c. 100 d.C. Datação aproximada
Os retratos do Faium unem duas tradições funerárias
Painéis pintados sobre madeira, com rostos de homens, mulheres e crianças, eram amarrados às ataduras das múmias no Faium e em Antinoópolis. Cada peça reúne a pintura de retrato de tradição greco-romana e o tratamento funerário egípcio em um mesmo objeto.
Domínio romano Arte retratos Faium encáustica contexto perdido
Contexto
O painel era pintado em madeira fina, com cera de abelha aquecida e pigmento ou com têmpera, e depois encaixado nas faixas de linho sobre o rosto do morto. O tratamento pictórico é o da tradição helenística: luz lateral, modelado do volume, olhar dirigido a quem observa. Penteados, barbas e joias acompanham a moda das cortes imperiais, o que permite datar boa parte das peças por comparação com bustos e moedas. Sob o painel, o corpo continuava a receber as substâncias de conservação e as fórmulas de proteção da tradição local, por vezes com máscara de estuque dourado sobre o peito.
Grande parte desses retratos chegou aos museus separada do corpo a que pertencia. Escavações do fim do século XIX e o comércio de antiguidades desmembraram conjuntos inteiros, e os painéis passaram a circular como quadros isolados, sem indicação de sepultura, sem os textos que traziam o nome do falecido e sem os objetos depositados junto dele. A perda é séria: falta a base para confirmar a identidade dos retratados, a idade em que morreram e a relação entre a imagem pintada e a pessoa enterrada. Exames por imagem em múmias que permaneceram completas vêm permitindo comparar a aparência representada com os restos preservados.
Sobre a datação
A produção se estende de meados do primeiro século ao terceiro século d.C. A data indicada corresponde ao auge da prática, já que poucos painéis podem ser datados individualmente com precisão.
Importância histórica
Trata-se do maior conjunto de pintura antiga sobre painel que sobreviveu, e praticamente a única amostra direta de um gênero descrito por autores gregos e romanos mas perdido em outras províncias. Além do valor artístico, os retratos documentam famílias de origem mista instaladas em cidades do Médio Egito, que adotavam nomes gregos, vestiam-se à moda de Roma e continuavam a enterrar seus mortos segundo o costume egípcio. São, também, um caso exemplar do que se perde quando um objeto é retirado sem registro.
Consequências
- Preservou o maior acervo conhecido de pintura antiga sobre painel de madeira.
- Documentou vestuário, joias e penteados de famílias provinciais por três séculos.
- Deixou centenas de peças sem origem registrada, o que limita conclusões sobre os retratados.
- Estimulou o exame por imagem das múmias que chegaram íntegras às coleções.
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