c. 2125 – 1985 a.C.
XI Dinastia
Começou como poder regional tebano durante a divisão do país e terminou governando todo o Egito depois da reunificação conduzida por Mentuhotep II. Deu a Tebas o papel de capital política e ao deus Amon um lugar central.
Primeiro Período Intermediário Médio Império 5 acontecimentos
Sucessão
Governantes desta linhagem
Reinados em ordem cronológica. As datas anteriores a 664 a.C. são aproximadas.
-
c. 2112 – 2063 a.C.
Intef II
Rei tebano que estendeu o domínio do sul até Abidos, iniciando o avanço que levaria à reunificação. Foi o primeiro de sua linhagem a adotar titulatura real completa.
2 registros -
c. 2055 – 2004 a.C.
Mentuhotep II
Reunificou o Egito após a vitória sobre Heracleópolis e inaugurou o Médio Império. Seu templo funerário em Deir el-Bahari criou um novo modelo arquitetônico em terraços.
2 registros -
c. 2004 – 1992 a.C.
Mentuhotep III
Consolidou a reunificação, fortificou o delta oriental e enviou a primeira expedição do Médio Império ao Punt pelo Uádi Hamamate.
1 registro
Cronologia
Acontecimentos atribuídos à XI Dinastia
Primeiro Período Intermediário
c. 2181 – 2055 a.C.
2 acontecimentos
c. 2112 a.C. Datação aproximada Tebas se torna potência sob os Intef Sob Intef II, o domínio tebano deixou de ser um nomo entre outros: a fronteira sul foi levada a Elefantina, a norte alcançou a região tinita e o soberano passou a usar titulatura real completa. Foram cerca de…
- Localização
- Tebas e o nomo de Abidos
Alto Egito - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Intef II
A base do poder era o nomo de Tebas, até então de pouca expressão, cujos governantes controlavam a saída das rotas do deserto oriental e o trecho de rio que liga o vale a Elefantina. Intef II abandonou o título de nomarca, adotou nome de coroação e passou a se apresentar como rei. Sua sepultura em El-Tarif segue o modelo local de pátio escavado na encosta com fachada de pilares, e a estela que dela procede o mostra acompanhado de seus cães de caça, cada um com o nome inscrito.
O reinado de Intef II é estimado em cerca de cinquenta anos a partir de suas próprias inscrições e da posição que ocupa na sequência tebana; os anos absolutos variam entre as cronologias.
c. 2100 a.C. Datação aproximada Tebas e Heracleópolis disputam Abidos A faixa entre Abidos e Tinis tornou-se a linha de contato entre os dois reinos. Inscrições tebanas relatam combates contra a casa do norte nessa região, e as autobiografias dos nomarcas de Assiute descrevem…
- Localização
- Região de Abidos e Tinis
Alto Egito - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Intef II
O nomo tinita era o corredor obrigatório entre o Médio Egito e o sul, e abrigava o santuário de Abidos, onde se cultuava o senhor dos mortos. Controlá-lo significava juntar vantagem militar e autoridade religiosa, o que fez da região o objeto principal da guerra. Um oficial de Intef II deixou registrada a batalha travada ali e o avanço da fronteira; um comandante de Elkab menciona serviço na mesma frente. Do outro lado, os textos das sepulturas de Assiute falam de frota, recrutamento e represália, e reivindicam a recuperação de território perdido.
Os combates são conhecidos por inscrições de sepultura que não trazem data e usam vocabulário de louvor; a ordem dos episódios é reconstruída por comparação entre os monumentos.
Médio Império
c. 2055 – 1650 a.C.
3 acontecimentos
c. 2055 a.C. Datação aproximada Mentuhotep II reunifica o Egito Depois de mais de um século com o país repartido, o rei tebano Nebhepetre Mentuhotep II submeteu o reino de Heracleópolis e voltou a governar o vale e o delta sob um comando único. A mudança ficou registrada…
- Localização
- Tebas, com campanha até Heracleópolis
Alto Egito - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Mentuhotep II
Ao assumir o trono, Mentuhotep II governava uma faixa que ia de Elefantina ao limite norte do nomo de Abidos, herdada dos Intef. O avanço sobre Heracleópolis levou décadas e foi interrompido por uma revolta no próprio sul, provavelmente na região de Tinis, antes de a tropa tebana descer o rio. A sepultura coletiva de sessenta soldados escavada em Deir el-Bahari, com corpos marcados por flechas de haste curta, é a evidência física mais direta desse esforço militar. O rei anunciou o resultado no seu nome de Hórus: trocou-o duas vezes e terminou como Sematauy, aquele que une as Duas Terras.
Os anos absolutos do Médio Império derivam de observações lunares anotadas em arquivos de templo e de sincronismos parciais com o Levante, e não de uma contagem contínua. Para este reinado, a margem em uso entre os especialistas chega a algumas décadas.
c. 2040 a.C. Datação aproximada O templo em terraços de Mentuhotep II em Deir el-Bahari Na enseada rochosa de Deir el-Bahari, Mentuhotep II ergueu um complexo funerário em terraços, com pórticos de pilares e rampa central, encaixado na base do penhasco. O conjunto recebeu o nome de Akh-isut, os…
- Localização
- Deir el-Bahari, margem ocidental de Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Mentuhotep II
Uma calçada subia do vale até um pátio onde foram abertas covas para o plantio de tamargueiras e sicômoros, ainda visíveis. Dali uma rampa levava ao terraço, cercado por galerias de pilares quadrados, no centro do qual se erguia um bloco maciço cuja forma original continua em debate: pirâmide baixa, mastaba ou montículo simbólico, sem que os restos permitam decidir. Ao fundo, escavado na rocha, ficava o santuário dedicado a Amon e ao rei divinizado. Um poço na frente do conjunto, o Bab el-Hosan, guardava uma estátua sentada do rei envolto no manto do festival de jubileu, com a pele pintada de negro.
A obra é atribuída à segunda metade de um reinado cuja duração se conhece melhor que suas datas absolutas, calculadas a partir de âncoras lunares esparsas e de sincronismos incompletos. Daí uma variação de algumas décadas conforme a cronologia adotada.
c. 1995 a.C. Datação aproximada Uma expedição ao Punt reabre a rota do deserto oriental O mordomo Henenu atravessou o deserto oriental com três mil homens, abriu poços ao longo da estrada e montou na costa do Mar Vermelho o navio que desceria até o Punt em busca de resina aromática. A inscrição…
- Localização
- Uádi Hamamate e porto de Mersa Gauasis
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Mentuhotep III
O texto gravado na pedreira é um relatório de abastecimento antes de ser um relato de viagem. Henenu conta que recrutou os homens nos nomos do sul, que cada um recebia por dia duas jarras de água e vinte pães, que abriu poços em pontos secos do percurso e que limpou a estrada de grupos hostis. Chegando ao litoral, a equipe montou uma embarcação levada em peças pelo deserto, embarcou e trouxe de volta a resina de incenso e outros produtos do Punt. No caminho de retorno, a mesma força extraiu blocos para estátuas reais.
A inscrição data a viagem pelo oitavo ano do reinado, mas converter esse ano em data absoluta depende das mesmas âncoras lunares e dos sincronismos parciais que sustentam toda a cronologia do Médio Império, com folga de algumas décadas.