c. 1950 a.C. Datação aproximada
Senusret I reconstrói Karnak em pedra
Senusret I substituiu as instalações de tijolo do santuário de Amon em Karnak por um templo de calcário e ergueu uma capela de jubileu. Séculos depois, seus blocos foram reaproveitados como enchimento em um pilone, o que acabou preservando-os para a remontagem feita no século XX.
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Contexto
É com esse reinado que Karnak entra na história com arquitetura de pedra documentada. O programa incluiu um pátio com pilares, estátuas do rei em forma osiríaca e a chamada Capela Branca, pequena construção de calcário fino que servia de estação para a barca sagrada durante o festival de jubileu. Suas paredes trazem, além das cenas de oferenda, uma relação dos nomos do Egito com medidas de terra e cotas de produtos: um documento administrativo gravado em pedra, raro para qualquer período. No reinado de Amenhotep III a capela foi desmontada e seus blocos foram usados como recheio interno de um pilone, onde ficaram até serem retirados e recompostos, peça por peça, nas décadas de 1920 e 1930.
A escolha de investir em Tebas com a corte instalada no norte indica o peso político que o culto de Amon já tinha. O mesmo reinado deixou obra em Elefantina, em Abidos, em Tod e em Heliópolis, onde um obelisco de granito continua de pé no lugar em que foi erguido para o jubileu de trinta anos do rei. Um relato da fundação do templo de Heliópolis chegou até nós em cópia posterior, escrita em couro, e mostra a cerimônia de marcação do terreno com cordas conduzida pelo próprio rei. Karnak, porém, foi o canteiro que não parou mais: cada dinastia seguinte acrescentaria algo ao recinto.
Sobre a datação
A obra se estende por um reinado longo, cujas datas absolutas variam segundo a cronologia adotada: as âncoras disponíveis são registros lunares de arquivos administrativos e sincronismos parciais, insuficientes para fechar a conta em menos de algumas décadas.
Importância histórica
A intervenção de Senusret I é o ponto de partida de dois mil anos de ampliações que fizeram de Karnak o maior conjunto de templos do Egito. Ela também consolidou Amon como divindade dinástica num momento em que o governo havia se mudado para o norte, decisão com consequências políticas duradouras. Por fim, os blocos recuperados do enchimento do pilone conservaram uma lista de províncias com medidas, uma das melhores fontes sobre a geografia administrativa do Médio Império.
Consequências
- Deu início à sequência de ampliações que tornaria Karnak o maior recinto sagrado do país.
- Preservou, nos blocos reutilizados, uma relação dos nomos com medidas e cotas de oferenda.
- Reforçou Amon como deus dinástico mesmo com a corte instalada no Médio Egito.
- Deixou em Heliópolis um obelisco de jubileu que continua no lugar original.
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