MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

Bloco 7 de 12 · c. 1550 – 1069 a.C.

Novo Império

No Novo Império o Egito torna-se uma potência internacional, com guarnições no Levante, controle sobre a Núbia e correspondência com os grandes reinos do Oriente Próximo. É o período de Hatshepsut, Tutmés III, Aquenáton, Tutancâmon e Ramsés II, e também o das tumbas escavadas no Vale dos Reis.

30 acontecimentos XVIII Dinastia XIX Dinastia XX Dinastia

Um império com duas frentes e uma corte itinerante

Amósis expulsa os hicsos e abre a XVIII Dinastia. Tutmés I leva o exército ao Eufrates; Tutmés III vence em Megido e organiza as províncias asiáticas em um sistema de vassalos, reféns e tributo. Hatshepsut goverda como rei, envia a frota ao Punt e ergue o templo em terraços de Deir el-Bahari. A corte se desloca entre Tebas, Mênfis e, por alguns anos, Aquetáton. A XIX e a XX Dinastias transferem a residência para o delta: Pi-Ramsés torna-se a capital de Ramsés II e de seus sucessores.

Horemheb reorganiza a justiça e o fisco depois da ruptura amarniana. Ramsés II enfrenta os hititas em Cades e, anos depois, sela o primeiro tratado de paz conhecido. Ramsés III repele os povos do mar e os líbios, mas o tesouro já não acompanha o discurso de vitória. A conspiração do harém e os processos por saque de tumbas no fim da XX Dinastia mostram um Estado que ainda julga, porém já não controla o oeste tebano como antes.

Ouro da Núbia, incenso do Punt, trigo do vale

O vice-reinado de Cuxe administra a Núbia como fonte de ouro, gado e soldados. Os templos de Abu Simbel afirmam esse domínio na pedra, voltados para o rio que os barcos de tributo sobem. No outro extremo, a expedição de Hatshepsut ao Punt traz incenso, ébano e árvores transplantadas para o jardim do templo; o jardim botânico de Karnak cataloga espécies estrangeiras como prova de alcance.

Deir el-Medina, a vila dos operários das tumbas reais, é o melhor arquivo de vida cotidiana do período: rações, ausências, processos, cartas e a primeira greve de trabalhadores registrada, quando o pagamento em cereal atrasa. Os anais de Tutmés III, gravados em Karnak, tratam o império asiático como contabilidade: cidades, colheitas, prisioneiros e metais. O Novo Império é imperial na guerra e administrativo no dia seguinte à guerra.

Amon, Aton e o cânone que se quebra

Amon-Rá de Karnak torna-se o deus dinástico por excelência. Os obeliscos, o eixo processional e o templo de Luxor organizam a festa de Opet, quando o deus visita o santuário do sul e a realeza se renova. Aquenáton interrompe esse arranjo: eleva o disco Aton, fecha templos de Amon, funda Aquetáton e autoriza uma arte que mostra o corpo real com ventre, queixo e intimidade familiar até então excluídos do cânone.

Tutancâmon restaura os cultos tradicionais e devolve a corte ao eixo Tebas-Mênfis. O apagamento dos monumentos de Hatshepsut, iniciado sob Tutmés III, e o apagamento posterior de Amarna mostram que a memória oficial era um campo de obra, não um arquivo neutro. A mumificação atinge nesse período o ponto técnico mais alto, documentado nas múmias reais e no papiro Ebers, que reúne receitas, diagnóstico do pulso e encantamentos em um mesmo corpo de saber.

O império se retrai e Tebas se torna um Estado paralelo

No fim da XX Dinastia, Ramsés XI ainda é rei, mas Herihor concentra em Tebas os cargos de general e de sumo sacerdote de Amon. O país se parte na prática antes de se partir no nome das dinastias. Pi-Ramsés perde o porto com o assoreamento do braço pelusíaco; o centro político caminha para Tânis. O Vale dos Reis deixa de receber novos enterramentos reais, e os sacerdotes começam a reunir as múmias em esconderijos.

O Novo Império deixa ao intervalo seguinte os templos que ainda vemos em Karnak, Luxor, Abu Simbel e Medinet Habu, o arquivo de Amarna, a vila de Deir el-Medina e a ideia de que o Egito pode — e deve — governar além da Primeira Catarata e do Sinai. Deixa também o custo dessa ideia: um clero tebano rico, um tesouro pressionado e uma fronteira nordeste que o século seguinte não conseguirá sustentar.

Pontos em debate entre especialistas

  • A correlação entre a cronologia egípcia e a mesopotâmica no século XIV a.C. ainda desloca o reinado de Aquenáton em alguns anos conforme o sincronismo adotado para as cartas de Amarna.
  • A extensão efetiva do controle egípcio no Levante após Tutmés III é lida por uns como império territorial e por outros como rede de vassalagem instável, dependente de campanhas periódicas.

Cronologia do período

30 acontecimentos entre 1798 d.C. – presente

Fichas em ordem cronológica. Abra qualquer uma para ver a localização, o governante e o contexto imediato.

c. 1550 a.C. Datação aproximada Amósis expulsa os hicsos e funda a XVIII Dinastia A tomada de Avaris e o cerco a Sharuhen encerraram o governo hicso no delta oriental. Amósis reuniu o vale e o delta sob um só rei, reabriu as pedreiras de calcário para as obras dos templos e inaugurou a… Guerras XVIII Dinastia Amósis I Baixo Egito
Localização
Avaris e Sharuhen, no sul do Levante
Baixo Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Amósis I

A ofensiva contra Avaris vinha de duas gerações, iniciada por Seqenenré Taa e continuada por Camés. Amósis subiu ao trono menino e retomou as operações quando dispôs de exército e frota. O relato mais detalhado do episódio não está em um monumento real, mas na autobiografia gravada na tumba do oficial de marinha Ahmés, filho de Ibana, em El-Kab: ele descreve combates embarcados no canal de Avaris, a queda da cidade e, em seguida, um cerco prolongado a Sharuhen, além de condecorações em ouro e cativos recebidos como prêmio de bravura.

