c. 1650 a.C. Datação aproximada
Os hicsos assumem o governo do norte
Os chefes instalados em Avaris tomaram o poder sobre o norte do Egito e formaram a XV Dinastia. O termo hicsos vem de uma expressão egípcia para governante de terra estrangeira, e a tomada do poder foi o desfecho de uma presença antiga, não o resultado de um assalto repentino.
Segundo Período Intermediário Dinastias hicsos XV Dinastia Avaris Mênfis
Contexto
A sequência dos fatos, tanto quanto se pode reconstruí-la, é esta: a linhagem que governava desde Itjtauy perdeu o controle de Mênfis e recuou para o sul, e a autoridade sobre o delta e o Médio Egito passou aos senhores de Avaris. Foram poucos reis, alguns com reinados longos, entre eles Khyan e Apepi. Adotaram a titulatura egípcia, empregaram escribas egípcios, mantiveram cultos e templos em funcionamento e cobraram tributo de Tebas em algum momento. Selos com o nome de Khyan aparecem de Creta à Anatólia, indício de uma rede comercial ativa. Achados recentes de lacres em Edfu sugerem que sua posição na sequência dinástica precisa ser revista, e a ordem dos reinados permanece em aberto.
A versão de invasão súbita e devastadora não vem da arqueologia: vem de fontes egípcias posteriores. Uma inscrição de Hatshepsut fala de um tempo em que estrangeiros teriam governado sem respeito pelos deuses, e o resumo de um sacerdote egípcio, transmitido mais de mil anos depois por um autor de língua grega, descreve cidades queimadas e templos arrasados. Quem escreveu isso pertencia ao lado que os expulsou e tinha motivo para descrevê-los como sacrílegos. As escavações não mostram camada de destruição em Avaris nem interrupção da ocupação, e o quadro que se impõe é o de captura política de um Estado já enfraquecido por dentro.
Sobre a datação
A duração da dinastia é estimada em cerca de um século por listas reais e por resumos antigos, e sua ordem interna continua discutida. As datas absolutas seguem dependentes das mesmas âncoras lunares e sincronismos parciais usados para o Médio Império.
Importância histórica
O episódio dividiu o Egito por cerca de um século e criou a situação política que a XVIII Dinastia resolveria pela guerra, com efeitos que se estenderiam por todo o Novo Império. Ele também é um dos melhores exemplos de como uma narrativa de invasão pode se sustentar por milênios apoiada apenas em relatos de vencedores, até que a escavação de um lugar específico permita testar o que aconteceu. A imagem do inimigo estrangeiro forjada nessa memória alimentou a política imperial egípcia dos séculos seguintes.
Consequências
- Repartiu o Egito entre um governo no delta e reis tebanos no sul por cerca de cem anos.
- Manteve em funcionamento a administração, a escrita e os templos egípcios sob soberanos de origem levantina.
- Integrou o norte do país a uma rede de troca que ia de Chipre e Creta ao interior do Levante.
- Fixou a imagem do inimigo estrangeiro que a XVIII Dinastia usaria para justificar sua guerra de reconquista.
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