c. 1460 a.C. Datação aproximada
Os obeliscos de Karnak e as pedreiras de Assuã
Dois monólitos de granito extraídos em Assuã foram erguidos entre o quarto e o quinto pilone de Karnak. O que permanece de pé tem quase trinta metros e mais de trezentas toneladas, e sua base afirma que a extração e a montagem levaram sete meses, com as pontas revestidas de electro.
Novo Império Construções obeliscos granito Karnak transporte fluvial
Contexto
O granito vermelho vinha das pedreiras da margem oriental de Assuã, onde o bloco era isolado por trincheiras abertas a golpes de esferas de dolerito e depois desprendido da rocha viva. O transporte, cerca de duzentos quilômetros rio abaixo, aparece representado em relevo no pórtico inferior de Deir el-Bahari: dois obeliscos deitados lado a lado sobre uma barcaça imensa, rebocada por filas de embarcações a remo. A operação, atribuída nos textos ao mordomo Senenmut, dependia da cheia para aproximar a carga do canteiro e de rampas de tijolo e areia para o levantamento final.
Um dos monólitos continua no lugar e é o obelisco mais alto ainda de pé no Egito; o outro caiu e um fragmento de seu topo está exposto junto ao lago sagrado de Karnak. A soberana também mandou instalar um par diante do oitavo pilone e reformou o santuário de quartzito hoje conhecido como Capela Vermelha. Nas pedreiras de Assuã permanece um monólito inacabado de mais de quarenta metros, abandonado depois de rachar durante a extração; sua atribuição a esse reinado é provável, mas não demonstrada. As inscrições declaram que os obeliscos foram feitos para Amon e revestidos de electro nas pontas.
Sobre a datação
A inscrição da base do obelisco conservado menciona o ano dezesseis da corregência e um prazo de sete meses entre a extração e a instalação. As datas absolutas correspondentes oscilam cerca de uma década entre a cronologia alta e a baixa.
Importância histórica
Erguer um obelisco era a prova pública de que a coroa controlava pedreiras, frota, mão de obra e calendário agrícola ao mesmo tempo. A base do monumento conservado é um dos raros textos egípcios que informam prazo de obra, e o relevo do transporte é a melhor evidência figurada da logística fluvial de cargas pesadas na Antiguidade. O par também fixou o eixo monumental de Karnak, referência que os reinados seguintes ampliariam por mais de mil anos.
Consequências
- Deixou em Karnak o obelisco mais alto ainda de pé no Egito.
- Registrou em pedra um prazo de sete meses entre a extração e a instalação dos monólitos.
- Preservou no relevo de Deir el-Bahari a mais detalhada cena de transporte fluvial de cargas pesadas.
- Consolidou o par de obeliscos como marca obrigatória de patrocínio real nos templos.
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