O reinado de Amósis abre a série cronológica mais firme do Egito faraônico, sustentada por datas lunares, por observações do nascer helíaco de Sirius e por sincronismos com Hatti, a Assíria e a Babilônia. Mesmo assim, a cronologia alta e a baixa separam o início desse reinado por cerca de uma década.

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c. 1540 a.C. Datação aproximada O vice-reinado de Cuxe organiza o domínio da Núbia Retomado o sul, a coroa não restaurou a linha de fortalezas do Médio Império: criou um governo civil permanente, chefiado pelo Filho Real de Cuxe. O cargo respondia pela extração de ouro, pela cobrança de… Administração XVIII Dinastia Amósis I Núbia e Cuxe
Localização
Do Assuã à Quarta Catarata
Núbia e Cuxe
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Amósis I

O título egípcio do cargo, Filho Real de Cuxe, não indicava parentesco com o rei: marcava delegação direta de autoridade sobre um território governado à parte do restante do país. O titular tinha dois adjuntos, um para Uauat, entre a Primeira e a Segunda Catarata, e outro para Cuxe, a montante. Sob sua alçada ficavam escribas de celeiro, chefes de minas e comandantes de guarnição. Os primeiros ocupantes conhecidos aparecem já no início da XVIII Dinastia, e a lista de titulares atravessa quatro séculos, o que faz do vice-reinado uma das estruturas administrativas mais estáveis do Egito antigo.

A criação do cargo é situada entre o fim do reinado de Amósis e o de Amenhotep I, intervalo em que a documentação nubiana é escassa. Como no restante do Novo Império, as datas absolutas oscilam cerca de dez anos conforme se adote a cronologia alta ou a baixa, ainda que a sequência interna dos reinados seja segura.

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c. 1534 a.C. Datação aproximada O papiro Ebers reúne o conhecimento médico egípcio Com cerca de vinte metros de comprimento e mais de oitocentas prescrições, o papiro Ebers é o maior tratado médico egípcio conservado. Nele convivem receitas medidas em frações precisas, roteiros de exame do… Medicina XVIII Dinastia Amenhotep I Todo o Egito
Localização
Tebas, com originais mais antigos
Todo o Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Amenhotep I

O rolo tem cento e dez páginas e foi copiado por um escriba a partir de tratados mais antigos, alguns provavelmente do Médio Império, como mostram a linguagem e as repetições internas. Os capítulos se organizam por queixa: dores abdominais, doenças dos olhos, afecções da pele, mordidas, problemas ginecológicos, males da cabeça. Muitas entradas seguem um roteiro fixo, que começa pelo exame do doente, passa ao juízo do profissional e termina na prescrição, com ingredientes como mel, óleo de rícino, tâmaras, cominho, cerveja doce e minerais moídos, dosados em frações de medidas correntes.

O verso do documento traz uma tabela de calendário com o ano nove de um rei não nomeado, geralmente identificado como Amenhotep I, o que fornece a data da cópia e não a da composição. Essa referência é uma das âncoras da cronologia do início da XVIII Dinastia, cujas datas absolutas ainda variam cerca de dez anos entre as propostas alta e baixa.

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c. 1520 a.C. Datação aproximada A vila de Deir el-Medina abriga os operários das tumbas reais Em um vale fechado da margem ocidental de Tebas, a coroa instalou o povoado dos artesãos encarregados de escavar e decorar as tumbas reais. Cerca de setenta casas dentro de um muro, salários pagos em grão e… Vida cotidiana XVIII Dinastia Amenhotep I Alto Egito
Localização
Deir el-Medina, margem ocidental de Tebas
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Amenhotep I

Os moradores se identificavam como servidores do Lugar da Verdade e trabalhavam divididos em duas turmas, a da direita e a da esquerda, cada uma com um chefe, um subchefe e um escriba. O pagamento vinha do tesouro do templo funerário em atividade e consistia sobretudo em trigo emmer e cevada, entregues por mês em sacos, com porções maiores para os chefes e o escriba, além de peixe, verduras, lenha, cerveja, óleo e água trazida por burros, já que o vale não tem poço. Atrasos na entrega do grão paralisavam a vila e geraram registros de reclamação formal.

Tijolos com o selo de Amenhotep I e de Tutmés I situam a fundação no começo do século XVI a.C., embora o povoado só se torne bem documentado a partir da XIX Dinastia. As datas absolutas dependem da cronologia adotada, com diferença próxima de dez anos entre as versões alta e baixa.

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c. 1500 a.C. Datação aproximada O Vale dos Reis substitui as pirâmides reais A monarquia abandonou o túmulo visível e passou a esconder a sepultura em um uádi atrás da montanha tebana, separando-a do templo de culto erguido na planície. A decisão mudou a arquitetura funerária real por… Construções XVIII Dinastia Tutmés I Alto Egito
Localização
Vale dos Reis, Tebas ocidental
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés I

O uádi escolhido fica sob o pico de el-Qurn, cuja silhueta triangular funcionava como pirâmide natural sobre as tumbas. O acesso único e a escassez de rotas facilitavam a vigilância por guardas da necrópole. A escavação era feita na rocha, com corredores em declive, poços de proteção, câmaras de anexos e uma sala de sarcófago decorada com textos do repertório funerário real, entre eles o Livro do Amduat. O templo de culto, antes acoplado à pirâmide, passou a ser construído a quilômetros de distância, na borda das terras cultivadas.

