Recorte geográfico
Levante e Síria
A costa e o interior entre Gaza e o Eufrates, incluindo Biblos, Megido, Cades, Ugarite e o reino de Mitani.
8 acontecimentos
Novo Império
c. 1550 – 1069 a.C.
4 acontecimentos
c. 1500 a.C. Datação aproximada Tutmés I leva o exército egípcio ao Eufrates Duas frentes marcaram esse reinado: ao sul, a conquista até a Terceira Catarata, comemorada na estela de Tombos; ao norte, uma marcha inédita até o Eufrates, onde o rei mandou erguer uma estela de fronteira…
- Localização
- Norte da Síria, margem do Eufrates
Levante e Síria - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés I
No segundo ano de reinado, uma estela gravada na rocha em Tombos, junto à Terceira Catarata, registra a derrota das forças de Cuxe e a instalação do domínio egípcio a montante. Textos do período descrevem o corpo de um arqueiro núbio pendurado na proa do navio real na volta a Tebas, imagem de vitória destinada ao público interno. No mesmo reinado, o canal aberto na Primeira Catarata em tempos de Senusret III foi desobstruído para permitir a passagem da frota, obra registrada em inscrição na ilha de Sehel.
A campanha na Síria é conhecida por textos comemorativos e por biografias de oficiais, sem data de ano preservada de forma segura. A posição do reinado na sequência do Novo Império é firme, ainda que as datas absolutas se desloquem cerca de uma década conforme a cronologia escolhida.
1457 a.C. Datação aproximada A batalha de Megido inaugura o império asiático Ao assumir o governo sozinho, Tutmés III enfrentou uma coalizão de cidades sírias e palestinas reunida em Megido. A escolha da passagem estreita de Aruna surpreendeu o inimigo, e o cerco que se seguiu durou…
- Localização
- Megido, no vale de Jezreel
Levante e Síria - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés III
Os anais foram inscritos nas paredes em torno do santuário de granito de Karnak e derivam de um diário de campanha guardado em rolo no templo de Amon, o que explica o nível de detalhe: datas, itinerários, discursos em conselho de guerra e listas de despojos. Segundo esse texto, a coalizão era chefiada pelo governante de Cades e reunia centenas de chefes locais. O conselho de oficiais recomendou os caminhos largos; o rei impôs a trilha de Aruna, onde a coluna teve de avançar em fila indiana, e apareceu na planície de Jezreel pelo flanco desprotegido.
Os anais datam o combate com precisão de dia dentro do ano vinte e três de Tutmés III, o que faz dele um dos acontecimentos militares mais bem registrados da Antiguidade. A conversão para o calendário atual, no entanto, produz resultados que variam cerca de vinte e cinco anos entre a cronologia alta e a baixa, com 1457 a.C. como valor mais usado.
c. 1450 a.C. Datação aproximada Os anais de Tutmés III e a administração das províncias asiáticas Dezessete campanhas em vinte anos não produziram anexação direta, mas um sistema de vassalagem: chefes locais mantidos no cargo, herdeiros educados na corte egípcia, guarnições em pontos estratégicos e portos…
- Localização
- Karnak e cidades vassalas do Levante
Levante e Síria - Dinastia
- XVIII Dinastia
- Governante
- Tutmés III
O Egito não instalou governadores próprios na maior parte do Levante. Preferiu contratos de lealdade jurados diante do rei, acompanhados de entrega periódica de bens que os textos chamam de inu: prata, cobre, cavalos, carros, tecidos, vinho, azeite e madeira de construção. Três centros de supervisão foram organizados, com sede em Gaza, na região de Cades e em Ugarite ou suas vizinhanças, sob a autoridade de um funcionário responsável pelas terras estrangeiras do norte. Guarnições pequenas e depósitos de suprimento nos portos da costa garantiam que a próxima campanha encontrasse comida e transporte disponíveis.
As campanhas estão datadas por ano de reinado, do vigésimo terceiro ao quadragésimo segundo, mas a gravação dos anais em Karnak foi feita em etapas, sem data própria. Como em todo o período, a passagem para o calendário atual admite variação próxima de uma década segundo a cronologia adotada.
1274 a.C. Datação aproximada A batalha de Cades contra o Império Hitita No quinto ano de reinado, quatro divisões egípcias marcharam sobre Cades e caíram em uma emboscada montada por Muwatalli II. O ataque hitita quase destruiu o acampamento real, e o resultado foi um impasse que…
- Localização
- Cades, no rio Orontes
Levante e Síria - Dinastia
- XIX Dinastia
- Governante
- Ramsés II
O exército avançou dividido em quatro corpos, com os nomes de Amon, Rá, Ptah e Set, mais um destacamento vindo pela costa. Segundo o relato egípcio, dois beduínos capturados informaram que as forças hititas estavam longe, ao norte, quando na verdade se encontravam escondidas atrás da cidade. A carga dos carros hititas atingiu a divisão de Rá em marcha e a desbaratou, chegando ao acampamento real. A chegada do destacamento costeiro e a reorganização em torno do rei impediram o desastre completo, e no dia seguinte as duas frentes se retiraram sem tomar a praça.
