MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

Dossiê temático

Pedra, rio e trabalho organizado

Do adobe das primeiras aldeias aos templos ptolemaicos de Edfu e Dendera, o Egito antigo construiu para durar e para ser visto. Este dossiê reúne o que o acervo documenta sobre canteiros, materiais, engenharia e o custo humano de erguer pirâmides, fortalezas e santuários.

17 acontecimentos ligados ao tema

O que uma obra egípcia precisa para existir

Nenhuma pirâmide, templo ou fortaleza se explica só pelo nome do rei que a inaugura. Exige pedreira, via de transporte, temporada de cheia para mover blocos por barcaça, celeiro para pagar rações e um quadro de escribas capaz de contar equipes. Os papiros de Uádi el-Jarf mostram exatamente essa cadeia no reinado de Quéops: o calcário viaja do Tura ao planalto, o porto do Mar Vermelho guarda o arquivo, e um príncipe da casa real aparece como responsável.

A vila dos construtores de Gizé acrescenta o que o monumento omite: pão, cerveja, peixe salgado, currais e um cemitério de trabalhadores com fraturas alinhadas e cicatrizadas. O trabalho é convocado em turnos e pago em espécie. Chamar isso de escravidão clássica distorce o que o sítio documenta; chamar de voluntariado distorce do outro lado. O que há é obrigação de Estado, sustentada pela colheita e pela hierarquia provincial.

Da mastaba à pirâmide, e da pirâmide ao templo de milhões de anos

A sequência construtiva do terceiro milênio é clara na pedra. A mastaba retangular do Tinita vira, em Saqara, a pirâmide de degraus de Djoser. Snefru testa e corrige a face lisa em Meidum e Dachur. Gizé concentra o maior volume. A V e a VI Dinastias não abandonam a pirâmide, mas deslocam prestígio e recursos para os templos solares e para uma decoração textual que culmina nos Textos das Pirâmides.

No Médio Império a pirâmide volta, menor, muitas vezes com núcleo de adobe. No Novo Império ela deixa de ser o túmulo real: o rei é enterrado no Vale dos Reis e o mercado de pedra se transfere para o templo de milhões de anos, o eixo de Karnak e Luxor, os obeliscos de Assuã e os santuários núbios de Abu Simbel. O dossiê acompanha essa migração de forma. Construir deixa de significar sobretudo enterrar o rei e passa a significar fazer o deus e o império visíveis no rio.

Fortalecer, irrigar, habitar

Nem toda obra grande é funerária. As fortalezas da Segunda Catarata são máquinas de vigiar o ouro e o tráfego núbio. O Faium do Médio Império é uma obra hidráulica: diques, canais, terra nova. Pi-Ramsés e Alexandria são cidades plantadas para um porto e para uma corte. O canal do Uádi Tumilate, tentado na Época Baixa, trata o deserto entre o Nilo e o Mar Vermelho como problema de engenharia, não como cenário.

Essas obras têm vida útil e falha. Fortalezas se esvaziam quando o tesouro não paga a guarnição. Braços do delta assoreiam e matam portos, como aconteceu a Pi-Ramsés. Templos são desmontados para virar pedreira da dinastia seguinte — Tânis se ergue com a pedra da capital ramessida. A construção egípcia inclui o reúso, e o reúso é também uma decisão política.

O último ciclo e o que a conservação moderna salvou

Edfu, Dendera, Esna, Com Ombo e Filas pertencem a um ciclo tardio em que o Estado ptolemaico e, em parte, o romano financiam plantas tradicionais de altíssima densidade textual. São os templos que o visitante de hoje percorre com mais facilidade, precisamente porque são mais recentes e porque, no século XX, alguns deles foram deslocados para não afundar no lago de Assuã.

A campanha da Unesco na Núbia tornou explícito um princípio que a egiptologia já praticava em escala menor: o sítio é parte da obra. Abu Simbel e Filas existem hoje em cotas novas, em blocos numerados e remontados. Este dossiê trata essa operação como acontecimento histórico, não como nota de rodapé turística. Sem ela, o último grande ciclo construtivo do vale teria perdido seus exemplares mais visíveis.

O que as fontes não permitem afirmar

  • Não há diário de obra da Grande Pirâmide nem planta original sobrevivente; a reconstrução dos métodos de elevação dos blocos permanece inferencial.
  • Cifras de trabalhadores citadas por autores gregos tardios não são usadas aqui como estatística.
  • A atribuição de um monumento a um único reinado esconde, com frequência, ampliações, usurpação de cartuchos e reúsos posteriores.

