c. 2650 a.C. Datação em debate
Imhotep e a formação do saber técnico e médico da corte
A base de uma estátua de Djoser encontrada em Saqara traz o nome de Imhotep seguido de títulos que o situam no topo da administração e do sacerdócio. Em torno dessa geração de altos funcionários organizou-se o saber técnico e médico da corte, dois milênios antes de ele ser cultuado como patrono da cura.
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Contexto
O Imhotep histórico é conhecido por poucas menções contemporâneas, e a mais importante delas é o pedestal de uma escultura do rei, no qual ele figura como chanceler, administrador do grande palácio, chefe dos escultores e dos artesãos de vaso de pedra e sacerdote de Heliópolis. Nenhum desses títulos tem relação com a cura. Ele aparece como o funcionário responsável pelas obras do recinto de degraus e pelo aparato ritual da corte; sua própria sepultura nunca foi identificada com segurança, apesar de décadas de busca em Saqara.
A prática médica da mesma corte é documentada por outros nomes. Hesire, sepultado em Saqara, carregava o título de chefe dos dentistas e dos médicos, e ao longo do Antigo Império a lista de especialidades reconhecidas foi crescendo. Manuais copiados mais de mil anos depois preservam raciocínio por casos, exame, prognóstico e receita, e parte de seu conteúdo é atribuída a compilações bem mais antigas. A divinização de Imhotep como filho de Ptá e curador só ocorre a partir da Época Baixa, quando passa a receber capelas, estatuetas votivas e, sob domínio grego, a identificação com Asclépio.
Sobre a datação
A existência de Imhotep é atestada por inscrições do próprio reinado de Djoser. O que se discute é o alcance real de suas funções, porque grande parte das competências que lhe são creditadas aparece apenas em textos redigidos muito depois.
Importância histórica
A trajetória de Imhotep permite separar duas coisas que costumam ser confundidas: um funcionário real do terceiro milênio antes da era comum e a figura religiosa em que ele foi transformado mais de dois mil anos depois. Ao mesmo tempo, o conjunto de cargos de sua geração mostra que o Egito já concentrava na corte arquitetos, artesãos, escribas e médicos com atribuições formalizadas. Essa especialização é a condição do que veio depois, tanto nos canteiros quanto nos manuais de tratamento.
Consequências
- Registrou pela primeira vez a concentração de cargos técnicos e sacerdotais em um mesmo funcionário.
- Deixou em Saqara sepulturas de médicos e dentistas com títulos especializados.
- Deu origem, séculos mais tarde, a um culto de cura com capelas próprias em Mênfis e no sul.
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