O combate está datado do ano cinco de Ramsés II, e o cruzamento com os arquivos de Hattusa torna essa posição uma das mais seguras do Bronze Recente. A conversão para o calendário atual oscila cerca de dez anos entre a cronologia alta e a baixa, com 1274 a.C. como valor de uso corrente.
Terceiro Período Intermediário
c. 1069 – 664 a.C.
3 acontecimentos
c. 1075 a.C. Datação aproximada A viagem de Unamon expõe o declínio do prestígio egípcio Enviado de Tebas para comprar madeira de cedro destinada à barca de Amon, Unamon foi assaltado em Dor, esperou meses em Biblos e ouviu do príncipe local que o Egito precisaria pagar pelo que antes recebia por…
- Localização
- Biblos, Dor e a costa fenícia
Levante e Síria - Dinastia
- XX Dinastia
- Governante
- Ramsés XI
O documento chegou até nós em um papiro encontrado em el-Hibeh, no Médio Egito, e narra em primeira pessoa a missão de um funcionário do templo de Amon. Unamon parte com pouca prata e uma imagem portátil do deus, é roubado no porto de Dor, discute compensações, chega a Biblos e é mantido à espera pelo príncipe Zacarbaal. Quando finalmente é recebido, ouve que os antepassados do príncipe forneciam madeira porque eram pagos, e não porque devessem obediência, e que os registros do arquivo local comprovavam os pagamentos.
O relato usa o quinto ano de uma era contada em Tebas, e não um ano de reinado, o que deixa margem de alguns anos na conversão para datas absolutas.
c. 925 a.C. Datação aproximada Sesonquis I reunifica o Egito e ataca o Levante De origem líbia e vindo de Bubástis, Sesonquis I recompôs a autoridade sobre o Egito inteiro colocando parentes nos cargos decisivos e conduziu uma campanha ao Levante. A relação dos lugares alcançados foi…
- Localização
- Do sul do Levante a Megido
Levante e Síria - Dinastia
- XXII Dinastia
- Governante
- Sesonquis I
A XXII Dinastia nasceu da integração de famílias líbias instaladas no delta havia gerações, com chefias militares reconhecidas e terras próprias. Sesonquis I reuniu o norte e obteve o reconhecimento do sul pelo caminho mais eficaz: nomeou o próprio filho sumo sacerdote de Amon em Tebas e distribuiu comandos e sacerdócios entre membros da família. Com o país sob uma só autoridade pela primeira vez em mais de um século, retomou a antiga política de intervenção na Ásia, interrompida desde o fim do Novo Império.
A campanha é situada nos últimos anos de Sesonquis I, mas o texto de Karnak não a data com clareza, e as propostas variam entre o vigésimo e o vigésimo segundo ano de reinado.
853 a.C. Datação em debate O Egito na coalizão contra a Assíria em Carcar Em Carcar, no Orontes, uma aliança de reinos sírios e levantinos enfrentou o exército de Salmanasar III. O monólito assírio que narra o episódio arrola entre os aliados mil soldados de Musri, termo em geral…
- Localização
- Carcar, no rio Orontes
Levante e Síria - Dinastia
- XXII Dinastia
- Governante
- Osorkon II
O avanço assírio para oeste ameaçava as rotas que ligavam a Mesopotâmia ao Mediterrâneo e, por extensão, os interesses egípcios na região. A coalizão reuniu Damasco, Hamat, Israel e outros contingentes menores, entre eles o de Musri. Salmanasar III declarou vitória e enumerou perdas enormes do adversário, mas não prosseguiu para o sul, não cobrou tributo das cidades derrotadas e voltou a atacar a mesma região em campanhas posteriores, o que sugere um resultado bem menos definitivo do que o texto afirma.
O ano é fixado com segurança pelos registros assírios, mas a participação egípcia depende da leitura do nome Musri no monólito de Kurkh e da atribuição do contingente a Osorkon II, dois pontos em que os especialistas divergem.
Época Baixa
c. 664 – 332 a.C.
1 acontecimento
605 a.C. Datação estabelecida A derrota em Carquemis encerra a influência egípcia na Ásia Depois de quatro anos administrando a Síria e a Palestina, o exército de Necao II foi desfeito em Carquemis pelas tropas babilônicas de Nabucodonosor. O Egito recuou para as próprias fronteiras e nunca voltou…
- Localização
- Carquemis, no alto Eufrates
Levante e Síria - Dinastia
- XXVI Dinastia
- Governante
- Necao II
A queda de Nínive, em 612 a.C., deixou um vazio que o Egito tentou ocupar. Em 609 a.C. Necao II marchou para o norte em socorro do que restava do poder assírio, enfrentou e matou Josias de Judá no caminho por Megido, e passou a dispor das cidades levantinas como senhor: depôs e nomeou reis em Jerusalém, cobrou tributo e instalou guarnições até o alto Eufrates. Durante quatro anos o vale do Orontes e a costa fenícia estiveram sob controle egípcio, uma situação que não se repetia desde o fim do Novo Império.
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