A atribuição das duas tumbas mais antigas do vale, KV20 e KV38, ao reinado de Tutmés I é debatida, e com ela a data exata da primeira escavação. O reinado em si está bem posicionado na sequência dinástica, com a habitual margem de cerca de dez anos entre a cronologia alta e a baixa.

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c. 1500 a.C. Datação aproximada Tutmés I leva o exército egípcio ao Eufrates Duas frentes marcaram esse reinado: ao sul, a conquista até a Terceira Catarata, comemorada na estela de Tombos; ao norte, uma marcha inédita até o Eufrates, onde o rei mandou erguer uma estela de fronteira… Guerras XVIII Dinastia Tutmés I Levante e Síria
Localização
Norte da Síria, margem do Eufrates
Levante e Síria
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés I

No segundo ano de reinado, uma estela gravada na rocha em Tombos, junto à Terceira Catarata, registra a derrota das forças de Cuxe e a instalação do domínio egípcio a montante. Textos do período descrevem o corpo de um arqueiro núbio pendurado na proa do navio real na volta a Tebas, imagem de vitória destinada ao público interno. No mesmo reinado, o canal aberto na Primeira Catarata em tempos de Senusret III foi desobstruído para permitir a passagem da frota, obra registrada em inscrição na ilha de Sehel.

A campanha na Síria é conhecida por textos comemorativos e por biografias de oficiais, sem data de ano preservada de forma segura. A posição do reinado na sequência do Novo Império é firme, ainda que as datas absolutas se desloquem cerca de uma década conforme a cronologia escolhida.

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c. 1473 a.C. Datação aproximada Hatshepsut assume a realeza plena Viúva de Tutmés II, Hatshepsut governou primeiro como regente do enteado criança e, entre o segundo e o sétimo ano desse reinado, adotou titulatura real completa. A solução manteve os dois nomes no trono e foi… Faraós XVIII Dinastia Hatshepsut Alto Egito
Localização
Tebas
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Hatshepsut

Filha de Tutmés I e esposa principal de Tutmés II, Hatshepsut acumulava o cargo sacerdotal de Esposa Divina de Amon quando o marido morreu deixando um herdeiro muito jovem. As primeiras inscrições da regência a apresentam como grande esposa real que administra o país em nome do menino. Nos anos seguintes, os epítetos mudam: ela recebe os cinco nomes da titulatura faraônica, entre eles o prenome Maatkaré, e passa a ser representada com o pano de cabeça, o saiote curto e, em parte das imagens, a barba cerimonial do ofício, sem que o gênero feminino desapareça dos textos, onde formas masculinas e femininas alternam.

A passagem da regência à realeza é datada pelos anos de reinado de Tutmés III, que continuaram a ser contados durante toda a corregência, entre o ano dois e o ano sete. Convertida em datas absolutas, a transição varia cerca de dez anos segundo a cronologia adotada para o Novo Império.

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c. 1470 a.C. Datação aproximada A expedição ao Punt e o comércio de incenso Cinco navios partiram de um porto do Mar Vermelho em busca de resinas aromáticas e voltaram carregados de mirra, ébano, marfim, ouro e animais vivos. O pórtico sul de Deir el-Bahari registrou a viagem em… Comércio XVIII Dinastia Hatshepsut Deserto Oriental e Mar Vermelho
Localização
Do Mar Vermelho ao Punt, provavelmente na costa africana
Deserto Oriental e Mar Vermelho
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Hatshepsut

O Punt aparece em documentos egípcios desde a V Dinastia como fonte das resinas queimadas nos templos. Os relevos do templo de Deir el-Bahari são o registro mais detalhado de uma dessas viagens: mostram a montagem dos navios, a travessia, as casas do Punt erguidas sobre estacas entre palmeiras, peixes do Mar Vermelho desenhados com precisão suficiente para identificação de espécie, e o encontro com o chefe Parehu e sua esposa Ati. A chefia da missão é atribuída ao chanceler Nehesi, e a expedição combinou trecho fluvial, travessia do deserto oriental com as peças das embarcações e navegação costeira.

Os relevos situam a viagem no ano nove da corregência, mas não trazem indicação de mês nem de duração total. A conversão para datas absolutas herda a margem de cerca de dez anos que separa as cronologias alta e baixa do Novo Império.

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c. 1460 a.C. Datação aproximada Os obeliscos de Karnak e as pedreiras de Assuã Dois monólitos de granito extraídos em Assuã foram erguidos entre o quarto e o quinto pilone de Karnak. O que permanece de pé tem quase trinta metros e mais de trezentas toneladas, e sua base afirma que a… Construções XVIII Dinastia Hatshepsut Alto Egito
Localização
Karnak e pedreiras de granito de Assuã
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Hatshepsut

O granito vermelho vinha das pedreiras da margem oriental de Assuã, onde o bloco era isolado por trincheiras abertas a golpes de esferas de dolerito e depois desprendido da rocha viva. O transporte, cerca de duzentos quilômetros rio abaixo, aparece representado em relevo no pórtico inferior de Deir el-Bahari: dois obeliscos deitados lado a lado sobre uma barcaça imensa, rebocada por filas de embarcações a remo. A operação, atribuída nos textos ao mordomo Senenmut, dependia da cheia para aproximar a carga do canteiro e de rampas de tijolo e areia para o levantamento final.

