1798 – 1801 d.C. Datação estabelecida
A expedição científica que inventariou o Egito
A campanha militar francesa no Egito trouxe consigo uma comissão de cerca de cento e sessenta especialistas encarregados de medir, desenhar e descrever o país. O resultado foi um levantamento em vários volumes que, publicado a partir de 1809, tornou-se a base do interesse europeu pelo Egito antigo.
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Contexto
A comissão reunia engenheiros, desenhistas, naturalistas, médicos e matemáticos, instalados no Cairo em uma sociedade científica criada em agosto de 1798. Enquanto as tropas subiam o rio, Vivant Denon acompanhava a marcha desenhando templos em condições precárias, muitas vezes com poucas horas em cada parada. Outros integrantes mediram edifícios, traçaram plantas baixas, catalogaram espécies vegetais e animais e descreveram o Egito de seu tempo, do funcionamento da irrigação aos ofícios praticados nas cidades. O conjunto foi impresso em Paris entre 1809 e 1829, com centenas de estampas de grande formato.
O empreendimento era parte de uma ocupação militar e servia a objetivos de governo, não apenas ao conhecimento. Algumas estampas corrigem proporções e completam trechos arruinados, o que exige cautela em seu uso como prova. Ainda assim, elas registram construções que desapareceram pouco depois: templos desmontados para virar material de obra, arcos e colunatas consumidos por fornos de cal, terrenos cobertos por cidades em expansão. A campanha também inaugurou a fase de formação das grandes coleções europeias, com cônsules e agentes disputando estátuas, sarcófagos e manuscritos; boa parte dos acervos de Turim, Paris e Londres se constituiu nessas condições, por métodos que hoje não seriam aceitos.
Importância histórica
Esse foi o primeiro esforço de descrever o Egito inteiro de modo ordenado, e ainda hoje as estampas funcionam como documento primário para monumentos perdidos entre o começo do século XIX e o presente. A publicação também criou o público que sustentaria a egiptologia: colecionadores, museus, editores e leitores. O achado que permitiria decifrar a escrita ocorreu no curso dessa mesma ocupação, o que amarra o início da disciplina a um episódio militar.
Consequências
- Produziu o primeiro levantamento sistemático dos monumentos egípcios.
- Registrou edifícios destruídos logo depois, hoje conhecidos apenas por essas estampas.
- Difundiu na Europa um interesse duradouro pelo passado do vale do Nilo.
- Abriu a fase de formação das coleções europeias, marcada por remoção maciça de objetos.
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