130 d.C. Datação estabelecida
Adriano viaja pelo Egito e funda Antinoópolis
Adriano percorreu o Egito com a corte no ano 130. Depois que Antínoo morreu afogado no Nilo, o imperador fundou no local uma cidade de estatuto grego, e o séquito deixou versos gravados na perna de um dos Colossos de Mêmnon, então célebres pelo som que emitiam ao amanhecer.
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Contexto
A comitiva subiu o rio no verão e no outono daquele ano, com paradas em Alexandria, na franja do deserto ocidental e nas grandes cidades do vale. Em Tebas, antes do nascer do sol, o grupo foi ouvir o ruído emitido por uma das duas estátuas colossais de Amenhotep III, rachada por um terremoto séculos antes. Júlia Balbila, poetisa que acompanhava a viagem, mandou inscrever versos em grego na perna da estátua, e eles se somaram a mais de uma centena de inscrições deixadas por quem havia feito a mesma peregrinação. O fenômeno cessou depois que a estátua foi restaurada, já no início do século seguinte.
A cidade nasceu de uma morte. Antínoo, jovem bitínio do círculo próximo do imperador, afogou-se no Nilo em outubro, e ainda naquele mês Adriano fundou na margem oriental, diante de Hermópolis, uma comunidade com estatuto de cidade grega. Antinoópolis recebeu conselho próprio, ginásio, traçado ortogonal e colonos recrutados no Faium e em Ptolemaida, atraídos por isenções fiscais e por privilégios de casamento. O culto ao jovem morto se espalhou pelo império, com estátuas, moedas e festivais. As ruínas ainda estavam de pé no início do século XIX, quando foram desenhadas por uma missão europeia, e desapareceram poucas décadas depois, consumidas por fornos de cal e pela retirada de terra fértil.
Importância histórica
A viagem mostra como o Egito era percebido em Roma: província de abastecimento, mas também destino de quem procurava monumentos antigos e oráculos. As inscrições nos colossos formam um dos mais antigos conjuntos de registros deixados por viajantes que se conhece. Antinoópolis, por sua vez, foi a última cidade de fundação grega criada no país e um caso claro do uso do estatuto jurídico como instrumento de governo, distribuindo privilégios a um grupo específico de moradores.
Consequências
- Criou a última cidade de estatuto grego fundada em território egípcio.
- Difundiu pelo império um culto novo, com imagens produzidas em série.
- Preservou nos colossos tebanos um conjunto de inscrições feitas por viajantes antigos.
- Gerou um núcleo urbano cujos vestígios foram quase totalmente destruídos no século XIX.
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