A inscrição da base do obelisco conservado menciona o ano dezesseis da corregência e um prazo de sete meses entre a extração e a instalação. As datas absolutas correspondentes oscilam cerca de uma década entre a cronologia alta e a baixa.

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1457 a.C. Datação aproximada A batalha de Megido inaugura o império asiático Ao assumir o governo sozinho, Tutmés III enfrentou uma coalizão de cidades sírias e palestinas reunida em Megido. A escolha da passagem estreita de Aruna surpreendeu o inimigo, e o cerco que se seguiu durou… Guerras XVIII Dinastia Tutmés III Levante e Síria
Localização
Megido, no vale de Jezreel
Levante e Síria
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés III

Os anais foram inscritos nas paredes em torno do santuário de granito de Karnak e derivam de um diário de campanha guardado em rolo no templo de Amon, o que explica o nível de detalhe: datas, itinerários, discursos em conselho de guerra e listas de despojos. Segundo esse texto, a coalizão era chefiada pelo governante de Cades e reunia centenas de chefes locais. O conselho de oficiais recomendou os caminhos largos; o rei impôs a trilha de Aruna, onde a coluna teve de avançar em fila indiana, e apareceu na planície de Jezreel pelo flanco desprotegido.

Os anais datam o combate com precisão de dia dentro do ano vinte e três de Tutmés III, o que faz dele um dos acontecimentos militares mais bem registrados da Antiguidade. A conversão para o calendário atual, no entanto, produz resultados que variam cerca de vinte e cinco anos entre a cronologia alta e a baixa, com 1457 a.C. como valor mais usado.

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c. 1450 a.C. Datação aproximada Os anais de Tutmés III e a administração das províncias asiáticas Dezessete campanhas em vinte anos não produziram anexação direta, mas um sistema de vassalagem: chefes locais mantidos no cargo, herdeiros educados na corte egípcia, guarnições em pontos estratégicos e portos… Administração XVIII Dinastia Tutmés III Levante e Síria
Localização
Karnak e cidades vassalas do Levante
Levante e Síria
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés III

O Egito não instalou governadores próprios na maior parte do Levante. Preferiu contratos de lealdade jurados diante do rei, acompanhados de entrega periódica de bens que os textos chamam de inu: prata, cobre, cavalos, carros, tecidos, vinho, azeite e madeira de construção. Três centros de supervisão foram organizados, com sede em Gaza, na região de Cades e em Ugarite ou suas vizinhanças, sob a autoridade de um funcionário responsável pelas terras estrangeiras do norte. Guarnições pequenas e depósitos de suprimento nos portos da costa garantiam que a próxima campanha encontrasse comida e transporte disponíveis.

As campanhas estão datadas por ano de reinado, do vigésimo terceiro ao quadragésimo segundo, mas a gravação dos anais em Karnak foi feita em etapas, sem data própria. Como em todo o período, a passagem para o calendário atual admite variação próxima de uma década segundo a cronologia adotada.

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c. 1450 a.C. Datação aproximada O jardim botânico de Karnak cataloga plantas estrangeiras Nas salas anexas ao Akhmenu, em Karnak, as paredes foram cobertas de plantas e animais gravados em relevo, apresentados como espécies encontradas nas terras de Retjenu. É o mais antigo repertório figurado de… Agricultura XVIII Dinastia Tutmés III Alto Egito
Localização
Templo de Amon em Karnak
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés III

O Akhmenu, salão de festas erguido a leste do santuário principal de Karnak, recebeu no seu conjunto de câmaras um programa decorativo sem paralelo. Em vez das cenas habituais de oferenda, as paredes exibem fileiras de plantas com raiz, flor e fruto, além de aves, quadrúpedes e frutos isolados. Uma legenda declara que se trata do que a majestade encontrou na terra de Retjenu, designação egípcia da Síria e da Palestina, o que liga o conjunto às campanhas asiáticas. Estimativas correntes apontam cerca de duas centenas e meia de espécies representadas.

As salas fazem parte do Akhmenu, cuja construção é situada no fim do reinado de Tutmés III, sem data de dedicação preservada. A cronologia do Novo Império é a mais segura do Egito faraônico, mas as datas absolutas continuam a divergir cerca de dez anos entre as reconstruções alta e baixa.

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c. 1440 a.C. Datação em debate O apagamento dos monumentos de Hatshepsut Nomes cinzelados, figuras substituídas, estátuas quebradas e enterradas em fossos, obeliscos ocultados por alvenaria: a memória monumental de Hatshepsut foi removida de forma seletiva. A cronologia do… Arte XVIII Dinastia Tutmés III Alto Egito
Localização
Deir el-Bahari e Karnak
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés III

A intervenção não foi uniforme. Em Deir el-Bahari e em Karnak, os cartuchos e as imagens da soberana com insígnias reais foram removidos, enquanto representações dela como esposa real ou como Esposa Divina de Amon muitas vezes permaneceram intactas. Os nomes suprimidos foram frequentemente substituídos por aqueles de Tutmés I, Tutmés II e Tutmés III. A Capela Vermelha, santuário de quartzito construído por ela, foi desmontada e seus blocos reaproveitados como enchimento no terceiro pilone. Estátuas foram derrubadas, fragmentadas e lançadas em fossos perto do templo, onde escavações do século XX as recuperaram e permitiram remontar várias peças.

