c. 1360 – 1330 a.C. Datação aproximada
As cartas de Amarna revelam a diplomacia do Oriente Próximo
Quase quatrocentas tabuinhas de barro escritas em cuneiforme acadiano formam o arquivo diplomático encontrado em Amarna. Nele se leem pedidos de ouro, negociações de casamento, queixas de vassalos sitiados e o vocabulário de irmandade entre reis que tratavam uns aos outros como iguais.
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Contexto
As tabuinhas vieram à luz em 1887, no edifício de Aquetáton identificado como repartição de correspondência do palácio, e hoje estão divididas entre coleções do Cairo, de Berlim, de Londres e de outras cidades. Dois grupos se distinguem. No primeiro, os grandes reis: Kadashman-Enlil e Burna-Buriash, da Babilônia; Tushratta, de Mitani; Suppiluliuma, de Hatti; Ashur-uballit, da Assíria; além dos governantes de Alashia, em Chipre, e de Arzawa. Eles se chamam de irmãos, cobram presentes prometidos, discutem dotes e reclamam de mensageiros retidos por tempo excessivo na corte egípcia.
O segundo grupo reúne vassalos do Levante, e o tom muda por completo: são súditos que se declaram poeira sob os pés do rei, prestam contas de tributo e pedem socorro militar. Rib-Hadda, de Biblos, escreve dezenas de vezes anunciando o cerco por Amurru e implorando arqueiros; Abdi-Heba, de Jerusalém, protege-se de acusações; Aziru negocia com ambos os lados. Os casamentos diplomáticos aparecem como peça central: princesas de Mitani e da Babilônia entram no harém egípcio com cortejos, listas de bens e exigências de ouro, enquanto o Egito recusa sistematicamente enviar mulheres de sua família real para o exterior.
Sobre a datação
O arquivo cobre pouco mais de três décadas e é, ele próprio, uma das principais âncoras da cronologia do Bronze Recente, por permitir o cruzamento entre reinados egípcios, hititas, assírios e babilônicos. Mesmo com esses sincronismos, subsiste divergência de cerca de dez anos entre as propostas alta e baixa.
Importância histórica
O arquivo é a fonte mais rica sobre o sistema internacional do Bronze Recente, quando um pequeno número de cortes mantinha relações reguladas por presentes, casamentos, juramentos e troca de mensageiros. Ele expõe a distância entre a retórica monumental egípcia, que só admite súditos vencidos, e a prática das chancelarias, onde o rei do Egito negociava de igual para igual. Também documenta a erosão do controle egípcio na Síria que antecedeu o confronto direto com Hatti.
Consequências
- Permitiu alinhar os reinados egípcios com os de Hatti, Assíria, Babilônia e Mitani.
- Revelou a rotina de presentes, dotes e mensageiros que sustentava as relações entre grandes cortes.
- Documentou a pressão de Amurru e de Hatti sobre as cidades vassalas do norte do Levante.
- Mostrou a assimetria entre o discurso oficial dos templos e a correspondência efetiva do palácio.
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