MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

c. 1534 a.C. Datação aproximada

O papiro Ebers reúne o conhecimento médico egípcio

Com cerca de vinte metros de comprimento e mais de oitocentas prescrições, o papiro Ebers é o maior tratado médico egípcio conservado. Nele convivem receitas medidas em frações precisas, roteiros de exame do doente e fórmulas a recitar durante a aplicação do remédio, sem separação entre um plano e outro.

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Contexto

O rolo tem cento e dez páginas e foi copiado por um escriba a partir de tratados mais antigos, alguns provavelmente do Médio Império, como mostram a linguagem e as repetições internas. Os capítulos se organizam por queixa: dores abdominais, doenças dos olhos, afecções da pele, mordidas, problemas ginecológicos, males da cabeça. Muitas entradas seguem um roteiro fixo, que começa pelo exame do doente, passa ao juízo do profissional e termina na prescrição, com ingredientes como mel, óleo de rícino, tâmaras, cominho, cerveja doce e minerais moídos, dosados em frações de medidas correntes.

A parte hoje mais citada é o tratado sobre o coração e os vasos, que descreve um sistema de canais partindo do coração para todos os membros e associa o pulso à condição do doente. Ao lado dele, encantamentos indicam o que dizer ao aplicar uma bandagem ou ao preparar um remédio, e várias receitas invocam a proteção de divindades. Não há contradição no arranjo: para os autores, causa demoníaca, alimento inadequado e ferimento pertenciam a uma mesma ordem de explicação. O rolo foi adquirido em Luxor em 1873 pelo egiptólogo Georg Ebers e é conservado desde então na biblioteca da Universidade de Leipzig.

Sobre a datação

O verso do documento traz uma tabela de calendário com o ano nove de um rei não nomeado, geralmente identificado como Amenhotep I, o que fornece a data da cópia e não a da composição. Essa referência é uma das âncoras da cronologia do início da XVIII Dinastia, cujas datas absolutas ainda variam cerca de dez anos entre as propostas alta e baixa.

Importância histórica

O papiro Ebers permite ver a medicina egípcia como ela era, e não como se gostaria que fosse: um corpo de conhecimento acumulado por observação, transmitido por cópia em escolas e articulado a uma explicação religiosa do adoecer. Sua importância está no método de registro, que fixou casos, doses e sequências de exame por escrito. Junto com o papiro cirúrgico Edwin Smith e o rolo de Lahun, ele forma a base de tudo o que se sabe sobre a prática de cura no Egito faraônico.

Consequências

  • Fixou por escrito uma farmacopeia que continuou a ser copiada por mais de mil anos.
  • Consolidou um roteiro padronizado de exame, juízo e prescrição usado por gerações de escribas médicos.
  • Preservou o mais extenso tratado egípcio sobre o coração e os vasos do corpo.
  • Tornou-se, na egiptologia, a principal referência para o estudo das doenças mencionadas em documentos antigos.

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