305 – 30 a.C.
Dinastia ptolemaica
Quinze gerações de soberanos de origem macedônia que governaram o Egito como faraós, adotaram o culto dinástico, financiaram templos tradicionais e transformaram Alexandria no maior polo científico do Mediterrâneo.
Período Ptolemaico 9 acontecimentos
Sucessão
Governantes desta linhagem
Reinados em ordem cronológica. As datas anteriores a 664 a.C. são aproximadas.
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305 – 282 a.C.
Ptolomeu I Sóter
General de Alexandre que se proclamou rei do Egito e fundou a dinastia ptolemaica. Criou o culto de Serápis e lançou as bases do Museu e da Biblioteca de Alexandria.
1 registro -
282 – 246 a.C.
Ptolomeu II Filadelfo
Transformou Alexandria no maior centro científico do Mediterrâneo, concluiu o Farol e organizou o culto dinástico ao lado da irmã e esposa Arsínoe II.
5 registros -
246 – 222 a.C.
Ptolomeu III Evérgeta
Levou o reino à sua máxima extensão e iniciou o templo de Edfu. O Decreto de Canopo, de seu reinado, propôs uma reforma do calendário.
1 registro -
204 – 180 a.C.
Ptolomeu V Epifânio
Herdou o trono criança, em meio a revoltas no Alto Egito. Em seu nome foi promulgado o decreto sacerdotal inscrito na Pedra de Roseta.
1 registro -
80 – 51 a.C.
Ptolomeu XII Auleta
Manteve-se no trono com apoio militar e financeiro romano, endividando o reino. Pai de Cleópatra VII.
0 registros -
51 – 30 a.C.
Cleópatra VII
Última soberana do Egito independente, governou por duas décadas em meio às guerras civis romanas. Sua derrota em Áccio e sua morte levaram à anexação do país por Roma.
1 registro -
44 – 30 a.C.
Ptolomeu XV Cesarião
Filho de Cleópatra VII, associado ao trono ainda criança e executado por ordem de Otaviano após a queda de Alexandria.
0 registros
Cronologia
Acontecimentos atribuídos à Dinastia ptolemaica
c. 300 a.C. Datação aproximada Ptolomeu I institui o culto de Serápis O deus principal da nova capital nasceu de Osíris-Ápis, o touro divinizado de Mênfis, apresentado em forma humana grega, entronizado e com um cesto de grãos na cabeça. Serápis dava aos habitantes de Alexandria…
- Localização
- Alexandria e Mênfis
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu I Sóter
O ponto de partida era um culto egípcio consolidado. No Serapeu de Mênfis, o touro Ápis morto tornava-se Osíris-Ápis, e o santuário já recebia moradores de língua grega, que ali deixavam oferendas e pediam cura e sonhos. A corte ptolemaica manteve o nome e trocou a imagem: em lugar do animal, um deus barbado sentado em trono, com cetro, o cão de três cabeças a seus pés e o cesto de medida de grãos sobre a cabeça, atributos tomados de Zeus, de Hades e de Asclépio. Autores tardios atribuem a formulação a conselheiros do rei, entre eles um sacerdote de Elêusis e o egípcio Manetão.
A instituição do culto é atribuída ao reinado de Ptolomeu I sem data documentada, e parte dos especialistas a situa já sob seu sucessor. As tradições sobre a origem da imagem são muito posteriores.
c. 290 a.C. Datação aproximada A Biblioteca e o Museu de Alexandria O Museu era uma instituição do palácio, com sábios assalariados, refeitório comum e uma coleção de rolos reunida por compra e cópia sistemáticas. Dela saíram a crítica de textos, o catálogo por autor e gênero…
- Localização
- Bairro real de Alexandria
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu II Filadelfo
Nada ali se parecia com uma biblioteca aberta ao público. O conjunto ficava dentro do bairro real, junto aos palácios, e reunia um recinto consagrado às Musas, colunatas, salas de trabalho e uma mesa comum onde os eruditos comiam por conta do rei, isentos de tributo. A direção da coleção passou por Zenódoto, Apolônio de Rodes, Eratóstenes, Aristófanes de Bizâncio e Aristarco. Calímaco organizou o acervo em catálogos por gênero e autor, com dados de atribuição e primeiras palavras de cada obra. Uma segunda coleção, menor, funcionava junto ao santuário de Serápis.
