Eixo temático
Guerras
Campanhas militares, batalhas, invasões, tratados e defesa de fronteiras.
20 acontecimentos De c. 2100 a.C. a 31 – 30 a.C.
Primeiro Período Intermediário
c. 2181 – 2055 a.C.
1 acontecimento
c. 2100 a.C. Datação aproximada Tebas e Heracleópolis disputam Abidos A faixa entre Abidos e Tinis tornou-se a linha de contato entre os dois reinos. Inscrições tebanas relatam combates contra a casa do norte nessa região, e as autobiografias dos nomarcas de Assiute descrevem…
- Localização
- Região de Abidos e Tinis
Alto Egito - Dinastia
- XI Dinastia
- Governante
- Intef II
O nomo tinita era o corredor obrigatório entre o Médio Egito e o sul, e abrigava o santuário de Abidos, onde se cultuava o senhor dos mortos. Controlá-lo significava juntar vantagem militar e autoridade religiosa, o que fez da região o objeto principal da guerra. Um oficial de Intef II deixou registrada a batalha travada ali e o avanço da fronteira; um comandante de Elkab menciona serviço na mesma frente. Do outro lado, os textos das sepulturas de Assiute falam de frota, recrutamento e represália, e reivindicam a recuperação de território perdido.
Os combates são conhecidos por inscrições de sepultura que não trazem data e usam vocabulário de louvor; a ordem dos episódios é reconstruída por comparação entre os monumentos.
Médio Império
c. 2055 – 1650 a.C.
2 acontecimentos
c. 1975 a.C. Datação aproximada O Muro do Governante fecha a fronteira nordeste A passagem estreita entre o delta oriental e o Sinai recebeu uma linha de postos militares conhecida como Muro do Governante, destinada a vigiar quem entrava pelo nordeste. A obra é conhecida por menções em…
- Localização
- Istmo entre o delta oriental e o Sinai
Baixo Egito - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Amenemhat I
A geografia explica a escolha do lugar: entre o braço pelusíaco do Nilo e os lagos rasos do istmo, a travessia por terra se reduzia a poucos corredores com água. Duas composições da própria XII Dinastia citam a obra. Na narrativa de Sinuhe, o fugitivo espera a noite para contornar as fortificações erguidas para conter os beduínos; em outro texto, o rei aparece anunciando que fará barreira contra quem vem do leste. Como se trata de literatura de escola, o que se extrai delas é a existência e o propósito do dispositivo, não sua planta. Nenhuma escavação identificou até hoje uma muralha contínua, e a leitura mais aceita é a de uma sequência de fortins e postos de vigia sobre os pontos de água.
Não há data de construção registrada: o conjunto é atribuído ao reinado de Amenemhat I por menções escritas, e o reinado, por sua vez, é situado por observações lunares e sincronismos parciais que deixam margem de algumas décadas.
c. 1860 a.C. Datação aproximada A linha de fortalezas da Segunda Catarata A militarização da Baixa Núbia foi feita por etapas: Buhen e outros postos no início da XII Dinastia e, sob Senusret III, o grupo de Semna, Cumma e Uronarti, que fechava o desfiladeiro da Segunda Catarata e…
- Localização
- Buhen, Semna, Cumma e Uronarti
Núbia e Cuxe - Dinastia
- XII Dinastia
- Governante
- Senusret III
Nada nesse sistema foi improvisado num só reinado. Senusret I mandou construir Buhen e reforçar a região das minas; ao longo de três gerações somaram-se Mirgissa, Askut e Shalfak; com Senusret III chegaram as posições do trecho encachoeirado, onde o rio se estreita entre rochas e podia ser vigiado de perto. As fortalezas eram de tijolo cru, com muralhas espessas, torres salientes, fossos secos, escadas cobertas descendo até a água e celeiros capazes de sustentar guarnições por meses. Duas estelas de fronteira colocadas em Semna, nos anos oito e dezesseis do reinado, fixam o limite meridional e proíbem a passagem de núbios para o norte, exceto por embarcação e para negociar no posto de Iken.
A data indica o auge de um programa iniciado gerações antes e ampliado por etapas. O ano absoluto vem do encadeamento entre datas lunares de arquivos administrativos e sincronismos parciais, que ainda admitem deslocamento de algumas décadas.