Cronologia do tema

17 acontecimentos, do Pré-Dinástico às descobertas modernas

Período Tinita

c. 3000 – 2686 a.C.

2 acontecimentos

c. 2990 a.C. Datação aproximada Fundação de Mênfis como sede do governo No ponto em que o vale se abre para o delta instalou-se a cidade que os egípcios chamaram de Muralha Branca e que a tradição posterior atribuiu ao primeiro rei. Mênfis passou a concentrar o governo, os… Construções I Dinastia Aha Baixo Egito
Localização
Mênfis, na entrada meridional do delta
Baixo Egito
Dinastia
I Dinastia
Governante
Aha

A escolha do lugar tem lógica evidente. Quem se instala na entrada meridional do delta controla ao mesmo tempo o tráfego que sobe o vale e a rede de braços que se abrem para o norte, além de ficar a poucos dias de viagem das rotas para o Sinai e para o Levante. O nome egípcio mais antigo da cidade, Muralha Branca, descreve provavelmente um recinto fortificado de tijolo caiado. A designação Mênfis vem do grego e deriva de Men-nefer, nome do complexo funerário de um rei do Antigo Império que acabou aplicado a toda a aglomeração.

Não existe inscrição de fundação: a data resulta da associação com o reinado de Aha e das mastabas mais antigas de Saqara. As camadas iniciais da cidade seguem soterradas por aluvião e abaixo do nível da água subterrânea.

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c. 2690 a.C. Datação aproximada Khasekhemuy encerra o conflito interno e ergue o recinto de Abidos Khasekhemuy reuniu em seu nome os emblemas de Hórus e de Set, mandou esculpir estátuas com a contagem de inimigos vencidos no norte e ergueu em Abidos o Shunet el-Zebib, recinto de tijolo cru com muros de mais… Construções II Dinastia Khasekhemuy Alto Egito
Localização
Shunet el-Zebib, Abidos
Alto Egito
Dinastia
II Dinastia
Governante
Khasekhemuy

A II Dinastia deixou poucos monumentos e muitos indícios de tensão. Um de seus reis substituiu o falcão de Hórus pelo animal de Set na escrita de seu nome, e o último, Khasekhemuy, adotou uma forma que reúne as duas divindades, cujo sentido é o de que as duas potências se manifestam juntas. Estátuas suas encontradas em Hieracômpolis trazem, na base, números de adversários derrotados no norte do país. A leitura corrente combina esses elementos e conclui que houve conflito interno encerrado em seu reinado, embora nenhum texto narre os fatos.

O fim da II Dinastia é datado por contagem retroativa a partir da III, e as listas antigas atribuem durações incompatíveis aos reinados anteriores. A data adotada é a mais corrente nas cronologias em uso.

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Antigo Império

c. 2686 – 2181 a.C.

3 acontecimentos

c. 2650 a.C. Datação aproximada A pirâmide de degraus de Djoser inaugura a arquitetura em pedra Em Saqara, o recinto funerário de Djoser substituiu o tijolo cru pela pedra cortada e empilhou seis níveis de alvenaria até cerca de sessenta metros de altura. Tornou-se o primeiro grande edifício egípcio… Construções III Dinastia Djoser Baixo Egito
Localização
Saqara, necrópole de Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
III Dinastia
Governante
Djoser

O canteiro foi aberto no alto do planalto que domina Mênfis, onde já existiam sepulturas reais da II Dinastia. O recinto erguido para Djoser mede cerca de 545 por 278 metros e é cercado por um muro de calcário com bastiões e catorze portas fingidas, das quais somente uma se abre de fato. Dentro dele, capelas de fachada maciça, colunas engastadas e cercas de junco foram reproduzidas em calcário: as formas que antes se faziam em tijolo cru, madeira e feixe vegetal passaram a ser talhadas, e desse exercício saiu um repertório decorativo reaproveitado por milênios.

A obra ocupa o reinado de Djoser, estimado em cerca de dezenove anos. As datas absolutas dependem da cronologia adotada e variam algumas décadas entre os manuais em uso.