O exame das superfícies marteladas e das camadas de reconstrução indica que a remoção começou por volta do ano quarenta e dois de Tutmés III, isto é, cerca de vinte anos depois da morte da soberana, e prosseguiu no reinado seguinte. Além dessa dúvida sobre o momento inicial, vale a margem de aproximadamente dez anos entre a cronologia alta e a baixa do Novo Império.

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c. 1400 a.C. Datação aproximada A Estela do Sonho e o primeiro restauro documentado Uma estela de granito instalada entre as patas da Esfinge conta que o príncipe adormeceu à sombra do monumento e ouviu o deus pedir que o livrasse da areia. O texto associa a limpeza do monumento à chegada ao… Mudanças religiosas XVIII Dinastia Tutmés IV Baixo Egito
Localização
Entre as patas da Grande Esfinge, em Gizé
Baixo Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés IV

A laje foi feita a partir de um lintel retirado do templo funerário de Quéfren, mil e cem anos mais antigo, e colocada de pé contra o peito da escultura. O texto narra que o filho do rei, depois de caçar no deserto de Gizé, deitou-se à sombra da Esfinge ao meio-dia e recebeu em sonho a fala do deus Horemakhet, o Hórus do horizonte, que se dizia sufocado pela areia e prometia a realeza em troca da desobstrução. A parte final da inscrição está muito danificada, e a promessa em si depende de restituição, o que torna prudente falar de uma versão oficial e não de um registro literal.

O monumento traz o ano um do reinado de Tutmés IV, o que fixa a data relativa com segurança; a passagem para o calendário atual depende da cronologia escolhida, com diferença de cerca de dez anos entre as versões alta e baixa.

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c. 1370 a.C. Datação aproximada O templo de Luxor e os Colossos de Mêmnon O reinado mais próspero da XVIII Dinastia ergueu em Luxor o santuário do sul, com colunata e pátio solar, e na margem oposta um templo funerário de dimensões enormes, guardado por dois colossos de quartzito de… Construções XVIII Dinastia Amenhotep III Alto Egito
Localização
Luxor e Kom el-Hetan, em Tebas
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Amenhotep III

O templo de Luxor, chamado Ipet-resyt, foi concebido para a festa de Opet, quando as imagens dos deuses de Karnak desciam em procissão até o santuário do sul. Suas salas internas trazem a sequência de relevos do nascimento divino do rei, em que Amon assume a forma do pai para gerar o herdeiro, tema já usado em Deir el-Bahari. A obra foi conduzida sob a supervisão do arquiteto Amenhotep, filho de Hapu, funcionário tão prestigiado que recebeu templo de culto próprio, e prosseguiu depois com a colunata concluída no reinado de Tutancâmon.

As obras se distribuem ao longo de um reinado de quase quatro décadas, sem que os monumentos permitam datar cada etapa. A posição do reinado é firme, apoiada em datas lunares e em cartas trocadas com Babilônia e Mitani, com a costumeira diferença de cerca de dez anos entre as cronologias em uso.

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c. 1360 – 1330 a.C. Datação aproximada As cartas de Amarna revelam a diplomacia do Oriente Próximo Quase quatrocentas tabuinhas de barro escritas em cuneiforme acadiano formam o arquivo diplomático encontrado em Amarna. Nele se leem pedidos de ouro, negociações de casamento, queixas de vassalos sitiados e o… Administração XVIII Dinastia Amenhotep III Mesopotâmia e Anatólia
Localização
Aquetáton, com correspondentes de Babilônia a Hatti
Mesopotâmia e Anatólia
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Amenhotep III

As tabuinhas vieram à luz em 1887, no edifício de Aquetáton identificado como repartição de correspondência do palácio, e hoje estão divididas entre coleções do Cairo, de Berlim, de Londres e de outras cidades. Dois grupos se distinguem. No primeiro, os grandes reis: Kadashman-Enlil e Burna-Buriash, da Babilônia; Tushratta, de Mitani; Suppiluliuma, de Hatti; Ashur-uballit, da Assíria; além dos governantes de Alashia, em Chipre, e de Arzawa. Eles se chamam de irmãos, cobram presentes prometidos, discutem dotes e reclamam de mensageiros retidos por tempo excessivo na corte egípcia.

O arquivo cobre pouco mais de três décadas e é, ele próprio, uma das principais âncoras da cronologia do Bronze Recente, por permitir o cruzamento entre reinados egípcios, hititas, assírios e babilônicos. Mesmo com esses sincronismos, subsiste divergência de cerca de dez anos entre as propostas alta e baixa.

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c. 1346 a.C. Datação aproximada A reforma de Aton e a fundação de Aquetáton No quinto ano de reinado, o rei trocou o nome, transferiu a corte para um lugar sem culto anterior e impôs o serviço exclusivo do disco solar. Templos de outros deuses foram fechados, seus bens redirecionados… Mudanças religiosas XVIII Dinastia Aquenáton Médio Egito
Localização
Aquetáton, atual Amarna
Médio Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Aquenáton

O culto do disco solar não era novidade: Aton aparece em textos desde o Médio Império e ganhou destaque já com Amenhotep III. A ruptura foi de outra ordem. O rei mandou construir em Karnak um santuário a céu aberto para Aton, o Gempaaton, feito com blocos pequenos de fácil manuseio, os talatate, e em seguida escolheu para nova capital uma planície na margem oriental do Nilo, delimitada por estelas gravadas na rocha que declaram o local como não pertencente a nenhum deus nem a nenhuma deusa. O nome adotado, Aquetáton, significa horizonte do disco solar, e o rei passou a chamar-se Aquenáton.

