivindicar o passado do país que governava. Sua obra, em três livros, ia dos deuses e semideuses até o domínio persa, e agrupava os reis por sede de poder e por família, com duração de cada reinado e notas curtas sobre acontecimentos. O agrupamento em trinta linhagens é dele; a trigésima primeira foi acrescentada depois.

A obra não traz data e o autor é conhecido apenas por citações de terceiros. Sua composição é situada no reinado de Ptolomeu II com base em referências indiretas.

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c. 280 a.C. Datação aproximada O Farol de Alexandria e o porto do Mediterrâneo Erguido na ponta da ilha que deu nome ao edifício, o farol tinha três corpos sobrepostos e um foco de luz no alto, alimentado por fogo segundo as descrições antigas. Orientou a navegação por mais de mil anos… Construções Dinastia ptolemaica Ptolomeu II Filadelfo Baixo Egito
Localização
Ilha de Faros, em Alexandria
Baixo Egito
Dinastia
Dinastia ptolemaica
Governante
Ptolomeu II Filadelfo

A costa egípcia é baixa, monótona e cheia de bancos de areia, sem qualquer marco natural que indique a entrada de um porto. A torre resolveu esse problema. As moedas, os mosaicos e os relatos de viajantes árabes descrevem três corpos sobrepostos, o primeiro de planta quadrada, o segundo octogonal e o terceiro cilíndrico, com uma rampa interna para levar combustível ao topo. As estimativas de altura vão de cem a mais de cento e trinta metros. Estrabão e Plínio registram a dedicatória feita por Sóstrato de Cnido, e o dique chamado Heptastádio ligava a ilha à terra firme, criando dois portos abrigados.

A conclusão é situada entre cerca de 285 e 280 a.C., no reinado de Ptolomeu II. A altura e a forma dependem de descrições, moedas e mosaicos posteriores, que não concordam entre si.

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c. 275 a.C. Datação aproximada A escola médica de Alexandria e o estudo do corpo Herófilo de Calcedônia e Erasístrato de Ceos dissecaram corpos humanos de forma sistemática, prática que nenhuma outra cidade antiga autorizou. Descreveram nervos, ventrículos cerebrais, válvulas do coração e… Medicina Dinastia ptolemaica Ptolomeu II Filadelfo Baixo Egito
Localização
Museu e bairro real de Alexandria
Baixo Egito
Dinastia
Dinastia ptolemaica
Governante
Ptolomeu II Filadelfo

A combinação que tornou o trabalho possível foi excepcional e durou pouco. Havia patrocínio real dentro do Museu, uma cidade recém-fundada sem os costumes restritivos das antigas comunidades gregas e um país onde o tratamento dos mortos era ofício especializado e socialmente aceito. Esses três fatores são os que os especialistas costumam invocar para explicar por que a dissecação de corpos humanos ocorreu ali e em nenhum outro lugar da Antiguidade. A relação direta com as oficinas de embalsamamento egípcias é discutida, mas difícil de demonstrar com os documentos disponíveis.

As datas de atividade de Herófilo e de Erasístrato são deduzidas de citações posteriores. Suas obras se perderam e são conhecidas por resumos de autores romanos e de Galeno.

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196 a.C. Datação estabelecida O decreto de Mênfis inscrito na Pedra de Roseta Reunidos em Mênfis em março de 196 a.C., os sacerdotes do Egito votaram honras e culto ao jovem Ptolomeu V em troca de isenções, perdão de dívidas e confirmação das rendas dos templos. O acordo devia ser… Escrita Dinastia ptolemaica Ptolomeu V Epifânio Baixo Egito
Localização
Mênfis, com cópia erguida em Sais
Baixo Egito
Dinastia
Dinastia ptolemaica
Governante
Ptolomeu V Epifânio

O reinado começara mal. Ptolomeu V herdou o trono criança, o reino perdeu suas possessões externas na guerra contra os selêucidas e o Alto Egito estava em revolta havia uma década, sob soberanos locais que se proclamaram faraós em Tebas. A coroação segundo o rito egípcio, celebrada em Mênfis, foi parte da resposta: um gesto dirigido ao clero, cuja colaboração era indispensável para arrecadar e governar o interior. O sínodo sacerdotal reunido na mesma cidade aprovou então o texto que conhecemos, no qual o rei aparece como restaurador da ordem e vencedor da rebelião de Licópolis.

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Domínio romano

30 a.C. – 641 d.C.