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c. 2600 a.C. Datação aproximada Snefru resolve a pirâmide de faces lisas Em pouco mais de duas décadas, Snefru mandou erguer três pirâmides e resolveu o problema estrutural que impedia a face contínua. Meidum foi convertida a partir de uma estrutura escalonada, a de Dachur Sul teve… Construções IV Dinastia Snefru Médio Egito
Localização
Meidum, Dachur Sul e Dachur Norte
Médio Egito
Dinastia
IV Dinastia
Governante
Snefru

Meidum começou como uma construção em degraus e recebeu depois um revestimento destinado a criar planos contínuos, apoiado em fundação frágil; o invólucro externo acabou por desabar, deixando à vista o núcleo em torre que ainda hoje se ergue na planície. Em Dachur Sul, a obra seguinte foi iniciada com inclinação próxima de cinquenta e quatro graus e teve o ângulo reduzido para cerca de quarenta e três na metade da altura, decisão tomada depois do aparecimento de fissuras nas câmaras internas e do assentamento do terreno.

As três obras se distribuem por um reinado de cerca de vinte e quatro anos, cuja duração é estimada a partir de grafites de datação por contagem de gado. A ordem das etapas é bem conhecida; os anos absolutos, não.

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c. 2560 a.C. Datação aproximada Construção da Grande Pirâmide de Quéops No planalto de Gizé, o reinado de Quéops ergueu a maior pirâmide já construída, com cerca de 146 metros de altura original e mais de dois milhões de blocos assentados. A obra exigiu uma organização de trabalho… Construções IV Dinastia Quéops Baixo Egito
Localização
Planalto de Gizé, a sudoeste de Mênfis
Baixo Egito
Dinastia
IV Dinastia
Governante
Quéops

A escolha de Gizé rompeu com a tradição de Dachur, onde Snefru havia concluído duas pirâmides. O novo canteiro oferecia um afloramento de calcário resistente, capaz de sustentar o peso da estrutura, e acesso fluvial durante a inundação, quando barcaças podiam se aproximar do porto construído ao pé do planalto.

A obra corresponde ao reinado de Quéops, cuja duração é estimada em cerca de vinte e três anos; as datas absolutas variam algumas décadas entre as cronologias em uso.

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Médio Império

c. 2055 – 1650 a.C.

2 acontecimentos

c. 2040 a.C. Datação aproximada O templo em terraços de Mentuhotep II em Deir el-Bahari Na enseada rochosa de Deir el-Bahari, Mentuhotep II ergueu um complexo funerário em terraços, com pórticos de pilares e rampa central, encaixado na base do penhasco. O conjunto recebeu o nome de Akh-isut, os… Construções XI Dinastia Mentuhotep II Alto Egito
Localização
Deir el-Bahari, margem ocidental de Tebas
Alto Egito
Dinastia
XI Dinastia
Governante
Mentuhotep II

Uma calçada subia do vale até um pátio onde foram abertas covas para o plantio de tamargueiras e sicômoros, ainda visíveis. Dali uma rampa levava ao terraço, cercado por galerias de pilares quadrados, no centro do qual se erguia um bloco maciço cuja forma original continua em debate: pirâmide baixa, mastaba ou montículo simbólico, sem que os restos permitam decidir. Ao fundo, escavado na rocha, ficava o santuário dedicado a Amon e ao rei divinizado. Um poço na frente do conjunto, o Bab el-Hosan, guardava uma estátua sentada do rei envolto no manto do festival de jubileu, com a pele pintada de negro.

A obra é atribuída à segunda metade de um reinado cuja duração se conhece melhor que suas datas absolutas, calculadas a partir de âncoras lunares esparsas e de sincronismos incompletos. Daí uma variação de algumas décadas conforme a cronologia adotada.

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c. 1950 a.C. Datação aproximada Senusret I reconstrói Karnak em pedra Senusret I substituiu as instalações de tijolo do santuário de Amon em Karnak por um templo de calcário e ergueu uma capela de jubileu. Séculos depois, seus blocos foram reaproveitados como enchimento em um… Construções XII Dinastia Senusret I Alto Egito
Localização
Karnak, em Tebas
Alto Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Senusret I

É com esse reinado que Karnak entra na história com arquitetura de pedra documentada. O programa incluiu um pátio com pilares, estátuas do rei em forma osiríaca e a chamada Capela Branca, pequena construção de calcário fino que servia de estação para a barca sagrada durante o festival de jubileu. Suas paredes trazem, além das cenas de oferenda, uma relação dos nomos do Egito com medidas de terra e cotas de produtos: um documento administrativo gravado em pedra, raro para qualquer período. No reinado de Amenhotep III a capela foi desmontada e seus blocos foram usados como recheio interno de um pilone, onde ficaram até serem retirados e recompostos, peça por peça, nas décadas de 1920 e 1930.