As estelas de limite da cidade datam a escolha do local do ano cinco do reinado, e a mudança de nome do rei ocorre no mesmo intervalo. Como o restante do período, as datas absolutas variam cerca de uma década conforme a cronologia adotada, apesar dos sincronismos com Hatti, a Assíria e a Babilônia.

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c. 1345 a.C. Datação aproximada A arte de Amarna rompe o cânone milenar Crânios alongados, queixos salientes, ventres proeminentes e cenas de intimidade familiar substituíram o corpo idealizado da tradição. A grade de proporções foi refeita, e as oficinas de Aquetáton produziram… Arte XVIII Dinastia Aquenáton Médio Egito
Localização
Oficinas de Aquetáton
Médio Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Aquenáton

A convenção egípcia representava o rei como jovem atlético, de proporções fixadas por uma grade de dezoito quadrados. Nos primeiros anos do reinado, essa grade foi substituída por outra, de vinte quadrados, e as figuras passaram a exibir cabeça alongada, feições estreitas, quadris largos e membros finos, tratamento aplicado ao rei, à rainha e às princesas. As cenas mudaram de assunto: o casal aparece abraçando as filhas, beijando-as, comendo em família, chorando em funeral, sempre sob os raios de Aton, e não mais em posturas de combate ou de oferenda solene.

O estilo evolui dentro do reinado, das figuras mais alongadas dos primeiros anos a formas mais contidas no fim, o que impede datar cada obra com precisão. As datas absolutas do reinado permanecem sujeitas à diferença de cerca de dez anos entre cronologia alta e baixa.

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c. 1332 a.C. Datação aproximada Tutancâmon restaura os cultos tradicionais Um menino de cerca de nove anos subiu ao trono e, em poucos anos, os templos fechados voltaram a funcionar, as rendas foram devolvidas e o nome do rei passou de Tutankhaton a Tutancâmon. A Estela da… Mudanças religiosas XVIII Dinastia Tutancâmon Alto Egito
Localização
Tebas e Mênfis
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutancâmon

O texto da estela descreve santuários em ruína, pátios tomados por ervas, capelas transformadas em atalho e o país abandonado pelos deuses, que não atendiam mais a nenhum pedido. Em seguida enumera as medidas: reconstrução de imagens divinas em ouro e pedras finas, restituição de terras e de rendas aos templos, nomeação de novos sacerdotes escolhidos entre filhos de notáveis e retomada dos festivais. O documento foi encontrado em Karnak e teve depois o nome do rei substituído pelo de Horemheb, prática que dificultou por muito tempo a atribuição correta.

A Estela da Restauração não conserva número de ano legível, e a medida é situada nos primeiros anos do reinado pela mudança do nome do rei. As datas absolutas seguem a margem de cerca de dez anos que separa a cronologia alta da baixa no Novo Império.

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c. 1320 a.C. Datação aproximada O decreto de Horemheb reorganiza a justiça e o fisco General que chegou ao trono sem herança dinástica, Horemheb gravou em Karnak um longo decreto contra abusos de cobradores e juízes. O texto proíbe requisições arbitrárias de barcos e couros, fixa penas severas… Administração XVIII Dinastia Horemheb Todo o Egito
Localização
Karnak, com aplicação em todo o país
Todo o Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Horemheb

A estela foi erguida junto ao décimo pilone de Karnak e chegou incompleta, com lacunas extensas, mas o suficiente para reconstituir a lógica das medidas. Os casos descritos são concretos: agentes do fisco que tomavam embarcações de particulares para transporte oficial, funcionários que confiscavam couros destinados às oficinas de couro do palácio, soldados que se apropriavam de bens durante deslocamentos. Para cada abuso, o decreto indica a proibição e a punição, que em situações graves inclui mutilação e degredo para a guarnição de Tjaru, na fronteira nordeste do delta.

A estela que traz o texto está mutilada na parte da data, e a medida é situada no começo do reinado por argumentos internos. A margem habitual de cerca de dez anos entre as cronologias alta e baixa do Novo Império também se aplica aqui.

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c. 1279 a.C. Datação aproximada Pi-Ramsés se torna a nova capital do delta A corte ramessida deixou Tebas como residência e se instalou no delta oriental, perto da antiga Avaris. Pi-Ramsés reuniu palácio, templos, quartel de carros e oficinas de bronze, e sua posição encurtava em… Construções XIX Dinastia Ramsés II Baixo Egito
Localização
Qantir, no delta oriental
Baixo Egito
Dinastia
XIX Dinastia
Governante
Ramsés II

O local, hoje a região de Qantir, ficava junto ao braço pelusíaco do Nilo, com acesso direto ao Mediterrâneo e à estrada militar do norte do Sinai. As prospecções magnéticas e as escavações revelaram uma cidade de vários quilômetros quadrados, com setor palaciano, distritos de templo, estábulos capazes de abrigar centenas de cavalos, pistas de manobra e uma grande oficina metalúrgica com fornos de fundição de bronze e resíduos de fabricação de armas. Peças de revestimento em faiança azul e ladrilhos decorados indicam o padrão dos edifícios oficiais.

A fundação é atribuída ao início do reinado de Ramsés II, cuja subida ao trono é uma das datas mais bem amarradas do Egito faraônico, apoiada em datas lunares e nos sincronismos com Hatti. Ainda assim, o valor absoluto varia cerca de uma década entre a cronologia alta e a baixa.

