c. 650 a.C. Datação aproximada
O renascimento saíta reinventa a tradição
As oficinas saítas voltaram a copiar relevos, títulos e tipos de estátua do Antigo e do Médio Império, mas com pedras mais duras, outra grade de proporções e um acabamento sem precedente. A escolha do repertório antigo era uma declaração de legitimidade.
Época Baixa Arte arcaísmo estatuária pedras duras Sais
Contexto
O arcaísmo saíta não foi um estilo, mas um método. Nas tumbas tebanas de Montuemhat e de Ibi, cenas inteiras foram decalcadas de mastabas de Saqara do terceiro milênio e de relevos do templo de Mentuhotep II, depois recombinadas com motivos contemporâneos. Sarcófagos e paredes de câmara voltaram a receber os Textos das Pirâmides, fora de uso havia mais de mil anos, e altos funcionários ressuscitaram cargos que já eram antiguidades no próprio tempo deles. A operação exigia acesso aos monumentos, cópia em campo e uma noção precisa de quais épocas valia a pena citar.
O resultado nunca se confunde com o original. As oficinas preferiram grauvaca, basalto e granodiorito levados a um polimento que o Antigo Império não praticava, e adotaram uma grade de proporções mais estreita, que alonga as figuras. Surgem tipos novos, como a estátua de funcionário que segura um pequeno naos, e rostos tratados com rugas e assimetrias assumidas. Ao mesmo tempo, a administração passava a redigir em demótico, uma escrita sem qualquer pretensão de antiguidade. Citar o passado era o argumento de uma casa do delta que não tinha parentesco com os grandes reinados que invocava.
Sobre a datação
O termo designa uma tendência que atravessa a dinastia inteira, e não um acontecimento isolado. A data serve de marco para o momento em que as oficinas de Sais e de Mênfis já trabalhavam nesse programa.
Importância histórica
O programa saíta mostra uma cultura capaz de olhar para a própria história e escolher, com critério, o que dela deveria voltar. Para a egiptologia isso criou um problema prático: peças da dinastia foram durante muito tempo tomadas por obras de dois mil anos antes. E foi essa versão depurada da tradição que os primeiros viajantes gregos encontraram nos templos do delta, e que colecionadores europeus levariam mais tarde como imagem do Egito imutável.
Consequências
- Fixou o uso de pedras duras polidas como marca da estatuária egípcia tardia.
- Recolocou em circulação textos religiosos do terceiro milênio, copiados de monumentos antigos.
- Obrigou a egiptologia a rever atribuições de peças confundidas com obras do Antigo Império.
- Ofereceu à dinastia uma linguagem visual de legitimidade que não dependia de conquistas.
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