MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

664 – 525 a.C.

XXVI Dinastia

A dinastia saíta reunificou o Egito, criou uma marinha, contratou mercenários gregos e cários e patrocinou uma renovação artística e administrativa que os egiptólogos chamam de renascimento saíta.

Época Baixa 8 acontecimentos

Cronologia

Acontecimentos atribuídos à XXVI Dinastia

656 a.C. Datação aproximada Psamético I reunifica o Egito e rompe com a Assíria Instalado no delta como vassalo assírio, Psamético I aproveitou o desgaste militar de Nínive para submeter os principados vizinhos e obter o reconhecimento de sua autoridade em Tebas. Em 656 a.C. o Egito… Dinastias XXVI Dinastia Psamético I Todo o Egito
Localização
Sais, Mênfis e Tebas
Todo o Egito
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Psamético I

A XXVI Dinastia nasceu de uma derrota. Depois de duas invasões assírias, Sais era apenas um dos principados do delta reconhecidos por Nínive, e Necao I governava com o consentimento de Assurbanipal. Seu filho Psamético chegou a receber um nome de corte assírio e um distrito em Atribis antes de assumir a herança paterna, por volta de 664 a.C., quando o pai morreu no confronto com o último rei cuxita. O que restava era um país partido em três: um delta de dinastas rivais, um Médio Egito de lealdades incertas e uma Tebas administrada por famílias sacerdotais que havia servido à dinastia núbia.

A duração do reinado é firme, mas 656 a.C. marca apenas o momento em que a autoridade saíta foi aceita em Tebas. A reunificação foi um processo distribuído pelos oito primeiros anos de governo.

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c. 650 a.C. Datação aproximada O renascimento saíta reinventa a tradição As oficinas saítas voltaram a copiar relevos, títulos e tipos de estátua do Antigo e do Médio Império, mas com pedras mais duras, outra grade de proporções e um acabamento sem precedente. A escolha do… Arte XXVI Dinastia Psamético I Baixo Egito
Localização
Sais, Mênfis e oficinas do delta
Baixo Egito
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Psamético I

O arcaísmo saíta não foi um estilo, mas um método. Nas tumbas tebanas de Montuemhat e de Ibi, cenas inteiras foram decalcadas de mastabas de Saqara do terceiro milênio e de relevos do templo de Mentuhotep II, depois recombinadas com motivos contemporâneos. Sarcófagos e paredes de câmara voltaram a receber os Textos das Pirâmides, fora de uso havia mais de mil anos, e altos funcionários ressuscitaram cargos que já eram antiguidades no próprio tempo deles. A operação exigia acesso aos monumentos, cópia em campo e uma noção precisa de quais épocas valia a pena citar.

O termo designa uma tendência que atravessa a dinastia inteira, e não um acontecimento isolado. A data serve de marco para o momento em que as oficinas de Sais e de Mênfis já trabalhavam nesse programa.

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c. 650 a.C. Datação aproximada Mercenários gregos e cários entram no exército egípcio Psamético I pagou soldados vindos da Jônia e da Cária e os assentou em acampamentos permanentes no delta oriental. Em poucas gerações aquelas guarnições tinham famílias, cemitérios e estelas funerárias em duas… Vida cotidiana XXVI Dinastia Psamético I Baixo Egito
Localização
Guarnições do delta e Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Psamético I

Heródoto conta que homens armados de bronze desembarcaram no delta e que o rei os tomou a soldo, concedendo-lhes terras em dois acampamentos no braço pelusíaco. Acrescenta que meninos egípcios foram entregues a eles para aprender a falar com estrangeiros, o que teria criado a classe dos intérpretes. Amásis II, um século depois, transferiu esses contingentes para Mênfis e fez deles sua guarda pessoal. A narrativa é tardia e esquemática, mas o quadro geral coincide com o que a documentação mostra: uma coroa que preferia pagar profissionais a mobilizar camponeses.

A chegada dos primeiros contingentes é situada nos anos iniciais de Psamético I, sem data documentada. O relato de Heródoto é a única narrativa disponível e comprime décadas em poucos episódios.

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c. 640 a.C. Datação aproximada O culto de Ápis e as galerias do Serapeu Um único touro por vez encarnava Ápis, manifestação viva de Ptah em Mênfis. Reconhecido por marcas na pelagem, vivia num recinto do templo, era embalsamado ao morrer e depositado em um sarcófago de pedra nas… Mudanças religiosas XXVI Dinastia Psamético I Baixo Egito
Localização
Serapeu de Saqara, junto a Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Psamético I

O animal era escolhido por sinais precisos no pelo e recebido no templo de Ptah com sua mãe, que também tinha culto próprio. Respondia a consultas por meio de movimentos interpretados por sacerdotes, aparecia em festas e tinha um pessoal permanente a seu serviço. Quando morria, o país entrava em luto: o corpo era tratado durante setenta dias em mesas de alabastro na oficina de embalsamamento de Mênfis, conduzido em procissão ao planalto de Saqara e sepultado como Osíris-Ápis. Só então começava a busca pelo sucessor, que podia levar meses.