2 acontecimentos

30 a.C. Datação estabelecida Otaviano anexa o Egito como província imperial A queda de Alexandria, em 30 a.C., encerrou três séculos de governo ptolemaico e transformou o Egito em província romana. Otaviano reservou o território para si: em vez de entregá-lo ao Senado, nomeou um… Dinastias Província romana e bizantina Augusto Baixo Egito
Localização
Alexandria
Baixo Egito
Dinastia
Província romana e bizantina
Governante
Augusto

A anexação não exigiu a criação de uma máquina administrativa nova. Os Ptolomeus já haviam montado um sistema de cadastro de terras, arrendamento e cobrança em grão que Roma julgou eficiente o bastante para preservar quase intacto, trocando apenas o topo da hierarquia. Alexandria perdeu o conselho municipal que possuía sob os reis e ficou sob vigilância estreita, condição que só seria revista dois séculos depois. O primeiro prefeito, Caio Cornélio Galo, reprimiu levantes no Alto Egito e mandou gravar o relato de sua atuação em uma estela trilíngue erguida em Filas, gesto que lhe custaria o cargo e a vida.

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c. 200 d.C. Datação aproximada O cristianismo se enraíza no Egito Ao longo do segundo e do terceiro séculos, comunidades cristãs se estabeleceram em Alexandria e nas cidades do vale. A produção intelectual da escola alexandrina e a passagem das escrituras para a língua… Mudanças religiosas Província romana e bizantina Baixo Egito
Localização
Alexandria e vale do Nilo
Baixo Egito
Dinastia
Província romana e bizantina
Governante
Não atribuído

Os indícios mais antigos são fragmentos de escritos cristãos achados em cidades do interior e atribuídos ao segundo século pela comparação do traçado das letras, o que indica difusão precoce fora da capital. A tradição registrada por Eusébio de Cesareia atribui a fundação da comunidade alexandrina ao evangelista Marcos, mas não há documentação contemporânea que a confirme, e a lista dos primeiros bispos é conhecida somente por fontes posteriores. Certificados de sacrifício expedidos durante a perseguição ordenada por Décio, em meados do terceiro século, sobreviveram entre os documentos da província e mostram a nova religião já suficientemente difundida para exigir controle administrativo.

As primeiras comunidades cristãs egípcias não deixaram registro datado de fundação. A data indicada marca o período em que sua presença se torna documentada tanto em Alexandria quanto no interior.

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Descobertas arqueológicas

1798 d.C. – presente

2 acontecimentos

1799 d.C. Datação estabelecida A Pedra de Roseta é encontrada em Rachid Durante obras em um forte perto de Rachid, no delta, soldados franceses notaram um bloco de granodiorito reaproveitado na alvenaria, com o mesmo decreto gravado em três formas de escrita. A peça deu aos… Arqueologia Baixo Egito
Localização
Fortaleza de Julien, em Rachid, no delta
Baixo Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Oficiais e engenheiros em Rachid

O bloco apareceu em julho de 1799, durante o reforço de uma fortificação junto à foz ocidental do rio. Um oficial percebeu que a pedra encaixada no muro trazia inscrições distribuídas em três faixas e mandou retirá-la. Cópias em tinta foram tiradas e enviadas a estudiosos na Europa antes mesmo de a peça sair do Egito. Com a capitulação francesa em 1801, o original passou às mãos britânicas e está exposto em Londres desde 1802. A pedra já era material reaproveitado quando surgiu na muralha: seu lugar de origem era um templo do delta, e não a fortaleza onde foi vista pela primeira vez.

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1858 d.C. Datação estabelecida Nasce o serviço de antiguidades e o museu do Cairo A criação de um serviço de antiguidades em 1858 deu ao país uma autoridade encarregada de fiscalizar escavações e conter a saída de objetos. Mariette, seu primeiro diretor, instalou em Bulaque o museu que… Arqueologia Baixo Egito
Localização
Bulaque e, depois, praça Tahrir, no Cairo
Baixo Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Auguste Mariette

Antes disso não havia controle. Cônsules, negociantes e viajantes compravam, escavavam e embarcavam o que quisessem, e monumentos eram desmontados para servir de pedra de construção. Mariette havia chegado ao país em 1850 para adquirir manuscritos e acabou escavando as galerias subterrâneas do Serapeu, em Saqara. Nomeado em 1858 para dirigir o novo órgão, passou a licenciar escavações, negar autorizações de saída e reunir em um edifício em Bulaque, à margem do rio, o material recolhido. O acervo abriu ao público em 1863, sobreviveu a uma enchente em 1878, mudou-se para um palácio em Gizé e, em 1902, ocupou o prédio construído para ele na praça central da cidade.

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