656 a.C. Datação aproximada
Psamético I reunifica o Egito e rompe com a Assíria
Instalado no delta como vassalo assírio, Psamético I aproveitou o desgaste militar de Nínive para submeter os principados vizinhos e obter o reconhecimento de sua autoridade em Tebas. Em 656 a.C. o Egito voltava a ter um único governo, com capital em Sais.
Época Baixa Dinastias XXVI Dinastia Sais Assíria reunificação
Contexto
A XXVI Dinastia nasceu de uma derrota. Depois de duas invasões assírias, Sais era apenas um dos principados do delta reconhecidos por Nínive, e Necao I governava com o consentimento de Assurbanipal. Seu filho Psamético chegou a receber um nome de corte assírio e um distrito em Atribis antes de assumir a herança paterna, por volta de 664 a.C., quando o pai morreu no confronto com o último rei cuxita. O que restava era um país partido em três: um delta de dinastas rivais, um Médio Egito de lealdades incertas e uma Tebas administrada por famílias sacerdotais que havia servido à dinastia núbia.
A absorção dos concorrentes do norte apoiou-se em tropas contratadas no Egeu e na Ásia Menor e na retirada progressiva da Assíria, ocupada com as guerras contra Elam e Babilônia. No sul, a solução foi negociada em vez de imposta: em 656 a.C. uma frota subiu o rio e o clero aceitou que Nitócris, filha do rei, fosse adotada como herdeira do cargo de Esposa Divina de Amon, enquanto Montuemhat e os grandes funcionários locais mantinham suas funções. O acordo assegurou Tebas sem combate e sem substituir a elite que já a governava.
Sobre a datação
A duração do reinado é firme, mas 656 a.C. marca apenas o momento em que a autoridade saíta foi aceita em Tebas. A reunificação foi um processo distribuído pelos oito primeiros anos de governo.
Importância histórica
O reinado devolveu ao Egito uma administração única depois de mais de quatro séculos de poder repartido, e o fez sem romper com as elites regionais que encontrou no lugar. A combinação de soldados estrangeiros, marinha e diplomacia sacerdotal define o método de governo que a casa de Sais usaria por cinco gerações. Foi também o ponto de partida da abertura sistemática do país às tropas e ao comércio do mundo grego, que marcaria toda a Época Baixa.
Consequências
- Encerrou a presença assíria no Egito sem uma guerra de expulsão declarada.
- Fez do cargo de Esposa Divina de Amon o instrumento de controle da coroa sobre Tebas.
- Consolidou Sais como capital e sede de uma nova necrópole real no delta.
- Tornou permanente o recrutamento de soldados gregos e cários para o exército egípcio.
Acontecimentos relacionados
-
663 a.C. 3.º Intermediário
As invasões assírias e o saque de Tebas
Depois de duas décadas de choques, o exército de Assurbanipal respondeu à retomada de Mênfis por Tanutamani avançando até Tebas, que foi saqueada e…
Guerras -
c. 750 a.C. 3.º Intermediário
A Esposa Divina de Amon concentra poder em Tebas
O título de Esposa Divina de Amon, antigo mas secundário, tornou-se no primeiro milênio o cargo mais poderoso de Tebas. Ocupado por filhas de reis…
Mudanças religiosas -
c. 650 a.C. Época Baixa
Mercenários gregos e cários entram no exército egípcio
Psamético I pagou soldados vindos da Jônia e da Cária e os assentou em acampamentos permanentes no delta oriental. Em poucas gerações aquelas…
Vida cotidiana -
c. 650 a.C. Época Baixa
O renascimento saíta reinventa a tradição
As oficinas saítas voltaram a copiar relevos, títulos e tipos de estátua do Antigo e do Médio Império, mas com pedras mais duras, outra grade de…
Arte