Segundo Período Intermediário
c. 1777 – 1550 a.C.
3 acontecimentos
c. 1640 a.C. Datação aproximada Carro de guerra e arco composto mudam a guerra no Egito Entre a XV e a XVIII Dinastias, o exército egípcio incorporou o carro leve de duas rodas, o arco composto, a espada curva e a armadura de escamas. A entrada desse equipamento acompanhou décadas de contato com…
- Localização
- Delta oriental e vale do Nilo
Baixo Egito - Dinastia
- XV Dinastia
- Governante
- Khyan
O carro egípcio era uma plataforma leve: caixa aberta de madeira e couro sobre duas rodas de raios, primeiro quatro e depois seis, puxada por uma parelha de cavalos, com um condutor e um arqueiro. Servia para atirar em movimento, perseguir quem fugia e transportar o comando, e sua adoção exigia muito mais que a carroceria: criação de cavalos, forragem, cocheiros, veterinários, oficinas de rodas e eixos, peças de reposição. O arco composto, feito de camadas de madeira, chifre e tendão colados e amarrados, entregava alcance e penetração muito superiores ao arco de vara única, ao preço de fabricação lenta, custo alto e sensibilidade à umidade.
A adoção desse equipamento é um processo de gerações e não cabe em um ano nem em um reinado. A data serve de marca dentro do período, cujas balizas absolutas continuam apoiadas em registros lunares e em sincronismos parciais com o Oriente Próximo.
c. 1555 a.C. Datação aproximada Seqenenré Taa inicia a guerra contra Avaris O rei tebano Seqenenré Taa rompeu a convivência com Avaris e levou tropas ao norte. Seu corpo apresenta fraturas de machado e cortes de lâmina na cabeça, e é sobretudo dessa evidência física que se reconstrói…
- Localização
- Tebas e Médio Egito
Alto Egito - Dinastia
- XVII Dinastia
- Governante
- Seqenenré Taa
Tebas governava então de Elefantina até as proximidades de Cusae, no Médio Egito, e convivia com o norte em arranjo que permitia comércio e pastagem de gado no delta. A família real tebana desse momento tem perfil incomum, com mulheres de peso político declarado, entre elas Tetisheri e Ahotep. O corpo de Taa, recuperado no esconderijo de múmias reais de Deir el-Bahari, apresenta pelo menos cinco lesões graves no crânio e no rosto, produzidas por armas de tipos diferentes, o que aponta para vários agressores. Exames recentes de imagem observaram ainda a posição rígida das mãos e sugeriram que estivessem imobilizadas, leitura que não é aceita por todos.
O reinado é curto e mal documentado, e sua data de fim é estimada a partir da contagem regressiva desde o início do Novo Império, ela própria fixada por observações lunares e sincronismos parciais que admitem alguns anos de variação.
c. 1552 a.C. Datação aproximada Camés leva a frota tebana até Avaris No terceiro ano de seu reinado, Camés desceu o Nilo com uma frota, tomou Nefrúsi, devastou os arredores de Avaris e voltou sem tomar a cidade. O relato sobrevive em duas versões de uma inscrição real, uma…
- Localização
- Nefrúsi, Cusae e cercanias de Avaris
Médio Egito - Dinastia
- XVII Dinastia
- Governante
- Camés
O texto começa por uma cena de conselho: o rei diz aos seus notáveis que não aceita permanecer entre um senhor estrangeiro ao norte e um núbio ao sul, e os conselheiros recomendam prudência, lembrando que o acordo vigente lhes garante campos e pastagem no delta. O rei parte de todo modo. Nefrúsi, ao norte de Cusae, é tomada; a frota segue até as vizinhanças de Avaris, arrasa vinhedos e captura centenas de embarcações carregadas de madeira de cedro, óleos, resinas, bronze e machados. O tom é comemorativo, como em toda inscrição real, e a cidade em si resiste: a campanha rompe o equilíbrio, mas não decide a guerra.
A campanha é datada pelo terceiro ano de um reinado de poucos anos, imediatamente anterior ao Novo Império. Sua posição no calendário absoluto herda a margem das observações lunares e dos sincronismos parciais usados para fixar o período.
