31 – 30 a.C. Datação estabelecida
Cleópatra VII, Áccio e o fim do Egito independente
Cleópatra VII governou vinte e um anos apoiando-se nas guerras civis romanas para manter o Egito fora do domínio direto de Roma. A derrota naval em Áccio, em setembro de 31 a.C., e a queda de Alexandria no ano seguinte encerraram a linhagem ptolemaica.
Período Ptolemaico Guerras Cleópatra VII Áccio Otaviano anexação
Contexto
Assumiu o trono em 51 a.C., com dezoito anos, um reino hipotecado a credores romanos e uma corte capaz de depô-la, como fez uma vez. Enfrentou cheias fracas e fome entre 50 e 48 a.C., reorganizou a distribuição de grão, reformou a moeda, governou ao lado de dois irmãos e depois do próprio filho, e retomou o programa de construção de templos, aparecendo em Dendera com titulatura egípcia. Plutarco registra que falava a língua do país, coisa incomum em sua família. Cada um de seus alinhamentos com generais romanos foi instrumento da mesma política: manter o Egito formalmente independente enquanto Chipre, Cirene e o Levante mudavam de mãos.
A partilha de territórios anunciada em Alexandria em 34 a.C. deu a Otaviano o argumento de que Roma estava sendo entregue a uma corte estrangeira. A guerra terminou no golfo de Ambrácia, em setembro de 31 a.C., onde parte da frota rompeu o cerco e voltou ao Egito enquanto o exército se rendia. No verão seguinte Otaviano invadiu o país; Alexandria caiu em agosto, Marco Antônio matou-se e a rainha morreu poucos dias depois. Sobre esse último episódio, a versão da serpente vem de autores romanos posteriores e não é confirmada: as próprias fontes antigas divergem, mencionando também veneno, e o desfile triunfal de Otaviano exibiu uma imagem dela com um réptil, o que ajudou a fixar a história.
Importância histórica
Cleópatra VII manteve por duas décadas o último reino helenístico independente, num período em que todos os outros já haviam sido absorvidos, e o fez com diplomacia, dinheiro e cálculo sobre as guerras internas de Roma. Sua derrota transferiu ao vencedor o maior excedente de cereal do Mediterrâneo e transformou o Egito em propriedade administrada pelo imperador. Quase tudo o que se escreveu sobre ela na Antiguidade veio de adversários, o que exige leitura cuidadosa de cada episódio.
Consequências
- Encerrou a dinastia ptolemaica e a independência política do Egito.
- Levou à execução de Ptolomeu XV e ao fim da linha sucessória.
- Passou a Roma o controle direto do maior excedente de cereal do Mediterrâneo.
- Consolidou uma imagem da rainha construída quase inteiramente por autores adversários.
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