Nenhum documento datado registra a criação das duas instituições. A iniciativa é atribuída a Ptolomeu I e sua organização a Ptolomeu II, e a data funciona como marco convencional.
c. 280 a.C. Datação aproximada Manetão organiza a história egípcia em dinastias Sacerdote de Sebenitos, Manetão escreveu em grego uma história do Egito que distribuía os soberanos em trinta linhagens sucessivas. O texto original desapareceu e sobrevive em resumos discordantes, mas a…
- Localização
- Alexandria e templo de Sebenitos
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu II Filadelfo
Manetão pertencia ao clero de uma cidade do delta e tinha acesso aos arquivos de templo, com listas de reis, anais e registros de reinado acumulados por séculos. Escreveu para leitores de fora, no momento em que uma casa macedônia precisava entender e reivindicar o passado do país que governava. Sua obra, em três livros, ia dos deuses e semideuses até o domínio persa, e agrupava os reis por sede de poder e por família, com duração de cada reinado e notas curtas sobre acontecimentos. O agrupamento em trinta linhagens é dele; a trigésima primeira foi acrescentada depois.
A obra não traz data e o autor é conhecido apenas por citações de terceiros. Sua composição é situada no reinado de Ptolomeu II com base em referências indiretas.
c. 280 a.C. Datação aproximada O Farol de Alexandria e o porto do Mediterrâneo Erguido na ponta da ilha que deu nome ao edifício, o farol tinha três corpos sobrepostos e um foco de luz no alto, alimentado por fogo segundo as descrições antigas. Orientou a navegação por mais de mil anos…
- Localização
- Ilha de Faros, em Alexandria
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu II Filadelfo
A costa egípcia é baixa, monótona e cheia de bancos de areia, sem qualquer marco natural que indique a entrada de um porto. A torre resolveu esse problema. As moedas, os mosaicos e os relatos de viajantes árabes descrevem três corpos sobrepostos, o primeiro de planta quadrada, o segundo octogonal e o terceiro cilíndrico, com uma rampa interna para levar combustível ao topo. As estimativas de altura vão de cem a mais de cento e trinta metros. Estrabão e Plínio registram a dedicatória feita por Sóstrato de Cnido, e o dique chamado Heptastádio ligava a ilha à terra firme, criando dois portos abrigados.
A conclusão é situada entre cerca de 285 e 280 a.C., no reinado de Ptolomeu II. A altura e a forma dependem de descrições, moedas e mosaicos posteriores, que não concordam entre si.
c. 275 a.C. Datação aproximada A escola médica de Alexandria e o estudo do corpo Herófilo de Calcedônia e Erasístrato de Ceos dissecaram corpos humanos de forma sistemática, prática que nenhuma outra cidade antiga autorizou. Descreveram nervos, ventrículos cerebrais, válvulas do coração e…
- Localização
- Museu e bairro real de Alexandria
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu II Filadelfo
A combinação que tornou o trabalho possível foi excepcional e durou pouco. Havia patrocínio real dentro do Museu, uma cidade recém-fundada sem os costumes restritivos das antigas comunidades gregas e um país onde o tratamento dos mortos era ofício especializado e socialmente aceito. Esses três fatores são os que os especialistas costumam invocar para explicar por que a dissecação de corpos humanos ocorreu ali e em nenhum outro lugar da Antiguidade. A relação direta com as oficinas de embalsamamento egípcias é discutida, mas difícil de demonstrar com os documentos disponíveis.
