30 a.C. – 641 d.C.
Província romana e bizantina
O Egito deixou de ter dinastia própria e passou a ser administrado por prefeitos nomeados pelo imperador. Os imperadores aparecem representados como faraós nos templos, mas o país era, na prática, uma província estratégica de abastecimento.
Domínio romano 10 acontecimentos
Sucessão
Governantes desta linhagem
Reinados em ordem cronológica. As datas anteriores a 664 a.C. são aproximadas.
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30 a.C. – 14 d.C.
Augusto
Anexou o Egito em 30 a.C. e o transformou em província administrada diretamente em seu nome. Aparece como faraó em relevos de templos egípcios.
2 registros -
14 – 37 d.C.
Tibério
Sob seu governo consolidou-se o sistema de tributação em grão do Egito e a documentação em papiro que hoje permite reconstruir a vida cotidiana da província.
1 registro -
117 – 138 d.C.
Adriano
Viajou pelo Egito, fundou a cidade de Antinoópolis e visitou os Colossos de Mêmnon, então célebres por emitir um som ao amanhecer.
1 registro -
284 – 305 d.C.
Diocleciano
Reprimiu a revolta de Alexandria, reorganizou a administração provincial e reformou a tributação. A data de seu acesso passou a marcar a era dos mártires no calendário copta.
0 registros -
379 – 395 d.C.
Teodósio I
Determinou o fechamento dos templos não cristãos do império, decisão que acelerou o fim dos cultos tradicionais egípcios.
1 registro -
527 – 565 d.C.
Justiniano I
Mandou encerrar o templo de Ísis em Filas, o último santuário em atividade do Egito antigo, por volta de 537 d.C.
1 registro
Cronologia
Acontecimentos atribuídos à Província romana e bizantina
30 a.C. Datação estabelecida Otaviano anexa o Egito como província imperial A queda de Alexandria, em 30 a.C., encerrou três séculos de governo ptolemaico e transformou o Egito em província romana. Otaviano reservou o território para si: em vez de entregá-lo ao Senado, nomeou um…
- Localização
- Alexandria
Baixo Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Augusto
A anexação não exigiu a criação de uma máquina administrativa nova. Os Ptolomeus já haviam montado um sistema de cadastro de terras, arrendamento e cobrança em grão que Roma julgou eficiente o bastante para preservar quase intacto, trocando apenas o topo da hierarquia. Alexandria perdeu o conselho municipal que possuía sob os reis e ficou sob vigilância estreita, condição que só seria revista dois séculos depois. O primeiro prefeito, Caio Cornélio Galo, reprimiu levantes no Alto Egito e mandou gravar o relato de sua atuação em uma estela trilíngue erguida em Filas, gesto que lhe custaria o cargo e a vida.
c. 20 a.C. Datação aproximada O Egito se torna o celeiro de Roma Roma passou a depender das colheitas egípcias para alimentar sua população. Uma parcela expressiva do trigo consumido na capital saía todos os anos de Alexandria em comboios organizados pelo Estado, resultado…
- Localização
- Vale do Nilo, com embarque em Alexandria
Todo o Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Augusto
O imposto fundiário do Egito era pago sobretudo em grão. Cada parcela cultivável estava registrada em cadastros que indicavam responsável, área e categoria de terra, e a cota devida variava conforme a altura da inundação medida nos nilômetros. A colheita recolhida se concentrava em celeiros de aldeia, era transferida para armazéns distritais e seguia em barcaças rio abaixo até Alexandria, de onde partia por mar rumo aos portos de Putéoli e, mais tarde, de Óstia.
A remessa anual de grão consolidou-se ao longo do principado de Augusto, sem marco inicial datado. A data indicada corresponde ao momento em que a frota de abastecimento já operava com regularidade.
c. 30 d.C. Datação aproximada Dendera é concluída sob administração romana O grande santuário de Hator, iniciado no fim do período ptolemaico, recebeu seu vestíbulo colunado já sob Roma, com o imperador esculpido como faraó diante dos deuses. Dendera mostra que a construção religiosa…
- Localização
- Dendera, no Alto Egito
Alto Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Tibério
O templo dedicado a Hator começou a ser erguido no primeiro século antes da era comum e ganhou, sob administração romana, um vestíbulo de vinte e quatro colunas encimadas pelo rosto da deusa. O teto abriga uma das representações do céu mais completas conhecidas no Egito, com constelações, planetas e as divindades que marcavam os períodos de dez dias. De uma capela no terraço veio o relevo circular hoje conservado em Paris, retirado do edifício em 1821 e substituído por uma cópia.