Novo Império
c. 1550 – 1069 a.C.
7 acontecimentos
c. 1550 a.C. Datação aproximada Amósis expulsa os hicsos e funda a XVIII Dinastia A tomada de Avaris e o cerco a Sharuhen encerraram o governo hicso no delta oriental. Amósis reuniu o vale e o delta sob um só rei, reabriu as pedreiras de calcário para as obras dos templos e inaugurou a…
- Localização
- Avaris e Sharuhen, no sul do Levante
Baixo Egito - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Amósis I
A ofensiva contra Avaris vinha de duas gerações, iniciada por Seqenenré Taa e continuada por Camés. Amósis subiu ao trono menino e retomou as operações quando dispôs de exército e frota. O relato mais detalhado do episódio não está em um monumento real, mas na autobiografia gravada na tumba do oficial de marinha Ahmés, filho de Ibana, em El-Kab: ele descreve combates embarcados no canal de Avaris, a queda da cidade e, em seguida, um cerco prolongado a Sharuhen, além de condecorações em ouro e cativos recebidos como prêmio de bravura.
O reinado de Amósis abre a série cronológica mais firme do Egito faraônico, sustentada por datas lunares, por observações do nascer helíaco de Sirius e por sincronismos com Hatti, a Assíria e a Babilônia. Mesmo assim, a cronologia alta e a baixa separam o início desse reinado por cerca de uma década.
c. 1500 a.C. Datação aproximada Tutmés I leva o exército egípcio ao Eufrates Duas frentes marcaram esse reinado: ao sul, a conquista até a Terceira Catarata, comemorada na estela de Tombos; ao norte, uma marcha inédita até o Eufrates, onde o rei mandou erguer uma estela de fronteira…
- Localização
- Norte da Síria, margem do Eufrates
Levante e Síria - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés I
No segundo ano de reinado, uma estela gravada na rocha em Tombos, junto à Terceira Catarata, registra a derrota das forças de Cuxe e a instalação do domínio egípcio a montante. Textos do período descrevem o corpo de um arqueiro núbio pendurado na proa do navio real na volta a Tebas, imagem de vitória destinada ao público interno. No mesmo reinado, o canal aberto na Primeira Catarata em tempos de Senusret III foi desobstruído para permitir a passagem da frota, obra registrada em inscrição na ilha de Sehel.
A campanha na Síria é conhecida por textos comemorativos e por biografias de oficiais, sem data de ano preservada de forma segura. A posição do reinado na sequência do Novo Império é firme, ainda que as datas absolutas se desloquem cerca de uma década conforme a cronologia escolhida.
1457 a.C. Datação aproximada A batalha de Megido inaugura o império asiático Ao assumir o governo sozinho, Tutmés III enfrentou uma coalizão de cidades sírias e palestinas reunida em Megido. A escolha da passagem estreita de Aruna surpreendeu o inimigo, e o cerco que se seguiu durou…
- Localização
- Megido, no vale de Jezreel
Levante e Síria - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés III
Os anais foram inscritos nas paredes em torno do santuário de granito de Karnak e derivam de um diário de campanha guardado em rolo no templo de Amon, o que explica o nível de detalhe: datas, itinerários, discursos em conselho de guerra e listas de despojos. Segundo esse texto, a coalizão era chefiada pelo governante de Cades e reunia centenas de chefes locais. O conselho de oficiais recomendou os caminhos largos; o rei impôs a trilha de Aruna, onde a coluna teve de avançar em fila indiana, e apareceu na planície de Jezreel pelo flanco desprotegido.
Os anais datam o combate com precisão de dia dentro do ano vinte e três de Tutmés III, o que faz dele um dos acontecimentos militares mais bem registrados da Antiguidade. A conversão para o calendário atual, no entanto, produz resultados que variam cerca de vinte e cinco anos entre a cronologia alta e a baixa, com 1457 a.C. como valor mais usado.
