1822 d.C. Datação estabelecida
Champollion decifra a escrita hieroglífica
Em setembro de 1822, Champollion demonstrou que os sinais hieroglíficos registravam sons da língua egípcia, e não apenas ideias. A leitura de nomes reais dentro das cartelas e o domínio do copta permitiram atribuir valores fonéticos e passar da hipótese à leitura corrente dos textos.
Descobertas arqueológicas Escrita Champollion Thomas Young copta valores fonéticos
Contexto
O trabalho não começou do zero. Entre 1814 e 1819, o inglês Thomas Young estabeleceu que a escrita cursiva do decreto e os hieróglifos pertenciam ao mesmo sistema, isolou a cartela de Ptolomeu, propôs valores sonoros corretos para vários sinais e percebeu que os nomes reais eram grafados foneticamente. Young considerou, no entanto, que esse recurso servia apenas para transcrever nomes estrangeiros, e não para escrever a própria língua do país. Um obelisco trazido de Filas, com os nomes de Ptolomeu e de Cleópatra, ofereceu um segundo ponto de conferência para as equivalências então em discussão.
A virada veio com cópias de inscrições de Abu Simbel, onde as cartelas traziam nomes de reis egípcios muito anteriores a qualquer domínio estrangeiro. Champollion leu ali um disco solar com o valor sonoro que a palavra sol tem em copta, seguido de sinais para nascimento, e obteve o nome de Ramsés. O princípio fonético, portanto, valia também para a língua falada no vale. Em 27 de setembro de 1822 ele apresentou à academia parisiense uma carta com a tabela de sinais, e dois anos depois publicou a descrição do sistema completo: misto, formado por sinais de som, sinais de palavra e classificadores. O copta, conservado no uso litúrgico, forneceu o vocabulário e a gramática de uma fase tardia da mesma língua.
Importância histórica
A decifração devolveu acesso direto a três mil anos de documentos escritos e transformou monumentos mudos em fontes que podem ser lidas, comparadas e datadas. Sem ela, o estudo do Egito continuaria dependente de autores gregos e romanos e de conjecturas sobre símbolos. O crédito principal cabe a Champollion, que formulou o sistema e o aplicou a textos inteiros, mas a base foi construída também por Young, e a disputa de precedência entre seus defensores acompanhou toda a fase seguinte.
Consequências
- Deu acesso direto a textos administrativos, religiosos e literários do Egito antigo.
- Fundou a egiptologia como disciplina apoiada na leitura de fontes escritas.
- Confirmou que a língua dos templos era a mesma preservada no copta.
- Abriu uma disputa de precedência entre partidários de Young e de Champollion.
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