O vestíbulo colunado leva o nome de Tibério, mas sua decoração prosseguiu nos reinados seguintes. Não há data única que marque a conclusão do conjunto.
c. 100 d.C. Datação aproximada Os retratos do Faium unem duas tradições funerárias Painéis pintados sobre madeira, com rostos de homens, mulheres e crianças, eram amarrados às ataduras das múmias no Faium e em Antinoópolis. Cada peça reúne a pintura de retrato de tradição greco-romana e o…
- Localização
- Hauara, Antinoópolis e o Faium
Médio Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Não atribuído
O painel era pintado em madeira fina, com cera de abelha aquecida e pigmento ou com têmpera, e depois encaixado nas faixas de linho sobre o rosto do morto. O tratamento pictórico é o da tradição helenística: luz lateral, modelado do volume, olhar dirigido a quem observa. Penteados, barbas e joias acompanham a moda das cortes imperiais, o que permite datar boa parte das peças por comparação com bustos e moedas. Sob o painel, o corpo continuava a receber as substâncias de conservação e as fórmulas de proteção da tradição local, por vezes com máscara de estuque dourado sobre o peito.
A produção se estende de meados do primeiro século ao terceiro século d.C. A data indicada corresponde ao auge da prática, já que poucos painéis podem ser datados individualmente com precisão.
130 d.C. Datação estabelecida Adriano viaja pelo Egito e funda Antinoópolis Adriano percorreu o Egito com a corte no ano 130. Depois que Antínoo morreu afogado no Nilo, o imperador fundou no local uma cidade de estatuto grego, e o séquito deixou versos gravados na perna de um dos…
- Localização
- Antinoópolis e Colossos de Mêmnon
Médio Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Adriano
A comitiva subiu o rio no verão e no outono daquele ano, com paradas em Alexandria, na franja do deserto ocidental e nas grandes cidades do vale. Em Tebas, antes do nascer do sol, o grupo foi ouvir o ruído emitido por uma das duas estátuas colossais de Amenhotep III, rachada por um terremoto séculos antes. Júlia Balbila, poetisa que acompanhava a viagem, mandou inscrever versos em grego na perna da estátua, e eles se somaram a mais de uma centena de inscrições deixadas por quem havia feito a mesma peregrinação. O fenômeno cessou depois que a estátua foi restaurada, já no início do século seguinte.
c. 150 d.C. Datação aproximada Os papiros de Oxirrinco revelam a vida na província Os montes de entulho de uma cidade do Médio Egito guardaram centenas de milhares de fragmentos escritos, do recibo de imposto à carta de família. É o retrato documental mais denso que sobreviveu de uma…
- Localização
- Oxirrinco, no Médio Egito
Médio Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Não atribuído
A cidade ficava a oeste do braço principal do rio, em terreno seco o bastante para conservar folhas de papiro descartadas. Durante séculos, seus moradores jogaram fora contratos vencidos, minutas de repartição, exercícios escolares e correspondência inútil em depósitos de lixo na borda do povoado. Dois pesquisadores de Oxford começaram a escavá-los em 1896 e retiraram, em pouco mais de dez anos, um volume de material que nenhuma equipe conseguiu esgotar. A edição do acervo começou em 1898 e prossegue, volume após volume, com uma fração pequena do total publicada até agora.