1274 a.C. Datação aproximada A batalha de Cades contra o Império Hitita No quinto ano de reinado, quatro divisões egípcias marcharam sobre Cades e caíram em uma emboscada montada por Muwatalli II. O ataque hitita quase destruiu o acampamento real, e o resultado foi um impasse que…
- Localização
- Cades, no rio Orontes
Levante e Síria - Dinastia
- XIX Dinastia
- Governante
- Ramsés II
O exército avançou dividido em quatro corpos, com os nomes de Amon, Rá, Ptah e Set, mais um destacamento vindo pela costa. Segundo o relato egípcio, dois beduínos capturados informaram que as forças hititas estavam longe, ao norte, quando na verdade se encontravam escondidas atrás da cidade. A carga dos carros hititas atingiu a divisão de Rá em marcha e a desbaratou, chegando ao acampamento real. A chegada do destacamento costeiro e a reorganização em torno do rei impediram o desastre completo, e no dia seguinte as duas frentes se retiraram sem tomar a praça.
O combate está datado do ano cinco de Ramsés II, e o cruzamento com os arquivos de Hattusa torna essa posição uma das mais seguras do Bronze Recente. A conversão para o calendário atual oscila cerca de dez anos entre a cronologia alta e a baixa, com 1274 a.C. como valor de uso corrente.
1259 a.C. Datação estabelecida O primeiro tratado de paz conhecido da história Quinze anos depois do confronto em Cades, Ramsés II e Hatusil III firmaram um acordo de não agressão, auxílio militar recíproco e devolução de fugitivos. O texto sobreviveu em duas redações independentes, uma…
- Localização
- Pi-Ramsés e Hattusa
Mesopotâmia e Anatólia - Dinastia
- XIX Dinastia
- Governante
- Ramsés II
O acordo não encerrou uma guerra em curso: oficializou um equilíbrio já existente. Depois de Cades, nenhuma das duas potências conseguiu expulsar a outra da Síria central, e a ascensão do Império Assírio a leste tornou a rivalidade custosa para ambos os lados. A redação egípcia foi gravada em pedra no templo de Amon em Karnak e no Rameseu, o templo funerário de Ramsés II em Tebas ocidental. A redação em acádio, língua da diplomacia da época, foi escrita em tábuas de barro e recuperada nos arquivos reais de Hattusa, na Anatólia central.
1208 a.C. Datação aproximada Merneptah repele líbios e povos do mar no delta No quinto ano de Merneptah, uma coalizão de líbios e de grupos vindos do mar avançou sobre o delta ocidental e foi detida em Perire. A estela erguida para celebrar a vitória traz também a mais antiga menção…
- Localização
- Delta ocidental e Perire
Líbia e fronteira ocidental - Dinastia
- XIX Dinastia
- Governante
- Merneptah
A pressão sobre a fronteira oeste vinha crescendo desde o fim do reinado de Ramsés II. Grupos líbios, sobretudo libu e mechuech, procuravam terras cultiváveis na franja do delta, e a eles se juntaram contingentes de origem mediterrânica, entre os quais os designados nos textos como ecuech, tursha, luca, sardana e chequelech, alguns dos quais já serviam como soldados pagos nos exércitos da região. O exército egípcio interceptou o avanço em Perire, e o relato oficial registra milhares de mortos, além de prisioneiros marcados e distribuídos como mão de obra.
O confronto é datado do quinto ano de Merneptah pelos próprios monumentos; a posição desse ano na escala absoluta depende da cronologia adotada para a XIX Dinastia, com variação de poucos anos.
1177 a.C. Datação aproximada Ramsés III enfrenta os povos do mar No ano oito de Ramsés III, o Egito enfrentou por terra e por água grupos designados nos textos como peleset, tjeker, chequelech, denien e uechech. As paredes do templo de Medinet Habu registram os combates…
- Localização
- Bocas do delta e fronteira do Sinai
Baixo Egito - Dinastia
- XX Dinastia
- Governante
- Ramsés III
O período em torno de mil e duzentos anos antes da era comum viu ruir vários centros do Mediterrâneo oriental: Hatti perdeu a capital, Ugarite foi abandonada, cidades micênicas foram destruídas. A expressão povos do mar é uma criação de estudiosos do século dezenove e reúne, sob um rótulo único, populações de origens distintas. Os nomes registrados nos textos egípcios correspondem a grupos que aparecem em contextos variados: alguns como atacantes, outros como soldados já contratados por egípcios e hititas, outros ainda como famílias em deslocamento, com carros de bois e mulheres representadas ao lado dos combatentes.
