c. 1975 a.C. Datação aproximada
O Muro do Governante fecha a fronteira nordeste
A passagem estreita entre o delta oriental e o Sinai recebeu uma linha de postos militares conhecida como Muro do Governante, destinada a vigiar quem entrava pelo nordeste. A obra é conhecida por menções em textos do período, sem trecho de muralha identificado no terreno.
Médio Império Guerras fronteira Sinai fortificações delta oriental
Contexto
A geografia explica a escolha do lugar: entre o braço pelusíaco do Nilo e os lagos rasos do istmo, a travessia por terra se reduzia a poucos corredores com água. Duas composições da própria XII Dinastia citam a obra. Na narrativa de Sinuhe, o fugitivo espera a noite para contornar as fortificações erguidas para conter os beduínos; em outro texto, o rei aparece anunciando que fará barreira contra quem vem do leste. Como se trata de literatura de escola, o que se extrai delas é a existência e o propósito do dispositivo, não sua planta. Nenhuma escavação identificou até hoje uma muralha contínua, e a leitura mais aceita é a de uma sequência de fortins e postos de vigia sobre os pontos de água.
O objetivo não era vedar a fronteira, e sim administrá-la. O Estado queria saber quem passava, cobrar por isso e conduzir os grupos a lugares onde pudessem ser registrados: uma cena pintada em Beni Hassan mostra justamente a chegada autorizada de uma caravana levantina com seus animais e mercadorias. Do mesmo período vêm listas de nomes de chefes e cidades do Levante inscritas em figuras rituais, sinal de que a corte acompanhava de perto a política do outro lado do istmo. Quando esse controle se afrouxou, na XIII Dinastia, o delta oriental passou a crescer por conta própria.
Sobre a datação
Não há data de construção registrada: o conjunto é atribuído ao reinado de Amenemhat I por menções escritas, e o reinado, por sua vez, é situado por observações lunares e sincronismos parciais que deixam margem de algumas décadas.
Importância histórica
O dispositivo mostra como o Egito tratava suas bordas: não como linha fechada, mas como zona administrada, com postos, registro de passagem e cobrança. A fórmula sobreviveu ao Médio Império e reaparece na estrada militar que o Novo Império chamaria de Caminhos de Hórus, com fortins e poços a intervalos regulares. A dependência de fontes literárias para conhecer a obra também é um bom exemplo de quanto do aparelho de Estado egípcio se conhece por texto e não por escavação.
Consequências
- Deu ao governo um ponto de registro e de cobrança sobre a entrada pelo nordeste.
- Antecipou a rede de fortins que o Novo Império manteria na estrada para o Levante.
- Regulou, sem impedir, a circulação de grupos pastoris entre o Sinai e o delta.
- Sua perda de eficácia na XIII Dinastia acompanhou o crescimento autônomo do delta oriental.
Acontecimentos relacionados
-
c. 1930 a.C. Médio Império
A História de Sinuhe fixa a língua clássica
A História de Sinuhe conta a fuga de um cortesão para o Levante e seu retorno na velhice. É obra de ficção, não relato de acontecimentos, e virou o…
Escrita -
c. 1720 a.C. 2.º Intermediário
Avaris cresce como cidade levantina no delta
As escavações de Tell el-Dabaa mostram um povoado fundado pela administração da XII Dinastia que, ao longo de gerações, se tornou uma cidade…
Vida cotidiana -
c. 1860 a.C. Médio Império
A linha de fortalezas da Segunda Catarata
A militarização da Baixa Núbia foi feita por etapas: Buhen e outros postos no início da XII Dinastia e, sob Senusret III, o grupo de Semna, Cumma e…
Guerras -
c. 1900 a.C. Médio Império
As tumbas de Beni Hassan retratam o cotidiano provincial
Escavadas na encosta calcária do nomo do Órix, as tumbas dos governadores de Beni Hassan guardam cenas de colheita, tecelagem, fundição de metal…
Vida cotidiana