A obra se estende por um reinado longo, cujas datas absolutas variam segundo a cronologia adotada: as âncoras disponíveis são registros lunares de arquivos administrativos e sincronismos parciais, insuficientes para fechar a conta em menos de algumas décadas.

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Novo Império

c. 1550 – 1069 a.C.

5 acontecimentos

c. 1500 a.C. Datação aproximada O Vale dos Reis substitui as pirâmides reais A monarquia abandonou o túmulo visível e passou a esconder a sepultura em um uádi atrás da montanha tebana, separando-a do templo de culto erguido na planície. A decisão mudou a arquitetura funerária real por… Construções XVIII Dinastia Tutmés I Alto Egito
Localização
Vale dos Reis, Tebas ocidental
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés I

O uádi escolhido fica sob o pico de el-Qurn, cuja silhueta triangular funcionava como pirâmide natural sobre as tumbas. O acesso único e a escassez de rotas facilitavam a vigilância por guardas da necrópole. A escavação era feita na rocha, com corredores em declive, poços de proteção, câmaras de anexos e uma sala de sarcófago decorada com textos do repertório funerário real, entre eles o Livro do Amduat. O templo de culto, antes acoplado à pirâmide, passou a ser construído a quilômetros de distância, na borda das terras cultivadas.

A atribuição das duas tumbas mais antigas do vale, KV20 e KV38, ao reinado de Tutmés I é debatida, e com ela a data exata da primeira escavação. O reinado em si está bem posicionado na sequência dinástica, com a habitual margem de cerca de dez anos entre a cronologia alta e a baixa.

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c. 1460 a.C. Datação aproximada Os obeliscos de Karnak e as pedreiras de Assuã Dois monólitos de granito extraídos em Assuã foram erguidos entre o quarto e o quinto pilone de Karnak. O que permanece de pé tem quase trinta metros e mais de trezentas toneladas, e sua base afirma que a… Construções XVIII Dinastia Hatshepsut Alto Egito
Localização
Karnak e pedreiras de granito de Assuã
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Hatshepsut

O granito vermelho vinha das pedreiras da margem oriental de Assuã, onde o bloco era isolado por trincheiras abertas a golpes de esferas de dolerito e depois desprendido da rocha viva. O transporte, cerca de duzentos quilômetros rio abaixo, aparece representado em relevo no pórtico inferior de Deir el-Bahari: dois obeliscos deitados lado a lado sobre uma barcaça imensa, rebocada por filas de embarcações a remo. A operação, atribuída nos textos ao mordomo Senenmut, dependia da cheia para aproximar a carga do canteiro e de rampas de tijolo e areia para o levantamento final.

A inscrição da base do obelisco conservado menciona o ano dezesseis da corregência e um prazo de sete meses entre a extração e a instalação. As datas absolutas correspondentes oscilam cerca de uma década entre a cronologia alta e a baixa.

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c. 1370 a.C. Datação aproximada O templo de Luxor e os Colossos de Mêmnon O reinado mais próspero da XVIII Dinastia ergueu em Luxor o santuário do sul, com colunata e pátio solar, e na margem oposta um templo funerário de dimensões enormes, guardado por dois colossos de quartzito de… Construções XVIII Dinastia Amenhotep III Alto Egito
Localização
Luxor e Kom el-Hetan, em Tebas
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Amenhotep III

O templo de Luxor, chamado Ipet-resyt, foi concebido para a festa de Opet, quando as imagens dos deuses de Karnak desciam em procissão até o santuário do sul. Suas salas internas trazem a sequência de relevos do nascimento divino do rei, em que Amon assume a forma do pai para gerar o herdeiro, tema já usado em Deir el-Bahari. A obra foi conduzida sob a supervisão do arquiteto Amenhotep, filho de Hapu, funcionário tão prestigiado que recebeu templo de culto próprio, e prosseguiu depois com a colunata concluída no reinado de Tutancâmon.

As obras se distribuem ao longo de um reinado de quase quatro décadas, sem que os monumentos permitam datar cada etapa. A posição do reinado é firme, apoiada em datas lunares e em cartas trocadas com Babilônia e Mitani, com a costumeira diferença de cerca de dez anos entre as cronologias em uso.