O ano oito de Ramsés III é indicado pelos textos do templo de Medinet Habu, mas sua conversão em data absoluta varia entre as cronologias propostas para o início da XX Dinastia.
Terceiro Período Intermediário
c. 1069 – 664 a.C.
4 acontecimentos
c. 925 a.C. Datação aproximada Sesonquis I reunifica o Egito e ataca o Levante De origem líbia e vindo de Bubástis, Sesonquis I recompôs a autoridade sobre o Egito inteiro colocando parentes nos cargos decisivos e conduziu uma campanha ao Levante. A relação dos lugares alcançados foi…
- Localização
- Do sul do Levante a Megido
Levante e Síria - Dinastia
- XXII Dinastia
- Governante
- Sesonquis I
A XXII Dinastia nasceu da integração de famílias líbias instaladas no delta havia gerações, com chefias militares reconhecidas e terras próprias. Sesonquis I reuniu o norte e obteve o reconhecimento do sul pelo caminho mais eficaz: nomeou o próprio filho sumo sacerdote de Amon em Tebas e distribuiu comandos e sacerdócios entre membros da família. Com o país sob uma só autoridade pela primeira vez em mais de um século, retomou a antiga política de intervenção na Ásia, interrompida desde o fim do Novo Império.
A campanha é situada nos últimos anos de Sesonquis I, mas o texto de Karnak não a data com clareza, e as propostas variam entre o vigésimo e o vigésimo segundo ano de reinado.
853 a.C. Datação em debate O Egito na coalizão contra a Assíria em Carcar Em Carcar, no Orontes, uma aliança de reinos sírios e levantinos enfrentou o exército de Salmanasar III. O monólito assírio que narra o episódio arrola entre os aliados mil soldados de Musri, termo em geral…
- Localização
- Carcar, no rio Orontes
Levante e Síria - Dinastia
- XXII Dinastia
- Governante
- Osorkon II
O avanço assírio para oeste ameaçava as rotas que ligavam a Mesopotâmia ao Mediterrâneo e, por extensão, os interesses egípcios na região. A coalizão reuniu Damasco, Hamat, Israel e outros contingentes menores, entre eles o de Musri. Salmanasar III declarou vitória e enumerou perdas enormes do adversário, mas não prosseguiu para o sul, não cobrou tributo das cidades derrotadas e voltou a atacar a mesma região em campanhas posteriores, o que sugere um resultado bem menos definitivo do que o texto afirma.
O ano é fixado com segurança pelos registros assírios, mas a participação egípcia depende da leitura do nome Musri no monólito de Kurkh e da atribuição do contingente a Osorkon II, dois pontos em que os especialistas divergem.
c. 727 a.C. Datação aproximada Pie conquista o Egito e instala a XXV Dinastia Rei de Cuxe sediado em Napata, Pie desceu o Nilo para impor ordem entre os príncipes do delta e fazer valer sua autoridade sobre todo o país. A Grande Estela da Vitória, achada no templo de Gebel Barkal, narra…
- Localização
- De Napata a Mênfis e ao delta
Todo o Egito - Dinastia
- XXV Dinastia
- Governante
- Pie
Os reis de Cuxe não chegaram ao Egito como estrangeiros diante de uma cultura alheia. Governavam desde Napata uma região onde o culto de Amon estava estabelecido havia séculos, escreviam na língua clássica egípcia, adotavam a titulatura faraônica completa e se apresentavam como restauradores de uma ordem que os príncipes do delta teriam abandonado. A intervenção foi motivada pelo avanço de Tefnakht, príncipe de Sais, que unificava o norte e ameaçava as cidades do Médio Egito leais a Cuxe.
A campanha é datada do ano vinte e um de Pie na Grande Estela da Vitória; a conversão em data absoluta depende da duração atribuída aos primeiros reinados cuxitas, que varia entre as reconstruções.