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1274 a.C. Datação aproximada A batalha de Cades contra o Império Hitita No quinto ano de reinado, quatro divisões egípcias marcharam sobre Cades e caíram em uma emboscada montada por Muwatalli II. O ataque hitita quase destruiu o acampamento real, e o resultado foi um impasse que… Guerras XIX Dinastia Ramsés II Levante e Síria
Localização
Cades, no rio Orontes
Levante e Síria
Dinastia
XIX Dinastia
Governante
Ramsés II

O exército avançou dividido em quatro corpos, com os nomes de Amon, Rá, Ptah e Set, mais um destacamento vindo pela costa. Segundo o relato egípcio, dois beduínos capturados informaram que as forças hititas estavam longe, ao norte, quando na verdade se encontravam escondidas atrás da cidade. A carga dos carros hititas atingiu a divisão de Rá em marcha e a desbaratou, chegando ao acampamento real. A chegada do destacamento costeiro e a reorganização em torno do rei impediram o desastre completo, e no dia seguinte as duas frentes se retiraram sem tomar a praça.

O combate está datado do ano cinco de Ramsés II, e o cruzamento com os arquivos de Hattusa torna essa posição uma das mais seguras do Bronze Recente. A conversão para o calendário atual oscila cerca de dez anos entre a cronologia alta e a baixa, com 1274 a.C. como valor de uso corrente.

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c. 1264 a.C. Datação aproximada Os templos de Abu Simbel afirmam o poder egípcio na Núbia Ramsés II mandou escavar na encosta de Abu Simbel dois templos rupestres: o maior, com quatro colossos sentados de cerca de vinte metros, dedicado a Amon-Rá, Rá-Horakhti, Ptá e ao próprio rei divinizado; o… Construções XIX Dinastia Ramsés II Núbia e Cuxe
Localização
Abu Simbel, ao norte da Segunda Catarata
Núbia e Cuxe
Dinastia
XIX Dinastia
Governante
Ramsés II

A escolha do lugar respondia a uma necessidade de governo. Abu Simbel ficava na rota fluvial que ligava o Egito às minas de ouro e às províncias administradas pelo vice-rei de Cuxe, e as fachadas foram talhadas de frente para o rio, de modo que quem subia ou descia o Nilo encontrasse primeiro os colossos do rei. No santuário mais profundo, quatro estátuas sentadas mostram Ramsés II entre os grandes deuses do Estado, na mesma escala e recebendo o mesmo culto. O eixo do templo foi orientado de tal modo que a luz do sol nascente alcança esse fundo em dois momentos do ano.

O início das obras é situado por volta do ano vinte de Ramsés II, e a conclusão do conjunto se estendeu por cerca de duas décadas. As datas absolutas do reinado variam alguns anos entre as cronologias em uso.

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1259 a.C. Datação estabelecida O primeiro tratado de paz conhecido da história Quinze anos depois do confronto em Cades, Ramsés II e Hatusil III firmaram um acordo de não agressão, auxílio militar recíproco e devolução de fugitivos. O texto sobreviveu em duas redações independentes, uma… Guerras XIX Dinastia Ramsés II Mesopotâmia e Anatólia
Localização
Pi-Ramsés e Hattusa
Mesopotâmia e Anatólia
Dinastia
XIX Dinastia
Governante
Ramsés II

O acordo não encerrou uma guerra em curso: oficializou um equilíbrio já existente. Depois de Cades, nenhuma das duas potências conseguiu expulsar a outra da Síria central, e a ascensão do Império Assírio a leste tornou a rivalidade custosa para ambos os lados. A redação egípcia foi gravada em pedra no templo de Amon em Karnak e no Rameseu, o templo funerário de Ramsés II em Tebas ocidental. A redação em acádio, língua da diplomacia da época, foi escrita em tábuas de barro e recuperada nos arquivos reais de Hattusa, na Anatólia central.

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1208 a.C. Datação aproximada Merneptah repele líbios e povos do mar no delta No quinto ano de Merneptah, uma coalizão de líbios e de grupos vindos do mar avançou sobre o delta ocidental e foi detida em Perire. A estela erguida para celebrar a vitória traz também a mais antiga menção… Guerras XIX Dinastia Merneptah Líbia e fronteira ocidental
Localização
Delta ocidental e Perire
Líbia e fronteira ocidental
Dinastia
XIX Dinastia
Governante
Merneptah

A pressão sobre a fronteira oeste vinha crescendo desde o fim do reinado de Ramsés II. Grupos líbios, sobretudo libu e mechuech, procuravam terras cultiváveis na franja do delta, e a eles se juntaram contingentes de origem mediterrânica, entre os quais os designados nos textos como ecuech, tursha, luca, sardana e chequelech, alguns dos quais já serviam como soldados pagos nos exércitos da região. O exército egípcio interceptou o avanço em Perire, e o relato oficial registra milhares de mortos, além de prisioneiros marcados e distribuídos como mão de obra.

O confronto é datado do quinto ano de Merneptah pelos próprios monumentos; a posição desse ano na escala absoluta depende da cronologia adotada para a XIX Dinastia, com variação de poucos anos.