Os documentos recuperados na cidade cobrem cerca de sete séculos de vida urbana. A data indicada situa o centro do conjunto, e não um acontecimento isolado.
c. 200 d.C. Datação aproximada O cristianismo se enraíza no Egito Ao longo do segundo e do terceiro séculos, comunidades cristãs se estabeleceram em Alexandria e nas cidades do vale. A produção intelectual da escola alexandrina e a passagem das escrituras para a língua…
- Localização
- Alexandria e vale do Nilo
Baixo Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Não atribuído
Os indícios mais antigos são fragmentos de escritos cristãos achados em cidades do interior e atribuídos ao segundo século pela comparação do traçado das letras, o que indica difusão precoce fora da capital. A tradição registrada por Eusébio de Cesareia atribui a fundação da comunidade alexandrina ao evangelista Marcos, mas não há documentação contemporânea que a confirme, e a lista dos primeiros bispos é conhecida somente por fontes posteriores. Certificados de sacrifício expedidos durante a perseguição ordenada por Décio, em meados do terceiro século, sobreviveram entre os documentos da província e mostram a nova religião já suficientemente difundida para exigir controle administrativo.
As primeiras comunidades cristãs egípcias não deixaram registro datado de fundação. A data indicada marca o período em que sua presença se torna documentada tanto em Alexandria quanto no interior.
c. 320 d.C. Datação aproximada O monaquismo nasce no deserto egípcio O afastamento de cristãos para o deserto, primeiro como eremitas isolados e depois em comunidades organizadas, começou no Egito e se difundiu pelo mundo cristão. Pacômio redigiu a primeira regra de vida em…
- Localização
- Deserto oriental e Tebaida
Deserto Oriental e Mar Vermelho - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Não atribuído
A prática começou de forma individual. Cristãos deixavam as aldeias do vale e se instalavam na franja desértica, em cavernas ou celas isoladas, sustentando-se com trabalho manual e recebendo quem procurava conselho. Antão, camponês do Médio Egito, seguiu esse caminho por volta do fim do terceiro século e retirou-se para a montanha próxima ao Mar Vermelho. A biografia que lhe dedicou Atanásio, bispo de Alexandria, circulou em grego e em latim e transformou sua trajetória em modelo imitado na Palestina, na Itália e na Gália.
As datas da retirada de Antão e da fundação das primeiras comunidades dependem de relatos escritos décadas depois dos fatos. O intervalo indicado reúne as estimativas aceitas pela maior parte dos estudos.
394 d.C. Datação estabelecida A última inscrição hieroglífica é gravada em Filas Em 24 de agosto de 394, um sacerdote gravou no templo de Ísis, em Filas, algumas linhas em hieróglifos acompanhadas de texto em demótico. É o registro datado mais recente que se conhece dessa escrita, usada de…
- Localização
- Templo de Ísis, na ilha de Filas
Alto Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Teodósio I
A inscrição é obra de Esmet-Akhom, integrante de uma família sacerdotal ligada ao santuário, e acompanha a figura de Mandúlis, divindade cultuada na região da Primeira Catarata. Traz data precisa e vem seguida de linhas em demótico, a escrita cursiva usada no cotidiano dos últimos séculos. Convém ser exato quanto ao alcance do fato: não se trata necessariamente do último ato de escrita hieroglífica, e sim do exemplo datado mais recente que sobreviveu. Textos posteriores sem data, ou simplesmente perdidos, não podem ser descartados. No mesmo templo está também o registro demótico datado mais tardio de que se tem notícia, do ano 452.
c. 537 d.C. Datação aproximada O fechamento de Filas encerra os cultos antigos Por ordem de Justiniano, um comandante enviado à Primeira Catarata encerrou o santuário de Ísis, confiscou as imagens de culto e prendeu os sacerdotes. O edifício foi convertido em igreja, e com ele terminou o…
- Localização
- Ilha de Filas, na Primeira Catarata
Alto Egito - Dinastia
- Província romana e bizantina
- Governante
- Justiniano I
Filas resistiu mais do que os outros santuários por razão diplomática. A ilha ficava na fronteira sul, e o culto de Ísis atendia também os blêmios e os nobades, povos da Núbia com quem o império mantinha acordos. Um tratado firmado em 452 lhes garantia o direito de conduzir a imagem da deusa em procissão até seu próprio território, e enquanto essa cláusula servisse à estabilidade da fronteira o templo permaneceu aberto, mesmo depois de a legislação imperial ter proibido os cultos não cristãos.
O episódio é conhecido pelo relato de Procópio, que não fornece data exata. Os estudos costumam situá-lo entre 535 e 537, durante o reinado de Justiniano.