c. 1777 a.C. Datação aproximada
Sobekneferu governa e encerra a XII Dinastia
Filha de Amenemhat III, Sobekneferu assumiu o trono com titulatura real completa e governou pouco menos de quatro anos. Seu reinado fecha a XII Dinastia e é tomado aqui como limiar do longo intervalo de reinados curtos que levaria o país à divisão.
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Contexto
Sobekneferu governou por direito próprio, com os cinco nomes da titulatura real, combinando formas masculinas e femininas nos textos, sem se apresentar como regente de ninguém. Suas estátuas, encontradas sem cabeça na região do Faium e no delta oriental, mostram uma figura vestindo o saiote e o manto cerimoniais do rei sobre a roupa feminina, solução de compromisso que a arte egípcia inventou para o caso. Ela acrescentou construções ao complexo funerário do pai em Hauara, deixou obra em Heracleópolis e teve o nome preservado nas listas reais posteriores. Seu túmulo não foi identificado com segurança; a atribuição de uma das pirâmides inacabadas de Mazguna continua sem prova.
Este acontecimento fica sobre uma linha. Pela dinastia e pela cultura material, pertence ao Médio Império; pelo que se abre em seguida, pertence ao bloco que os egiptólogos chamam de segundo intervalo de fragmentação. A divisão da história egípcia em períodos é ferramenta moderna, e boa parte dos especialistas mantém dentro do Médio Império também a XIII Dinastia, que veio depois. O motivo para tratar o reinado como limiar é concreto: com a morte de Sobekneferu não havia herdeiro da linhagem, o trono passou a mudar de mãos com frequência crescente, a fronteira nordeste deixou de ser vigiada como antes e as fortalezas do sul foram esvaziadas. A máquina administrativa continuou funcionando por décadas, mas a coesão política não voltou.
Sobre a datação
Uma lista real conservada em Turim atribui ao reinado três anos, dez meses e vinte e quatro dias, mas a posição desse intervalo no calendário absoluto depende das observações lunares e dos sincronismos parciais que ancoram todo o Médio Império, com margem de algumas décadas.
Importância histórica
É o caso mais bem documentado, antes do Novo Império, de uma mulher exercendo a realeza plena no Egito, e o único em que isso aconteceu sem apagamento posterior: seu nome permaneceu nas listas de reis. O reinado também marca o ponto em que uma dinastia se extingue por falta de herdeiro, e não por derrota. Como fecho de uma linhagem excepcionalmente estável e abertura de um período instável, funciona como charneira entre dois modos de governar o país.
Consequências
- Encerrou a linhagem que havia governado o Egito por mais de dois séculos.
- Manteve-se registrada nas listas reais posteriores, ao contrário de outras mulheres que reinaram.
- Abriu a sucessão a uma série de reis de reinado curto, que preservaram a administração mas perderam as fronteiras.
- Deixou estátuas que documentam como a arte oficial representava uma soberana em função masculina.
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