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1177 a.C. Datação aproximada Ramsés III enfrenta os povos do mar No ano oito de Ramsés III, o Egito enfrentou por terra e por água grupos designados nos textos como peleset, tjeker, chequelech, denien e uechech. As paredes do templo de Medinet Habu registram os combates… Guerras XX Dinastia Ramsés III Baixo Egito
Localização
Bocas do delta e fronteira do Sinai
Baixo Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés III

O período em torno de mil e duzentos anos antes da era comum viu ruir vários centros do Mediterrâneo oriental: Hatti perdeu a capital, Ugarite foi abandonada, cidades micênicas foram destruídas. A expressão povos do mar é uma criação de estudiosos do século dezenove e reúne, sob um rótulo único, populações de origens distintas. Os nomes registrados nos textos egípcios correspondem a grupos que aparecem em contextos variados: alguns como atacantes, outros como soldados já contratados por egípcios e hititas, outros ainda como famílias em deslocamento, com carros de bois e mulheres representadas ao lado dos combatentes.

O ano oito de Ramsés III é indicado pelos textos do templo de Medinet Habu, mas sua conversão em data absoluta varia entre as cronologias propostas para o início da XX Dinastia.

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c. 1157 a.C. Datação aproximada A primeira greve de trabalhadores registrada No ano vinte e nove de Ramsés III, os operários encarregados das tumbas reais deixaram o trabalho e ocuparam os pátios dos templos funerários de Tebas ocidental porque as rações de grão estavam atrasadas. O… Vida cotidiana XX Dinastia Ramsés III Alto Egito
Localização
Deir el-Medina e templo de Medinet Habu
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés III

Os homens de Deir el-Medina não recebiam moeda, e sim uma remuneração em espécie entregue pela administração do tesouro: trigo e cevada em quantidade fixa por mês, além de peixe, lenha, óleo, cerveja e roupas. Quando o grão atrasava, faltava alimento em casa no mesmo mês. No segundo mês da estação de peret, com dezoito dias de atraso acumulado, a equipe cruzou os muros do recinto e sentou-se atrás do templo funerário de Tutmés III, seguindo nos dias seguintes para o Rameseu e para Medinet Habu, onde ficavam os celeiros e a administração local.

O papiro data a paralisação do ano vinte e nove de Ramsés III, com dia e mês precisos; a correspondência desse ano com a escala absoluta depende da cronologia adotada para o reinado.

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c. 1155 a.C. Datação aproximada A conspiração do harém e o julgamento dos culpados Um grupo formado por uma esposa secundária do rei, seu filho e dezenas de funcionários de palácio tentou eliminar Ramsés III e colocar no trono o príncipe conhecido como Pentauer. Os papiros judiciais de Turim… Faraós XX Dinastia Ramsés III Alto Egito
Localização
Corte real e tribunal de Tebas
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés III

A corte ramessida abrigava várias esposas reais e seus filhos, e a sucessão não seguia regra automática. A rainha Tiye, mãe do príncipe registrado nos documentos pelo nome Pentauer, articulou uma conspiração que envolveu mordomos, escribas do harém, chefes militares e funcionários do tesouro, com apoio buscado também fora do palácio. Um tribunal extraordinário de doze membros foi nomeado para julgar cerca de quarenta acusados. As sentenças incluíram execução, autorização para tirar a própria vida e mutilação; parte dos próprios juízes foi punida depois por conduta imprópria com as mulheres detidas.

Os papiros do processo não trazem data completa e são situados nos últimos anos de Ramsés III, cujo reinado terminou por volta de 1153 a.C. segundo a cronologia mais usada.

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c. 1150 a.C. Datação aproximada A mumificação atinge seu ponto técnico mais alto Nas oficinas funerárias de Tebas ocidental, o tratamento dos corpos alcançou no fim do Novo Império seu maior refinamento, com rostos preservados em aparência natural, membros preenchidos e posição cuidada. O… Medicina XX Dinastia Ramsés IV Alto Egito
Localização
Oficinas funerárias de Tebas ocidental
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés IV

O objetivo declarado nos textos não era conservar um cadáver, mas produzir um corpo capaz de receber culto e de participar da existência posterior, identificado a Osíris. O trabalho começava com a retirada dos órgãos internos por uma incisão no flanco esquerdo e com o tratamento da cabeça; seguia-se a dessecação com natrão, sal natural recolhido no Uádi Natrum, por cerca de quarenta dias. Depois vinham lavagens, aplicação de resinas e óleos vegetais, preenchimento das cavidades e o enfaixamento em muitas camadas de linho, com amuletos colocados em pontos determinados.

Não se trata de um acontecimento datável, mas de um patamar alcançado ao longo da XX Dinastia e mantido na seguinte; a data indicada serve apenas para situar esse momento na sequência.

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c. 1110 a.C. Datação aproximada Os processos por saque de tumbas reais Uma comissão nomeada no reinado de Ramsés IX inspecionou as necrópoles de Tebas ocidental e instruiu processos contra ladrões de tumbas. Os papiros do caso trazem confissões, listas de bens desviados e a… Administração XX Dinastia Ramsés IX Alto Egito
Localização
Tebas ocidental e tribunal da cidade
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés IX

A crise do fim da XX Dinastia, com preços de grão instáveis e pagamentos atrasados, atingiu também os responsáveis pela vigilância das necrópoles. No ano dezesseis de Ramsés IX, o prefeito de Tebas oriental acusou formalmente a administração da margem ocidental de omissão diante de arrombamentos. Uma comissão percorreu tumbas reais e particulares e apresentou relatório: a maior parte das sepulturas de reis estava intacta, mas a de um soberano da XVII Dinastia havia sido violada e muitos túmulos de nobres, esvaziados.

A investigação principal é datada do ano dezesseis de Ramsés IX; a duração exata do reinado e sua posição na escala absoluta variam algumas unidades entre as reconstruções.

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