c. 2950 a.C. Datação aproximada
O túmulo de Djer e os enterramentos subsidiários
Em Umm el-Qaab, a câmara de tijolo de Djer foi cercada por centenas de sepulturas menores, cobertas de uma só vez e ocupadas por mulheres, servidores e artesãos da corte. A leitura majoritária é que se trata de acompanhantes mortos por ocasião do funeral do rei.
Período Tinita Mudanças religiosas Abidos Djer sepulturas subsidiárias corte
Contexto
O túmulo consiste em uma grande câmara forrada de tijolo, que abrigava um santuário de madeira, cercada por fileiras regulares de covas pequenas. Muitas delas tinham estelas com nome e função do ocupante, o que permitiu reconhecer mulheres do palácio, servidores domésticos e pessoas de baixa estatura ligadas ao entretenimento da corte. Um segundo conjunto de sepulturas acompanha o recinto de culto do mesmo rei, mais perto da área cultivada. O fato de todo o conjunto ter sido coberto em uma única operação é o argumento central da interpretação corrente, já que nenhuma dessas covas foi reaberta depois.
A prática aparece com a I Dinastia, atinge com Djer o maior número de sepulturas associadas a um só rei e desaparece antes do fim da mesma dinastia, substituída pela representação dos servidores em imagens e estatuetas. As causas das mortes não são conhecidas, pois não há marcas de violência documentadas nos restos, e o modo como esses funerais eram conduzidos permanece objeto de hipótese. Séculos mais tarde, no Médio Império, o túmulo de Djer foi identificado como a sepultura de Osíris e transformou-se em destino de peregrinação, o que explica a imagem do deus estendido em leito ali encontrada.
Sobre a datação
A duração do reinado de Djer é estimada por meio das etiquetas de ano e de fragmentos de anais gravados séculos mais tarde, que divergem entre si. A data indicada corresponde ao meio de um intervalo de algumas décadas.
Importância histórica
As sepulturas subsidiárias medem até onde ia, no momento de fundação do Estado, a reivindicação do rei sobre a vida de quem o servia. Ao mesmo tempo, elas formam o retrato mais completo da primeira corte egípcia, com nomes e funções que nenhum outro documento preservou. Seu abandono, poucas gerações depois, registra uma mudança de fundo: o séquito real deixa de ser levado para o além em pessoa e passa a ser representado em imagem.
Consequências
- Preservou nomes e funções de dezenas de pessoas ligadas à primeira corte egípcia.
- Marcou o auge de uma prática funerária abandonada antes do fim da I Dinastia.
- Transformou Abidos, séculos depois, em destino de peregrinação ligado a Osíris.
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