A data marca a abertura da grande galeria escavada no reinado de Psamético I. O culto é muito mais antigo, e cada enterramento é datado pelo ano de reinado do soberano, não por um calendário absoluto.

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605 a.C. Datação estabelecida A derrota em Carquemis encerra a influência egípcia na Ásia Depois de quatro anos administrando a Síria e a Palestina, o exército de Necao II foi desfeito em Carquemis pelas tropas babilônicas de Nabucodonosor. O Egito recuou para as próprias fronteiras e nunca voltou… Guerras XXVI Dinastia Necao II Levante e Síria
Localização
Carquemis, no alto Eufrates
Levante e Síria
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Necao II

A queda de Nínive, em 612 a.C., deixou um vazio que o Egito tentou ocupar. Em 609 a.C. Necao II marchou para o norte em socorro do que restava do poder assírio, enfrentou e matou Josias de Judá no caminho por Megido, e passou a dispor das cidades levantinas como senhor: depôs e nomeou reis em Jerusalém, cobrou tributo e instalou guarnições até o alto Eufrates. Durante quatro anos o vale do Orontes e a costa fenícia estiveram sob controle egípcio, uma situação que não se repetia desde o fim do Novo Império.

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c. 600 a.C. Datação aproximada A tentativa de ligar o Nilo ao Mar Vermelho Necao II abriu uma via navegável que partia do braço pelusíaco do Nilo e seguia pelo Uádi Tumilate em direção aos lagos amargos. Não era um corte entre dois mares, como o traçado moderno: a obra foi… Construções XXVI Dinastia Necao II Deserto Oriental e Mar Vermelho
Localização
Uádi Tumilate, do delta oriental aos lagos amargos
Deserto Oriental e Mar Vermelho
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Necao II

O percurso aproveitava uma depressão natural que corre para leste a partir do delta oriental. A escavação levava água do rio até a região dos lagos amargos e, de lá, descia para o golfo de Suez, de modo que barcos de rio pudessem alcançar a costa oriental. Nada disso funcionava como uma passagem entre mares abertos: o canal dependia do nível do Nilo, servia sobretudo durante a inundação e precisava de dragagem constante para não desaparecer sob o assoreamento. Necao II tinha motivos claros para tentar, pois estava construindo ao mesmo tempo uma frota de guerra em dois mares.

O início das obras é situado no reinado de Necao II sem ano preciso. Os relatos antigos sobre a interrupção e sobre a etapa final divergem nos detalhes.

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593 a.C. Datação aproximada Soldados de Psamético II assinam a parede de Abu Simbel Na perna de um colosso de Ramsés II, soldados a serviço de Psamético II gravaram em grego, em cário e em fenício o registro de sua subida do Nilo. O conjunto está entre os textos alfabéticos gregos mais… Escrita XXVI Dinastia Psamético II Núbia e Cuxe
Localização
Abu Simbel, durante a campanha contra Cuxe
Núbia e Cuxe
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Psamético II

No terceiro ano de reinado, Psamético II enviou contra Cuxe uma expedição que subiu o rio muito além da Segunda Catarata. Estelas encontradas em Tânis, Karnak e Assuã celebram a vitória, e o mesmo reinado ordenou o apagamento dos nomes dos reis núbios nos monumentos egípcios. O grafite grego de Abu Simbel completa o quadro pelo lado da tropa: diz que os autores chegaram até onde o rio permitia navegar, na altura de Kerkis, e nomeia os dois comandantes, um à frente dos contingentes estrangeiros e outro à frente dos egípcios.

A campanha é datada do terceiro ano de Psamético II por estelas egípcias, mas os grafites não trazem data. Discute-se se foram gravados na subida do rio ou no regresso.

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c. 570 a.C. Datação aproximada Náucratis concentra e regula o comércio grego Amásis II concedeu aos gregos um porto único no braço canópico do Nilo, com santuários, oficinas e cobrança de direitos. Os achados do local mostram que o povoado já existia antes dele: o que a coroa fez foi… Comércio XXVI Dinastia Amásis II Baixo Egito
Localização
Náucratis, no braço canópico do Nilo
Baixo Egito
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Amásis II

Náucratis ficava a cerca de oitenta quilômetros do mar, sobre o braço canópico, longe o bastante para que todo o tráfego passasse por postos de controle egípcios. Ali conviviam santuários de Apolo, de Hera e de Afrodite, um recinto comum fundado por nove cidades da Ásia Menor e das ilhas, um templo egípcio de Amon e oficinas que produziam amuletos e faianças em série. Os mercadores traziam prata, vinho e azeite e levavam cereal, natrão, papiro e linho. O povoado tinha caráter permanente, com bairros, cemitérios e famílias mistas.

A cerâmica encontrada no local indica presença grega já no fim do século VII a.C., antes da regulamentação atribuída a Amásis II. A data corresponde ao início desse reinado, não à fundação do povoado.

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