1457 a.C. Datação aproximada
A batalha de Megido inaugura o império asiático
Ao assumir o governo sozinho, Tutmés III enfrentou uma coalizão de cidades sírias e palestinas reunida em Megido. A escolha da passagem estreita de Aruna surpreendeu o inimigo, e o cerco que se seguiu durou meses. O relato foi gravado nos anais de Karnak.
Novo Império Guerras Megido anais de Karnak Aruna cerco
Contexto
Os anais foram inscritos nas paredes em torno do santuário de granito de Karnak e derivam de um diário de campanha guardado em rolo no templo de Amon, o que explica o nível de detalhe: datas, itinerários, discursos em conselho de guerra e listas de despojos. Segundo esse texto, a coalizão era chefiada pelo governante de Cades e reunia centenas de chefes locais. O conselho de oficiais recomendou os caminhos largos; o rei impôs a trilha de Aruna, onde a coluna teve de avançar em fila indiana, e apareceu na planície de Jezreel pelo flanco desprotegido.
A tropa inimiga se desfez sem combate prolongado e os fugitivos foram içados por roupas e cordas para dentro das muralhas, cena que o próprio texto egípcio narra com ironia. O saque do acampamento atrasou a perseguição, e Megido só se rendeu depois de um cerco descrito como de sete meses. Os números apresentados nos anais, com centenas de carros e milhares de cavalos capturados, além de rebanhos e prisioneiros, cumprem função de propaganda oficial: eram gravados para celebrar o rei diante do deus, não para servir de estatística, e devem ser lidos como ordem de grandeza retórica.
Sobre a datação
Os anais datam o combate com precisão de dia dentro do ano vinte e três de Tutmés III, o que faz dele um dos acontecimentos militares mais bem registrados da Antiguidade. A conversão para o calendário atual, no entanto, produz resultados que variam cerca de vinte e cinco anos entre a cronologia alta e a baixa, com 1457 a.C. como valor mais usado.
Importância histórica
Megido é a primeira batalha da história para a qual existe um relato detalhado de decisão tática, com discussão de rotas, escolha de terreno e sequência de acontecimentos. Do ponto de vista egípcio, ela abriu o ciclo de dezessete campanhas que transformaria o Levante em zona de domínio, com vassalos juramentados, tributo anual e guarnições. A rendição de Megido também fixou o modelo adotado depois: manter as dinastias locais no lugar e levar seus filhos para a corte egípcia.
Consequências
- Desfez a coalizão levantina chefiada pelo governante de Cades.
- Inaugurou a série de dezessete campanhas asiáticas registradas nos anais de Karnak.
- Estabeleceu a prática de manter chefes locais no poder sob juramento de lealdade.
- Tornou o vale de Jezreel eixo permanente das operações egípcias no Levante.
Acontecimentos relacionados
-
c. 1450 a.C. Novo Império
Os anais de Tutmés III e a administração das províncias asiáticas
Dezessete campanhas em vinte anos não produziram anexação direta, mas um sistema de vassalagem: chefes locais mantidos no cargo, herdeiros educados…
Administração -
1274 a.C. Novo Império
A batalha de Cades contra o Império Hitita
No quinto ano de reinado, quatro divisões egípcias marcharam sobre Cades e caíram em uma emboscada montada por Muwatalli II. O ataque hitita quase…
Guerras -
c. 1500 a.C. Novo Império
Tutmés I leva o exército egípcio ao Eufrates
Duas frentes marcaram esse reinado: ao sul, a conquista até a Terceira Catarata, comemorada na estela de Tombos; ao norte, uma marcha inédita até o…
Guerras -
c. 925 a.C. 3.º Intermediário
Sesonquis I reunifica o Egito e ataca o Levante
De origem líbia e vindo de Bubástis, Sesonquis I recompôs a autoridade sobre o Egito inteiro colocando parentes nos cargos decisivos e conduziu uma…
Guerras