663 a.C. Datação estabelecida As invasões assírias e o saque de Tebas Depois de duas décadas de choques, o exército de Assurbanipal respondeu à retomada de Mênfis por Tanutamani avançando até Tebas, que foi saqueada e teve obeliscos levados para a Assíria. A XXV Dinastia recuou…
- Localização
- Mênfis e Tebas
Alto Egito - Dinastia
- XXV Dinastia
- Governante
- Tanutamani
O conflito começou no reinado de Taharca. Esarhadon tomou Mênfis, e Assurbanipal derrotou o rei cuxita em duas campanhas, instalando dinastas locais do delta como vassalos e levando parte da família real como cativa. Com a morte de Taharca, Tanutamani subiu ao trono, desceu o rio e retomou Mênfis; Necau de Sais, principal apoio dos assírios no norte, morreu nesse episódio. A reação veio de imediato e chegou mais longe no vale do Nilo do que qualquer exército estrangeiro havia chegado até então.
Época Baixa
c. 664 – 332 a.C.
2 acontecimentos
605 a.C. Datação estabelecida A derrota em Carquemis encerra a influência egípcia na Ásia Depois de quatro anos administrando a Síria e a Palestina, o exército de Necao II foi desfeito em Carquemis pelas tropas babilônicas de Nabucodonosor. O Egito recuou para as próprias fronteiras e nunca voltou…
- Localização
- Carquemis, no alto Eufrates
Levante e Síria - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Necao II
A queda de Nínive, em 612 a.C., deixou um vazio que o Egito tentou ocupar. Em 609 a.C. Necao II marchou para o norte em socorro do que restava do poder assírio, enfrentou e matou Josias de Judá no caminho por Megido, e passou a dispor das cidades levantinas como senhor: depôs e nomeou reis em Jerusalém, cobrou tributo e instalou guarnições até o alto Eufrates. Durante quatro anos o vale do Orontes e a costa fenícia estiveram sob controle egípcio, uma situação que não se repetia desde o fim do Novo Império.
525 a.C. Datação estabelecida A conquista persa e a batalha de Pelúsio O exército de Cambises II derrotou Psamético III em Pelúsio e tomou Mênfis, transformando o Egito em província do Império Persa. Sobre a conduta do vencedor, a tradição grega e os documentos egípcios…
- Localização
- Pelúsio, no delta oriental
Baixo Egito - Dinastia
- XXVII Dinastia
- Governante
- Cambises II
Amásis II morreu pouco antes do ataque, e seu filho Psamético III reinava havia poucos meses quando a força persa atravessou o Sinai com apoio de guias árabes. O confronto decisivo ocorreu em Pelúsio, na entrada oriental do delta; em seguida Mênfis foi sitiada e tomada, o rei egípcio foi deposto e mais tarde executado. Cambises assumiu titulatura faraônica e organizou o país como satrapia, o bloco que as listas antigas contam como XXVII Dinastia. Cirene e os vizinhos líbios enviaram submissão sem luta.
Período Ptolemaico
332 – 30 a.C.
1 acontecimento
31 – 30 a.C. Datação estabelecida Cleópatra VII, Áccio e o fim do Egito independente Cleópatra VII governou vinte e um anos apoiando-se nas guerras civis romanas para manter o Egito fora do domínio direto de Roma. A derrota naval em Áccio, em setembro de 31 a.C., e a queda de Alexandria no ano…
- Localização
- Áccio, na Grécia ocidental, e Alexandria
Mediterrâneo e Egeu - Dinastia
- Dinastia ptolemaica
- Governante
- Cleópatra VII
Assumiu o trono em 51 a.C., com dezoito anos, um reino hipotecado a credores romanos e uma corte capaz de depô-la, como fez uma vez. Enfrentou cheias fracas e fome entre 50 e 48 a.C., reorganizou a distribuição de grão, reformou a moeda, governou ao lado de dois irmãos e depois do próprio filho, e retomou o programa de construção de templos, aparecendo em Dendera com titulatura egípcia. Plutarco registra que falava a língua do país, coisa incomum em sua família. Cada um de seus alinhamentos com generais romanos foi instrumento da mesma política: manter o Egito formalmente independente enquanto Chipre, Cirene e o Levante mudavam de mãos.
Outros eixos