c. 2350 a.C. Datação aproximada
Os Textos das Pirâmides aparecem na tumba de Unas
As paredes da câmara funerária e da antecâmara de Unas, em Saqara, receberam colunas de hieróglifos com fórmulas destinadas a garantir a passagem do rei morto. É o mais antigo conjunto extenso de textos religiosos conhecido e o ponto de partida de uma tradição escrita que atravessaria dois milênios.
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Contexto
A pirâmide de Unas é pequena e mal conservada por fora, mas suas câmaras internas trazem cerca de duzentas e trinta fórmulas dispostas em ordem ritual, das paredes que cercam o sarcófago em direção à saída. O repertório reúne o ritual de oferendas, encantamentos de proteção contra serpentes e escorpiões, passagens sobre a subida ao céu, a integração ao curso do sol e às estrelas que nunca se põem, além de trechos ligados a Osíris. A grafia é cuidadosa, com sinais pintados em verde e distribuição calculada para caber no espaço.
Não se trata de um livro. Cada tumba real da VI Dinastia que seguiu esse costume, incluindo as de Teti, Pepi I, Merenré, Pepi II e de várias rainhas, escolheu um recorte diferente das fórmulas, de modo que a numeração corrida usada hoje é uma convenção moderna de edição. A linguagem de algumas passagens é mais arcaica que a do restante e aponta para transmissão oral anterior. As câmaras foram desobstruídas e copiadas na década de 1880, e a partir dessas cópias o repertório passou a ser estudado como corpo unificado.
Sobre a datação
As inscrições pertencem ao reinado de Unas, estimado em cerca de trinta anos no fim da V Dinastia; parte das fórmulas é mais antiga que a própria gravação e não pode ser datada.
Importância histórica
Com Unas, o ritual funerário real deixa de depender apenas da fala do sacerdote e passa a ser fixado na parede, garantindo sua repetição independentemente de quem esteja presente. Isso inaugura a longa série de repertórios funerários escritos que o Egito produziria, dos textos gravados em caixões provinciais aos livros ilustrados do Novo Império. Para o estudo da religião egípcia, é a primeira massa de material que permite reconstruir concepções de morte, corpo, nome e céu com base em fonte direta.
Consequências
- Tornou a inscrição de fórmulas rituais parte fixa das tumbas reais da VI Dinastia.
- Forneceu o repertório que seria reaproveitado nos caixões das necrópoles provinciais.
- Fixou por escrito concepções sobre o além que antes circulavam apenas na prática ritual.
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