c. 30 d.C. Datação aproximada
Dendera é concluída sob administração romana
O grande santuário de Hator, iniciado no fim do período ptolemaico, recebeu seu vestíbulo colunado já sob Roma, com o imperador esculpido como faraó diante dos deuses. Dendera mostra que a construção religiosa egípcia continuou em plena atividade depois da anexação.
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Contexto
O templo dedicado a Hator começou a ser erguido no primeiro século antes da era comum e ganhou, sob administração romana, um vestíbulo de vinte e quatro colunas encimadas pelo rosto da deusa. O teto abriga uma das representações do céu mais completas conhecidas no Egito, com constelações, planetas e as divindades que marcavam os períodos de dez dias. De uma capela no terraço veio o relevo circular hoje conservado em Paris, retirado do edifício em 1821 e substituído por uma cópia.
A obra não foi exceção. Esna, Kom Ombo e Filas também receberam ampliações custeadas com receitas locais e autorizadas pelo governo provincial, e os imperadores apareceram nas paredes com coroa, saiote cerimonial e nomes inscritos em cartelas. A relação, contudo, era desigual: o clero havia perdido autonomia sobre o próprio patrimônio e prestava contas a um administrador imperial dos templos, que fiscalizava rendas, número de sacerdotes e admissão de novos membros. Nas paredes de Dendera, os sacerdotes levaram a escrita monumental a um grau de complexidade sem paralelo, multiplicando grafias e jogos de sinais que exigem leitura especializada.
Sobre a datação
O vestíbulo colunado leva o nome de Tibério, mas sua decoração prosseguiu nos reinados seguintes. Não há data única que marque a conclusão do conjunto.
Importância histórica
Dendera é o mais bem preservado dos grandes templos tardios e permite ver o que a religião egípcia ainda era capaz de produzir sob domínio estrangeiro. Suas criptas, capelas e tetos guardam compêndios de teologia, calendários de festas e conhecimento astronômico que não sobreviveram em nenhum outro lugar com essa integridade. O conjunto também documenta o último estágio da formação sacerdotal em escrita monumental, poucas gerações antes de essa tradição se interromper.
Consequências
- Preservou um dos programas decorativos mais completos da religião egípcia tardia.
- Registrou imperadores romanos dentro da iconografia faraônica tradicional.
- Concentrou em tetos e criptas o conhecimento astronômico dos sacerdotes locais.
- Forneceu à Europa, séculos depois, um dos relevos egípcios mais estudados.
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