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c. 1279 a.C. Datação aproximada Pi-Ramsés se torna a nova capital do delta A corte ramessida deixou Tebas como residência e se instalou no delta oriental, perto da antiga Avaris. Pi-Ramsés reuniu palácio, templos, quartel de carros e oficinas de bronze, e sua posição encurtava em… Construções XIX Dinastia Ramsés II Baixo Egito
Localização
Qantir, no delta oriental
Baixo Egito
Dinastia
XIX Dinastia
Governante
Ramsés II

O local, hoje a região de Qantir, ficava junto ao braço pelusíaco do Nilo, com acesso direto ao Mediterrâneo e à estrada militar do norte do Sinai. As prospecções magnéticas e as escavações revelaram uma cidade de vários quilômetros quadrados, com setor palaciano, distritos de templo, estábulos capazes de abrigar centenas de cavalos, pistas de manobra e uma grande oficina metalúrgica com fornos de fundição de bronze e resíduos de fabricação de armas. Peças de revestimento em faiança azul e ladrilhos decorados indicam o padrão dos edifícios oficiais.

A fundação é atribuída ao início do reinado de Ramsés II, cuja subida ao trono é uma das datas mais bem amarradas do Egito faraônico, apoiada em datas lunares e nos sincronismos com Hatti. Ainda assim, o valor absoluto varia cerca de uma década entre a cronologia alta e a baixa.

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c. 1264 a.C. Datação aproximada Os templos de Abu Simbel afirmam o poder egípcio na Núbia Ramsés II mandou escavar na encosta de Abu Simbel dois templos rupestres: o maior, com quatro colossos sentados de cerca de vinte metros, dedicado a Amon-Rá, Rá-Horakhti, Ptá e ao próprio rei divinizado; o… Construções XIX Dinastia Ramsés II Núbia e Cuxe
Localização
Abu Simbel, ao norte da Segunda Catarata
Núbia e Cuxe
Dinastia
XIX Dinastia
Governante
Ramsés II

A escolha do lugar respondia a uma necessidade de governo. Abu Simbel ficava na rota fluvial que ligava o Egito às minas de ouro e às províncias administradas pelo vice-rei de Cuxe, e as fachadas foram talhadas de frente para o rio, de modo que quem subia ou descia o Nilo encontrasse primeiro os colossos do rei. No santuário mais profundo, quatro estátuas sentadas mostram Ramsés II entre os grandes deuses do Estado, na mesma escala e recebendo o mesmo culto. O eixo do templo foi orientado de tal modo que a luz do sol nascente alcança esse fundo em dois momentos do ano.

O início das obras é situado por volta do ano vinte de Ramsés II, e a conclusão do conjunto se estendeu por cerca de duas décadas. As datas absolutas do reinado variam alguns anos entre as cronologias em uso.

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Época Baixa

c. 664 – 332 a.C.

1 acontecimento

c. 600 a.C. Datação aproximada A tentativa de ligar o Nilo ao Mar Vermelho Necao II abriu uma via navegável que partia do braço pelusíaco do Nilo e seguia pelo Uádi Tumilate em direção aos lagos amargos. Não era um corte entre dois mares, como o traçado moderno: a obra foi… Construções XXVI Dinastia Necao II Deserto Oriental e Mar Vermelho
Localização
Uádi Tumilate, do delta oriental aos lagos amargos
Deserto Oriental e Mar Vermelho
Dinastia
XXVI Dinastia
Governante
Necao II

O percurso aproveitava uma depressão natural que corre para leste a partir do delta oriental. A escavação levava água do rio até a região dos lagos amargos e, de lá, descia para o golfo de Suez, de modo que barcos de rio pudessem alcançar a costa oriental. Nada disso funcionava como uma passagem entre mares abertos: o canal dependia do nível do Nilo, servia sobretudo durante a inundação e precisava de dragagem constante para não desaparecer sob o assoreamento. Necao II tinha motivos claros para tentar, pois estava construindo ao mesmo tempo uma frota de guerra em dois mares.

O início das obras é situado no reinado de Necao II sem ano preciso. Os relatos antigos sobre a interrupção e sobre a etapa final divergem nos detalhes.

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Período Ptolemaico

332 – 30 a.C.