As datas de atividade de Herófilo e de Erasístrato são deduzidas de citações posteriores. Suas obras se perderam e são conhecidas por resumos de autores romanos e de Galeno.
c. 260 a.C. Datação aproximada A burocracia ptolemaica reorganiza a terra e o imposto No Faium ampliado por drenagem, a coroa mediu terras, classificou lavradores e arrendou a arrecadação a particulares. Milhares de documentos guardados em Filadélfia mostram a máquina em funcionamento, operando…
- Localização
- Faium e arquivos de Filadélfia
Médio Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu II Filadelfo
A ocupação do Faium foi o maior projeto agrário do período. Canais e diques recuperaram terra do lago, e nas aldeias novas, várias delas batizadas com nomes da família real, assentaram-se veteranos macedônios e gregos que recebiam lotes em troca de serviço militar. Ao lado deles trabalhavam camponeses egípcios em terra da coroa e em terra de templo, com contratos de arrendamento, sementes adiantadas e quotas fixadas por escrito. Foi também nesse momento que o trigo duro substituiu em larga escala os cereais tradicionais do país, mudança visível nos recibos de colheita.
A data corresponde ao período coberto pelos arquivos de Filadélfia e pela lei de receitas de Ptolomeu II. A implantação do sistema foi gradual e desigual entre as regiões do país.
237 a.C. Datação estabelecida O templo de Edfu e a arquitetura dos últimos santuários A pedra fundamental do templo de Hórus foi assentada em 237 a.C., e a obra só terminou cento e oitenta anos depois. Suas paredes cobertas de texto formam o maior repositório conhecido de ritual, calendário de…
- Localização
- Edfu, no Alto Egito
Alto Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu III Evérgeta
A construção começou no reinado de Ptolomeu III, sobre o lugar de um santuário mais antigo. O corpo interior ficou pronto em 212 a.C. e recebeu decoração até 142; o pátio, a sala hipóstila externa e o pilone só foram concluídos em 57 a.C., sob Ptolomeu XII. As datas estão gravadas nas próprias paredes, em textos que registram cada etapa. No santuário permaneceu o naos monolítico de granito do último faraó nativo, herdado do edifício anterior. O templo chegou quase intacto ao século XIX porque estava soterrado em areia e coberto por casas de aldeia, retiradas nas obras de desobstrução iniciadas em 1860.
196 a.C. Datação estabelecida O decreto de Mênfis inscrito na Pedra de Roseta Reunidos em Mênfis em março de 196 a.C., os sacerdotes do Egito votaram honras e culto ao jovem Ptolomeu V em troca de isenções, perdão de dívidas e confirmação das rendas dos templos. O acordo devia ser…
- Localização
- Mênfis, com cópia erguida em Sais
Baixo Egito - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Ptolomeu V Epifânio
O reinado começara mal. Ptolomeu V herdou o trono criança, o reino perdeu suas possessões externas na guerra contra os selêucidas e o Alto Egito estava em revolta havia uma década, sob soberanos locais que se proclamaram faraós em Tebas. A coroação segundo o rito egípcio, celebrada em Mênfis, foi parte da resposta: um gesto dirigido ao clero, cuja colaboração era indispensável para arrecadar e governar o interior. O sínodo sacerdotal reunido na mesma cidade aprovou então o texto que conhecemos, no qual o rei aparece como restaurador da ordem e vencedor da rebelião de Licópolis.
31 – 30 a.C. Datação estabelecida Cleópatra VII, Áccio e o fim do Egito independente Cleópatra VII governou vinte e um anos apoiando-se nas guerras civis romanas para manter o Egito fora do domínio direto de Roma. A derrota naval em Áccio, em setembro de 31 a.C., e a queda de Alexandria no ano…
- Localização
- Áccio, na Grécia ocidental, e Alexandria
Mediterrâneo e Egeu - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Cleópatra VII
Assumiu o trono em 51 a.C., com dezoito anos, um reino hipotecado a credores romanos e uma corte capaz de depô-la, como fez uma vez. Enfrentou cheias fracas e fome entre 50 e 48 a.C., reorganizou a distribuição de grão, reformou a moeda, governou ao lado de dois irmãos e depois do próprio filho, e retomou o programa de construção de templos, aparecendo em Dendera com titulatura egípcia. Plutarco registra que falava a língua do país, coisa incomum em sua família. Cada um de seus alinhamentos com generais romanos foi instrumento da mesma política: manter o Egito formalmente independente enquanto Chipre, Cirene e o Levante mudavam de mãos.