c. 1720 a.C. Datação aproximada
Avaris cresce como cidade levantina no delta
As escavações de Tell el-Dabaa mostram um povoado fundado pela administração da XII Dinastia que, ao longo de gerações, se tornou uma cidade portuária de população majoritariamente levantina, com casas, templos e sepulturas conforme costumes trazidos do outro lado do Sinai.
Segundo Período Intermediário Vida cotidiana Avaris Tell el-Dabaa delta oriental migração
Contexto
As camadas mais antigas correspondem a um assentamento planejado com templo, obra do Estado egípcio no reinado de Senusret III, num ponto de fácil acesso ao mar. Sobre elas se acumulam níveis de arquitetura de tipo sírio, com casas organizadas em torno de uma sala central, e templos de planta em eixo quebrado, desconhecida no Egito. As sepulturas ficam dentro das áreas de moradia, e várias trazem burros depositados diante da entrada, prática funerária do Levante. Aparecem armas de tipo levantino, como machados de lâmina recortada e punhais de cinto, jarras cananeias, jarrinhas de cerâmica fabricadas localmente segundo modelos estrangeiros, importações de Chipre e rebanhos com predomínio de ovinos e caprinos sobre o gado.
Nada nesse conjunto sugere ruptura violenta. A população cresce por acréscimo, geração após geração, alimentada por movimento comercial, por serviço prestado ao próprio Estado egípcio como marinheiros, soldados e artesãos, e por casamentos. Análises isotópicas de dentes dos cemitérios indicam que uma parcela grande dos sepultados havia crescido fora do Egito, com número notável de mulheres entre eles, o que combina com deslocamento contínuo e não com um contingente militar. A cidade atingiu área comparável às maiores do Oriente Próximo da época, e nela o costume levantino conviveu com o uso da escrita e dos títulos egípcios.
Sobre a datação
A data marca uma fase de crescimento, não um acontecimento datável. A sequência de camadas do lugar é bem estabelecida, mas sua conversão em anos absolutos depende de amarras com a cronologia do Médio Império e com a do Levante, ambas com folga de décadas.
Importância histórica
Avaris é a chave arqueológica de todo o período, porque permite substituir uma narrativa herdada de fontes tardias por uma sequência de camadas datadas. Ela documenta um caso raro de comunidade estrangeira que se instala, prospera e acaba por governar o país anfitrião, sem que a passagem seja marcada por destruição. É também o melhor retrato disponível da vida doméstica no delta antes do Novo Império, com casas, cozinhas, oficinas e cemitérios escavados em conjunto.
Consequências
- Formou a base demográfica e comercial de onde sairia a XV Dinastia.
- Ligou o delta oriental a Chipre e à costa levantina por rotas marítimas regulares.
- Produziu a sequência estratigráfica que hoje sustenta o estudo cronológico do período.
- Tornou-se, séculos depois, o lugar escolhido pelos ramessidas para erguer sua capital no delta.
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