2 acontecimentos

c. 280 a.C. Datação aproximada O Farol de Alexandria e o porto do Mediterrâneo Erguido na ponta da ilha que deu nome ao edifício, o farol tinha três corpos sobrepostos e um foco de luz no alto, alimentado por fogo segundo as descrições antigas. Orientou a navegação por mais de mil anos… Construções Dinastia ptolemaica Ptolomeu II Filadelfo Baixo Egito
Localização
Ilha de Faros, em Alexandria
Baixo Egito
Dinastia
Dinastia ptolemaica
Governante
Ptolomeu II Filadelfo

A costa egípcia é baixa, monótona e cheia de bancos de areia, sem qualquer marco natural que indique a entrada de um porto. A torre resolveu esse problema. As moedas, os mosaicos e os relatos de viajantes árabes descrevem três corpos sobrepostos, o primeiro de planta quadrada, o segundo octogonal e o terceiro cilíndrico, com uma rampa interna para levar combustível ao topo. As estimativas de altura vão de cem a mais de cento e trinta metros. Estrabão e Plínio registram a dedicatória feita por Sóstrato de Cnido, e o dique chamado Heptastádio ligava a ilha à terra firme, criando dois portos abrigados.

A conclusão é situada entre cerca de 285 e 280 a.C., no reinado de Ptolomeu II. A altura e a forma dependem de descrições, moedas e mosaicos posteriores, que não concordam entre si.

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237 a.C. Datação estabelecida O templo de Edfu e a arquitetura dos últimos santuários A pedra fundamental do templo de Hórus foi assentada em 237 a.C., e a obra só terminou cento e oitenta anos depois. Suas paredes cobertas de texto formam o maior repositório conhecido de ritual, calendário de… Construções Dinastia ptolemaica Ptolomeu III Evérgeta Alto Egito
Localização
Edfu, no Alto Egito
Alto Egito
Dinastia
Dinastia ptolemaica
Governante
Ptolomeu III Evérgeta

A construção começou no reinado de Ptolomeu III, sobre o lugar de um santuário mais antigo. O corpo interior ficou pronto em 212 a.C. e recebeu decoração até 142; o pátio, a sala hipóstila externa e o pilone só foram concluídos em 57 a.C., sob Ptolomeu XII. As datas estão gravadas nas próprias paredes, em textos que registram cada etapa. No santuário permaneceu o naos monolítico de granito do último faraó nativo, herdado do edifício anterior. O templo chegou quase intacto ao século XIX porque estava soterrado em areia e coberto por casas de aldeia, retiradas nas obras de desobstrução iniciadas em 1860.

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Domínio romano

30 a.C. – 641 d.C.

2 acontecimentos

c. 30 d.C. Datação aproximada Dendera é concluída sob administração romana O grande santuário de Hator, iniciado no fim do período ptolemaico, recebeu seu vestíbulo colunado já sob Roma, com o imperador esculpido como faraó diante dos deuses. Dendera mostra que a construção religiosa… Construções Província romana e bizantina Tibério Alto Egito
Localização
Dendera, no Alto Egito
Alto Egito
Dinastia
Província romana e bizantina
Governante
Tibério

O templo dedicado a Hator começou a ser erguido no primeiro século antes da era comum e ganhou, sob administração romana, um vestíbulo de vinte e quatro colunas encimadas pelo rosto da deusa. O teto abriga uma das representações do céu mais completas conhecidas no Egito, com constelações, planetas e as divindades que marcavam os períodos de dez dias. De uma capela no terraço veio o relevo circular hoje conservado em Paris, retirado do edifício em 1821 e substituído por uma cópia.

O vestíbulo colunado leva o nome de Tibério, mas sua decoração prosseguiu nos reinados seguintes. Não há data única que marque a conclusão do conjunto.

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130 d.C. Datação estabelecida Adriano viaja pelo Egito e funda Antinoópolis Adriano percorreu o Egito com a corte no ano 130. Depois que Antínoo morreu afogado no Nilo, o imperador fundou no local uma cidade de estatuto grego, e o séquito deixou versos gravados na perna de um dos… Construções Província romana e bizantina Adriano Médio Egito
Localização
Antinoópolis e Colossos de Mêmnon
Médio Egito
Dinastia
Província romana e bizantina
Governante
Adriano

A comitiva subiu o rio no verão e no outono daquele ano, com paradas em Alexandria, na franja do deserto ocidental e nas grandes cidades do vale. Em Tebas, antes do nascer do sol, o grupo foi ouvir o ruído emitido por uma das duas estátuas colossais de Amenhotep III, rachada por um terremoto séculos antes. Júlia Balbila, poetisa que acompanhava a viagem, mandou inscrever versos em grego na perna da estátua, e eles se somaram a mais de uma centena de inscrições deixadas por quem havia feito a mesma peregrinação. O fenômeno cessou depois que a estátua foi restaurada, já no início do século seguinte.

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