MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

Eixo temático

Medicina

Práticas de cura, cirurgia, farmacopeia, mumificação e saúde das populações.

5 acontecimentos De c. 2650 a.C. a c. 275 a.C.

Antigo Império

c. 2686 – 2181 a.C.

1 acontecimento

c. 2650 a.C. Datação em debate Imhotep e a formação do saber técnico e médico da corte A base de uma estátua de Djoser encontrada em Saqara traz o nome de Imhotep seguido de títulos que o situam no topo da administração e do sacerdócio. Em torno dessa geração de altos funcionários organizou-se o… Medicina III Dinastia Djoser Baixo Egito
Localização
Saqara e Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
III Dinastia
Governante
Djoser

O Imhotep histórico é conhecido por poucas menções contemporâneas, e a mais importante delas é o pedestal de uma escultura do rei, no qual ele figura como chanceler, administrador do grande palácio, chefe dos escultores e dos artesãos de vaso de pedra e sacerdote de Heliópolis. Nenhum desses títulos tem relação com a cura. Ele aparece como o funcionário responsável pelas obras do recinto de degraus e pelo aparato ritual da corte; sua própria sepultura nunca foi identificada com segurança, apesar de décadas de busca em Saqara.

A existência de Imhotep é atestada por inscrições do próprio reinado de Djoser. O que se discute é o alcance real de suas funções, porque grande parte das competências que lhe são creditadas aparece apenas em textos redigidos muito depois.

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Médio Império

c. 2055 – 1650 a.C.

1 acontecimento

c. 1800 a.C. Datação aproximada O papiro de Lahun e a medicina voltada às mulheres Achado na cidade de trabalhadores de Lahun, um papiro do fim do Médio Império reúne cerca de trinta e quatro parágrafos com queixas femininas, prescrições e testes de fecundidade. É o mais antigo documento… Medicina XII Dinastia Amenemhat III Médio Egito
Localização
Lahun, junto à pirâmide de Senusret II
Médio Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Amenemhat III

O papiro foi recolhido em 1889 nas escavações da cidade que abrigava o pessoal ligado à pirâmide de Senusret II, e está hoje em uma coleção universitária em Londres. Sobraram duas páginas com parágrafos numerados. No primeiro grupo, cada item segue a mesma estrutura: descreve-se a queixa, com localização da dor ou do incômodo, nomeia-se o problema e indica-se o que fazer, em geral aplicações locais, fumigações ou bebidas preparadas com cerveja, leite, tâmaras, óleo e resinas. O segundo grupo trata de como saber se uma mulher poderá conceber e de preparados destinados a evitar a concepção.

O documento é datado pela escrita e pelo contexto em que foi achado, o que o coloca no fim da XII Dinastia. Como as datas absolutas do período dependem de registros lunares e de sincronismos parciais, resta uma margem de algumas décadas.

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Novo Império

c. 1550 – 1069 a.C.

2 acontecimentos

c. 1534 a.C. Datação aproximada O papiro Ebers reúne o conhecimento médico egípcio Com cerca de vinte metros de comprimento e mais de oitocentas prescrições, o papiro Ebers é o maior tratado médico egípcio conservado. Nele convivem receitas medidas em frações precisas, roteiros de exame do… Medicina XVIII Dinastia Amenhotep I Todo o Egito
Localização
Tebas, com originais mais antigos
Todo o Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Amenhotep I

O rolo tem cento e dez páginas e foi copiado por um escriba a partir de tratados mais antigos, alguns provavelmente do Médio Império, como mostram a linguagem e as repetições internas. Os capítulos se organizam por queixa: dores abdominais, doenças dos olhos, afecções da pele, mordidas, problemas ginecológicos, males da cabeça. Muitas entradas seguem um roteiro fixo, que começa pelo exame do doente, passa ao juízo do profissional e termina na prescrição, com ingredientes como mel, óleo de rícino, tâmaras, cominho, cerveja doce e minerais moídos, dosados em frações de medidas correntes.

O verso do documento traz uma tabela de calendário com o ano nove de um rei não nomeado, geralmente identificado como Amenhotep I, o que fornece a data da cópia e não a da composição. Essa referência é uma das âncoras da cronologia do início da XVIII Dinastia, cujas datas absolutas ainda variam cerca de dez anos entre as propostas alta e baixa.

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c. 1150 a.C. Datação aproximada A mumificação atinge seu ponto técnico mais alto Nas oficinas funerárias de Tebas ocidental, o tratamento dos corpos alcançou no fim do Novo Império seu maior refinamento, com rostos preservados em aparência natural, membros preenchidos e posição cuidada. O… Medicina XX Dinastia Ramsés IV Alto Egito
Localização
Oficinas funerárias de Tebas ocidental
Alto Egito
Dinastia
XX Dinastia
Governante
Ramsés IV

O objetivo declarado nos textos não era conservar um cadáver, mas produzir um corpo capaz de receber culto e de participar da existência posterior, identificado a Osíris. O trabalho começava com a retirada dos órgãos internos por uma incisão no flanco esquerdo e com o tratamento da cabeça; seguia-se a dessecação com natrão, sal natural recolhido no Uádi Natrum, por cerca de quarenta dias. Depois vinham lavagens, aplicação de resinas e óleos vegetais, preenchimento das cavidades e o enfaixamento em muitas camadas de linho, com amuletos colocados em pontos determinados.

Não se trata de um acontecimento datável, mas de um patamar alcançado ao longo da XX Dinastia e mantido na seguinte; a data indicada serve apenas para situar esse momento na sequência.

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Período Ptolemaico

332 – 30 a.C.

1 acontecimento

c. 275 a.C. Datação aproximada A escola médica de Alexandria e o estudo do corpo Herófilo de Calcedônia e Erasístrato de Ceos dissecaram corpos humanos de forma sistemática, prática que nenhuma outra cidade antiga autorizou. Descreveram nervos, ventrículos cerebrais, válvulas do coração e… Medicina Dinastia ptolemaica Ptolomeu II Filadelfo Baixo Egito
Localização
Museu e bairro real de Alexandria
Baixo Egito
Dinastia
Dinastia ptolemaica
Governante
Ptolomeu II Filadelfo

A combinação que tornou o trabalho possível foi excepcional e durou pouco. Havia patrocínio real dentro do Museu, uma cidade recém-fundada sem os costumes restritivos das antigas comunidades gregas e um país onde o tratamento dos mortos era ofício especializado e socialmente aceito. Esses três fatores são os que os especialistas costumam invocar para explicar por que a dissecação de corpos humanos ocorreu ali e em nenhum outro lugar da Antiguidade. A relação direta com as oficinas de embalsamamento egípcias é discutida, mas difícil de demonstrar com os documentos disponíveis.

As datas de atividade de Herófilo e de Erasístrato são deduzidas de citações posteriores. Suas obras se perderam e são conhecidas por resumos de autores romanos e de Galeno.

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